219° capítulo

3028 Palavras
Maria Clara. AAAAAAAAA primeiro dia de aula! - vamos, vamos! - puxei Pedrinho pela mão. - Becca vai tá usando uma saia assim também? - Pedro me olhou. - sim, é o nosso uniforme mas temos a calça, mas a Becca gosta mais da saia. - soltei ele assim que chegamos no carro. - eu também não gosto, mais tu te acostima. - disse daddy pro Pedrinho, vindo atrás da gente e olhei com cara de má. - você fala como se fossemos seus objetos. - daddy riu abrindo a porta de trás. - não, esse é o teu ponto de vista, pra mim... Sempre será preocupação. - ele se inclinou. - se a Maria gosta de usar tudo bem, o problema é quem olha e pensa m***a. - penso. Uma vez tiraram foto da b***a da Duda e ela só descobriu por que o amigo dela disse que mandaram pra ele. A Duda tava distraída. Então eu entendo o ponto de vista do daddy. Entrei no carro, atrás. Mas só por que sei lá, eu não sou a dona do carro e Pedrinho sempre vai atrás. Bom... Um dia pra cada né? - Pedrinho, vai ser um dia pra cada ir na frente. - digo e daddy riu, manobrando o carro. - tá. - Pedrinho riu. Eu tava levando dinheiro e lanche, ontem tia Cris fez enroladinho de salsicha e sobrou, então tô levando. Gosto de comer gelado. A gente demorou um pouco por que não era perto e eu tava suando e com medo. Parecia novo, mas não era. Tio Caio vai lá em casa hoje e falou que tem uma surpresa pra mim, é um livro e eu tô ansiosa pra saber qual é. Até hoje só li Harry Potter e esses clichês de amor, tipo a Barraca do Beijo que tem até o filme, mas acho que o filme veio antes. Também tenho Para todos os garotos que já amei. E o resto é online, fanfics e eu amo. Chegamos... - juízo, só juízo que eu digo. - daddy estacionou o carro do outro lado da rua da escola mas pertinho, tinha bastante carros e alunos. - Pedro... Tu tem um histórico de ser o aluno mal... - daddy, você não pode falar assim. - Pedrinho riu. - relaxa Maria, eu realmente sou assim. Mas agora tenho a minha gata e vou me comportar. - daddy riu do tipo "sei". Descemos do carro e fui pra janela do daddy como sempre, Pedrinho ficou na frente do carro mexendo no celular enquanto eu falava com o daddy. - juízo. - você sempre diz isso, oque significa? - ele riu. - significa que é pra ti ficar na tua, agir de acordo com o correto e não como tu achar melhor. - concordei. - tá levando dinheiro? - concordei novamente. - 50 reais. - só? - assenti óbvio. - sim. - então pega mais aqui. - daddy pegou a carteira e vi vários cartões e muito dinheiro. - o cartão de crédito da Maria tá aqui mas leva dinheiro tá? - concordei e daddy me deu duas notas de cem, então eu tinha duzentos e cinquenta! - compra algo pra todo mundo. - concordei feliz. - da um beijo no daddy. - me inclinei e beijei ele. - cuidado tá? A escola tá cheia de gente r**m e tu sabe quem são. Hoje não tem educação física mas tem aulas que ela pode tá lá, olha pra mim. - eu olhava pro dinheiro mas guardei e olhei pro daddy. - fica longe, quando ela falar alguma coisa, ignora... Por favor... Faz isso por mim. - daddy falava da Cheli obviamente. - seja comportada, seja a mocinha linda e educada que é por que assim quem sempre vai sair errada será a Micheli quando ela fizer algo tá? - concordei. - da um beijo de novo. - ri e dei, daddy me abraçou e sussurrou no meu ouvido. - cuidado, por favor cuidado. - tá bom daddy. - sorri. - vamo? Becca disse que a Malu já chegou. - abri um sorrisão. - ebaaa. - sai andando. - ei, ei, ei, calma aí. - voltei. - daddy! Aaaaaah eu quero ir logo. - digo feliz. Daddy riu. - tu tá levando o óculos? - concordei. - tá aqui. - usa ele tá? - concordei animada. - tá bom. - fiquei pulando e daddy riu. - tá, vai lá, cuidando pra atravessarem. - Pedrinho e eu falamos "tá" juntos. Ele me deu a mão pra atravessar. - eu não sou criança. - continuou segurando até a gente chegar do outro lado da rua, ai ele