KELLY NARRANDO Eu fiquei deitada olhando pro teto por alguns segundos, tentando entender em que momento da minha vida eu tinha ido parar num motel cinco estrelas, com cheiro de lençol limpo, ar gelado na temperatura perfeita e um homem que eu tinha acabado de conhecer respirando pesado do meu lado como se já me conhecesse há anos. O quarto era absurdo. Luz indireta, cabeceira enorme, espelho demais, tudo caro demais. Aquela vibe de gente que não pergunta preço, só passa o cartão. Virei o rosto devagar e encarei o Fábio. Ele tava largado de costas, um braço jogado por cima da cabeça, o peito subindo e descendo devagar. Um sorriso torto no canto da boca, como se estivesse satisfeito demais pra fingir costume. — Você faz isso sempre? — perguntei, quebrando o silêncio. Ele virou o rosto p

