A manhã amanhecera fresca, com aquele vento leve e perfumado que passeava pelas ruas coloridas da Vila Madalena. As árvores balançavam devagar, o sol aparecia por entre as nuvens como quem espia antes de se mostrar por inteiro, e o barulho distante de conversas, bicicletas e cafés abrindo dava ao bairro um ar de pequeno mundo dentro da cidade grande. Lia caminhava devagar ao lado de Gui, enquanto Clara seguia alguns passos à frente, deslizando sobre os patins como se ele fosse uma extensão das próprias pernas pequenas e seguras. Ela ria, girava de um lado para o outro, e às vezes olhava para trás apenas para garantir que ambos ainda a observavam. Gui carregava uma pasta de couro presa ao braço. Lá dentro estava o projeto que mudaria não só a vida dele, mas também a de dezenas de crianças

