Maria Clara.
Já estava acordada a um bom tempo mas ainda deitada dentro do abraço do daddy com os olhos fechados.
Queria dormir mais mas não consegui.
Daddy acordou aos poucos e já era tarde eu acho, tinha barulho lá em baixo e na piscina também.
Daddy bocejou e me soltou com calma achando que eu tava dormindo.
Ganhei um beijinho dele e sorri.
- eu tô acordada daddy. - ele riu e se sentou na cama.
- acho que já é quase meio dia. - me virei e daddy passou as mãos no rosto. - vamo levantar ou quer dormir mais um pouquinho, hum? - se inclinou e me beijou mas logo depois se levantou me olhando.
- acho que levantar, tô com fome. - riu.
- então vamo tomar um bainho. - daddy me ajudou.
Fomos pro banheiro e daddy tava com preguiça que se despiu lentamente e eu rápido.
Quando entramos ele disse pra eu não lavar o cabelo ainda, sugerindo que eu entrasse na piscina depois e que por isso não tinha necessidade.
Daddy também conversou comigo, sobre tudo.
Letícia e o ocorrido já era passado e parecia que tinha outra coisa na cabeça do daddy.
Por exemplo, ouvia ele falar muito de "tudo que sinto por ti é real".
Era como se daddy tivesse se apaixonando e tentado reprimir esse pensamento, e agora tá confuso e fica se convencendo que me ama.
Mais não acho que seja isso, lá no fundo daddy parece pasmo com algo, como se tivesse visto um fantasma ou descoberto algo chocante.
Também não o obriguei a falar e falei que tô aqui pra sempre.
Quando saímos daddy me secou e só deixei por que ele conversava comigo e prestei tanta atenção na conversa que nem percebi oque ele fazia em mim.
"Quero conversar contigo abertamente mas quero que sempre seja sincera comigo e eu serei contigo".
Isso foi o que ele disse depois de ter me respondido como estava se sentindo.
Eu fiquei muito confusa.
Daddy usava metáforas.
Por que?
- pronto. - disse, já vestido.
Ele colocou um vestido em mim colado, era aqueles simples e preto. Coloquei meu chinelo preto pra combinar e daddy usava um short preto de ficar em casa.
Não gostava dele deixar seu pipi livremente dentro do short mas não me importava por que as mulheres da casa ou são comprometidas, ou são sua mãe, ou são sua irmã e, ou são sua cunhada.
Malu ainda não tem maldade. Juro.
Outro dia falei pra ela sobre s**o e como um p*u cheio de veias é bonito... Ainda mais quando temos o controle quando estamos chupando.
Malu fez uma cara e ficou pálida, dizendo que aquilo era nojento, mas não no sentido dela gostar do s**o oposto, até de ppk ela não gostou de falar.
Achei que tinha haver com o passado sabe... Por que ela era obrigada a ver aquilo todos os dias, mas Malu disse em um tom normal que achava nojento é só isso.
Malu não é mais virgem mas fiz ela acreditar que é, afinal, só perdemos a virgindade quando estamos prontos e se ela ainda não ta pronta ela não perdeu.
Prefiro pensar assim, dói menos quando penso nos abusos que ela sofreu.
Lá em baixo tia Cris, Pri e Bia faziam o almoço enquanto meu pai, Matheus, Pedrinho e Caio estavam na piscina e achei fofo.
Daddy me deu um iogurte, e um pacote de bolacha Negresco. Fez um Nescau pra mim também e não era Nescau, era Toddy e achei melhor por que não era tão doce e ficava bolinhas em cima.
Mas eu gosto dos dois.
Enquanto eu comia sentada no balcão, sentindo o bom aroma de comida, tive certeza de que o almoço era peixe frito e era isso que Pri passava no ovo e farinha.
Mas também tinha bife que ela fazia a mesma coisa.
Daddy ficou conversando com elas enquanto comia bolacha salgada e bebia café e foi quando Malu se sentou comigo após pegar um iogurte.
Malu estava bem gordinha, oque é ótimo.
- mana, depois vamos andar de skate? - abri o maior sorriso que consegui e aposto que estava com um pouco de bolacha.
