Pov Lauren Jauregui
- Sua nova casa!
Shawn olhava boquiaberto para a casinha de cachorro que Mani tinha comprado para ele. Era uma daquelas típicas casinhas de madeira com telhado vermelho e as paredes de branco que as pessoas têm no quintal da casa.
- Normani! - Nossa mãe a repreendeu sem saber o que dizer.
- Vocês não estão vendo? O cachorro gostou tanto do presente que não tem palavras para descrever sua emoção.
O cachorro virou ficando de frente para ela.
- Você está de palhaçada, né? E aquela história de deixar "as nossas diferenças de lado"?
Mani arregalou os olhos.
- E nós deixamos, tanto que te dei até um novo lar. Você pode começar a vida sendo nosso bichinho de estimação. - Minha irmã dizia ingênua e piscando os olhos varias vezes.
- Mani sabe mesmo presentear alguém. - Troy comentou com alguém mais atrás de mim.
- Oh, Troy obrigada irmãozinho eu já estava esquecendo. - Mani correu até de frente da casinha e de lá de dentro tirou um pote com ração. - Fiz questão de servir seu jantar, cachorro. Como não sabíamos que vinha hoje, minha mãe não fez sua janta, mas não se preocupe porque se você sentir mais fome pede para eu pegar, sabe como é, patas dificultam abrir o saco de ração.
Eu estava a todo custo tentando segurar minha risada mais cada vez ficava mais difícil e a cara de inocente da minha irmã só piorava a situação. Apesar de toda a diversão eu estava concentrado nos pensamentos de Shawn que estavam com diversas ideias de homicídio na cabeça.
Ele respirou fundo e sorriu irônico.
- Ótimo em troca vou trazer o seu caixão, no próximo fim de semana.
- Ora, cãozinho. Eu não durmo ou já está dando indícios de terceira idade na vida animal?
- O caixão não é pra você dormir e sim pra te enfiar lá dentro depois que eu acabar com você. - Sua voz que começou calma se tornou praticamente um rosnado quando avançou para cima de Mani.
Como eu já estava de olho na sua mente, previ seu surto e o segurei antes de alcançar minha irmã.
Ele se debatia nos meus braços tentando se soltar, enquanto Mani o olhava debochada.
- Me solta sanguessuga e me deixa arrancar esse monte de palha em cima da cabeça dela pra ver se ela fica menos burra.
- Shawn para agora! - Sofi gritou.
Seu corpo parou de se debater contra mim, olhando contrariado para sua namorada.
- Foi ela quem começou!
- Não importa quem começou. Você só está fazendo o que ela disse: Agindo como um animal.
Sofi não esperou pela resposta e saiu caminhando em direção a entrada da casa. Parei de segui-la com meu olhar assim que passou por Camila que estava exatamente no mesmo lugar quando toda essa história começou.
Dessa vez, algo nela me chamou a atenção. Eu não teria notado se continuasse a dar atenção para aquela besteirada toda. Pela primeira vez eu vi Mila com os lábios levemente curvados para cima quase como um sorriso e seus olhos foi o que mais chamaram minha atenção eles não estavam vazios como de costumo, no fundo bem no fundo eu senti que tinha algo a mais neles, mas podia garantir que não era só vazio. Diversão, talvez? Quem sabe. Só sabia que isso já era um começo. Grandes progressos num único dia.
Como se sentisse alguém a observando, Camila olhou em volta até seu olhar se encontrar com o meu. Nesse instante qualquer indício diferente no seu rosto, voltou para aquele típico sério e oculto de quaisquer sentimentos.
Antes que eu pudesse piscar o olho novamente, ela á tinha sumido entrando na casa.
Ah Camz, Camz como eu queria que você se lembrasse de tudo novamente. As coisas seriam tão mais fáceis. Queria tanto poder saber o que passava na sua mente, saber como ela estava reagindo com tudo isso? O quão difícil estava sendo em não se lembrar nada.
Eu realmente não faço ideia do que esteja na sua mente, mas sei que estarei ao lado dela para o que for preciso. Serei eu a dar o apoio e a força que necessitar. Resumindo serei tudo para ela.
- Você é surda agora? - Shawn resmungou me chamando de volta ao que acontecia.
- Ham? - Pisquei algumas vezes.
- Me solta purpurina!
Empurrei-o para longe quase derrubando. Eu que não seria educada com alguém que acabou de me chamar de purpurina.
Shawn se ajeitou e olhou para Mani uma última vez antes de seguir Sofi.
- Você me paga, n**a aguada.
- Vira-lata, e******o. - Minha irmã gritou emburrada.
- Normani, guarde tudo isso agora e peça desculpas ao Shawn. Dessa vez você passou dos limites! - Michael a repreendeu.
Minha irmã cruzou os braços e fechou a cara. Nunca que ela iria pedir desculpas ao cachorro. Acho que seria mais fácil ela pedir para os Estrabão tirar sua vida do que fazer esse simples gesto.
- Shawn, espera! - Dinah gritou correndo até Shawn. Segurando em mãos algo que definitivamente me faria dar risada.
O cachorro se virou para encarar minha irmã.
