213° capítulo

2274 Palavras
Henrique. Maria já tinha chegado a uma meia hora em casa. Perguntei pra Malu o motivo daquela cara mas ela disse que não fizeram nada... Como se tivessem feito. Deixei quieto por que uma hora Maria me conta. No quarto quando subi ouvi o som do chuveiro e a porta estava aberta como sempre. Entrei, vendo ela nua tomar banho. Estava sentada na banheira agarrada aos próprios joelhos e a água caía do chuveiro, não vinha da torneira na banheira. - amor... Tá tudo bem? - ela concordou limpando o rosto. - sim, eu só tô suando muito. - agora esfregou o rosto todo, disfarçando algo. - não vou brigar se tiverem feito algo de errado. - será que fizeram? E agora Maria tá se sentindo m*l? - me conta. - ela se afastou de de baixo d'água e foi pro outro lado, se virando pra mim. - não fizemos nada... Fomos pra outra rua mas não fizemos nada. - mas algo tinha. - você pode ver um pijama pra mim? - olho pra ela pensando até lembrar que vamos sair. - vamos jantar fora. - me olhou. - não quero. - seu rosto serviu uma expressão de medo. - amor oque foi? - me aproximei desligando o chuveiro e me agachei a sua frente. - me conta, eu tô aqui pra tudo. - toquei seu joelho. - te xingaram? Fizeram bullying?... Assédio... Sei lá. - Maria olhou pra baixo, deixando em seus braços sobre os joelhos. - não, olha aqui. - ela chorava. - põe pra fora, grita, desconta a raiva em mim... Mas não me esconde as coisas... Eu posso te ajudar nesse assunto que tá te martelando? - ela concordou fraco. - então me explica. - pensou, ou pelo menos pareceu. - eu... - começou a chorar, as lágrimas desciam rápido. - eu me odeio, odeio, odeio! - Maria bateu na cabeça e eu impedi na hora. - ei! Maria. - segurei seus braços. - não faz isso... Oque tá acontecendo? - a soltei aos poucos. - por favor fala. - me olhou. - daddy eu odeio a minha mãe. - fiquei sem reação. - ela é um monstro... - começou a chorar e eu não entendi. - por que tá falando isso? - por que ela finge que morreu e não morreu! - isso foi como um tiro. Logo me lembrei da suposta mulher parecida com sua mãe na praia, aquele dia em que a polícia parou Maria e seu pai. - Maria. - fiz ela me olhar. - não sei oque tu viu, oque ouviu... Mas isso não é real... Tá falando isso por que... - por que eu vi ela daddy... - aliviei a expressão do rosto. - como assim? - a vi, eu vi!... Cabelo diferente, o peso... Mais era ela! - Maria estava brava. - ela não morreu! Ela me abandonou! Igual meu pai! Igual todo mundo!.. - começou a chorar de tristeza. - se eu não tivesse você não teria ninguém. - Maria se levantou e me abraçou, ficando de joelhos dentro da banheira e não me importei de abraça-la mesmo ela estando molhada. De repente a maleta me veio a cabeça... Nosso amor foi planejado. Um dia isso ia acontecer... E eu precisaria estar aqui. Maria precisa de mim e não consigo imaginar como seria se ela não estivesse aqui comigo. - amor... - ela não quis me soltar. - daddy você... Você não pode.. me.. me deixar. - ela saiu do abraço pra falar mas eu a puxei novamente pra mim, abraçando forte. - não vou, nunca! - fechei os olhos com força por ter imaginado por um segundo isso acontecendo. Jamais irá acontecer! - olha aqui.. - ela olhou. - vamos pro quarto... Se vestir e ficar só nós dois em casa, pode ser? - concordou. A tirei da banheira e enrolei na minha toalha mesmo, a sua estava guardada e não queria que ela pegasse friagem. A trato como filha sim mas é um termo, Maria é minha namorada e vamos casar. Mas a preocupação que tenho com ela terei com meus filhos também. Sempre terei essas preocupações. No quarto a sequei por inteira e a menstruação da Maria não dava vestígios de nada. Coloquei uma calcinha nela, um shortinho de pijama e Maria quis colocar um top, deixei, estava calor e eu não via problemas. E mesmo se tivesse não estava afim de colocar regras. Peguei o tal top prego e combinou com o shortinho roxinho. Minha mãe bateu na porta e entrou assim que dei um beijo na