- sim! Sim! Sim! Daddy podemos?! - ele me olhou.
- oque meu amor?
- andar de skate eu e Malu. - daddy pensou mas fingia que fazia isso.
- hummmm... Acho que não. - Malu levou a sério.
- mas por que? Você ainda vai deixar a gente de castigo? - daddy riu.
- tô brincando Malu, podem ir mas depois do almoço quando a comida baixar. - deu carinho no cabelo da Malu e sorrimos animadas.
Quando eu e Malu terminamos de comer, eu ainda comia a bolacha e ela não quis. Fomos pros fundos e eu tinha a boca cheia de bolacha falando mesmo assim.
- Maria, você acha que podemos ir no lugar onde nossa mãe fica... Eu não lembro o nome, é hospital para mortos? - eu ri de algo sério.
- cemi... Tério. - digo de boca cheia.
- e isso é longe? - penso.
- quando a gente chega lá, tem que andar bastante até chegar no... Na... - penso. - é tipo uma pedra grande com o nome da nossa mãe. - Malu pareceu pensar.
Que saudade do meu parquinho.
- ela vai gostar que eu vá lá? - sorri, girando a embalagem da bolacha por que eu não queria mais e pretendia guardar, então precisa estar fechada pra não ficar mucha ou encher de formiguinhas.
- claro que ela vai gostar... Ela vai sorrir por ver nós duas juntas. - Malu ficou animada.
Quando daddy chamou pro almoço, depois de uns 20 minutos mais ou menos, eu já tava morrendo de fome.
Pedrinho e meu pai foram comer na sala e sinceramente... Tava ficando com um leve ciúmes de ver os dois juntos, mas penso sempre pelo lado positivo também e acho que ele precisa de alguém adulto e que seja homem... Tinha que ser o tio Caio mas no momento ele é bom de mais e não o tipo durão que dá conselhos e xinga.
Meu pai já xingou Pedrinho, logo depois disse que tava tudo bem.
E Caio não faz isso, ele meio que é bonzinho por ser só o "namorado da sua mãe". Tipo assim, "só sou o namorado da sua mãe, Pedro. Não posso e não tenho direito de nada".
É assim que vejo a expressão dele falar quando tenta dar conselho de padrasto.
Pedro não gosta muito dele mas não o odeia.
Sentei na mesa ao lado de daddy, igual lá em casa. Malu a minha frente, Bia do seu lado, Pri do meu, Matheus do lado de Pri, Caio na outra ponta e tia Cris ao lado de Bia.
A gente se serviu e eu pedi um peixe e um bife por que era bife milanesa recheado com queijo! Não todos mas alguns.
Daddy riu e disse brincando que queria ver eu comer tudo.
Coloquei limão nos dois bifes, é muito bom!
Comi arroz também e feijão, um ótimo feijão que Pri fez e elogiei.
Comi salada de alface, de tomate com cebola e pepino, por que pepino tinha um montão e obviamente terá todos os dias.
[...]
Henrique.
Coloco uma nova pasta de dente sobre a pia por que acabou e junto dela um outro enxaguante bucal, aquele estava no fim.
Vi que não tinha absorvente na dispensa abaixo da pia e achei estranho.
Fiquei um bom tempo raciocinando que dia era hoje e quando foi a última menstruação da Maria. Ela não é de atrasar.
- mor. - fui ao quarto onde ela tava, escrevendo em seu diário.
- daddy eu tô falando sobre meu dia... Ah! Daqui a pouco vamos andar de skate né? Você tinha deixado. - concordei.
- tá, pode ir, só queria saber se tu já menstruou. - ela pensou e logo arregalou os olhos.
- não... Mais... Daddy acabou meu sangue? - Maria entrou num desespero que só.
- calma, não é assim que funciona, ou tu vai ficar daqui a alguns dias ou tá... - grávida.
- oque? Doente? Com câncer no útero. - tá eu ri, óbvio que ri.
- não amor.. - não quero dar essa informação pra ela sem saber se ela pode ou não estar grávida, e mais ainda pensar que Maria pode deduzir isso e acabar falando pra todos mesmo não tendo a certeza. - tá tomando a pílula? Todos os dias? - concordou normal. - jura pra mim? - concordou novamente com mais intensidade. - então não deve ser nada. - digo mais relaxado com a ideia.
