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A Maldição

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sequestro
predestinado
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Comédia
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medieval
inimigos para amantes
love at the first sight
lords
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intro-logo
Sinopse

Após se tornar senhor de sua própria terra, tudo o que Knight, ex-mercenário e guerreiro sanguinário, mais deseja é isolar-se no alto de seu castelo e criar um legado para o sobrenome que deu a si mesmo. A visita de uma estranha velhinha, que insiste em recompensá-lo por uma boa ação, porém, destrói toda a paz que Knight tanto preza.

De início, ele acredita que a suposta bruxa estava apenas delirando quando disse que lhe lançou um feitiço para que reconhecesse e se apaixonasse por sua alma gêmea à primeira vista. Porém, ao colocar os olhos em Melissa, filha do açougueiro do vilarejo que pertence a Knight, o guerreiro percebe que de fato, está enfeitiçado. Ou melhor, amaldiçoado.

Alucinado, Knight a joga por cima do ombro e a leva para o único lugar onde seu coração sentia que ela pertencia: em seu castelo, ao seu lado. Agora, com a magia tornando impossível para ele afastar-se de Melissa, Knight se vê tendo que lidar com o que sente pela jovem raivosa e impertinente que agora vive em seu castelo, enquanto tenta encontrar a feiticeira e libertar-se daquela maldição. Porém, conforme o tempo passa e seu desejo e carinho pela corajosa Melissa parecem apenas aumentar, Knight começa a questionar se a magia em seu sangue é, de fato, uma maldição... Ou uma dádiva.

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Capítulo 1
- Você deveria visitar o vilarejo mais vezes. Tirando seus olhos treinados da construção do muro de pedras diante dele, Knight se voltou para encarar um de seus melhores homens, Stone, com desconfiança. Como sempre, seu rosto inabalável, tão completamente repleto de cicatrizes que poderia até mesmo ser considerado deformado por alguns, exibia uma expressão de pura seriedade. - Algum dos moradores está causando problemas? – Knight questionou com um rosnado, inconscientemente alcançando o cabo da espada presa em sua cintura, furioso ao pensar que algum aldeão e******o poderia estar desrespeitando suas ordens de manter seu território tranquilo. - Não. – ele teve a nítida impressão de que Stone queria revirar os olhos diante de sua reação, mas, como sempre, seu rosto permaneceu inalterado – Mas manter uma vigilância próxima e constante vai ajudar ainda mais a mantê-los sob controle. O peso da pedra é sempre maior, quando ela parece mais próxima. - Acha que decapitar o antigo senhor deles não teve peso o suficiente? – Knight resmungou, novamente mudando suas atenções para os homens que trabalhavam incessantemente no muro semi-erguido, sem conseguir entender porque Stone estava insistindo naquela conversa irrelevante. - Eu só estou dizendo... – agora ele tinha toda a certeza de que o homem estava revirando os olhos, azuis como gelo, atrás de suas costas – Que um líder presente é um líder que desencoraja rebeliões. Ser temido não significa muita coisa, se você não está por perto para alimentar esse temor. Além do mais, não estou pedindo que vá até lá fazer uma chacina. – Stone suspirou, parecendo frustrado – Apenas dê as caras e deixe as pessoas saberem que você se preocupa com o território inteiro, além do seu castelo na montanha. - Por que isso agora? – desconfiado, ele voltou a cabeça apenas o suficiente para estreitar os olhos para o homem atrás de si – Qual seu interesse em me ver andando sem rumo pelo vilarejo? - Evitar que percamos esse território, Knight. – Stone era uma das poucas pessoas que ele permitia que não o chamassem apenas de “senhor”. - Não confia mais na minha liderança? – aquela pergunta, muito mais do que um desafio, era também um questionamento sincero – Ou na força dos homens que reunimos? – muito sangue havia sido derramado para que eles conseguissem o controle de uma terra tão boa e, por mais que ele jamais admitiria isso em