Melissa, vulgo Lucy.
Estava sem ar, passando mais uma noite sem dormir.
Minha pressão subia, descia e eu vomitava o tempo inteiro.
Mal me mantia em pé.
Ela estava lá... Mas não sei quem era ela. Como elas são... Diferentes e ao mesmo tempo iguais?..
Era Maria... E... Mariana ou Maria Luísa.
Mariana ia se chamar Maria Eduarda, mas lembrava que Maria Eduarda já havia na família, então por ela ser a mais velha, carregaria seu nome único. Já Maria Luísa e Maria Clara não.
Mas... Se tem duas... Então tem três.
Minhas três filhas!
Rapidamente quando cheguei em casa na tarde de ontem, entrei na rede social da Maria e procurei pela Maria Luísa... E consegui achar, tinha três fotos apenas e ela não parecia usar muito.
Então pensando bem aquela que estava com Maria pode ser Maria Luísa só pelo jeitinho das fotos e o jeitinho como estava ontem.
Mas Mariana... Não consegui achar. Talvez ela não goste muito de usar o i********:.
Tomei outro banho gelado. No fundo, no fundo estava aliviada. É estranho pensar tudo ao mesmo tempo.
Por exemplo: Maria Clara e Maria Luísa estão em um condomínio que é do Ricardo, até por que Henrique estava em sua casa quando atendeu o interfone.
Porém... Maria estava com Álvaro, em pleno Rio, ela não mora no Rio e nem ele... Ele parecia mudado, tive mais tempo de pensar nisso, até o jeito de andar e de se vestir... Não tinha mais anéis de outro nos dedos ou um charuto na boca.
Fora que... Matheus será pai... Ele parece que estava com Henrique e Maria a pouco tempo, isso é muito estranho.
Não consigo assimilar nada, não consigo entender nada.
Assim que me visto, com um vestido florido e comprido, coloco um tamanco e arrumo minha bolsa pra sair.
Maria provavelmente está brava comigo, deve estar, ela deve pensar que sou parecida com sua mãe. E se ela não saber de roda a verdade, vai me odiar pra sempre.
Conheço minha filha, isso vai martelar por meses em sua cabeça.
Não posso voltar a aparecer pra ela. Isso vai machuca-lá.
Mas agora... Estava indo ao centro da cidade pra fazer coisas de documentação já que sou natural do Rio, mas depois precisaria voltar pra São Paulo pra rever algumas coisas lá... E comprar a casa que está a venda da minha mãe. Era herança da Maria mas pelo que soube, ela colocou a venda e quero muito conversar com ela sobre absolutamente tudo!
Por que tenho certeza que teve um motivo muito além de "eu já tenho uma casa, não preciso dessa". Por que ela colocou sua casa a venda?
Coloquei o sinto e dei partida no carro, com o coração acelerado e saudade do toque da minha pequena.
Henrique.
Continuo dando carinho nos cabelos da Maria até ela dormir.
Era cedo, tão cedo mesmo.
Noite passada não pregamos os olhos, depois de comer o hambúrguer Maria ainda ficou acordada por mais algumas horas. Eu tirei cochilos rápidos mas quando eu acordava a via tensa e resolvi dar atenção e apoio.
Então olhamos mais de três filmes da Disney.
Mas agora era 4:30 da manhã, Maria pegou no sono abraçada a mim com os joelhos dobrados e encostado no meu quadril e barriga. Era uma posição muito desconfortável mas eu não ligava, estava cansado assim como ela e peguei no sono daquele jeito mesmo.
...
10h.
Acordo assustado com o som de algo caindo mas Maria ainda dormia do meu lado.
Foi lá na rua o som.
Deito a cabeça novamente no travesseiro e suspiro, sentindo dor em uma das penas e percebi que só dormir nessa posição, o braço ainda estava de baixo do travesseiro da Maria.
Maria estava encolhidinha mas virada pro outro lado e abracei a mesma.
Estava quente.
Dei carinho até ela despertar aos poucos. O rostinho vermelho.
- daddy.. - começou a tossir.
- hum? - Maria se levantou tão rápido, na velocidade da luz e começou a vomitar.
Me assustei por que foi muito rápido, não deu tempo de nada.
Ela vomitou na cama.
- amor... - a toquei.
- tô sentindo dor de estômago. - colocou a mão lá e me levantei.
Seu vômito não pegou em mim mas nela e na cama sim.
- vem. - dei a mão pra ela. - será que foi o lanche? - ela deu de ombros e desceu da cama.
- aaaaiii... - levou a mão na barriga.
- oque tá sentindo? - me preocupei, comecei a pensar que já era o seu estômago r**m de novo, mas no sentido de precisar de algo como uma cirurgia.