soltou. - é capaz do Henrique me xingar por que eu não cuidei de ti. - fiquei m*l. - Pedrinho você não é obrigado... - ele riu. - Maria, por que tudo pra ti é algo r**m? - ele ria e eu dei de ombros. - por que você fica triste. - ah, já passou, tô bem. Mais Henrique conversou comigo, preciso te proteger desse tal de CD e dessa Micheli, e eu vou. Vou tá sempre por perto, igual um irmão. - ele passou o braço no meu pescoço e abracei ele de lado toda feliz. - irmãos! - ele riu. - irmãos. - fiquei tão animada! Quando chegamos na frente da escola eu vi que o carro do daddy já foi, ele tinha trabalho hoje. Becca e Malu estavam lá e vieram correndo. - aaaaaaah Maria! - Becca pulou em cima de mim... Não tô brincando. A grama amorteceu a nossa queda mas continuei abraçando ela. - que saudade! - digo e ela me encheu de beijos. - tá, tô vendo que perdi a minha namorada. - Becca se levantou e me ajudou mas assim que me levantei ela pulou no Pedrinho. - te amo amor, mas a gente tava na call até às três da manhã ontem. - ela saiu do seu colo. - tá, agora sério. - olhou pra mim e Malu, que estava tímida. - como assim você tem uma irmã gêmea? E calma... Não é isso... Tipo... Eu achei que você era ela e que ela era você, aí eu dei um abraço nela. - Becca começou a rir. - ainda bem que você me explicou. - Malu estava tímida. - tudo bem? - concordou pra Becca. - relaxa, eu sou mó doida mas pode confiar em mim. - Becca puxou Malu e entrelaçou o braço no dela. - vamos ser bests tá? - Malu sorriu. - maninha você tá em qual aula? - perguntei e ela pegou o seu papel. Todos nós pegamos e estávamos em quase todas as aulas juntos. A única diferença é que Malu não tinha educação física junto comigo e Becca na quarta, mas sexta sim. Já Pedrinho não tinha educação física com a gente em nenhum momento. As outras matérias estavam também diferentes, mas a maioria a gente tava junto. Estávamos todos na mesma série. Malu estudou as férias todas e eu nem sabia, ela estudava a noite antes de dormir. Aí ela fez duas provas pra eliminar séries e agora tá aqui. Ebaaaa. Quando entramos infelizmente só eu tinha a primeira aula sozinha, enquanto Malu e Becca ficaram juntas e Pedrinho sozinho também. Becca ficou sim chocada mais uma vez ao descobrir sobre minha irmã gêmea, mas eu já tinha falado pra ela e mandado foto da Malu, mas mesmo assim. Sempre será um choque. Na escola todo mundo ficou olhando pra gente. Eu me senti envergonhada, mas só por que parecia que eu tinha algo de errado no meu rosto. Mas Pedrinho olhou friamente pra todo mundo e alguns pararam de olhar. Ok, primeiro aula foi bem chatinha, mas em compensação, escrevi muita coisa no meu caderno lindo azul ciano, em tom pastel igual todo meu material. E também usei minhas novas canetas. Na escola, quando entramos, fizemos um teste pro covid, checaram nossa temperatura e passamos álcool, então caso desse negativo, dentro da sala de aula sentada em sua cadeira, poderia ficar sem máscara e eu fiquei até dar o sinal. Aí guardei meu material mas não coloquei a máscara ainda. - Pedrinho. - corri até ele por que eu estava perdida. - você tá indo pra qual sala? - ele pegou o papel no bolso e eu fiquei animada por que acho que é a mesma. - sala 6, terceiro andar, matemática. - comecei a pular de felicidade. - ebaaaa, eu também. - ele riu, mesmo usando a máscara eu vi. Eu já ia colocar, só estava muito entusiasmada. - calma aí. - parei. - deixa eu ir no banheiro. - passamos por um e Pedrinho voltou. Como era masculino e obviamente eu não podia entrar, fiquei do lado de fora vendo as minhas aulas. Ainda tinha mais 5. Seriam 6 por dia. Quando Pedrinho saiu, percebi que estávamos um pouco atrasado. - até que essa escola não é tão pobre. - disse ele, andando do meu lado com as mãos no bolso da calça. - e se fosse? - deu de ombros. - nossa família tem dinheiro pra pagar uma boa, eu