Capítulo 6

1545 Palavras
Alessandro — A próxima remessa chega no final deste mês, chefe — a voz de Anton preenche o carro. — Se não quisermos repetir o que aconteceu da última vez... — Isso não vai acontecer de novo. Cerrei os dentes, girando o volante com força. Virei à direita, entrando na rua tranquila que levava até minha casa. — Eu me certifiquei disso. Nosso último carregamento de cocaína foi interceptado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras. Depois que nosso informante na agência foi preso meses atrás, uma longa batalha judicial se seguiu. Ele acabou sendo libertado, mas perdeu o cargo. O novo comissário, arrogante e e******o, achou que poderia desafiar o cartel. Que poderia mexer comigo. Aqui não existe lei e ordem — ou, pelo menos, somos nós que decidimos o que pode ou não pode acontecer. Infelizmente, ele não recebeu o memorando. Tentou bancar o herói, então eu lhe enviei um pequeno presente em “agradecimento”. Não foi coincidência que, antes mesmo da história vazar para a imprensa, a casa dele no Upper East Side tenha sido consumida pelas chamas. Com ele dentro. Serviu tanto como punição quanto como aviso ao próximo comissário que ousasse se meter no nosso caminho. — Fiquem atentos a qualquer novidade — ordenei, entrando na garagem. — Sim, chefe. A ligação terminou com um bipe seco antes que eu desligasse o telefone. Era sexta-feira à noite e, embora eu normalmente não tirasse folgas por causa da natureza do que faço, hoje... eu precisava de um respiro. A visão familiar da minha casa suburbana me dá as boas-vindas. Sob o céu noturno, ela se ergue moderna e imponente, com janelas de vidro escuro refletindo os últimos traços do pôr do sol. O gramado, impecável, estende-se como um tapete verde, margeado por gramas perfeitamente aparadas. Tudo aqui contrasta violentamente com o caos da cidade. Minha cobertura em Midtown Manhattan me mantém perto do centro da ação, mas às vezes tudo o que eu quero é silêncio. Paz. Aqui é o meu refúgio. Nem mesmo instalei segurança. Pouquíssimos sabem que moro aqui. A casa está registrada em nome de uma família fictícia de imigrantes asiáticos recém-chegados — cortesia da minha assistente. Discrição é poder. Ao entrar na garagem, algo me parece fora do lugar. É então que vejo o carro estacionado do lado de fora da cerca. Um Audi preto, reluzente, com curvas elegantes e provocantes. Franzo o cenho. Saio do carro e caminho até o portão, com o cascalho estalando sob meus sapatos. E então eu a vejo. Meu coração dá um salto. Eu quase não acredito. Mads. Ela está parada ao lado do carro, os braços cruzados e a postura tensa. Ela conseguiu meu endereço. Provavelmente com o irmão. Eu não ficaria surpreso. Ele deve me vigiar há anos, esperando o momento certo para se proteger — ou me atacar. Mas é tarde demais para isso. A irmã dele já cruzou o caminho do lobo. Está diante de mim. Um calor se espalha no meu peito. Ela não sabe que estou aqui... Ainda. Ou, se sabe, está fingindo bem. Ela está linda — um vestido azul-claro curto, com babados nas mangas e nas pontas. A cor realça o tom escuro de seu cabelo longo. Ondas suaves emolduram seu rosto impecável. Meus olhos descem por suas pernas e a tensão vai direto para meu p*u. Imediatamente, penso em como seria tê-la ajoelhada à minha frente, com os lábios em volta de mim. Ou puxá-la pelos cabelos enquanto a tomo por trás. Porra. Volto a focar no rosto dela. Os lábios estão pressionados numa linha fina, como se ela contivesse palavras amargas. E então ela me encara. O ar quente da noite nos envolve. Um poste próximo ilumina seus cabelos, revelando mechas douradas entre os fios escuros. Há fogo nos olhos dela. Está aqui por um motivo. E isso só torna tudo mais divertido. — Há algo que eu deva saber? — pergunto, me aproximando, a voz arrastada pela brisa. — Seu irmão me visitou hoje. E agora você está aqui. — Paro em frente a ela, baixando a voz. — Estou em apuros, é isso? Ou a família Bianchi resolveu me convidar oficialmente para o clã? Ela ergue o rosto, as narinas dilatadas. — Seu pedaço de merda — ela cospe, se aproximando ainda mais. Perto assim, vejo as sardas em seu nariz, sinto seu perfume — baunilha com um toque de lavanda — e seus olhos castanho-esverdeados queimam contra os meus. — Como você ousa? — Ousar o quê, princesa? — pergunto, afastando uma mecha do seu cabelo. — Você precisa