- cólica... Muito... Forte. - ela começou a chorar.
- tá bom calma, olha aqui. - me olhou. - calma, não me deixa preocupado. - andamos até o banheiro.
- daddy quero fazer c**ô. - concordei.
- tá. - levantei a tampa do vaso. - primeiro tira a roupa. - fui com calma e tentei não encostar a roupa no seu cabelo por causa do vômito.
A deixei nua e ela se sentou no vaso.
- você fecha a porta? - concordei.
- é grave a dor? - concordou. - tem certeza? A ponto de ir pro hospital? - Maria pensou até concordar.
- mas sem injeção né?
- não sei meu amor... Mas faz c**ô e quando terminar me chama, se a dor continuar a gente vai tá? - concordou e sai do banheiro fechando a porta.
Suspirei.
Não é ser exagerado e levá-la pro hospital por causa de uma cólica ou dor de barriga, mas na família da Maria por parte de mãe, todos tem doenças hereditárias.
Maria "herdou" a doença de coração da sua mãe, mais tarde ela não tinha nada, até por que nunca ouve uma doença de verdade.
Mas as cirurgias que fez no coração foram pelas paradas cardíacas que Maria teve e hoje a cicatriz não aparece muito por causa da medicina que estava avançada, mas sempre vejo a linha vermelha de tamanho mediano entre seus s***s.
Então pra prevenir, por medo de ser algo no seu estômago que seja sério, separei uma roupa pra ela, estava quente mas peguei uma calça pra ela e blusa.

Maria fez sua mala e tinha me certificado de que estava levando roupa nova e pra sair, mas a maioria das suas roupas eram de ficar em casa e as mais melhorzinhas eram essas assim.
A outra mala que fiz tinha calças mas caso ficasse frio e hoje tava quente.
Mas por cuidado, ciúmes e preocupação, tinha medo de sair com ela usando short e mais ainda por que em consultas assim no médico, Maria deita na maca e eles examinam ela tocando em sua barriga.
Quando conheci Maria, era muito, mais muito ingênua e ela via as coisas do jeitinho dela, igual hoje só que hoje ela tem mais responsabilidade e é mais madura.
Porém uma vez fomos no médico, esse procedimento aconteceu e quando Maria saiu, sorrindo e feliz por estar bem, no carro eu fiz perguntas e perguntei como foi lá dentro... "O tio gostou do meu short por que ficava olhando pra ele todo e tocou dizendo que compraria um igual quando ele tivesse uma filha".
Aquilo me deu ódio, aquilo me deu vontade de encher a cara dele de soco.
Perguntei pra Maria onde exatamente ele a tocou e foi bem perto da virilha, na barra do short.
Não gosto.
As vezes nem é por ciúmes, é por pensar que Maria vai sofrer em silêncio e ficar em um silêncio como sempre fica.
Não quero que ela sofra, principalmente depois de tudo que ela passou aqui no Rio mesmo. Tô até evitando sair com ela as vezes por que não sei exatamente onde ela andou e não quero que sentimentos ruins venham a tona agora, logo agora que é férias e quero que ela se divirta.
- daddy. - olhei pra trás saindo da transe. Maria abriu a porta do banheiro e a vi nua, deu vontade de rir por que pra ela era super normal. Eu estava tirando o lençol sujo bem na hora.
- fez? - negou.
- não saiu nada. - fui até ela.
- então toma banho que vamos médico. - foi até o box e fui junto.
- pode levar o cabelo? - concordei.
- uhum, depois te ajudo a secar. - liguei o chuveiro e fechei o box quando Maria entrou.
No quarto eu procurei os documentos dela e sempre levo tudo, mesmo que desnecessário, mas levaria por que estávamos em outra cidade.
Troquei de roupa também, não tinha tempo pra um banho e eu não estava sujo ou algo assim.
Aí quando fui escovar os dentes Maria estava saindo do banho e escovou também. Sequei seu cabelo e penteei e voltamos ao quarto onde comecei a vesti-la.
- daddy oque foi? - neguei.
- nada meu amor. - sorri, mesmo com milhões de coisas na cabeça mas não era tão grave, eu só estava pensando mesmo. - temos que ir no hospital, depois vamos pra uma clínica pra ver esse negócio da tua menstruação. - sequei sua i********e e percebi que não saía nada na toalha.
Maria não tá menstruando.
- daddy arde. - segurou meu pulso.
- desculpa. - ri, sequei de mais passando a toalha muito forte, mas eu estava pensando. - desculpa meu amor. - dei um beijo nela.
- você tá com vontade? - neguei.