- mais eu posso... Estar grávida? - me sentei na cama e ela veio até mim. - daddy... Tô com medo. - a sentei no meu colo.
- ei, não precisa... Não vou te largar sozinha grávida, nunca. - dei carinho nela. - e acho que não tá. - Maria começou a chorar.
- oque meu amor? Amor... Calma.
- daddy a... A escola e... E Havard. - respirei fundo e ela afundou o rostinho no meu pescoço.
- se estiver grávida, a escola e Harvard vão esperar por ti, não será o fim do mundo... E a Maria ainda tem muito tempo pra pensar no futuro dela. - ela me olhou. - vai se sair bem, vai conseguir tudo que quer. - ela me olhou com os olhos cheios de água e o rosto coberto por elas.
- se.. se eu fi... Ficar grávida... - ela não conseguiu terminar e começou a chorar mais. Ri.
- por que tá chorando? Não quer meu filhos? - eu sabia que era só nervosismo, também estava maluco mas precisava ficar no controle.
- é que... Da última vez... O bebê... Eu tirei ele. - segurei seu rostinho firme ao meu.
A olhei nos olhos.
- não há ninguém no mundo que vai te impedir de ter meus filhos, não importa se é novinha, temos um lar pra cria-lo amor... Será nós três.. ou quatro, cinco... Seja como for. - ela soluçou e a soltei mas ainda dava carinho nela. - e pode ser só o atraso da menstruação, não acho que Maria esteja grávida. - ela concordou e sequei suas lágrimas. - hum? Calma tá? - concordou.
- é que... Eu não tô... Não tô pronta daddy. - sorri fraquinho.
- também não, mas caso aconteça, serei o melhor pai do mundo... Eu juro. - a puxei pra mim e nos abraçamos fortemente. Um bom abraço.
No fundo no fundo meu coração estava acelerado e eu com medo, medo de ter engravidado Maria... Aliás, nossas noites de s**o sempre são com responsabilidade e fodi ela bêbado... Bom, faz poucos dias, não tem como.
Mas eu cuido, então não creio que Maria esteja grávida.
Mas por via das dúvidas decidi que irei comprar um teste de gravidez, só pelo medo e obviamente pra ela se sentir melhor.
Por que ela não tá grávida... Não tá não.
...
A deito com cuidado na cama mas ela se mexe.
- hummmmm... - gemeu brava e foi muito fofinha.
- xiii... Dorme meu amor. - ela me olhou.
- skate com a Malu. - sorri.
- mais tarde. - a beijei.
- não. - Maria se sentou com a cara de sono e me levantei.
- mor..
- mais eu quero. - respirei fundo.
- então vai lá trocar de roupa, vou chamar ela. - Maria foi, tonta.
Meu deus.
Ela havia dormido a uns 30 minutos, um cochilo basicamente e só fez isso por que estava chorando no meu colo.
Não acho que Maria esteja grávida, tá que a menstruação atrasou uns cinco dias mas isso é pouco... É poucos né?
Vi uma roupa pra ela, short jeans e um dos seus croppeds.
Sabe, por questões de medo, colocaria uma blusa comprida nela mas ela não gosta... Não é nem por ciúmes, eu confio nela... É medo.
Sei lá muito medo.
Quando ela saiu do banheiro gostou da roupa que vi. O cropped era preto com as alcinhas fininhas.
- daddy pode colocar o tênis da sola marrom? - fiz uma carinha.
- ah meu amor, o daddy não trouxe, só o vans. - ela fez um beicinho mas não ficou triste. - pode ser? Hum? - concordou.
- pode. - tirou a roupa e fui pegar.
- ó, vou lá chamar Malu.
- diz pra ela vim se arrumar comigo? - fiz uma cara.
- vão andar de skate ou sair pra festa. - brinquei e ela riu.
- arrumar o cabelo, colocar roupa... Ahn... Isso. - ri negando.
Desci e chamei por Malu, que subiu entusiasmada deixando seu iogurte sobre a mesa e guardei por que ela só chegou a abrir a pontinha.
Maria Clara.
