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1225 Palavras

FÁBIO NARRANDO Acordei com a luz entrando pela fresta da cortina e, por alguns segundos, demorei a lembrar onde eu tava. O teto não era o meu. O cheiro também não. Era mais caro. Mais limpo. Mais… silencioso. Virei o rosto devagar e vi a Kelly dormindo de lado, o cabelo espalhado no travesseiro, a boca entreaberta, aquele ar de quem finalmente desligou depois de uma noite intensa. Não precisava de detalhe nenhum pra saber o que tinha rolado ali. Meu corpo inteiro lembrava. Fiquei ali observando ela por um tempo, apoiado no cotovelo, com aquela sensação estranha no peito. Não era culpa ainda. Era antes disso. Era aquele momento perigoso em que você percebe que gostou mais do que devia. Levantei sem fazer barulho, peguei o roupão do motel e fui até a varanda interna. O lugar era absurdo.

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