Capítulo 5

2052 Palavras
Madisson Um gemido escapa dos meus lábios quando bato o celular com força na mesa lateral ao meu lado. Nunca imaginei que o tédio pudesse ser tão enlouquecedor até começar a morar na casa do Mateo. Desde o incidente de três dias atrás, Mateo praticamente me colocou em prisão domiciliar. Em poucas horas, ele mandou empacotar a maioria das minhas coisas do meu apartamento e me trouxe para cá, para sua cobertura na parte alta de Manhattan. Meu exército de guarda-costas dobrou, e embora eu possa sair, é sempre sob forte escolta. Na maior parte do tempo, fico confinada ao quarto que me foi designado. De vez em quando, como hoje, perambulo pelos cômodos da casa enorme, mas nada disso alivia a sensação de estar presa entre essas paredes frias. No fundo, sei que o motivo pelo qual ainda estou aqui é o medo. Um medo paralisante, que toma conta de mim sempre que fecho os olhos e ouço, como num eco distante, o som da explosão. Lembro-me de como fui jogada ao chão, da dor aguda dos arranhões nos braços. Felizmente, estava longe o suficiente para não me machucar gravemente, mas ainda parece um pesadelo — um que se repete toda vez que fecho os olhos. Então eu fico. Mesmo quando o ar me sufoca, mesmo quando minha sanidade ameaça ruir... eu fico. Mateo tem tentado me animar. Tenho notado que ele chega mais cedo em casa nos últimos dias, geralmente com meu sorvete favorito ou alguma sobremesa que ele sabe que eu gosto. Mas por trás dos sorrisos, vejo a preocupação nos olhos dele. Ele parece ainda mais tenso agora do que na época da tragédia que destruiu o escritório de arquitetura da nossa família. Hoje, tentei mudar a rotina. Fiz um esforço para preparar o almoço — tentei seguir uma receita de salada de frango grelhado que achei online. Queimei tudo. Acabei comendo um sanduíche frio, porque estava deprimida demais para pedir comida. Depois assisti ao filme mais chato do mundo. Ainda são duas da tarde, mas o dia já parece eterno. Estou sentada na sala de estar, as pesadas cortinas fechadas isolando o mundo lá fora. A cobertura de Mateo parece uma fortaleza — sólida, imponente, decorada com painéis de madeira escura e móveis ornamentados que exalam uma riqueza quase intimidadora. Já amei esta casa. Ela tinha um charme sombrio e envolvente, uma fusão de luxo moderno e tradição. Agora, parece uma jaula dourada. Tudo aqui é escuro, minimalista, opressor. Nada como meu antigo apartamento, claro e arejado, com paredes coloridas e plantas em todos os cantos. Meu coração se aperta só de pensar nas plantas... Mateo não as trouxe, e agora já devem estar murchas, talvez mortas. As lágrimas surgem sem aviso, quentes e irritantes. Um leve sobressalto me atinge quando ouço a campainha, seguida pelo som da senha sendo digitada. Enxugo os olhos rapidamente, tentando parecer composta, e pego o celular para fingir que estou ocupada lendo mensagens. Passos firmes ecoam pelo corredor. Espero ver Mateo, mas me surpreendo quando John entra na sala. — Pudinzinho? Viro o rosto, surpresa. Ele é o único que me chama assim — um apelido que sempre odiei, mas que acabou grudando em mim. — Ei — murmuro quando ele se aproxima e se inclina para beijar minha testa. Ele havia me visitado dois dias atrás, pouco depois de saber do atentado. Ficou pouco tempo, dizendo que tinha uma reunião importante. Não me surpreendi — e, para ser sincera, não me importei. Estava emocionalmente exausta demais para me importar. O sofá afunda sob seu peso quando ele se senta ao meu lado. Sua mão envolve meu rosto com cuidado, e seus olhos me examinam. — Você estava chorando? — Não — minto, sem hesitar. Ele me encara por alguns segundos antes de dizer, com a voz baixa: — Você está mentindo. Solto um suspiro, sem desviar o olhar, enquanto sua mão ainda me toca. — Vem morar comigo, Maddie… — John… Ele não me deixa terminar. Inclina-se e me beija nos lábios. Solto um suspiro, e