- O que foi?
- Sabe, minha ursinha comprou as coisas pensando em você e eu queria te dar isso. - Dinah estendeu o shampoo de antipulgas para ele. - Agradeceria se usasse. Mamãe não vai mais precisar tirar as pulgas que você deixa espalhadas pela casa e quem sabe esse seu cheirinho não sai?
Meus irmãos e eu explodimos em gargalhada, até mesmo Michael e Clara tanto quanto Marcus e Laura tinham sorrisinhos no rosto.
A maior graça é que minha irmã falava com a maior seriedade possível. Ao contrario de Mani que fez tudo isso para tirar com a cara do cachorro, Dinah fez com intensões verdadeiras e amigáveis, pelo menos ela acreditava ser.
Só Dinah mesmo para fazer algo assim.
Shawn bufou revirando os olhos e ignorou minha irmã. Não tinha o que discutir, ela não fez por m*l mesmo. Só estava sendo a Dinah de sempre.
- Agora quero que tire essas coisas de casa, filha. Não vou falar de novo. - Clara mandou.
- Boa sorte! Aproveita e usa seu cabelo pra varrer o chão. - Provoquei-a e fugi antes que ela resolvesse me bater.
Entrei na casa rindo. Sendo seguido por meus irmãos. Varri o local com o meu olhar procurando Camila, mas ela não estava nas minhas vistas.
- Mani está com instintos assassinos. - Troy me alertou sorridente.
- Sim. - Respondi não prestando a dando a minima para ele.
- E você não está nem prestando atenção no que estou falando, certo?
- Sim.
Que estranho, ela tinha entrado em casa, mas não capitava nenhum som de seus passos ou de qualquer coisa.
- Posso escolher suas roupas para sempre? - Ouvi a voz da minha irmã.
- Sim.
- AHHHH. - Minha irmã gritou me fazendo pular no lugar.
O que deu nessa louca?
- Obrigada, cabeçuda. - Ela pulou nas minhas costas dando um beijo estalado na minha bochecha.
Ally saiu da sala saltitando alegremente.
- O que foi que aconteceu? - Perguntei ao meu irmão.
- Nada de mais... Para a Allyson. Você só permitiu que ela escolha a partir de agora todas as roupas que for vestir.
Mas que merda!
- Boa sorte. - Mani falou deliciada do lado de fora.
Gemi de frustração. Não posso deixar Ally escolher minhas roupas para sempre. Só preciso conversar seriamente com ela.
- Está procurando-a não é mesmo? - Troy era a pessoa certa para te entender.
Assenti com a cabeça.
- Ela não está aqui. - Deu de ombros. - Acho que você nem mesmo percebeu que tanto Sofi e Shawn também não estão.
Agora que ele disse. Tinha mesmo razão, nenhum dos dois estavam aqui.
- Onde os três foram?
- Não sei. Camila provavelmente está em algum lugar com Sofi e Shawn deve ter ido atrás.
Bufei. Ótimo, era só o que me faltava.
Shawn vai conseguir se aproximar primeiro de Camila do que eu.
- Sabia que essa situação toda entre Mani e Shawn foi uma coisa boa? - Arqueei uma sobrancelha fitando-o. - Vamos lá, você também percebeu.
- Está se referindo a Camz?
Meu irmão se sentou no sofá enquanto concordava com o que eu dizia.
- Pela primeira vez, ela se divertiu desde que chegou aqui em casa pelo menos. - Ele explicou cruzando os braços.
- Eu vi. - Sorri ao lembrar da cena que apesar de não ter sido grande coisa. Já era um grande passo.
- Eu não disse, querida. Essa família faz bem para Camila. - Laura entrou sorridente como o braço enganchado no de Marcus.
- Vi, só não sei se devia me sentir m*l por ela não ter essas melhoras com a nossa família. - O Estrabão respirou, mas enfim abriu um pequeno sorriso. - Mas fico feliz que sejam vocês, Michael. Não confiaria minha sobrinha com mais ninguém a não ser com vocês. - Ele olhou sobre o ombro para o meu pai que entrava atrás de si.
- Camila já faz parte da família muito antes de todos nós percebemos. - Seu sorriso não podia ser mais brilhante.
- Bom, se me derem licença. Vou tocar um pouco de piano. - Eu tinha que passar o tempo enquanto Camila não voltava.
- Claro, filha. - Dona Clara disse carinhosa e esperançosa o que fez cortar meu coração.
Todos sofreram pela partida de Camila e eu me tornando uma amargurada só fez essa infelicidade aumentar ainda mais. Antes como estava presa na minha própria dor não via o m*l que causava na minha família e principalmente em minha mãe. Agora vendo seus olhos percebi o quão i****a eu fui por causar essa dor na minha mãe.
Sem pensar, corri até ela a abraçando com todo meu amor um jeito que há muitos anos eu não fazia.
Beijei seus cabelos antes de afastar meu rosto sem me desgrudar dela.
- Você me perdoa por ter sido essa babaca por tanto tempo? - Eu imploraria pelo seu perdão se for preciso.
- Oh, minha querida. - Clara me puxou novamente para seus braços. - Só te vendo feliz novamente e seus olhos com vida eu passaria por toda essa dor se fosse preciso.