Maria quando ela estava sentada na cama. - ué? De pijama? Já vamos sair. - me olhou após olhar pra Maria. - que foi meu amor? - o rostinho dela tava vermelho. - ué, oque foi? - minha mãe entrou no quarto e fechou a porta. Quando ela se sentou com a Maria foi o mesmo momento dela desabafar em palavras e desamar em lágrimas. Não interrompi, ao menos ela colocando pra fora já tá bom. Desci pra estender a toalha lá na rua e todo mundo estava arrumado. Avisei ao pai da Maria que não iríamos e expliquei toda a situação... Sobre Maria ter "visto" sua mãe e tudo mais. Álvaro não disse nada além de pensar e isso me torturou. Eu sabia que Melissa estava viva, sabia por todos os motivos e provas, principalmente as cartas dela. Mas ela chegou agora... Logo agora, depois de anos... Depois de Maria ter crescido sem ela. Não posso acreditar e nem vou. Acreditar que alguém que deixou Maria possa ter voltado, mesmo que por amor. Não perderei Maria pra ela. Quando subi pro quarto minha mãe estava agachada na frente da Maria enquanto dava conselhos. Maria só assentia e minha mãe limpava suas lágrimas. Quando ela se levantou disse que estaria com o celular e que era pra eu ligar, também deu uma ótima ideia de eu ter uma noite com Maria e me mandou pedir algo que ela queira. A ideia era boa. Enfim, eles foram todos de carro e só eu e Maria ficamos em casa. - tudo bem? - entrei no quarto com o celular na mão, fechando a porta com cuidado. - dor de cabeça. - disse, deitadinha com o meu travesseiro entre as pernas. Normal, quando não é o travesseiro, no meio da noite ela usa minhas pernas pra fazer isso. - quer um remedinho?... Hum? - me deitei do seu lado. - oque quer que eu peça?... Peço oque quiser. - ela me olhou e deu um sorriso, meu rosto tava quase grudado no dela. Conseguia ver a dor entre eles. - não tô com fome daddy. - se sentou e fiz isso no mesmo momento. - mais tem que comer.. - eu sei... Mais podemos ficar assim só um pouquinho? - mostrou agarrando os próprios braços, deduzindo um abraço. - podemos, vem cá. - me deitei e puxei ela pra mim. Ficamos abraçados por um bom tempo. Maria em meu peito e eu sentindo todas as suas angústias, mas suas dores só ela é capaz de sentir. Queria perguntar. Queria dizer como ela viu "sua mãe", como? Aqui? Logo aqui? Comecei a pensar até lembrar que talvez a Maria tenha aceitado alguém na sua conta no i********:. E por via das duvidas mais tarde eu vou checar. Agora ela precisa de mim. Após um tempo assim Maria estava quase dormindo e eu não queria isso, então chamei. - amor. - digo baixinho. - vamo pedir algo? - ela pensou e fiquei admirando seu rosto, cada detalhe. Estava tão machucado por pensamentos. - tipo oque? - a voz saiu fraca e sentimental... Em outras palavras, fofinha. - oque quiser, tá com fome agora?. - ela pensou e logo concordou. - Matheus disse que no Rio tem um dos melhores xburguers. - ri. - então a gente pede, pode ser? - concordou fraquinho. Quando me levantei mandei mensagem pro Matheus pedindo pra ele me indicar um estabelecimentos pra pedir. Ele me mandou o numero e chamei pelo whats. Pedi um hambúrguer de carne pra Maria e com um queijo a mais e sem tomate como ela quis, e pra mim um de calabresa. Batata frita pedi bastante e uma com queijo a pedido da Maria. Pra ela tudo que acompanha queijo é bom. Refrigerante tinha e sobremesa também então o pedido foi só isso mesmo. Demoraria uma meia hora e desci pra ver se tinha sorvete, pra animar Maria. Por sorte e azar, só o da Beatriz e ela fica uma fera quando alguém come. Mas eu vou dar pra Maria e amanhã ela compra outro. É caro esse sorvete que ela compra, acho que por ser redondo, pequeno e de uma marca boa. Mas pretendo pegar igual. Não demorou muito e Maria desceu, também foi no mesmo momento em que o interfone tocou e em poucos minutos o entregador chegou em frente a nossa casa. Peguei o lanche, paguei e dei gorjeta como sempre faço. Isso veio da Maria, diz ela que ser entregador ganha pouco e realmente, você