Aproximação suave

870 Palavras
Murilo Hoffman Passei as últimas horas planejando os próximos passos da minha aproximação. Obviamente, queria fazer da maneira mais suave possível. Porém, não dar espaço suficiente para outro conquistá-la. Afinal, não quero mais um fracasso. Sendo assim, pensei em ir atrás de informações extras. Precisava saber mais sobre a loira se desejava me aproximar. A primeira coisa que descobri é que ela faz parte da iniciação cientifica. O que não me era útil, já que não estamos em cursos diferentes. Parti para a sua vida pessoal, descobrindo que a garota adquiriu na Inglaterra um gosto por um esporte incomum aqui, badminton. Para efeitos práticos, badminton é uma mistura de tênis e peteca. Completando a minha sorte. Não apenas me tornei grande fã do esporte no período que estive pelo país, enquanto fazia o doutorado, como também ganhei algumas competições. O que vai ajudar bastante a impressionar a moça. Se eu já não sentia que tudo estava ao meu favor, o fato do esporte ser incomum no Brasil, e bem elitizado, fazia com que a sua prática só fosse realizada em poucos lugares, e apenas um deles digno da filha de um magnata, um country clube localizado em Ipanema. É necessário apenas uma ligação, para que me encontre na lista VIP de membros. ¤ Não demora para me encontrar caminhando pela recepção. Estou usando um conjunto esportivo masculino, perfeito para a prática de tênis: shorts, gola – polo e óculos de sol. É um dia ensolarado de verão e Amanda não tem nenhuma atividade acadêmica. Logo, se ela se tornou britânica o suficiente, como imagino, vai aproveitar para praticar um esporte no dia de sol. Aproximo-me da recepcionista. A mulher já tem os seus olhos sobre mim dês do momento em que passei pela porta, mas assim como asa demais ignoro completamente, até que realmente seu fascínio me seja útil. Apoio as mãos na mancada, um gesto casual, que ao mesmo tempo molda levemente os músculos do braço. Posso notar a mulher passando o olhar por todo o meu corpo antes de fixar em meu rosto. Ela tenta ser discreta, sabe que os que frequentam aqui são “gente importante”, mas tenho um olhar atento. Deixo um sorriso de lado surgir no meu rosto antes de começar a falar. — Boa tarde — sou mantenho o sorriso e aguardo a sua resposta antes de prosseguir. — Boa tarde — a voz dela falha, fazendo a mesma fingir uma tosse para se recompor. — Eu sou novo por aqui. Uma amiga me convidou, o nome dela é Amanda. Pode me dizer em que quadra ela está? — questiono de maneira casual, soando o mais convincente possível. Se Amanda não estiver aqui, será uma grande bola a fora. Porém, a minha intuição não costuma falhar. — Oh, claro. A senhorita Safra. Gostaria que eu a avisa-se que chegou? — a mulher rebate polida. O sorriso largo, indicando que está disposta a fazer mais por mim do que lhe pedi. — Não, só me dizer a quadra. Quero surpreendê-la — digo, dando uma piscadela. — Sim, entendo. Quadra 12 — pronuncia. — Obrigado, Mirela — agradeço lendo o seu nome no crachá. A mulher, pelo menos dez anos mais velha que eu, se derrete como manteiga. Não aguardo a sua resposta, contudo, sei que pronunciou algo. Sigo até a quadra doze, parando apenas para alugar raquetes e algumas penas de ganso (petecas). Mesmo há alguns metros de distância consigo identificar a menina com facilidade. Amanda é a definição de Old Money em uma saia plissada listrada, rosa bebé e cinza, uma gola polo no mesmo tom de rosa e um cardigan branco ao redor dos ombros, uma faixa branca na cabeça que mantém os cabelos loiros longe dos olhos. A garota é a personificação da Barbie, a pele mais branca que qualquer carioca. Deve ser por ter ficado muito tempo no inferno europeu. Não faço ideia de quantos anos ficou por lá. Tenho que admitir, a jovem é uma delícia. Analiso seus movimentos suaves. Ela é feminina até quando reclama. Está jogando sozinha. Na verdade, não posso dizer que está jogando. Afinal, está apenas jogando as penas por cima da rede. Parece estar apenas treinando empunhadura (forma que segura a raquete). Devo estar com muita sorte mesmo. — Ei! Está afim de jogar de verdade? — questiono quando estou próximo o suficiente para que ela escute. Barbie, salta no mesmo lugar como um gato assustado, um movimento tão delicado que foi quase impercetível, ou seria, se já não a tivesse encarando a tempos. —Hãm? — ela emite claramente confusa. — Está jogando sozinha. Perguntei se quer uma dupla — esclareço, ainda que não acredite ser necessário. — Eu entendi está parte. Não estou jogando tênis — alerta. — Eu sei que não, é badmínton — jogo a peteca nos meus dedos no ar. — Você joga?! — ela parece surpresa e empolgada ao mesmo tempo. — Dou para o gasto — respondo, fingindo humildade. Naturalmente, responderia que não jogo, dou um show. Porém, as mulheres gostam de caras humildes — Posso jogar ou não? — questiono. Amanda apenas concorda com a cabeça e me movo para o outro lado da quadra.
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