ANTÔNIO NARRANDO Eu tava trancado no escritório de casa, mergulhado em contrato, quando ouvi aquele barulho de sacola demais vindo do corredor. Nem precisei levantar a cabeça pra saber. — Pelo amor de Deus… — murmurei, assinando o último papel. — Lá vem Helena Montezano versão “vovó surtada”. A porta abriu sem nem bater. — Antônio… Virei na cadeira. Ela entrou carregada de sacola pequena, grande, média, branca, amarela… parecia que tinha assaltado três lojas ao mesmo tempo. — Meu Deus do céu, Helena. — levei a mão à testa. — Já tá mimando o neném desse jeito e a criança nem nasceu ainda. Ela deu um meio sorriso, mas passou rápido. O olhar dela tava diferente. E eu conheço essa mulher. Quando o olho dela tá assim, não é só sobre compra, não. — Antônio, a gente precisa conversar. —

