Pré-visualização gratuita Na sua cola
A cada passo que eu dou sinto-me mais arrependido de ter vindo. Quando a encontro com a taça de vinho branco em mãos, essa v*****e é gritante. No entanto, é tarde demais para voltar atrás, além disso, nunca fui o tipo covarde. Ocupo o lugar vago a sua frente. Mantendo as mãos nos bolsos e o ar despreocupado. Analiso rapidamente a sua face. Antonella nunca foi de esconder as próprias emoções. A raiva e cansaço estão bem aparentes.
—Finalmente—ela diz colocando a taça sobre a mesa— Já estava pensando que não viria.
— Eu disse que estaria aqui às quatro — movo o pulso encarando o meu rolex — agora é exatamente quatro horas.
— Poupe-me. Sabe do que estou falando! — ela ressaltou.
— Como está o velho? — questiono. É a única coisa que a faria querer me ver. A morte dele.
— O seu pai está ótimo. Ainda muito jovem para ser chamado de velho. Sabe disso. No entanto, não está nem um pouco satisfeito com você — ela disse movendo os dedos nervosamente pelo guardanapo.
— Estou surpreso que ele saiba o meu nome — digo com humor e uma pitada ácida de verdade.
— Ele sabe muito bem quem você é. Ainda que prefira mantê-lo distante. Você é o único herdeiro que ele tem. Logo, pensei que seria mais esperto — Antonella levou a taça aos lábios novamente.
— O que quer dizer?
— Ele pode ter cortado a sua mesada. Contudo, é inocente da sua parte pensar que não manteria uma força tarefa atrás de você. Ele monitora cada passo que você dá — Ela ressaltou.
Não posso dizer que não esperava por isso. Entretanto, estou impressionado. Não imagina ser tão relevante para o velho assim. A ponto dele se dar ao trabalho.
— Murilo, O que tinha na cabeça? Um acordo tão nojento com uma zé-ninguém — Antonella dizia. Tinha desgosto expresso em cada palavra. A declaração evidenciando como eles estão bem mais informados do que eu gostaria.
— É assim que você vê? Para mim, era apenas diversão. Ainda seria bem remunerado por isto — rebato encarando-a com desdém. No fundo, pouco me importa o que eles pensam de mim.
— Não vejo que diversão vê nisso. Além de que, você acreditava mesmo que uma secretária tinha todo aquele dinheiro — Ela parece indignada.
— Não seja i****a. Ela conseguiria com a herdeira milionária, a garota Albuquerque. Obviamente, sabe de quem estou falando. Sei muito bem, que os olhos que o velho usou para me espiar, eram aliados seus. É assim que os chama? Aliados? — Questiono ousadamente.
— É o que eles são, mas não estamos aqui para falar de mim. Quero que pare com essa palhaçada. O seu pai quase infartou quando soube. Você está correndo grande perigo de acabar sujando o nome da família — ela disse.
— Os Hoffman’s nunca precisaram de mim para sujar o nome da família — praticamente cuspo.
— Não diga bobagens. Para qualquer m****o da Elite do país nos somos a mais nobre e bem sucedida família dos últimos anos. Quero dizer, vocês são — Antonella disse abundando em orgulho.
— Você parece ter se esquecido, que é apenas uma empregada. Uma subalterna do velho decripto. Diga a ele que se quiser salvar o nome da família. Ele tem minha conta bancária. Ao contrário, estarei feliz em aparecer no máximo de revistas que existir com a bomba. Lemann trai o marido com Hoffman. O estopim para uma guerra na alta sociedade, não acha? — digo pronto para me levantar e deixar a mesa e quando fiz menção de realmente faze-lo ela interviu:
—Sente-se. Eu não vim aqui apenas para avisa-lo. Tenho uma proposta a fazer — ela disse. Seguro o sorriso arteiro que quase explodiu em meu rosto e mantenho a expressão desinteressada.
—Diga. No entanto, lembre-se que não me impressiono fácil — alerto.
— Já que está tão disposto a se relacionar por motivos externos. Suponho que se interessaria por um acordo muito mais rentável — Antonella deixou a taça de lado e colocou sobre a mesa seu Ipad. Havia uma imagem aberta nele.
— Quem é essa? — questiono examinando a jovem loira na imagem.
— Amanda Safra. Deve saber de quem estou falando — ela disse.
— Do banco? — sondo. Ela n******e estar querendo dizer o que estou pensando.
— Sim, Exatamente. O seu pai está tentando fechar acordo com eles. Porém, são muito fechados. Acredito que se você estiver dentro da familia. Poderemos nós relacionar melhor com eles — ela disse.
— Está querendo o que exatamente?
— O que você imaginou. Se aproxime da garota. A namore, se case com ela, sei lá, dês que consiga aproximar as famílias. Eu não me importo. Faça isso e todas as suas regalias serão homologadas. Vamos fingir que todas as merdas que você fez nunca aconteceram. A sua mesada voltará a cair e obviamente, você será tratado com o respeito que o herdeiro Hoffman merece — ela disse.
— Não estou ligando para o seu respeito, mas me diga. Essa garota não é meio nova? — pergunto encarando a foto.
—Ela tem dezenove anos e meio. Acabou de sair de um internato para meninas na Inglaterra. Está voltando ao Brasil para fazer faculdade de medicina. Como deve imaginar. É um alvo fácil — Antonella disse.
— Alvo fácil, hãm — repito — Está bem para mim — concluo.
— Ótimo. Pode dar adeus aquele escritoriozinho de arquitetura. Consegui uma bela oportunidade para você no Rio — ela disse.
— O que? — questiono surpreso.
— A menina faz faculdade no Rio de janeiro. Eu estou fazendo muito em te conseguir uma vaga como professor na faculdade de arquitetura na mesma unidade que ela — Antonella disse sorrindo orgulhosa de si.
— Exatamente quando você planejou tudo isso? — questiono.
— Desculpe ser aquela a informa-lo, Murilo. Contudo, você é muito mais previsível do que pensa e toda essa sua rebeldia infundada. Bem... ela não paga o necessário para bancar esse seu alto custo de vida — ela disse zombeira — além do mais. Você não me engana. Toda essa palhaçada com a secretária, era apenas para deixar o seu pai com raiva. Não se preocupe. Já atingiu o seu objetivo. Terei muito trabalho em convence-lo de que você ainda pode ser útil a ele — Antonella concluiu.
— É assim que me vê? — pergunto fingindo inocência.
Ainda que ela não estivesse de toda errada. Sim, havia uma parte de mim que ao ouvir as palavras de Isabela, pensou em como tudo aquilo parecia uma grande piada, outra parte apenas queria o dinheiro, mas lá no fundo também tinha um interesse real em me envolver com Julia. Está parte ganhou o pretexto perfeito para investir. Nada disso importa. Faz semanas que ela parece de volta a lua de mel, metaforicamente falando, com o marido. Ambos parecem não ter olhos para mais ninguém no mundo. Devo admitir, eles meio que ficam bem juntos.
Bem, chega disso. Acho que tudo que precisava mesmo era de um alvo novo. Uma jovem boba, não é exatamente a coisa mais instigante. No entanto, não estou em posição de negar. Afinal duvido que Isabela conseguiria pagar, mesmo que conseguisse separar os dois. Já que Fernanda e seu dinheiro resolveram tirar férias em Milão.