voz alta, ter Stone, seu braço direito e sem dúvida o guerreiro mais habilidoso que estava sob seu comando, duvidando de sua capacidade de liderança, o incomodava de uma maneira que ia além da fúria. - Não, Knight. Eu apenas não confio no passar do tempo. – Stone admitiu, com os olhos azuis-gelo completamente estáticos – Estou vivo a mais tempo do que você e já vi muitos exércitos ascenderem e caírem. Acredite, conquistar o poder é muito fácil. Mantê-lo é a parte difícil. – correndo as mãos pelo cabelo avermelhado, que a cada dia se tornava mais grisalho, ele balançou a cabeça, parecendo incomodado com o que diria a seguir - E, infelizmente, eu dependo de você e da sua liderança para garantir que minha mulher e nosso filho estejam seguros. Suspirando, Knight se calou, sabendo que não havia como discordar daquilo. Depois que eles haviam conquistado aquela terra próspera e tranquila, nos limites de um território de maioria bretã e escota, com direito até mesmo a um vilarejo bastante autosuficiente, Stone era o último de seus homens que ele imaginara que encontraria uma mulher e criaria raízes... Mas foi exatamente o que ele fizera, quando voltara um dia do vilarejo com uma jovem de cabelos cor de mel e curiosos olhos acinzentados debaixo de sua capa. Uma jovem cujo estômago já estava crescendo com o filho de Stone poucos meses depois dele a ter trancado no andar em que vivia no castelo de Knight. Seu braço direito era um homem quase tão quieto e discreto quanto ele e, por isso, Knight não conhecia muito sobre a história de Stone ou o que o levara a se tornar um mercenário, mas, unindo pequenos fragmentos das conversas que eles eventualmente tinham e comentários soltos ao longo dos anos que eles se conheciam, ele tinha quase certeza de que Stone um dia tivera uma família, possivelmente na infância. Uma família que provavelmente havia sido levada pela fome, ou pela guerra, ou por uma invasão, ou qualquer outro destino praticamente inevitável para quem havia nascido mergulhado na miséria, como eles. E, por mais que não fosse ele que estivesse prestes a se tornar um pai ou tivesse uma mulher sob sua responsabilidade, Knight compartilhava com Stone uma identificação muito mais forte: a sensação de saber o que era a dor da privação, do caos e do desespero da vida de um garoto que já não tinha mais ninguém por ele e que encontrara na lâmina de uma espada a possibilidade de sobreviver. Particularmente, depois de tudo o que passara para encontrar um lugar como aquele, em que finalmente pudesse começar a tentar entender o que verdadeiramente significava a palavra paz, Knight não conseguia encontrar dentro de si a vontade de construir uma família que poderia muito facilmente ser ceifada dele a qualquer momento. A solidão o acompanhava de perto desde que conseguia se lembrar e, mesmo agora, ao tornar-se senhor de sua própria terra, ele não conseguia imaginá-la abandonando-o. Não quando ela se tornara quase uma parte dele. Mas, apesar disso, ou talvez justamente por tudo aquilo, ele compreendia perfeitamente o temor de Stone. Muito mais do que a responsabilidade de ter a segurança de duas vidas frágeis repousando em suas mãos, ele amava a esposa e o filho por nascer. Seu coração podia estar congelado em seu peito desde que sua mãe morrera, mas Knight não era nenhum i****a: ele seria completamente cego se não fosse capaz de reconhecer aquele brilho febril na expressão geralmente austera de seu braço direito. E, mesmo que nunca tivesse sentido aquela sensação em sua própria pele antes, era compreensível para ele que Stone estivesse tão ansioso com até mesmo a mais remota possibilidade de que sua família pudesse ser colocada em perigo. Por isso, por mais contrariado que estivesse, o código de honra de Knight não o deixaria ignorar o pedido de outro homem honrado tentando proteger sua família. E especialmente não quando, por mais que ele nunca fosse admitir aquilo em voz alta também, ele considerava aquele homem um bom amigo. - Knight! – uma voz animada que ele conhecia muito bem o interrompeu no momento em que estava pronto para dizer a Stone que ele não tinha