Malu e eu decidimos ir iguais. Tínhamos o mesmo cropped e ela pegou um short parecido com o meu e o seu tênis era vans preto mas com rosas do lado e achei bonito.
Nos arrumamos e descemos.
- ó, podem ir até o final da rua e só nas outras duas, pra lá pro outro lado não tá? - concordei pro daddy. - promete? - concordei novamente.
- Malu tá levando o celular. - daddy concordou olhando em suas mãos.
- tá, querem levar uma bolachinha? - sorri pro daddy.
- você é muito bonzinho. - dei um selinho nele. - mas quero iogurte. - daddy sorriu e foi pegar.
Enquanto isso os skates estavam encostados na parede e o meu estava todo sujo nas rodinhas, provavelmente por Pedro.
Daddy deu um iogurte pra cada uma.
- duas horas no máximo, já é 16h da tarde. - concordamos e fomos andando.
- já vão? - perguntou meu pai e sorri animada.
- você quer andar de skate pai? - perguntou Malu e ele riu sentando no sofá.
- ah não, já tô muito velho. - eu e ele rimos mas Malu ficou pensando e eu a puxei pra rua.
- oque? - perguntei.
- então quando eu chegar na idade dele não vou mais poder andar de skate? - ri.
- Malu, nossos gostos vão mudando ao longo dos anos... Tipo, um dia você vai parar de gostar de tal banda musical, a mesma coisa com o skate. Um dia você vai ter outras prioridades e vai esquecer que skate existe. - ela pareceu pensar e abri o portão.
Na verdade daddy tava ali.
- por favor... - o olhei e ele abriu o portão pra gente passar. - cuidado, aqui é calmo mas não vão andar no meio da rua também tá? - concordei. - duas ruas Maria Clara. - concordei novamente.
- tá bom. Até parece que não me comporto. - daddy riu me olhando.
- hum, até parece mesmo. - ri de vergonha.
- tá, tchau daddy.
- tchau, coloquem a p******o no joelho. - concordamos.
Primeiro a gente foi andando até a esquina, onde tinha uma praça e um caminho pra fazer caminhada, dava pra andar de skate naquela parte.
- você não vai colocar? - neguei.
- é coisa de criança.
- mas Henrique sempre tem razão de tudo... Você vai se machucar. - penso, até dar de ombros.
- não vou, já sou grande. - Malu riu e não entendi.
Eu sou grande já, p******o no joelho é de criança.
Mas Malu colocou e eu fiquei segurando as minhas na mão, pensando.
- Malu, se você cair vai machucar? - negou, olhando pros joelhos.
- não, por que isso vai... Amortecer?... A queda. - concordei pra palavra que ela perguntou. - eu já testei e não dói. - penso.
- não, não quero colocar. - me levantei. - vamos. - subi no skate e passei o pé no chão pra ganhar impulso... Mas o skate trancou e eu fui pra frente mas não foi uma queda por que eu fui bem devagar. Talvez por isso o skate trancou.
- Pedro falou que tem que andar em um lugar liso. - penso, pensando que faz sentido.
Fomos pro asfalto, no canto da calçada claro.
O bom de viver onde ricos moram, é que eles saem por meses, tipo, a casa m*l é frequentada por eles e sempre tá fechada.
As que tem carros na garagem e as janelas estão abertas, ficam num silêncio que só. Fico pensando oque eles devem estar fazendo.
Tipo lendo em um cômodo da casa onde só tem livros.
Mas daddy disse que normalmente eles não estão por que o trabalho já ocupa o dia todo e quando estão em casa eles ainda trabalham em seus escritórios.
É um loop.
Não há fim.
Quanto mais horas sentado sobre uma mesa, mais dinheiro.
Mas claro, nem todo mundo tem uma empresa e vive em frente a uma telinha, as vezes a pessoa é rica por que nasceu em uma boa família ou as vezes ela trabalha em outras áreas, tipo vendendo roupas, coisas assim.
Nem sempre ricos são advogados ou juízes.
Mas parece que sim.
Malu andou bem a frente de mim e eu com aquela p******o na mão.
Era chato colocar ela, tinha que colocar nos joelhos e cotovelos e nem sempre a gente cai com essas partes. Eu caio logo de cara no chão e nem tem p******o pro rosto.
