Henrique.
- daddy. - levo um susto mas acordo.
- que foi meu amor? - ela estava sentada na cama e mesmo sendo tarde, eu via seus olhos brilharem.
- eu tive um pesadelo. - aliviei o corpo.
- tá tudo bem. - puxei ela pra mim.
E assim que fechei os olhos...
O som inconfundível do despertador.
Não sei como poderia estar despertando, estava noite ainda.
Mas peguei e desliguei e estava com o horário certo.
- aaaa. - suspirei.
- desculpa daddy.. - ela começou a tossir.
Tanto.
- que foi? - me preocupei obviamente.
- minha... Garganta tá... - tossiu. - doendo. - liguei o abajur e Maria se sentou na cama, fiz o mesmo.
Ela começou a tossir mais e meu coração já acelerou. Fico preocupado, não sei oque fazer.
Mas nos levantamos, ela queria água e pegou a sua garrafinha, logo depois disse que não ia conseguir tomar o anticoncepcional.
E tudo bem, pode tomar qualquer horário mas tem que ser todos os dias.
Não a obriguei mas ela tomaria mais tarde.
- amor. - eu estava mijando e ela escovando os dentes. - acha que.. - bocejei. - tá bem pra ir pra escola? - ela concordou fraquinho mas logo começou a tossir dentro da pia.
Me preocupei.
Dei descarga e me despi.
Gosto de tomar banho pela manhã, Maria não e eu não obrigo ela, mas ela sempre toma antes de dormir como eu.
Escovei os dentes de baixo do chuveiro mesmo e quando saí vi Maria se vestir com o uniforme.
- tá friozinho meu amor. - ela ainda tossia mas com menos frequência.
- mais vai ficar quente, por que hoje tem corrida e a professora disse que ia fazer sol. - disse desapontada.
- tá, tudo bem, mas põe o casaquinho. - concordou.
Me vesti com uma calça jeans, blusa social e tênis, sempre neutro. Coloquei meu relógio, passei desodorante, perfume e arrumei o cabelo.
Maria ficou pra se maquiar como sempre faz e eu desci.
Abro a porta do quarto do Pedro com cuidado e entro.
- Pedro... Levanta. - mexi nele.
- já?
- já, vai tomar um banho e penteia esse cabelo.
- aff.
- vamo pra não se atrasar. - dei o último toque na cabeça dele e sai do quarto fechando a porta.
Como de costume pela manhã, isso sempre acontece.
Peguei duas tigelas, colheres, leite e o cereal, colocando na mesa. Peguei suco, fiz um café só pra mim por que eles não tomam e peguei pão e o que ia dentro dele e levei pra mesa.
Ração pros meus filhos, roupa pra lavar e trocar a areia dos gatos também é a rotina matinal.
Mas só faço por que fico sem fazer nada enquanto Pedro e Maria se arrumam, até por que minha mãe levanta meia hora após a gente sair e ela faz essas coisas.
Lavei as mãos obviamente e foi o mesmo tempo dos dois vim.
- vamo toma café e ir. - digo indo pra mesa com o açúcar que eu não havia pego.
- daddy... Não tô com vontade de tomar café. - Maria não penteeou o cabelo e não usava os tênis.
- por que não tá pronta? - ela tava de maquiagem e tinha delineado mas o resto ela não fez.
- eu já vou terminar. - se sentou na mesa.
Servi bem pouco cereal e leite pra ela e falei pra ela comer até onde conseguisse, Pedro como sempre, preguiçoso mas comia.
E eu acabei primeiro que eles.
- daddy... Não quero mais. - olhei pra ela.
- pode deixar aí, vai colocar os tênis. - ela foi, com sono.
Fiz o lanche dela, não era fazer, só separar oque ela ia levar.
Peguei bolacha, coloquei morangos e uvas dentro de um bolinho redondo pequeno e peguei um suco... Aí tive pena e peguei uma bala fini colocando junto na sua mochila, que ela sempre deixa na sala antes de dormir.
Pro Pedro separei só uma bolacha e suco, ele nem come as vezes e sempre devolve pro armário.
Maria desceu com os tênis nos pés, mas o cabelo igual como acordou.