com o que se preocupar. Acompanhando o som da voz de McCarthy, os dois se viraram para ver o jovem homem sorridente e corpulento subir a colina até onde eles estavam, balançando as mãos com euforia, como se fosse uma criança se divertindo... O que, até certo ponto, McCarthy realmente era. De muitas maneiras, ele nunca havia deixando de ser o moleque avoado, e que gostava de gritar, que Knight havia encontrado tantos anos atrás, tentando ganhar algum dinheiro enquanto mostrava sua habilidade de fazer malabarismos com adagas no meio da praça de uma vila em que ele e o antigo grupo de mercenários ao qual pertencia havia parado para encontrar suprimentos. Na época, McCarthy era nada mais do que um garoto franzino, furtivo e com uma habilidade com lâminas a ser explorada: o tipo de perfil que o líder que tinham na época sempre estava disposto a acolher... Especialmente porque não era ele que se responsabilizava pelos treinamentos, mas sim homens com menos status dentro do grupo, como era o caso de Knight na época em que McCarthy se tornou seu aprendiz. Porém, apesar de bastante irritante devido às suas tendências tagarelas, o garoto sempre fora obediente e, era até mesmo com um pouco de orgulho dentro de si, que Knight podia afirmar que ele havia se tornado um excelente guerreiro... Apesar de nunca ter deixado de ser tagarela. Ou de agir como um moleque. A verdade era que, mesmo agora, depois de tanto tempo como mercenário e sendo um dos poucos homens ali que podia rivalizar com Knight em questões de tamanho e força, McCarthy ainda tinha, inexplicavelmente, preservado aquela essência jovial e despreocupada dentro de si, como se todos aqueles anos de matança e violência não tivessem maculado, nem sequer um pouco, sua capacidade de ter esperança e de ser feliz. Algo que Knight invejava. – Você tem visitas! – McCarthy finalmente complementou, conforme se aproximava cada vez mais deles, acenando como se aquilo fosse algo a se comemorar. - Visitas? – Knight repetiu com um rosnado enquanto se aproximava dele, imediatamente furioso ao saber que ele havia permitido que alguém subisse até seu castelo sem autorização – Para que diabos coloquei você como vigia, McCarthy, se está simplesmente deixando qualquer um chegar perto do castelo? - Ora, vamos lá... – o gigante riu, nem um pouco intimidado, até mesmo mostrando as covinhas em suas bochechas de tão largo que era seu sorriso – Ela parece perigosa para você? Dando um passo para o lado, McCarthy retirou o corpo imenso de sua linha de visão, revelando uma senhora minúscula atrás de si, com cabelos brancos como a neve escapando do lenço remendado que os cobria e a pele escura tão envelhecida que as rugas praticamente cobriam todo o seu rosto, nem mesmo tornando possível verificar se ela ainda tinha os dois olhos. Porém, foi apenas quando as sobrancelhas alvas se ergueram e os lábios finos e ressequidos abriram um sorriso desdentado, que Knight repentinamente lembrou-se de onde a conhecia. Semanas atrás, enquanto se banhava no lago existente no início da floresta por trás de seu castelo, ele de repente avistara um grupo de homens arrastando uma jovem por entre a mata, claramente com intenções deploráveis. Porém, o que realmente o havia enfurecido ao se aproximar para impedir que eles tocassem na menina, foi descobrir o quão jovem ela era. Quase uma criança. Assim como sua mãe ainda era só uma criança, quando fora vítima de um homem c***l, que havia massacrado sua vila e a desonrado, deixando-a para trás com marcas em seu corpo e um filho na barriga. Um filho que, apesar de tudo, ela ainda havia sido capaz de criar e proteger, pelo máximo de tempo que conseguiu. Tendo entrado mais jovem do que a maioria dos outros novatos para o primeiro bando de mercenários do qual fizera parte, Knight conhecia de perto as muitas maneiras que alguém maior e mais forte poderia se valer para subjugar alguém menor e mais frágil. E também sabia que muitos homens conseguiam encontrar prazer nisso, não importava se apenas socando o estômago de um garoto até quase fazê-lo desmaiar apenas por pura diversão, como acontecera com ele muitas