não gosto de escolas pobres. - mais tem que dar valor. - ele riu. - Maria, não é falar m*l, é que as vezes falta professor e o ensino não é tão avançado assim. - entendi, mas eu gosto de escolas pobres, eles são humildes e simples, tudo que não há aqui. Mas Pedrinho tinha razão, eu acho que todo mundo deveria ter o mesmo tipo de ensino, afinal, o mundo é composto por pessoas e esse negócio de classes não deveriam existir. Uma criança de classe baixíssima, só pode estudar em uma escola "r**m" por que não tem dinheiro pra pagar uma boa. A culpa não é dela. Por isso todas as escolas deveriam ser normal, por que no futuro alguém que estudou em uma escola pobre, pode criar algo que mudará o mundo inteiro. Então não adianta. As escolas deveriam ser iguais. - desculpa o atraso. - disse Pedrinho e entramos na sala. - tudo... Bem. - o professor me olhou. - ponha a máscara mocinha. - eu pus, até me sentar em uma das cadeiras na fileira da janela, era a terceira. - agora que todos estão aqui, podem tirar. - ele ainda me olhava e eu acabei de colocar. Mas tirei, sentindo que ele fez isso de propósito. - bom, como eu ia dizendo... Não gosto de atrasos, aluno que se atrasa é punido. - ele ainda me olhava. - sou o professor substituto de matemática, Daniel. Não sei exatamente até onde darei aula pra vocês por que o antigo professor está com covid... Então não há uma alta médica ainda e o estado dele é grave. - o professor, cuja estava encostado em sua mesa de braços cruzados e sem a máscara, olhou pra todos nós, inclusive pra mim. - para aqueles alunos que chegam atrasados, ganharam castigos diferentes toda vez. - ele olhou pra mim e foi pra trás da mesa. - quero dois alunos para buscarem os livros de matemática. - ele disse isso abrindo um caderno. - eu. - eu. - disse duas alunas mas o professor nem olhou pra frente. - não, quero que os namorados atrasados vão, para perceberem que o primeiro dia de aula não é um passeio dentro da escola. - ele me olhou. - você e você, podem ir. - me levantei e Pedrinho também, mas como Pedrinho tava do outro lado da sala e bem no fundo, ele chegou depois de mim na mesa e ainda enrolou. - quero 16 livros. - me olhou fundo nos olhos e agora percebi melhor sua aparência. Olhos castanhos, cabelos também e tinha uma barba grandinha. Sua boca era bem desenhada e os olhos muito penetrantes. - podem ir. - disse por fim e só naquele momento pude perceber oque eu fazia, fiquei morrendo de vergonha. Pedrinho e eu saímos da sala mas não olhei pra trás, porém senti seus olhos em mim. O caminho todo Pedrinho falava algo que eu não prestei atenção mas segui pra biblioteca com ele como se nada tivesse acontecido. - Maria. - olhei pra ele. - tá viajando. - riu e dei um sorriso. - é aqui? - olhei e logo concordei. - sim, e precisa de silêncio por que a... Karla! - corri pra dentro da biblioteca e la estava ela. Atrás da mesa, um livro em mãos e um pedaço de chocolate na outra. O cabelo loiro, a mecha vermelha agora bem na frente do cabelo, a maquiagem gótica com o lápis de olho na parte de baixo... Um novo piercing! - Karla! - corri até a mesa e me debrucei só pra abraça-la. - meu deus garota, já te vi hoje. - sai do abraço. - só que mais... Tímida. - eu ri. - era a minha irmã. - oque?! - ela gritou. - xii.. - xi é o c*****o! Quer ler vai pra p**a que pariu, não faz xi pra mim!... p***a Maria tu tem uma irmã? - assenti feliz. - c*****o, como assim? Tu escondeu isso de mim? Somos amigas! - ri. - eu também não sabia. - tá mais... E esse aí? Aaaah nem fala, deve ser o dono daquela rola rosa. - ela pegou o livro de volta e corei. - é, já sei que Rebecca mandou meus nuds pra suas amigas. - Pedrinho se aproximou e fiquei calada por que eu não vi e nem quero. - e eu já vi a tua rola mediana rosa cheia de veia... Eca. - ele riu. - mais gostou né? Ela é linda. - senti vontade de vomitar e fiz o