Fiquei parada, olhando para o vazio deixado por Dante. A briga havia terminado. O confronto entre os irmãos foi mais rápido e sutil do que eu imaginava, mas o ódio era tão palpável que chegava a doer nos meus dentes. Olhei para o prato sujo que ele havia me entregue. Nossos olhos se prenderam por um instante, um momento breve, forçado. E não foi um olhar de desejo ou de ódio. Foi um reconhecimento frio. Você viu o que eu fiz. Eu sei que você viu. Mas não importa. Naquele momento, eu percebi: a frieza de Dante não era apenas ódio por mim. Era disciplina. Ele não estava me ignorando por desprezo; estava se usando de mim como uma âncora. Ele usou a apatia para não dar a Romeo o que ele mais queria: uma explosão. Entreguei o prato para uma das cameriere que recolhia a louça e comecei a me