vezes em seus primeiros anos dentro do bando, ou roubando a inocência de uma pobre garotinha, como a de sua mãe havia sido roubada. Ele, porém, tinha orgulho de jamais ter praticado qualquer um daqueles atos – e muito menos se deleitado de qualquer maneira ao presencia-los. Não que ele se considerasse um exemplo de moralidade ou qualquer coisa do tipo. Ao contrário, parte do código de honra que Knight elaborara para si mesmo durante todos aqueles anos era totalmente baseado em pura e simples sobrevivência. Talvez aquela regra que criara para si mesmo não fizesse a mínima diferença levando em consideração a quantidade indizível de sangue de outros homens que ele tinha em suas mãos, mas, ainda assim, há muito tempo ele prometera a si mesmo que não usaria aquelas mãos, por mais maculadas que eles estivessem, para prejudicar alguém que não oferecesse perigo a ele. Ou permitiria que outros o fizessem, quando ele pudesse fazer algo para evitar. Era algo até mesmo t**o, visto que a maioria das pessoas não considerava os mais jovens como muito mais do que adultos em miniatura, Knight bem sabia. Porém, ainda assim, era algo que ele sabia que precisava, para se manter minimamente são. Por mais que muitos outros o fizesse, ele jamais conseguira pousar seus olhos em uma criança sem sentir que estaria sendo nada mais do que um monstro se ousasse encostar a mão de maneira maléfica em um ser que não tinha a mínima possibilidade de se defender dele. E fora com tudo aquilo em mente que ele havia estripado cada um daqueles homens naquele dia, perto do lago, deixando a menina coberta com o sangue deles, mas ainda assim incólume. Ela tinha ficado completamente paralisada, é claro, mas ao menos fora capaz de gaguejar algumas poucas palavras coerentes que o permitiram ser capaz de levá-la até a avó, em uma choupana no meio de uma campina que, estranhamente, ele jamais havia notado antes, mesmo depois de todas as centenas de caminhadas que já dera ao longo daquela terra que agora pertencia a ele. Agora, porém, só lhe restava saber o que a avó da garota estava fazendo ali naquele momento. - Minhas saudações, meu senhor. – a velha o cumprimentou, com a voz tão rouca e acolhedora que mais parecia que ele era uma criança, e não um homem de quase dois metros de altura que poderia facilmente esmagá-la sobre os pés – Parece bem nesta manhã. - Não gosto de estranhos no meu território, minha senhora. – Knight suspirou, tentando soar firme, mas ainda assim não muito ameaçador, especialmente porque o sorriso da senhora realmente inspirava simpatia – Então, por favor, peço que se retire. - Ora, não vou tomar seu tempo. – a velha balançou a cabeça, parecendo divertida – Realmente não consegue se lembrar de porque estou aqui? Ficando em silêncio por um momento, Knight esquadrinhou as memórias esparsas que tinha sobre aquele dia: ele entregara a menina trêmula à avó, ela o convidara para um chá que ele havia recusado e até mesmo havia agarrado seu braço quando ele se virara para ir embora... Oh, então era isso! Ela havia lhe oferecido uma recompensa naquele dia. Uma que ele também havia recusado. Afinal, o que aquela pobre mulher miserável, no limiar entre a vida e a morte, poderia lhe oferecer? - Senhora, já disse que não desejo recompensa nenhuma... – ele começou a resmungar, aborrecido, mas ela o interrompeu, com uma solenidade na voz que, inexplicavelmente, o fez se calar de imediato. - Não desejar não significa não merecer, meu senhor. E, principalmente, não significa não precisar. – ela balançou um dedo em sua direção, enigmaticamente sorridente – Sabe, pensei muito em seu presente. É raro encontrar um homem verdadeiramente honrado em nossa terra sangrenta. E me arrisco a dizer que é ainda mais raro encontrar a benção ideal para um homem honrado. Porém, finalmente me dei conta de que deveria dar ao senhor e a sua descendência a maior dádiva deixada pelos deuses para nós, meros mortais. - Ouça, se está falando de ouro, não preciso. Já tenho o suficiente. – Knight negou, querendo apenas que aquela ladainha tivesse logo um fim. Mesmo que aquela senhorinha não estivesse