Mas continuei segurando até conseguir alcançar Malu e era muito legal andar de skate.
Andamos tanto... Desrepeitamos daddy e foi a pior coisa.
- calma Maria. - eu estava quase chorando.
- mais onde a gente tá? - voltamos pela aquela rua em que entramos e não reconhecemos a outra rua.
- vamos perguntar...
- não. - agarrei seu braço. - não podemos falar com estranhos.
- mais ali tem uma menina. - apontou pra uma menina em frente a sua casa.
- tá. - lá fomos nós.
Ela era ruiva e parecia ter uns 15 anos.
- oi... - Malu quem falaria. A menina nos olhou com cara de nojo. - você sabe onde fica a rua que... Onde fica o portão de saída? - ela olhou pra nós duas juntas.
- quem são vocês? - hum, o tipo de riquinha mimada.
- eu sou a...
- tá não quero saber mas vocês não são daqui né? - negamos e ela olhou de cima a baixo pra gente. - é, eu sabia. Se são filhas das empregadas nem devem ficar perambulando pelas ruas, tem pessoas que saem pro trabalho às 4h da manhã e essa hora devem estar dormindo. Não façam barulho, esse é um condomínio fechado. - ela se levantou do corrimão feito de pedra de mármore, que ficava em volta de um grande gramado.
- m*l educada. - digo, puxando Malu.
- ela está brava? - ri.
- não Malu, pessoas ricas são assim, nojentas.
- olha, tem uma mulher lá. - não olhei, ajeitando as proteções na minha mão.
- é, talvez ela seja mais madura.
- parece usar roupas normais. - eu estava muito brava pela ignorância da menina que nem liguei pra onde Malu me levava.
Mas quando olhei pra frente percebi que aquela mulher parecia fugir.
- acho que ela também não é daqui. - disse Malu e olhei, estava muito longe, não dava pra ver seu rosto bem.
- então vamos passar reto. - concordou a mim.
A medida em que andávamos sentia medo, medo dela ser alguém do mal... Mas aos poucos servi o mesmo semblante daquela vez na praia com o meu pai...
Fiquei pasma.
Mas não parei de andar.
Estava tremendo, olhando pra trás e parecia fugir, oque ela não estava fazendo antes.
Sua roupa preta e bolsa me fizeram notar o jeito de andar...
Os ombros retos...
O jeito com a mão se balançava junto dos movimentos.
Ela parou, deixou algo cair.
- moça! - Malu gritou e me apavorei.
- Malu melhor não.
- por que? - me olhou. - estamos perdidas, Henrique vai dar castigos pra gente.
Prefiro ser castigada e apanhar do que falar com uma desconhecida.
Chegamos perto, tão perto, uns dez passos dela.
Malu correu até ela me soltando e eu tentei segura-la mas não deu.
- moça a senhora sabe onde fica o portão de saída? - meus olhos se encheram de lágrimas e ela me olhou. - a senhora está perdida? - olhei pra Malu e fiquei longe.
Fala... Diga uma só palavra... Eu reconheceria a voz da minha mãe em qualquer lugar.
- eu... - ela fez um som com a garganta e apontou apenas.
Mas aquele "eu".
- Malu vamos. - não era ela, minha mãe teve um ataque cardíaco, enterramos ela.
Foi um dia h******l.
Ela tá morta.
- a senhora está perdida? - concordou fraco. - então vamos com a gente.
- ah não eu estou... - ela parou de falar.
Comecei a passar m*l.
Sua voz... Seu olhar... Seu jeito...
Se ela provar não ser Melissa, talvez a esperança suma.
- eu sou a...
- não! - digo. - vamos embora! - fui até ela e não olhei pra mulher, pegando Malu pela mão e a puxando.
- tchau, espero que ache a saída. - Malu!
- vamos logo! - ela continuou andando.
- oque foi? - não respondi e quando já estávamos um pouco longe, olhei pra trás.
Ela estava em pé parada nos olhando, mas com uma expressão péssima, como se fosse gritar a qualquer momento pra gente voltar.
Não era ela.
Não posso alimentar esse pensamento.
Não posso.