A manhã surgia em tons azuis e cinza sobre São Paulo quando Joca se encostou no balcão da cozinha, observando Lia em silêncio. Ela mexia distraída o chá, o olhar perdido na janela aberta, onde o vento fazia dançar as cortinas brancas. O ar parecia pesado, como se o apartamento soubesse que algo estava prestes a mudar. — Então ele voltou mesmo — disse Joca, finalmente. A voz dele soou calma, mas havia um peso escondido ali. Lia assentiu, sem conseguir encará-lo. — Voltou. — E ele sabe? — perguntou, mais baixo, embora já soubesse a resposta. Ela respirou fundo. — Sabe. O silêncio se estendeu. Joca cruzou os braços, desviando o olhar para o chão. — E o que ele quer? Lia pousou a xícara sobre a mesa, o vapor subindo como um suspiro. — Eu não sei. — As palavras saíram com dificulda