despertando qualquer tipo de raiva nele, depois de um longo dia cansativo supervisionando a construção do muro e tendo certeza de que seu território estava protegido, qualquer paciência que ele pudesse ter para suportar conversas como aquela já havia se esgotado há muito tempo. - Oh, não, meu senhor. Eu falo de algo muito mais valioso. – ela riu, parecendo se divertir com sua clara impaciência – Algo capaz de começar e de terminar guerras. Capaz de transformar o mais sábio em um t**o e deixar o mais forte de joelhos... – com o rosto enrugado assumindo uma expressão solene, ela finalmente completou - Falo de amor. Após um segundo de incredulidade, antes que ele pudesse se conter, uma pequena risada sarcástica escorregou para fora da garganta de Knight, acompanhada por uma longa gargalhada vinda de McCarthy, que estava tão concentrado na conversa quanto ele, enquanto Stone apenas deu um passo à frente, parecendo não apenas temeroso, mas também curioso. - Sinto muito, minha senhora, mas já tenho mulheres o suficiente na minha cama. – ele a avisou, dando de ombros. E, de fato, realmente o tinha, sem qualquer esforço ou incômodo. Elas simplesmente apareciam regularmente, interessadas em sua aparência, seu poder, seu dinheiro ou simplesmente em seu corpo. Mas, uma vez que ele as deixava saber que não conseguiriam nada além de uma noite, não passava de um momento de prazer, antes que ele as mandasse para fora de suas vistas. Geralmente para sempre. - É o que se espera de um homem belo e viril, é certo, meu senhor. – a velha deu de ombros, nem um pouco impressionada – Mas posso dizer, pela frieza em sua voz, que elas podem ter aquecido sua cama, mas nenhuma jamais aqueceu seu coração. – a mulher ergueu a mão até perto de seu peito, sem realmente tocá-lo, mas fazendo um gesto circular que, por um momento tão passageiro quanto um piscar de olhos, o fez sentir-se... Quente ali. Estranhamente quente. Mas a sensação se foi tão rapidamente que ele acreditou tê-la imaginado. – E é isso o que lhe ofereço, meu senhor. – a velha continuou alegremente a contar suas sandices, como se realmente estivesse prestes a lhe oferecer o maior dos tesouros - A oportunidade de desfrutar do mais belo e mais intenso de todos os sentimentos. Sabe, quando os deuses nos criaram, fizeram belas criaturas com quatro braços, quatro pernas, duas cabeças e uma alma inteira. Porém, com o tempo, até mesmo os Deuses invejaram a completude e a alegria de tais criaturas e, para apaziguar a cobiça que suas próprias criações haviam despertado dentro deles, eles as rasgaram em duas partes, forçando-as a correr pelo mundo procurando pela outra parte de sua alma para sempre. Até hoje, alguns nunca encontram sua metade e morrem sem saber qual é a sensação sublime de estarem completos. E alguns, mesmo quando a encontram, estão tão cegos pelas frivolidades que existem nesse mundo físico que sequer são capazes de reconhecê-la. - Mas não você, meu senhor. E nem nenhum dos que carregarem seu sangue, a partir de agora. – ela esfregou as mãos, parecendo profundamente satisfeita ao dizer aquilo – Vocês saberão imediatamente quando a virem: sua outra metade. Sentirão a necessidade sedenta de ter sua companhia, a fome irrevogável por seu corpo, a vontade de ser aquele a fazê-la feliz e a ânsia infinita de amar e ser amado por ela. Ou ele, talvez. Ou até mesmo eles, quem sabe. É difícil saber com toda a certeza, até que coloquem seus olhos sobre sua alma gêmea. - Então... Deixe-me entender. Você está me dizendo que... – falando cada palavra lentamente, Knight finalmente abriu um sorriso de puro escárnio – Está me rogando uma praga para que eu talvez encontre uma esposa, é isso? Como... Algo mágico? – ele desdenhou, enojado – Em outras palavras, você acha que é uma feiticeira? - Esposa é um termo muito vazio. – a velha balançou a cabeça, descontente – Qualquer uma poderia usá-lo. Estou lhe dando a chance de ter uma vida de inimaginável felicidade ao lado de sua alma gêmea. Por isso, é mais apropriado dizer que é uma benção. Afinal de contas, se tornará o legado do seu sobrenome. – ela sorriu, exultante, antes de