ser mais específica. Ela solta uma risada seca. — Você acha que pode fazer o que quiser, com quem quiser. — E você não deveria estar escondida em algum lugar? — a corto, colocando as mãos nos bolsos. — Seu irmão me contou o que aconteceu. Que pena. Ela me lança um olhar afiado. — Você está por trás daquilo, não está? A acusação me atinge como um projétil. Sorrio e me encosto casualmente no Audi dela. — Confie em mim. Se eu quisesse você morta, você já estaria enterrada. Ela engole em seco, os punhos fechados. Está se segurando para não me dar um soco. E, sinceramente, eu adoraria se tentasse. Depois do ataque, mandei investigar. Uma bomba deixada ao lado do carro dela. Patético. Quase amadora. — Eu, por exemplo, teria feito diferente — murmuro, me inclinando para sussurrar no ouvido dela. — Explodir o carro? Que desperdício. Você ainda está aqui, atrapalhando meu tempo livre. Talvez da próxima vez, eu deva cuidar disso pessoalmente. Ela avança um passo, o rosto corado de raiva. — Eu não tenho medo de você, seu desgraçado. — Deveria ter — interrompo, a voz baixa e ameaçadora. — Principalmente na minha casa, onde posso ser... criativo. Meus olhos descem involuntariamente até seu decote. Ela não está usando sutiã. Irritante. Como ela tem coragem de vir aqui, me enfrentar, sozinha, vulnerável? Ou talvez seja esse o jogo dela. — Pare de mexer com a minha família! — sua voz explode no ar. — Não. Ela abre a boca para falar, mas a corto de novo. — Qual é a graça nisso? Sorrio, saboreando sua fúria. — Você não pode me impedir. Então por que eu deveria me conter? Ela parece prestes a explodir. — Você vai se surpreender com o que sou capaz. — O que vai fazer? Mandar seu noivo broxa atrás de mim? Ela pisca, ferida. E então lança: — Agora vejo... Você é só um homem infeliz, sem amigos, sem família. Se alimenta da dor dos outros porque não tem amor nenhum na sua vida. As palavras dela me cortam. Mas não deixo transparecer. Ela não sabe... ainda... o quanto chegou perto da morte outro dia. Se não fosse por certas complicações, seu corpo já estaria em um lugar onde ninguém encontraria. Ela deveria agradecer às estrelas por ainda estar respirando. — Não me teste, Princesa — aviso, com um sorriso que não chega aos olhos. — Você não vai gostar do resultado. — Você acha mesmo que suas ameaças me assustam? — ela ri, sem humor, antes de encarar-me novamente. — Ou que eu vou cair de joelhos e implorar para você poupar minha família? — Ah, princesa... — Um sorriso lento se forma no canto dos meus lábios enquanto dou um passo à frente, encurralando-a contra o carro. — Eu vou te colocar de joelhos se for isso que eu quiser. E se eu quiser, vou fazer isso agora mesmo. Bem aqui. Minha voz baixa, perigosa, roça contra sua pele enquanto inclino o rosto na direção dela. — Qualquer um que passar por essa rua vai assistir enquanto você implora... não com palavras, mas com esse corpo quente, revirando sob as minhas mãos. Seus olhos se arregalam, e por um instante, sua respiração vacila. Eu sorrio com mais intensidade. — Ou talvez com essa sua boquinha atrevida — continuo, em um sussurro rouco — mas, sinceramente? Não estou interessado em criancinhas mimadas que m*l saíram da adolescência. Dou um passo para trás, minha voz se tornando mais cortante, mais fria. — Não importa o quanto você tente, o quanto se esforce para parecer provocante... minha resposta será sempre não. Meu paladar é muito mais refinado do que o lixo emocional servido por uma herdeira ressentida e mimada de um aspirante a político fracassado. Minhas palavras pairam no ar como veneno. Vejo seu rosto empalidecer, só por um segundo — antes de se tingir de um vermelho vivo. A raiva e uma faísca quase indecente de desejo se chocam nos olhos dela, criando uma tensão eletrizante entre nós. Mas antes que eu possa sequer prever o que vem a seguir, ela levanta a mão e sua palma estala violentamente contra minha bochecha. O som do tapa ecoa na noite como um chicote. Minha cabeça vira ligeiramente com o impacto, e por um instante, o silêncio se instala entre nós. Meus olhos encontram os dela de novo, e tudo dentro de mim queima — não de dor, mas de prazer doentio e excitação pura. — Isso foi um erro — murmuro, sentindo um sorriso torto se formar lentamente enquanto a encaro com olhos escuros. — Um erro delicioso.
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