ele se aproveita disso, deslizando a língua entre os meus lábios. Retribuo o beijo, ignorando o fato de que sua língua parece perdida, sem ritmo ou intenção. Passo uma mão por entre os cabelos dele, enquanto a outra agarra seu ombro com mais força. Meus dedos puxam seus fios loiros com leveza — como se eu precisasse de algo real para me ancorar. — Devagar, Pundizinho — ele murmura contra meus lábios, segurando minha cintura com firmeza para me estabilizar. — Eu quero isso, John — sussurro contra sua boca, aproximando-me mais. Não fazemos sexo com frequência. Ele está sempre ocupado, ausente. As poucas vezes que acontece, é decepcionante. John goza e dorme; eu fico com o corpo aceso, terminando com os dedos. Não sinto falta dele. Sinto falta da i********e. Do toque. Do prazer bruto e honesto de ser realmente desejada, fodida até esquecer o mundo. Sinto falta de algo que, no fundo, nunca experimentei de verdade. Inclino-me e começo a pressionar beijos abertos no pescoço dele. — Eu preciso esquecer tudo, bebê — murmuro, jogando uma perna por cima de sua cintura até ficar montada sobre ele no sofá. Ele grunhe quando começo a rebolar, sentindo sua ereção contra meu c******s. — p***a, Pudinzinho... — Me faça esquecer — sussurro, ofegante. Ele agarra meu rosto e volta a me beijar, a língua desajeitada, os dentes batendo nos meus. Tento ignorar isso. Tento focar no calor, na fricção, na ilusão de prazer. Ele segura minha cintura e se levanta comigo no colo. — Alguém pode entrar... — diz com um sorriso, mas hesitante. No fundo, não me importo. Mas suspiro e o conduzo até o quarto de hóspedes. O desejo lateja, a carência me consome. Quando o momento nos envolve, tento empurrá-lo para a cama, abrindo minhas pernas para ele mais uma vez, mas ele me carrega até o centro da cama. Não preciso perguntar. Sei que ele odeia quando tento ficar por cima. Ele começa a desabotoar a camisa. Entendo o recado. Tiro meu vestido de verão e a calcinha com dedos trêmulos, o coração pesado, a mente querendo fugir — mesmo quando meu corpo clama por qualquer alívio. Quando nós dois estamos nus, ele coloca a camisinha que trouxe — como se já tivesse planejado vir até aqui só para t*****r comigo — e se posiciona entre minhas pernas abertas antes de deslizar para dentro de mim com um gemido rouco. — p***a, você tá tão molhada — ele resmunga, enterrando o rosto no meu pescoço. — Eu poderia fazer isso pra sempre. Só me deixa levar. Fecho os olhos assim que ele começa a me penetrar. Sei exatamente como isso vai ser, e já me arrependo de ter cedido ao beijo. Suas estocadas se tornam rápidas e mecânicas, e ele apoia as mãos de cada lado da minha cabeça, como sempre faz, buscando firmeza no corpo e não em mim. — Você ama isso, querida? — ele pergunta entre gemidos. Meu olhar se arrasta do teto até seu rosto avermelhado. — Sim, bebê — deixo escapar um gemido agudo, aquele que sempre o faz gozar mais rápido. E, como previsto, é exatamente o que acontece. Quando ele sai do meu corpo, me enrolo em um cobertor, de repente tomada por um vazio oco, quase físico. Enquanto ele se veste, fecho os olhos, desejando que ele vá embora logo. — Trouxe algo pra você, Pudinzinho — ele diz subitamente. Quando abro os olhos, vejo que segura uma caixinha de veludo. — Já passou da hora de você usar meu anel no dedo, não acha? — pergunta, sorrindo com falsa leveza. Ele me entrega a caixa no exato momento em que o celular toca. Coloco a caixinha sobre o criado-mudo, sem nem abri-la. — Claro, estarei aí em breve — ele diz ao telefone antes de encerrar a ligação. Ele começa a murmurar algo sobre precisar sair para resolver um assunto importante. Eu não respondo. Ele fala que devo relaxar, que devo pensar sobre a ideia de irmos morar juntos. Mas tudo o que consigo sentir é um isolamento cada vez mais sufocante. O quarto parece mais frio agora. O cobertor, macio segundos atrás, me prende como uma