- não, não fico quando tu tá m*l. - ué, ri e dei carinho nela e voltei a seca-la.
- eu fico. - rimos.
Mas depois Maria me explicou que quando tô "m*l" é quando tô bêbado e dou t***o a ela.
Isso me fez lembrar que ela pode tá grávida por causa desse dia, por que eu estava bêbado e devo ter gozado dentro e a cabecinha da Maria nem pensou, tava louca gemendo pra mim que nem pensou que eu poderia ter gozado dentro.
Mas mesmo indo ver isso, ainda é cedo pra fazer um teste de gravidez e ele pode dar negativo e ela pode estar grávida mesmo assim.
Maria pediu ajuda dizendo que estava fraquinha pra colocar o tênis e estava mas ria e parecia preguiça mas ajudei. Coloquei os meus também e estava pronto, de short preto e blusa também.
Maria se maquiou bem rápido com uma maquiagem bem leve, peguei sua máscara, a minha, ela colocou seus documentos na sua bolsa e logo descemos. Levei o lençol sujo lá pra baixo.
Lá em baixo era óbvio que fizeram especulações e expliquei que a levaria por precaução.
Eu não queria dizer sobre o ginecologista e Maria acabou falando, isso gerou um silêncio cheio de dúvidas.
Mas aí falei que eram poucos dias que sua menstruação tava atrasada.
Seu pai não gostou.
Logo saímos de casa.
- daddy. - a olhei, dirigindo.
- hum?
- quando as aulas voltarem, eu posso comprar meu material escolar tudo em cores pastéis? - sorri.
- pode meu amor.
- e não quero caderno de 200 folhas esse ano tá? - concordei.
- por mim tudo bem. - a toquei.
- você vai devagarinho? - diminui a velocidade.
- tá enjoadinha? - concordou fraquinho e parei no sinal vermelho atrás de vários carros.
Olhei pra Maria e abri um pouco mais a sua janela.
- tudo bem? - fechou os olhos.
- eu não quero vomitar.
- calma, respira pelo nariz e solta pela boca. - começou a fazer isso e voltei a dirigir.
Com mais calma claro.
Assim demorou mais, mas chegamos no hospital.
Tinha poucas pessoas e não era um hospital particular, e eu pretendia ir assim que saísse daqui mas agora só queria saber se Maria não estava com algo.
Fiz tudo que precisava e Maria entrou em poucos minutos em uma sala com um médico... Eu não pude ir junto e aqueles exatos 14 minutos me deixaram louco de preocupação.
Porém quando Maria saiu ela ria junto do médico.
- daddy eu tô bem. - veio até mim me entregando vários papéis.
- tô orgulhoso que foi sozinha e falou sozinha. - Maria morre de vergonha. - ele... Fez oque?
- ele tocou na minha barriga e apertou pra dentro, depois checou meus batimentos cardíacos, checou minhas pupilas, ouvidos... Perguntou se eu tinha dores no seio mas depois ele falou que na sua família a sua sobrinha de 17 anos tinha câncer de mama mas eu falei que não tinha e ele não falou mais nada. Aí eu falei tudo que sentia e ele fez várias perguntas até me dar essa receita e um atestado. - hum. - tô morrendo de fome. Por que parece que a gente entra no hospital e fica melhor? E eu nem tomei nada... E nem precisa tomar soro! - ri.
- tá, vamos agora na clínica e depois almoçar. - Maria ficou animada.
Saímos do hospital e no carro olhei aquela receita médica, basicamente eu precisava comprar paracetamol e um remédio pra enjôo.
Já na clínica demorou mais, era paga e demoramos pra ser atendido mas quando isso aconteceu Maria foi primeiro pra um check-up e aparentemente a dor no seu abdômen não era nada... Depois foi ao ginecologista...
- então Maria, não menstruar na adolescência é normal, as vezes pode ter um mês ou outro que a menstruação não vai descer mas isso é normal em alguns casos. Quero que não se preocupe por que ela tá atrasada só uns dias. Você toma o anticoncepcional? - estávamos em frente a mesa da Dra e quando ela fez a pergunta começou a escrever algo.
- sim, todos os dias.
- e vocês usam preservativos? - Maria me olhou.
- não, mas eu tenho muito cuidado. - digo.
- bom, um homem responsável usa c*******a mas é importante que tenha cuidado mesmo caso não queiram filhos agora. - concordei. - quando você menstrua Maria, ela sai pouco, sai muito, é escura, é clarinha... Como é que? - olhamos pra Maria.
- nos primeiros dias sai muiiiito e depois bem pouco, e vem vermelho forte e depois fica fraquinho. - a Dra concordava.