- Maria, a gente vai se atrasar. - digo repreendendo ela mas eu não queria irrita-la. - vem, vamo lá arrumar o cabelo. - ela me deu a mão e subimos. - oque tá dando na Maria hoje? Não tá empolgada, não tá arrumando o cabelo do Pedro que ele nunca arruma... Tá quietinha. - chegamos no quarto. - tem prova hoje e tu não me disse nada? - negou. - então oque foi? - fomos pra sua penteadeira e ela se sentou na cadeira.
Era no seu quarto e não no nosso. Mesmo ela tendo duas penteadeiras, prefere essa que é mais atual do que a outra.
- tô com dor de garganta, e também com sono daddy. - suspirei.
- mais fomos dormir cedo.
- mais eu tive um pesadelo e não dormi. - comecei a pentear.
- hum, entendi, mais poderia ter me chamado pra gente conversar ou pra eu te abraçar e te dar carinho.
- mas eu peguei a sua mãozinha daddy. - sorri.
Quando ela já estava com o cabelo arrumado, fui no nosso quarto pegar o seu anticoncepcional e descemos.
- vou deixar na mochila da Maria pra ela tomar depois. - concordou.
- vamo Pedro? - chamei e ele veio após alguns segundos, exalando o cheiro de perfume masculino, mas com exagero como sempre.
Maria voltou a tossir.
Eu não estava gostando.
Entramos no carro e ela pegou a mantinha dela no banco de trás, estava ficando calor, achei que ficaria frio.
Maria estava com frio.
- vou fazer o seguinte. - digo saindo do condomínio após dar a seta. - Pedro vai pra escola, pega os trabalhos e atividades que a Maria vai perder...
- por que eu?
- xi, escuta. - digo. - faz isso que eu vou levar ela no médico. - digo e ele não diz mais nada.
Maria estava caidinha e não sei se era a maquiagem mas ela não tava pálida.
Deixo Pedro na escola e sigo caminho com ela.
- daddy, se tiver injeção eu quero ir pra escola. - ri.
- não vai meu amor, não vai ter. - tranquilizei, mas se for o caso dela realmente estar doente, eles vão dar soro.
No estacionamento do hospital eu coloquei a máscara nela e em mim.
- vamo? - concordou e tossiu mais um pouco.
Descemos do carro e os documentos da Maria sempre estão comigo, então não teve problema.
Preenchi a fixa mas a nossa salvadora de sempre achou a gente, Cida.
- tá, aqui tá bom. - disse ela, no corredor vazio. - tira a máscara e põe a língua pra fora. - Maria baixou a marcará e fez isso.
Cida examinou com os olhos e uma mini lanterna.
- hum, não tem nada de mais na sua garganta mas ela deve tá inflamada por alguma coisa. - disse Cida. - sente o cheiro e gosto das coisas? - Maria me olhou mas logo disse.
- sim, mais hoje o leite não tinha gosto e nem o Sucrilhos. - ri.
- nunca tem amor, mas deu pra sentir um pouco? - concordou pra minha pergunta.
- tá, vou encaminhar ela pra um médico e fazer um teste pro covid mas eu acho que isso é só a garganta mesmo. Por isso eu digo, toma sorvete e bebidas geladas no momento apropriado, põe casaco quando tiver vento, seca bem os ouvidos quando sair do banho... Coisas que podem prejudicar o pulmão, garganta, ouvidos... Coisas assim. - Maria concordou. - tá, vamo lá. - fomos.
Na verdade não sei oque aconteceu dentro do consultório por que não pude entrar, mas demorou.
E eu ficava olhando pro relógio a cada cinco minutos, já estava atrasado.
Maria ainda teve que fazer uma tomografia por que ela tava tossindo e isso podia ser algo com o pulmão, mas pelo que Cida disse, não era nada.
Então quando ela teve a alta, o médico disse que era só a garganta inflamada mesmo e deu as mesmas orientação de Cida, principalmente sobre o sorvete.
Maria ouviu e mesmo assim vai me pedir.
- daddy.. - entramos no carro e ela tirou a máscara assim como eu.
- não dá pra te mandar pra escola assim e o daddy tá atrasadíssimo. - digo ligando o carro e já manobrando.
- então eu vou ficar no carro? - ri.
- não meu amor, vai comigo pro trabalho. - ela sorriu fraquinho.