som. - eca. - digo. - eca mesmo, tava com pré g**o. - para Karla. - digo e ela ri. - tô zoando, sou a Karla. - a memsa esticou o punho fechado e Pedrinho esticou o seu também, fazendo o toque e fiquei muito feliz. - precisam do que? - livro de matemática. - disse Pedro. - prateleira 8 na segunda parte começando por baixo. É naquele corredor ali. - Pedrinho foi indo. - você não tá na aula? - concordou, mordendo o resto do seu chocolate. - tô, lendo essa porcaria pra daqui a duas semanas. Eu venho pra escola pra turismo, mas relaxa, já vi que o professor de matemática é um m***a. - como? - perguntei rápido e ela me olhou mastigando. - eu tava na.. sala dos professores, ele falou que gosta do pontual. - refleti. - Maria. - Pedrinho me chamou e eu fui. Pontual.. - é 16 né? - concordei. - tá, leva 7 que eu levo o resto. - peguei. Os 7. Quando saímos da biblioteca demos tchau pra Karla e seguimos novamente pra sala do professor. - e os únicos alunos atrasados no primeiro dia de aula, demoraram exatos 13 minutos pra ir até a biblioteca pegar 16 livros. - quer oque? Eu nem conheço essa escola direito. - Pedrinho largou os livros sobre a mesa do professor e saiu andando e eu com medo, todos os alunos estavam quietos. - desculpa. - digo, com medo, olhando firme pra ele. - largue os livros na mesa, pegue um e se sente. - foi oque fiz mas ele me seguiu. - pontualidade, amanhã teremos mais uma aula e na sexta também. Como ele sabe? Esses são os meus horários, os professores aqui só decoram os deles. Mas peguei o livro e fui pra minha mesa, sentindo seu olhar o tempo todo em mim. - abram no livro na página 146 e façam as atividades a partir da número 1 até a 24, que termina na página 161. - falou após entregar os livros. Ele fechou o livro dele e se sentou em sua cadeira. - professor. - eu levantei a mão. Nosso antigo professor nunca fez isso. - algum problema? - me olhou sério. - isso é muito pra terminar em dois períodos. - exato, por isso temos aulas amanhã. Você está na minha turma amanhã. - que corte. Aff. Mal educado. Voltei a enfiar a cara no livro e de todas as questões, fiz até a 12, o sinal tocou e nem percebi. - Maria a próxima aula é diferente da tua, tchau. - Pedro bagunçou meu cabelo e só aí percebi que todo mundo saía da sala. - tá, tchau. - digo e ele saiu. Arrumei meu cabelo sentindo ele no rosto e passei a borracha no número que coloquei errado, reescrevendo com o lápis. - a aula já terminou. - o professor ainda estava ali. - eu sei. - me levantei. - não sei o quão... Liberal... O outro professor era, mas em minhas aulas eu gosto de pontualidade. - falou ele, cuja alguém que nem parece um professor. - eu sou pontual, mas hoje é o primeiro dia de aula. - exato, aula. Hoje é dia de aula. - revirei os olhos sem ele ver e me virei contra ele pra guardar o material... Ouvi seus passos. - namorar, apenas no intervalo e fora da escola e vou fazer de tudo para que aquele menino fique longe de você em minhas aulas. - sua voz estava tão perto... - você é uma das alunas mais inteligentes dessa escola... Comanda um jornal certo? - apenas concordei, paralisada. - então deve se comportar quando estiver comigo. - como se eu fosse um... - é uma aluna excelente de mais pra ficar se distraindo com alunos imaturos. - o senti sair e ouvi vozes. - fiquem na porta, minha aluna ainda não saiu. - havia alguns alunos parados na porta me olhando e fui rápida, guardando todo o meu material. - não se atrase amanhã, teremos a primeira aula. - concordei, já com a mochila nas costas e ele me olhou fundo nos olhos. Sai da sala ganhando espaço entre os alunos. Não vou mentir, ele parecia o daddy. Mas só pelo ar de autoritário. Tinha uma rosa no pescoço, eu acho que era uma, só sei que era uma tatuagem. Ele não tinha cara de professor, nem um pouco. Próxima aula... [...]
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