- Não diga isso. - Sussurrei enquanto beijava seus cabelos. - Você nunca merecerá dor alguma, mas eu preciso ouvir que você me perdoa. - Supliquei.
Minha mãe ergueu a cabeça e afagou meu rosto com sua pequena não.
- Se faz tanta questão eu te perdôo, só farei com uma única condição. - Ela me fitou seriamente para logo abrir um pequeno sorriso. - Seja feliz!
Abri um sorriso mostrando todos os dentes. Retirei delicadamente sua mão do meu rosto e depositei um beijo nela antes de segurá-la firme.
- Eu serei, mãe. - Afirmei confiante.
- Muito bem, filha. Agora vá para o seu piano. - Ela sorria alegre.
-Está me expulsando, dona Clara? - Me fingi de magoada colocando um biquinho nos meus lábios.
- E você ainda pergunta? - Troy se intrometeu. - Nossa mãe é boa demais para te expulsar claramente.
Revirei os olhos.
Logo sai dali e fui até a outra sala onde se encontrava meu piano. Incrível, como sua melodia saia perfeita depois de tantos anos sem tocar. Claro que eu tive que afiná-lo no dia anterior, mas nem precisei concertar nada ele estava em ótimas condições.
Nem sei ao certo quantas musicas toquei, depois que fechei meus olhos me perdi na melodia como há muito tempo não fazia. Só me dei conta que bastante tempo tinha passado quando vi que era tarde.
Me surpreendeu quando vi o relógio de parede que tinha ali, marcando que passava das três da tarde. Eu já estava tocando há quase cinco horas, realmente eu sentia falta de tocar.
Me trouxe uma paz que a muito tempo não sentia desde o dia que Camila sumiu da minha vida. Por falar nela será que ela voltou?
Procurei a mente de Sofi e sorri ao descobrir que eles já tinham chego há um bom tempo. Eu devia estar mesmo distraída para não reparar que Camila tinha voltado.
Será que eu devia conversar com ela agora? Ou estaria apressando muito as coisas.
"Vai falar com Mila. Ela já voltou faz horas e está sozinha lá fora agora."
Ally me respondeu assim que previu minhas escolhas.
- Obrigada.
"Me agradeça quando escolher sua próxima roupa" Ela cantarolou por pensamentos.
Bufei.
Eu tinha que conversar ainda com ela, mas deixaria para outra hora. Agora eu tinha coisas mais importantes para fazer.
Levantei do pequeno banquinho que fazia contraste com o piano e caminhei em direção a varanda da casa.
Fingi que fui até lá fora como se não quisesse nada, a não ser um pouco de ar. Segurei para não olhar pro lado e encarar Camila. Se eu desse muito na cara, provavelmente Camz desconfiaria que eu estava perseguindo-a.
A neve caia do céu como alguns dias atrás caia. O bom é que não fazia vento, fazendo assim os flocos de neve cair suavemente até o chão. Respirei profundamente o ar, inalando o cheiro de Camila viciante que se encontrava por ali. Finalmente virei meu rosto para encará-la. E como todas as outras vezes me perdi na sua beleza.
Camz só mexia a perna direita do lado de fora da enorme rede de descanso fazendo-a balançar levemente de um lado para o outro. Ela tinha os braços cruzados atrás da cabeça enquanto permanecia de olhos fechados.
Quem olhasse de fora acharia que ela está apenas repousando. Dormindo nos sonhos mais lindo que possa existir.
- Vai continuar me olhando? - Camila sussurrou me fazendo quase pular de susto.
- Er... Não! - Que droga fiquei secando-a e nem percebi, mas como eu ia imagina ela nem abriu os olhos. - Me desculpe, eu não sabia que tinha alguém aqui, vim pegar um pouco de ar... Só fiquei surpresa quando te vi. - Menti.
Ela não me respondeu deixando que o silencio caísse sobre nós durante alguns segundos até que me dei por vencida.
- Me desculpe por te incomodar. - Deixei meus ombros caírem eu não sabia como agir, talvez essa não fosse a hora certa para conversar.
- A casa é sua, se tem alguém incomodando aqui sou eu.
- Nunca. - Respondi apressadamente. Como ela não respondeu nada resolvi tentar algo. - Se importa se eu me sentar? - Me referi as cadeiras com uma pequena mesa de centro que Clara fez questão de colocar aqui quando nos mudamos.
Resolvi considerar seu silêncio como um sim. Sentei-me na cadeira mais próxima dela deixando-a meio de lado, conseguindo assim vê-la com facilidade e também olhar para a floresta um pouco distante de casa que agora estava branca por conta da neve.
- Que r**m essa neve caindo, não é?
Camz franziu o cenho.
- Está me perguntando sobre o tempo? - Questionou.
- Hum... Sim?
- Isso foi uma pergunta?
Eu sorri.
- Não, uma afirmação. - Menti. - E então?
- Prefiro a neve que a chuva.
- Assim, pelo menos não nos molhamos. - Respondi me lembrando que era por isso que ela não gostava de chuva.
Camz assentiu.