Ele

1339 Palavras
—Você está sabendo do novo professor? Eu o vi ontem lendo na praça do estudante. As fotos do forum não fazem jus. O cara é um deus grego. — Victoria comenta enquanto analisamos a lâmina no microscópio. Na verdade, ela está conversando com Nicole. Eu apenas estou sentada ao seu lado, já que somos parceiras de laboratório. Não por opção. As duplas foram selecionadas através de sorteio. Então somos parceiras, infelizmente, não posso chama-la mais do que isso. Como estive fora do país nos últimos anos, não sou muito popular, não que ser popular fosse uma das minhas características na Inglaterra. Porém, tinha o meu pequeno círculo de amigas fieis. Espero possuir algo assim aqui em breve. Então foi por isso que soltei um: —Sério? Não sabia que tínhamos alguém assim— comento chamando a atenção delas. Que parecem me notar pela primeira vez. —Ah, desculpe, Barbie. Esqueci que estava aí—Victoria disse se virando para Nicole e rindo. —Não sabia que ela consegue prestar atenção em mais de uma coisa ao mesmo tempo—Nicole comenta baixinho, mas consigo ouvir. Eu, honestamente, não entendo qual é das pessoas de me chamarem de Barbie. Tudo bem, entendo a referência, eu sou loira, magra e me dedico um pouco mais do que as outras garotas do meu curso em fazer maquiagem. No entanto, o apelido me faz parecer superficial, e inferior. Sei o que a maioria pensa. Que só estou aqui por que o meu pai tem dinheiro. Isso sempre foi algo que me incomodou. Um dos motivos para ter decidido ir estudar em um internato fora. As pessoas não conseguem me enxergar aqui. Elas apenas vêm a patricinha filha de papai. Eu nunca fui de esconder os meus gostos. O que tem se gosto de maquiagem e rosa? Isso quer dizer que sou incapaz de passar em um vestibular de medicina como qualquer um dos outros? Bem, talvez eu pensasse isso antes, mas agora que estou aqui, que realmente fiz isso. Consigo ver meu próprio potencial. Essas pessoas não sabem que os planos do meu pai para mim não incluíam de maneira alguma fazer faculdade de medicina. Para ele, os médicos são profissionais m*l remunerados. Eles gastam anos estudando, anos atendendo, e não chegam a faturar na vida, o que ele faz em um ano, talvez em um dia. O meu pai é um homem de negócios. Ele acredita que não precisa trabalhar, que faz o seu dinheiro trabalhar por ele. Não posso julga-lo. O meu avô o ensinou a ser assim, e meu bisavô ensinou o meu avô, e assim por diante. Entretanto, negócios nunca foi a minha praia e o papai sabia disso. Por isso, teve a ideia maluca de me casar com um magnata. Obviamente, eu não estou seguindo nenhum de seus planos para mim. Acabo ignorando a ofensa que Nicole profere. Principalmente, por que isso é algo comum. As velhas piadas de loira burra. Claramente, sou privilegiada demais para poder reclamar. No fundo, só estou seguindo os meus ideais. Começar brigas não vai faze-la se sentir culpada, ou mudar. Então ignoro. Deixando um lembrete mental de que estas garotas não são pessoas das quais quero me aproximar. Tratando de terminar o quanto antes a minha análise do tecido adiposo. Fazendo rápidas anotações no papel que a professora nos passou. A aula seguinte é do professor Hadid. Como de costume ocupo uma das cadeiras da frente. Seleciono algumas canetas para fazer anotações. Um trio monocromático de variações de lilás. Pego o Ipad e minha apple pen. Normalmente, faço um misto de anotações a mão. Enquanto acompanho o livro, ou texto no Ipad, fazendo poucas anotações e marcações no aparelho. As pessoas me olham torto. Existe uma competição velada em medicina sobre quem é mais eficiente em seus estudos. As anotações de sala, são parte crucial do processo, é evidente os olhares curiosos que todos dão a mesa do colega, apenas para espiar como