- ebaaa.. - bocejou mas parou antes de terminar. - aii. - reclamou e senti pena.
Passei a farmácia na velocidade da luz e peguei os remédios pra ela, ela não vai conseguir tomar mas é obrigatório, se não ela não melhora.
- vamo? - concordou e coloquei a máscara na gente, precisava pra poder entrar na empresa.
Todo mundo como sempre, encantado com a Maria mas ela tava com muito sono carregando aquela manta pelo saguão.
- daddy. - apertei no meu andar e olhei pra ela, já dentro do elevador.
- hum? - dei carinho.
- posso dormir no seu sofá fofinho? - sorri.
- pode meu amor, claro que pode. - tirei a máscara pra beija-la e não coloquei de volta, Maria também tirou.
Sempre fazemos o teste antes de entrar e precisa ficar de máscara sim, mas meu andar é o mais calmo e não tem tantas pessoas lá.
Fomos direto pra minha sala e Maria direto pro sofá grande e espaçoso.
- daddy, seus colegas vão vim aqui? - neguei.
- não mais eu tenho uma reunião às 9:45, então o daddy vai sair da sala tá? - concordou.
Maria se deitou no sofá com a cabeça na almofada e se cobriu com a mantinha que era grande, provavelmente ainda está morrendo de sono.
Deixei sua mochila ao lado do sofá pertinho dela e fui pra minha mesa, já respondendo alguns e-mails e atendendo ligações, que fiz o máximo de silêncio pra não acorda-la, falei bem baixo.
E os minutos foram passando e eu ligando. Maria nem se mexia.
Me levantei da cadeira e chequei a sua temperatura, estava quente no rosto mas o resto do corpo parecia morno. Tirei seus tênis e ajeitei seu cabelo.
Droga, as bochechas estavam coradas mas devia ser maquiagem, eu não sabia identificar.
Dei carinho nela sentindo um pouco de medo do que isso poderia ser. Mesmo os médicos dizendo que não era nada de mais.
Alguém bateu na porta e fui até lá abrindo.
- ah... O senhor já chegou, eu trouxe café. - era Ju, hoje com um traje diferente... Mais ousado para um emprego como esse.
A saia estava acima dos joelhos, sempre é abaixo, a blusa social estava pra dentro dela mas com alguns botões abertos no peito.
Não é o meu lado "homem certinho" falando, mas todas as mulheres aqui andam com a roupa mais formal e ontem Ju estava formal.
- daqui a pouco tenho reunião, vou tomar café por lá mesmo. - ela concordou. - digo recusando a bandeja e ela tenta olhar por cima do meu ombro.
- essa é sua... Namorada? - concordei.
- é sim. - sorri e olhei pra Maria. - ela tá meio doente e deixei ela faltar aula hoje. - Ju sorriu.
- ok, se ela precisar de algo você pode me chamar. - concordei simpático.
- tá bom, e para você não ficar sem ter oque fazer, pode separar alguns documentos e guardar por nome na gaveta, que tal? - ela concordou.
Abri a porta pra ela e ela entrou. Largou a bandeja com café, xícaras, açúcar e biscoitos sobre a mesinha em frente ao sofá.
Ela olhou bem pra Maria por alguns segundos até vim a mim.
- esses são papéis de clientes, cópias de documentos deles e é necessário que eu tenha em minha sala, pois são meus clientes. - ela concordou prestando atenção. - em frente a cada pasta tem um nome, você tem colocar em ordem alfabética dentro dessas gavetas. - andei pro meu lado direito, perto da minha mesa.
Ali tinha aqueles gavetões cinzas, tinham três com três gavetas.
- já tem vários aqui dentro, é um longo trabalho. - mencionei.
- ah, tudo bem. Nada que eu não de conta. - disse empolgada e sorri.
Peguei aquelas pastas e coloquei sobre os gavetões para ela não ficar indo até a minha mesa e voltando, aí me sentei na minha cadeira e comecei a fazer oque precisava fazer.
Em termos eu não conseguia, óbvio. Era meio difícil me concentrar com alguém ali, e não é por que é mulher, é só o barulho e os movimentos que ela faz pelo canto do meu olho.