ganha o valor das corridas e um pouco do salário mas isso é pouco igual. E pelo que Maria Clara diz "é muito perigoso daddy, eles andam em todos os lugares e pode ter assalto". Então acho que os 50 reais que dei de gorjeta podem ajudar em algo. - eu levo o refrigerante e você o lanche. - disse ela, sentimental, queria abraçar e nunca mais soltar. Colocar dentro de um potinho mas só pra ela ficar protegida, pra nunca tocar no mundo aqui fora. - tá bom meu amor. - digo olhando pra ela, pegando dois copos, parecia tímida. Subimos as escadas. Maria segurando os copos e a garrafa de refrigerante pela metade. - tá pesado? - negou subindo do meu lado. No quarto fomos direto pra cama e Maria ligou a tv. - olha daddy. - disse quando abri a sacola. - um bombom... E um bis! - sorri, ela sorrindo já tava bom. - qual você quer? - fingi pensar, mas pegaria o menor. - esse. - apontei pro bis e ela sorriu. - eba, eu queria o bombom. - ri. - tem um montão dentro do guarda-roupa, que o daddy comprou. - ela concordou. - eu sei, tinha até esquecido. - a olhei, tirando os lanches de dentro da sacola. Estava com a expressão mais feliz, as sombrancelhas não estavam mais pra baixo. - esse é da Maria e esse do daddy. - digo, estava escrito "carne" e "calabresa" em cima de cada lanche. Maria colocou em Meu Malvado Favorito 3 e a gente começou a comer. Enquanto eu já tinha dado duas mordidas e o lanche já tinha ficado com dois buracos, Maria deu duas mordidas e ficou só um buraquinho. Mas o lanche era grande e tenho quase certeza que ela não vai comer todo o dela. - tem bastante queijo daddy. - sorri. - o seu tem? - engoli oque tinha na minha boca. - um pouco, o daddy pediu de calabresa, quer? - ela concordou e deu uma mordida. Depois disse que era salgado e ri. Ela ofereceu o dela mas recusei, queria que ela comesse todo e eu dando uma mordida já comeria a metade. Mas ela tava comendo bem, comia as duas batatas fritas, por que uma tinha queijo e a outra não. Bebemos refrigerante também e Maria ria com o filme todo, cada parte. Quando terminei de comer, primeiro do que ela obviamente, vi a mesma comer aos poucos mas ela não comeu tudo e pediu pra eu guardar pra manhã, fiz isso, levando tudo lá pra baixo com sua ajuda. - quer sorvetinho? - concordou fraco. - eu vi um vídeo, que uma menina colocou bolacha Maria dentro do sorvete... É o meu nome daddy! - ri e fui obrigado a aperta-la. - meu deus! - a enchi de beijos. - mais a bolacha "Maria". - fiz aspas pra ela rir. - só tem uma que Pri comprou pra fazer a torta de bolacha, ela é compridinha. - Maria pensou e deu de ombros. - pode ser. - pode? - concordou. - tá bom. Guardei as coisas e já peguei uma tigela de colocar Sucrilhos e leite pra por o sorvete. Pelo menos é oque minha mãe vive dizendo "tigela de café da manhã". Acho que não dá pra colocar pão e ovos dentro dela, apenas Sucrilhos e leite. Maria ia rir disso com certeza. Coloquei todo o sorvete que era da Beatriz e Maria me fez perguntar sobre Bia ficar brava, falei que ela tinha deixado e não é verdade, Beatriz ficará uma fera. Coloquei as bolacha como Maria quis, umas sete no máximo e ela colocou calda de morango e doce de leite, que compramos mas que havíamos esquecido. Seu lanche da tarde já estava no fim e não deixei ela pegar bala fini pra ela poder comer amanhã, ela também estava tão frágil que nem insistiu. Peguei algo pra mim também, um Doritos por que isso tinha de sobra no armário. Aí subimos finalmente. Já era outro filme. Maria estava mais quieta assistindo A Princesa e o Sapo. Sua mãe esteve tão perto dela. E o que mais me martela na cabeça... Por que ela tá vindo em meio ao silêncio? Por que ela simplesmente não anuncia sua volta? Ela foi dada como morta, não será presa se trocar de nome... Oque a impede. Por que ela não vem logo até Maria? Isso vai machuca-lá... A ponto de Maria não quere-la quando o mundo saber que Melissa Garcia Pavanelli está viva.
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