- e dura quantos dias mais ou menos.
- cinco ou seis dias. - disse.
- bom... Não parece ter problemas vendo assim por cima e como ela tá atrasada e tem possibilidades de você estar grávida, não posso ver lá por dentro com o aparelho vaginal, então pra isso vamos fazer uma ultrassom ok? - Maria me olhou e apertou minha mão com força.
- tá bom. - a médica sorriu e se levantou.
- então pode se deitar naquela maca e baixar um pouco a calça. - ela disse isso por que Maria usava cropped e sua barriga já estava exposta, mas a calça estava até um pouco acima do umbigo.
Ajudei Maria e segurei sua bolsa no ombro. Ela ajeitou a roupa e logo a médica veio.
- vou passar um gel gelado e vamos ouvir por ali, se tiver batimentos cardíacos ou um borrão... Você tá grávida. - Maria ainda apertava minha mão quando assentiu.
A médica começou o procedimento, passando o gel enquanto usava luvas e marcará e logo pegou um aparelho colocando na barriga da Maria.
Ela já fez isso mas tanto eu como ela estávamos nervosos.
Ficamos em silêncio e ouvimos um som de batimento... Aquilo me fez suar e ficar desesperado.
- hummm... Boa e má notícia. - ela checava a telinha daquele computador e eu via bem pouco, mas ela virou. - não está grávida. - meu coração aliviou e não sei o motivo, queria um filho mas não agora... Maria pareceu aliviada também. - mas tem um tipo de massa aqui... Você já fez cirurgia? - eu concordei.
- já, no útero sim por que já teve um cisco.
- aaaah, então não é nada. - ela olhou pra tela novamente. - as recomendações são: repouso, sem esforço por que existem coisas que podem trancar a menstruação. A mesma coisa com comida, vou passar uma lista do que você vai comer durante três ou quatro dias. - ela pegou um papel e passou na barriga da Maria.
- mais são coisas ruins? - a médica riu.
- não, mas são coisas saudáveis, bastante frutas, verduras, líquidos que tem proteínas... Coisas assim, não vou te dar nada r**m.
- tipo brócolis? - rimos.
- é.. não vou colocar brócolis.
De volta a mesa a médica fez uma lista mas não foi necessário trocar o anticoncepcional da Maria, já que perguntei.
Aí após um tempo fomos embora e Maria tava morrendo de fome.
- daddy. - tirei o sinto e peguei nossas máscaras.
- hum? - coloquei a minha primeira, estávamos em frente a um restaurante e só podemos tirar a máscara quando já estivermos sentados a mesa.
- oque você vai comer? - ri.
- não sei, tô afim de comer feijão, arroz... - coloquei a máscara nela. - e a Maria? - ela pensou e arrumei seu cabelo.
- não sei.
- lá a gente escolhe, vamos? - concordou e descemos do carro.
Coloquei a carteira no bolso e esperei por Maria pra dar a mão e ir pra dentro do restaurante.
Passamos álcool, checaram nossa temperatura e ainda bem que Maria estava sem febre agora.
Deixamos nossas coisas sobre a mesa e esse restaurante era buffet, não era o mais chique e caro mas era tudo bem lindo, limpo e de boa qualidade, Maria adora.
- daddy você vai na frente? - disse baixinho e concordei.
Não tinha tantas pessoas assim, na fila no máximo umas dez mas nas mesas tinha bastante.
Pegamos o prato e como eu estava na frente, fui colocando um pouco de cada coisa no meu prato.
Peguei arroz, feijão, um pouco de massa alho e óleo, carne de búfalo com queijo mas só por que eu vi, se não teria pego bife, um pouco de tomate e não quis mais nada.
Queria comer algo simples e que me enchesse.
Maria pegou arroz, feijão, bife obviamente e esse tava bem bonito, com bastante gordura e até me arrependi. Ela pegou purê de batata, batata frita e salada de pepino e alface.
Aí fomos pra mesa e eu fui pegar refrigerante pra gente, voltando rápido.
- daddy. - ela me esperava.
- já podemos tirar a máscara. - digo tirando e ela faz o mesmo.
- daddy oque vamos comer de sobremesa. - ri, pegando o garfo e a faca.
- oque a Maria quiser, já paguei nosso almoço, é só pegar oque quiser. - ela ficou animada.
Começamos a comer e a conversar, na verdade eu ouvia Maria falar e tudo estava indo tão bem.
Comemos, bebemos refrigerante, Maria foi buscar mais um pouco pra ela, aí esperamos um pouco a comida descer pra ela não se sentir enjoada e agora Maria queria que eu fosse com ela pegar a sobremesa.