começar a resmungar, secamente – E, quanto à parte da feiticeira, eu também não consideraria este o termo apropriado. - Bem, quando alguém joga uma magia em outra pessoa sem a permissão dela, eu diria que o termo mais apropriado seria maldição. – Knight ergueu uma sobrancelha, irritado, mesmo sabendo que não havia razão para continuar discutindo com aquela pobre velhinha louca – Então, obrigado por sua maldição de amor. Estarei esperando ansioso por ela. – ele grunhiu, irônico, antes de indicar a descida da colina para ela - Agora, poderia, por favor, voltar para sua neta? Tenho certeza de que ela deve estar preocupada. - Minha neta está perfeitamente bem, senhor. Obrigado pela consideração. Oh, o que me lembra, ela pediu que eu lhe desse um pequeno aviso, que talvez o ajude no que virá pela frente... Ela gosta de flores, especialmente as azuis. – e com aquela frase, a velha ergueu as pestanas, escondidas debaixo das muitas rugas, deixando seus olhos completamente livres para a visão dele. E, por um momento, o estômago de Knight se apertou com uma apreensão inominável ao perceber que eles eram de um escuro profundo, nem preto nem n***o, mas sim o tipo de imensidão obscura e infinita que, por um rápido momento, inclusive o fez ter a súbita e inacreditável impressão de ter conseguido ver estrelas cintilando ao redor de suas íris... Mas então a velha se virou em um átimo, assobiando despreocupadamente enquanto descia a colina com uma velocidade até mesmo surpreendente para alguém centenária como ela, enquanto Knight permaneceu paralisado no lugar por um segundo, com seu sangue parecendo congelado dentro das veias enquanto seu peito... Vibrava? Felizmente, porém, aquela sensação inquietante se dissipou tão repentinamente quanto veio, apesar de ter deixado uma letargia quase prazerosa em seu corpo, como se ele tivesse dormido profundamente por horas na mais confortável das camas. Pressionando sua palma inconscientemente contra aquele ponto ainda levemente cálido dentro de seu peito, Knight balançou a cabeça com violência várias vezes, até finalmente conseguir dissipar aquele sentimento. Afinal, não era como se um mero m*l-estar totalmente aleatório como aquele fosse capaz de convencê-lo de que aquela velha era realmente capaz de fazer algo mágico. Ele caminhara durante tempo o suficiente sobre aquela terra para saber que magia não existia. Todo o poder que havia entre os homens estava concentrado no reluzir do ouro e na ponta de uma espada. Em nada mais. E, se a velha achava que era realmente capaz de fazer uma mulher significar mais para ele do que uma noite de prazer, então ele esperava que o frágil coração carcomido dela estivesse preparado para sofrer uma decepção, quando ele permanecesse solteiro pelos próximos anos. Ou até mesmo a vida inteira. Por isso, ao virar-se para encontrar os dois homens que o encaravam com falsa seriedade, obviamente se contendo para não rir do semblante ainda levemente perturbado dele, a fúria rapidamente o tomou, levando-o a erguer o dedo em riste na direção de ambos, rugindo como um leão. - E esse, McCarthy, é o tipo de gente que eu quero que você impeça de chegar perto do meu castelo! – Knight cuspiu, irado. - Oh, vamos lá, não foi tão r**m assim...! – McCarthy gargalhou alto – Ela vai arrumar um amor para você, afinal de contas. Empertigado, Knight estava pronto para afundar o punho na cara sorridente dele, quando Stone tomou a palavra, avaliando-o com cuidado. - Você vai ao vilarejo? Ou está com medo de ter sido realmente amaldiçoado? – a maneira como ele fez aquela pergunta i****a, de um jeito completamente sério, o irritou como poucas vezes em sua vida. - Não me faça cortar o seu pescoço. – com um revirar de olhos, Knight jogou sua capa para trás, rosnando, entredentes, enquanto se dirigia até seu castelo, decidindo que alguns bons copos de vinho eram tudo o que ele precisava para tirar por completo os acontecimentos daquela tarde maldita de sua mente – E sim, eu vou ao vilarejo... – ele concordou, com um grunhido - Assim que este muro estiver terminado.

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