armadilha dourada. Observo John sair, a porta se fechando atrás dele, e sou deixada em um silêncio que pesa mais do que qualquer palavra. O tique-taque do relógio na parede soa como zombaria. Cada segundo é mais torturante que o anterior. Me deito na cama e olho fixamente para o teto, tentando não sucumbir. Mas os pensamentos retornam como uma avalanche. Quem quer me matar? A pergunta se repete dentro de mim, se entrelaçando ao medo constante que se recusa a desaparecer. Fecho os olhos, tentando bloquear as memórias. Mas elas me caçam. O cheiro da fumaça. Os gritos. O impacto. A dor. Perco a noção do tempo, perdida na minha mente até ouvir passos pesados ecoando pela casa. Reconheço o som — Mateo. Visto o vestido às pressas e saio do quarto, encontrando-o no meio da escada. — O que houve? — pergunto assim que vejo seu rosto. É evidente que algo aconteceu. Os olhos avermelhados, o paletó ausente, a camisa desabotoada, o cabelo bagunçado... e o cheiro sutil de cerveja em volta dele. Ele não responde de imediato, e meu coração dispara. Isso não é bom. — Fala comigo, Mateo — digo, segurando sua mão. — Você tá me assustando. Ele hesita, os pensamentos se atropelando atrás dos olhos cansados. Finalmente, ele desce até a cozinha, e eu o sigo. — É o Alessandro — diz, a voz carregada de frustração. Ele enfia as mãos nos bolsos e começa a andar de um lado para o outro como um animal enjaulado. Sinto um nó no estômago ao ouvir esse nome. Alessandro. O nome dele me provoca uma sensação estranha, como morder uma fruta bonita e descobrir que está podre por dentro. Uma parte de mim nunca parou de pensar naquela noite. Mesmo sabendo que ele é perigoso. Mesmo assim... — O que ele fez agora? — pergunto, engolindo em seco. — Ele veio a público com declarações contra nós. Está espalhando que não temos como pagar nossas dívidas. É um caos. Enquanto Mateo passa as mãos pelos cabelos, absorvo a gravidade da notícia. — Por que ele tá fazendo isso? — sussurro. — Aparentemente, ele é um dos nossos credores disfarçados. E divulgou uma nota afirmando que o Império Bianchi está falido. Agora outros credores estão pressionando, exigindo seus pagamentos. É um maldito efeito dominó. A raiva em sua voz é evidente. Meu coração aperta. Sinto uma onda de ódio puro por Alessandro. O que ele quer de nós? Por que não acaba logo? Observo Mateo — exausto, frustrado, vulnerável — e algo dentro de mim desperta. Determinação. Não vou deixar Alessandro destruir o legado do nosso pai. Nem a vida do meu irmão. Vejo o celular de Mateo em cima do balcão da cozinha. Me aproximo e o abraço, colando meu corpo ao dele. — Ei. Vai ficar tudo bem — sussurro. Enquanto o abraço, pego o celular discretamente, escondendo-o atrás de mim. — Por que você não vai tomar um banho? Eu peço comida chinesa pra gente. Mateo concorda com um aceno e sobe as escadas. Assim que ele desaparece, desbloqueio o celular. A senha? Meu aniversário. A tela brilha enquanto vasculho mensagens, e-mails e contatos. Depois de alguns minutos, encontro o que procuro: um arquivo com dados de empresários e parceiros de negócios de Manhattan. Mateo sempre foi cuidadoso. Nosso negócio sempre flertou com o lado sombrio da cidade. Papai costumava dizer: "Às vezes, é preciso fazer coisas ruins para proteger o que é seu." Era o jeito dele de justificar o império que construiu com sangue e acordos nas sombras. Depois de muita rolagem, encontro o nome dele. Alessandro Salvatore. Endereço. Telefone. Informações básicas. O nome dele pisca diante dos meus olhos como um presságio. Sinto o coração disparar, não só pelo medo... mas pela excitação do que estou prestes a fazer. Na manhã seguinte, espero Mateo sair. Roubo as chaves do Audi e desço pela escada de incêndio — o único ponto sem vigilância. Está na hora. Hora de encarar o demônio. Hora de confrontar Alessandro Salvatore.
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