Ela tinha delicadeza, ao menos isso, mas nada chegava aos pés da minha antiga secretaria, que está grávida.
Aquela que é lésbica e tem olhos iguais aos da Maria, ela era e é a minha secretária e melhor amiga, sinto tanta falta dela, os cafés nunca mais foram os mesmos e nem os telefonemas que eu não conseguia atender. Por que ela fazia tudo.
Continuei com os emails.
- senhor Henrique. - a olhei. Pedi que ela me chamasse pelo nome, prefiro Henrique do que Maciel.
- sim. - me levantei.
- os que não tem nome e sim números eu deixo por último ou em uma só gaveta? - fui até ela pensando.
- vou me perder se estiver na mesma gavetas com os nomes... Pode colocar nessa última gaveta aqui. - mostrei e ela concordou, já se... Abaixando.
Sai de perto, não sou esse tipo de homem e realmente espero que ela não seje esse tipo de mulher, mas parecia.
Ela não estava abaixada, ela estava curvada com o bumbum totalmente pra cima.
Mas não olhei, e não é por que Maria está aqui, é por que eu realmente não sou mais esse tipo de homem.
Tive que sair da sala, me senti incomodado.
- eu já volto, pode continuar e depois sair. - fui gentil e ela se levantou e sorriu pra mim.
- ah.. tudo bem. - ajeitou os óculos e sorri por uma última vez até sair da sala.
Suspirei.
Peguei o celular e liguei pra Vanessa, minha antiga secretaria.
- uau, já está com saudades de mim? - ri.
- pra falar a verdade sim, preciso de você aqui. - fui para a cozinha desse andar, pegar água. - e como tá?
- esse bebê chuta tanto, já tô começando a achar que quem deveria estar carregando ele era a Lucy. - ri e ela também.
- bom, de qualquer jeito você faz falta. - ri.
- a nova secretaria é tão r**m assim?
- péssima. - digo baixo. - mas ela tá indo.
- meu deus. - riu. - bom, estou de volta em dois meses.
- mais não vai cuidar dele?... Pode ficar até o horário que quiser mas duvido que não vai derreter de amor por ele. - ela riu.
- tem razão, mas vou ir pra sustentar ele e por que eu não consigo ficar sem trabalhar. - rimos. - você vai ter que aguentar Henrique.
- tô tentando. - ri.
- e Maria?
- tá lá na minha sala, dormindo enquanto Juliane tá arrumando as gavetas... As gavetas que você arrumava tão bem e eu nem precisava pedir nada.
- tá, por partes... Maria tá bem? Oque ela tem?
- a princípio parece ser só uma dor de garganta, já comprei os remédios pra ela.
- não é o covid né?
- fizemos o teste no hospital e depois aqui pra entrar... Ela parece que tá bem. - suspirei.
- fica de olho, pode ser as amídalas. - não havia pensado nisso.
- vou ficar de olho.
- ta, agora você que lute com essa nova secretaria e eu espero que ela esteja cuidando bem da minha sala. - ri.
- deve de tá, eu não peço nada pra ela e ela fica o dia inteiro dentro daquela sala. - Vanessa riu.
- nem imagino o tanto de café que ela já te ofereceu. - ri novamente.
- milhares. - ri colocando o copo na pia. - mais... É isso, eu preciso voltar agora, espero que ela já tenha terminado oque pedi e Maria também tá la dormindo.
- tá bom au... Meu filho! - ri. - não ria, homens quem deveriam carregar essas máquinas que chutam tanto... Aaaa. - ri novamente.
- calma, cadê a Lucy.
- boa pergunta... LUCY! - nossa!
- meu deus. - rimos.
- tá bom Henrique, volta pro trabalho que eu vou pedir uma massagem pra Lucy, meus pés tão enormes de inchado, vai se preparando, quando a Maria ficar grávida vai ser bem assim... Fora os desejos, ontem eu comi chocolate com maionese e se quer saber? Tava uma delícia. - me matei rindo.
- p***a Vanessa.
- mais é..
- tá legal, vou indo lá, não esquece de trazer ele aqui pra gente ver.
- não vou, espero que não nasça com a cara do doador.
- não vai, vai ter os seus olhos.
- assim espero, bom trabalho.
- obrigado, tchau.
Desliguei.