ele está fazendo as suas. Contudo, não pense que aquele que demostra ser o vencedor é ovacionado pelos demais, é justamente o oposto. O professor já está há alguns minutos tentando ligar o Datashow, ou projetor, como preferir. Até que acaba se rendendo quando alguém sugere chamar o suporte técnico do campos. —É uma ótima ideia Sr. Alves. Poderia chama-los. —O professor diz. O jovem parte em segundos, mas volta logo depois avisando que não encontrou ninguém. O professor se convence de que estão atendendo outra pessoa. —Bem talvez o professor da sala ao lado não esteja usando—Sugiro. —Poderia conferir para mim senhorita—ele diz me encarando. —Eu? — Questiono fazendo os demais rirem. —E quem mais? — ele diz. Levanto-me deixando os materiais sobre a mesa e seguindo para fora da sala. Por que eu fui dizer algo para começo de conversa. Bato ritmadamente na porta e em segundos ela é aberta. Revelando um tronco. Sou obrigada a levantar o olhar para encontrar o dono dele. O homem a minha frente não exatamente o que esperava quando pensei em pedir ao professor da sala ao lado. Ele é alto, musculoso e imponente. Sinto a timidez me atingindo com uma força esmagadora. Tenho a convicção deste ser o tal professor que Victoria se referia. Deus grego é uma forma de descreve-lo. Forço-me a lembrar do motivo de estar ali. — Desculpe a interrupção. Eu sou do curso de medicina. Estamos na sala ao lado, com o professor Rodrigo Hadid de saúde coletiva. Ele está tendo problemas com o projetor, e pediu que viesse ver se você pode emprestar o desta sala — Disse o máximo de informações relevantes. Assim ele não me confundira com uma fã maluca que veio atrapalhar sua aula, ou algo assim. Sua feição dura e fechada muda enquanto me analisa de cima a baixo, suavizando antes de se manifestar. — Claro, eu vou pega-lo para você — Ele diz e desaparece dentro da sala. Sem saber muito como agir permaneço no mesmo lugar, petrificada, abrindo mais a porta e o acompanhando com o olhar. Uma de suas alunas está tão distraída o secando, que m*l consegue esconder quando ele se aproxima dela. Porém, para a infelicidade da garota, ele só quer usar sua cadeira para pegar o objeto que está preso ao teto. Começo a considerar a ideia de tira-lo ineficaz. Não tinha pensado que o aparelho estaria em uma pequena jaula, ante furto. Contudo, o homem não parece ver isso como uma barreira. Ele se move com precisão e graça removendo o objeto em segundos. Como se as barras de ferros não fossem nada. Ele caminha de volta para a porta ainda emanando uma aura de elegância. — Obrigada —estendo as mãos que ele me entregue o projetor. — Não se preocupe. Vou leva-lo até o seu professor —ele diz e ignora as minhas mãos, envergonhada as trago de voltam para junto de meu corpo — Turma! Não demorarei — ele diz para a turma. O professor começa a andar na minha frente. E me esforço para segui-lo, mas suas pernas são mais longas, ele parece um modelo, então fico alguns passos mais atras, o que parece incomoda-lo já que ele reduz a velocidade. Andamos lado a lado por alguns metros. É difícil não encara-lo. O seu rosto é fino o queixo é do estilo super man. Os olhos e cabelos escuros. Há algo magnético em sua aparência. — Você não precisava se dar ao trabalho de traze-lo — disse timidamente. — Uma jovem dama como você, não deve carregar peso —ele diz casualmente. Fico na duvida se havia uma pitada de flerte no comentário. Que bobagem. Esse cara deve ter a mulher que quiser. Estou imaginando coisas. — Ah! Obrigada — respondo, sem saber ao certo o que dizer. Parando na porta da minha sala. Imaginando que ele passaria reto. — Pode me entregar agora — sugiro apontando o projetor e desta vez ele me entrega e entro na sala.
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