A noite chegou devagar, como se quisesse prolongar cada instante. O céu estava limpo, cheio de estrelas, e a brisa suave carregava o cheiro doce de flores e terra molhada lembrança do fim de uma garoa leve que havia caído no fim da tarde. Lia chegava ao galpão do projeto achando que era apenas mais um evento comunitário. Mas, ao entrar, encontrou o lugar transformado. Fitas de luzes pendiam do teto, iluminando as rampas decoradas com flores brancas e amarelas. No centro, um pequeno palco improvisado, coberto por um tapete de pétalas. As crianças estavam sentadas em roda, todas sorrindo, com Clara no meio, segurando algo escondido atrás das costas. Lia deu um passo hesitante, confusa. — O que é isso? Gui surgiu, vindo da lateral, com as mãos nos bolsos e um sorriso nervoso. Vestia