Colocamos as máscaras e fomos lá.
Coloquei os olhos numa torta de maracujá e não tirei até que eu a pegasse.
Maria pegou um pedaço de torta, colocou uma bola de sorvete do lado, pegou um donut e no final colocou caramelo em cima de tudo.
Parecia desejo de grávida mas eu a conheço.
- pronto? - concordou animada e me virei pra sair.
Bati em alguém e imediatamente pedi desculpas.
- opa, me desculpa. - olhei... De óculos, batom vermelho, vestido florido.
Maria estava logo atrás de mim e a mulher só sorriu antes de sair.
- vamo amor. - esperei Maria passar primeiro e fomos pra mesa.
Maria viu, meu deus.
- daddy torta de maracujá é bom? - ufa! Meu deus que alívio!
- hum?
- isso é bom? - apontou pra torta e sorri.
- é, pra quem gosta de maracujá é bom sim. - procurei com os olhos aquele vestido florido.
Mas já não estava mais aqui.
- daddy, antes de ir pra casa vamos nos divertir um pouquinho? - Maria conseguia me fazer esquecer tudo ao redor, por que a atenção ia toda pra ela.
Sorri por fim.
- vamos coisa mais linda. - apertei suas bochechas e ela sorriu.
Comemos, dividimos o mesmo prato por que ela gostou da torta... Aí depois Maria queria muito sorvete na casquinha e sugeriu que fôssemos em um buffet de sorvete, eu neguei mas não por ser m*l mas pela lista de coisas que Maria tem que comer nos próximos três dias.
Então eu não podia dizer sim, mesmo que aquele rostinho e voz meiga me pedisse quase implorando.
Saímos dali em pouco tempo e não vi mais aquele vestido.
Eu tinha certeza, era a mãe da Maria.
Os olhos mesmo usando óculos... Iguais os dela, em fotos, eu me lembro daquele olhar.
Como ela pode estar sendo tão má a esse ponto, ficar escondida e aparecer aos poucos é r**m. Isso vai entrar na cabeça da Maria como "minha mãe não me quer, se não já teria vindo falar comigo".
Mas eu entendo que pra tudo tem um motivo, mesmo que as vezes ele seja difícil de entender.
A palavra "se divertir", na cabeça da Maria era parquinho, sorvete e teatro. Foi oque ela me disse.
Mas sugeri zoológico e realmente eu não estava tão afim assim de ir mas por um lado é bom, animais são bons.
Então fomos.
Tinha que pagar claro a entrada e paguei.
A primeira vista era uma rua grande com várias árvores em fileira dos dois lados da calçada, elas faziam uma enorme sombra. As folhas eram amarelas, rosas e vermelhas e estavam pelo chão todo.
Do lado direito tinha um lago bem grande e lá longe o lar do macacos.
Bom, já havíamos vindo aqui e como nunca vou esquecer... Esse sempre foi o passeio favorito da Maria, desde que a conheci.
Eu chegava cansado do trabalho e a olhava "daddy vamos no zoológico!". Eu seria um cara h******l se falasse que não. Então sempre viemos ao zoológico.
Já era pra Maria ter passagem vip e até temos um cartão de acesso mas não trouxemos.
Vimos tudo, havia animais novos e alguns não tinham, tipo um urso de tal espécie mas tinha outros em compensação.
- não precisamos ir se não quiser. - Maria tem medo dessa parte do zoológico, que é tipo uma casa por que tem telhado pra ficar escuro.
Era onde tinha aranhas e animais que rastejam, cobras também estavam ali.
Ela nunca conseguiu entrar.
- daddy eu já tô grande né? - dei carinho nela.
- não existe idade pra ter medo ou pra perder o medo. - digo alisando seus cabelos. - até hoje tenho medo daquele leão e sempre fico bem longe da cerca. - Maria riu. - não precisa ter medo, elas não vão sair de dentro da casinha delas. - Maria respirou fundo.
- tá bom, vamos. - ela pegou minha mão apertando com força enquanto a outra apertava meu braço forte.
Andamos devagar mas não no caminho de quem entrava.
- olha daddy, são aquários mas com terras. - concordei com um sorriso.
- uhum, viu, tá bem fechadinho. - chegamos perto de um e Maria não e aproximou muito.
- ela é bem pequeninha e peludinha. - sorri, era uma mini tarântula e estava bem no canto do aquário sobre a terra.
Andamos pro lado e tinha mais aranhas, assim como cobras, camaleão, lagartos e acho que só foi isso que vimos.
Quando saímos Maria cantou vitória toda feliz por ter conseguido e fiquei feliz.
Ela morre de medo de aranhas.