O silêncio no quarto era sufocante. Eu estava sentado na beira da cama, tentando tirar as botas, o cheiro de mosto e cansaço ainda impregnado em mim. Emanuele estava na poltrona, fingindo ler, mas eu sentia seus olhos em mim. Para quebrar o gelo, ou talvez apenas para me testar, ela falou, em italiano. Seu vocabulário evoluía de forma surpreendente. — A festa está chegando — a voz dela soou casual demais. Ainda parecia uma imitação da Nonna. — Teremos que participar como parte da Famiglia. Não respondi. Continuei desamarrando os cadarços. Era óbvio que teríamos que participar. — Ouvi dizer que os outros Capos estão vindo — ela continuou. Parei. Meus dedos congelaram no couro da bota. Isso não era fofoca de corredor. A presença dos Capos das outras províncias era um assunto estrat