Vanessa é uma das minhas amigas que mais quero por perto, tanto por seu lado carismático quanto por sua irmandade. Amaria ter uma irmã como ela.
Falei que seu filho não ia nascer a cara do doador do espermatozóide, pra anima-la, mas eu lembro do dia em que ela trouxe as fotos dos pretendentes.
Vanessa é branca, cabelo castanho e olhos azuis, é igual a Maria mas o cabelo da Maria é mais claro. E o homem que ela queria era moreno, e o outro branco com olhos azul também.
Já sua namorada Lucy queria um loiro mas Vanessa fez em segredo e ninguém sabe qual foi o doador.
Mas sei que o bebê vai nascer lindo igual, é um menino e ela já tá com 8 meses.
Tá quase nascendo.
Voltei pra sala e por sorte Ju estava em pé fechando a gaveta.
- terminei. - sorri e chequei a temperatura da Maria. - está bem? - concordei, mas achando estranho Maria ainda estar na mesma posição.
- ela tá meio m*l mas bem. - digo. - pode tirar um tempo descansando, vou ter uma reunião agora e você não vai ter oque fazer. - ela concordou.
- tudo bem. - disse ajeitando os óculos novamente.
Quando ela saiu da sala me senti até aliviado. Me sentei ao lado da Maria e dei carinho nela.
- amor. - alisei seu cabelo e tirei um pouco a mantinha de cima dela.
Ela se mexeu e começou a tossir.
- opa. - digo e ela vai parando aos poucos.
- tô com.. sede. - me levantei.
- pera aí. - fui até o mini bar ao lado da tv em frente ao sofá e peguei uma água na mini geladeira. - ó meu amor. - ela se sentou com calma e pegou da minha mão assim que abri. - Cida disse que é pra tomar bastante água. - falei. Ela bebeu bastante. - o daddy tem reunião em 15 minutos. - digo olhando pro relógio.
- e você.. vai demorar? - neguei mas logo concordei.
- sim e não, é uma reunião de 45 minutos mais a conversa depois dela que sempre me prendem. - ela sorriu. - come o teu lanchinho, pode usar o notebook do daddy mas não exclui nada tá? - concordou. - tem balinha de menta e banana na mesa do daddy. - ela se animou.
- ebaaa. - sorri.
- e o banheiro onde tu sabe onde é e não pode mexer nos documentos tá? Tem folha de ofício atrás da mesa do daddy mas não pega nenhuma que já tenha usada tá? - concordou.
- posso assistir filme no notebook? - concordei.
- tem a tv. - negou fraquinho.
- não, quero no note. - concordei.
- tá bom. - me levantei e fui lá pegar, que estava ao lado do meu computador.
Uso os dois obviamente.
Dei pra Maria e ela já estava com seus fones de ouvido.
- sabe a Ju? - concordou antes de acessar algo. - ela tá aqui pra ajudar o daddy temporariamente. - concordou entendendo. - pode chamar ela pelo telefone, é só apertar no botão 2 que ela atende. Se tu tiver medo ou algo assim chama ela ou se quiser café. - ri. - ela gosta de trazer café. - Maria sorriu mas não gostou.
- e você toma? - neguei.
- uma vez só, ontem.
- pode ter veneno.
- para amor. - ri.
- quando que a Vanessa volta?
- em dois meses, diz ela, eu não acho. - Maria pensou. - se ela quiser vim com o bebê, eu falto aula e cuido dele pra ela trabalhar. - ri.
- meu deus Maria, mas de qualquer forma ele vai ser recém nascido, não vai poder sair pra rua.
- eu sei daddy... Mais aqui não é a rua e é bem quentinho. - sorri e dei carinho nela.
- fofinha. Te amo tanto. - dei um beijo na mesma. - eu vou lá mas tu sabe onde é, é no andar de cima numa sala de vidro igual aquela daquele dia lembra? - concordou. - tem uma vista muito linda lá, depois o daddy te leva pra ver. - ela ficou animada.
- se eu interromper a reunião é só pra caso de emergência né? - concordei.
- sim, emergência mesmo tá? Mais se tiver alguma coisa acontecendo é óbvio que tu pode interromper, não me deixa preocupado. - concordou.
- não vou. - agora ela me deu carinho.