250° capítulo

3924 Palavras
Malu. Me acordei cedo, mas hoje eu não iria pra escola, meu pai não deixou... Talvez pela ligação de ontem. Sorri, passando geleia na minha torrada. Sendo ou a minha mãe, já imagino tantas coisas, por exemplo, a gente ligando e conversando, indo ao shopping... Se abraçando. Abraço de mãe deve ser tão bom né? E as roupas dela? Queria ver o seu armário, seus saltos... Aah. Ter mãe deve ser muito bom. A campainha tocou e me assustei, porém fui rápido atender a porta por que meu pai estava dormindo e eu não queria acorda-lo. Quando eu estava abrindo a porta percebi usar calça de pijama, uma regata, estava com um coque flouxo caindo e a torrada na mão. Ah claro, pra ajudar meias de coelhinho rosa. - é... Oi. - era um homem. - Maria Luísa? - concordei andando devagar pelo jardim. O sol tava forte e ardeu meus olhos. - isso aqui é pra você e isso... - ele procurou na sua bolsa. Era o carteiro... Ou pelo menos parecia. - isso para... Álvaro Pavanelli, ele mora aqui certo? - concordei abrindo o portão. - sim. - digo ainda confusa. - é, por algum acaso você sabe quem mandou essas coisas? - ele sorriu gentilmente. - me desculpa moça, eu só entrego, as únicas coisas que constam nos endereços, são quem mandou e quem receberá. - concordei entendendo. - vou deixar aqui pra você conseguir levar um por um. - é.. claro. - dei espaço e ele colocou tudo ali. - o trabalho nesse condomínio começa cedo né? - deu uma risada e olhei em volta. Todos pra quem olhei pararam de me olhar. Um cuidava da árvore, outro varria o asfalto, tinha um jardineiro e alguém concertando algo no poste. - é.. - dei um sorriso forçado. - então é isso, tenha um bom dia. - pra você.. também. - eu estava confusa mais ele foi embora pra próxima casa. Tinha pessoas demais em frente a minha casa e na dos vizinhos. No mesmo horário? São oque?... 7h da manhã? Mais eu levei a torrada pra dentro e voltei pra pegar aquelas coisas. Eram duas caixas, não tão grandes, eram pequenas. Essas eram minhas. As do meu pai eram cartas e um envelope. Na sala, após fechar a porta e trancar o portão claro, eu comecei pelas cartas do meu pai. Para Álvaro. Estava escrito a mão. Mas não abri, porém fui pra cozinha por que eu estava com fome. E enquanto eu comia a minha torrada e bebia o meu Nescau quente e nada doce, abri a primeira caixa. Tirei o papel fino que cobria oque estava em baixo e meus olhos lacrimejaram quando eu vi o que tinha ali. Eram fotos... Uma pulseira de bebê com o meu nome. Peguei a cartinha antes de ver o resto. Está foi a primeira coisa que dei a você, e a última coisa que me sobrou todos esses anos. Ter tido você foi uma das melhores coisas que fiz de bom, mesmo nova eu estaria disposta a lutar por vocês três... Então não perca essa pulseira, é importante pra mim e estou entregando a você para provar que a amo e que confio que um dia vamos nos encontrar pessoalmente. Algumas lágrimas desceram pelo meu rosto e ri, vendo o restante das coisas. Um ursinho e... Um retrato em uma moldura de Mariana, eu e Maria. As três juntas na maternidade ao lado de vários bebês, mas éramos as únicas grudadas e idênticas. Tinha outra cartinha, mas menor. Essa são vocês, a enfermeira tirou pra mim... 10 minutos depois me falaram que Mariana morreu e eu acreditei... Logo depois tiraram você de mim. Comecei a chorar mas abri a outra caixa, dessa vez tinha um envelope dentro dela. Abri. Querida filha, a irmã do meio, a que sempre é mais gentil e carinhosa, que ficará no meio das decisões das irmãs, que veio ao mundo para ser protegida por mim... E não pude fazer isso. Quero que saiba que o fato de Maria ter passado todos esses anos comigo, não significa que esqueci de vocês. Nunca acreditei que Mariana morreu, sempre soube que as duas estavam juntas e cada dia que eu sorria, ia dormir chorando por não ter vocês aqui. Maria Clara ficou pra me dar esperanças e era bom, via vocês duas atravéz dela. E hoje estou escrevendo está carta, por que quando uma policial me disse para eu fingir a minha morte para salvar Maria... Ela também disse que você estava viva... E foi oque fiz, eu fiz tudo isso com esperanças de te rever um dia... Mas cheguei tarde de mais... E não pude salvar Mariana. Isso me dói todos os dias, mais do que qualquer coisa, vocês não são mais trigêmeas, falta uma, falta a minha primogênita e saiba que isso me machuca todos os segundos em que estou viva. Mas hoje posso sorrir e saber que você é inteligente, estuda tanto, quer entrar em Yale e eu sei disso... É uma grande menina e tenho orgulho de ser sua mãe. Ainda não nos conhecemos, mas eu quero muito te ver, sentir seu cheirinho, saber como você é e fala... Saber se namora ou se gosta de alguém. Qual a sua cor favorita? E os seus hobbys? Seu programa de tv favorito, oque gosta de comer? Quero poder ficar horas ao seu lado descobrindo como você é e matando a saudade de 16 anos perdidos. Ri, mesmo chorando. É... É a minha mãe. Eu tenho mãe! Eu esperei tanto por isso! Eu tenho uma mãe! Igual em Gilmore Girls, que passava na tv quando podíamos assistir, Lorelai e Rory eram mãe e filha... Unidas! Eu era pequena mas sempre reprisava e eu adorava assistir. E hoje... Eu tenho mãe e pai! Mãe e pai! - ouvi um barulho, era a campainha? - corri até o meu pai. - pai.. - o abracei forte e ele retribuiu. - oh meu amor, oque houve? Oque são todas essas caixas? - riu a mim e sorri. - por que está chorando? Oque aconteceu? - passou a mão no meu rosto. - é... É a mamãe. - digo e ele fica sério. - pai ela tá viva! Mamãe tá viva! Eu tenho uma mãe! - fui até o balcão da cozinha. - olha... É.. é ela... Ela escreve como fala... Ela fala assim... É a minha mãe... É a Melissa pai. - ele pega a carta mas não parece gostar. - pai... Não está feliz? - dei um tempo e ele suspirou. - não... Não pode ser. - masculhou as caixas e viu a nossa foto. Seus olhos se encheram de lágrimas. - ela mandou essas cartas a você, tem o mesmo nome de quem mandou pra mim. - entreguei em sua mão e ele abriu rápido. Mas o meu pai começou a chorar muito e eu não entendi, só quando ele largou uma das cartas e eu vi a foto da minha mãe grávida... Era muito nova... Ela era nova de mais e tinha um barrigão. - pai.. - ele me abraçou e não hesitei e retribuir. - é novo... E surreal... Mais já me convenci. - comecei a sorrir. - temos mãe pai!... Quer dizer... Eu e Maria... A gente tem uma mãe! - ele sorriu pra mim e eu estava tão feliz. - pai tem noção do que é isso?! - Malu... - vamos ir ao shopping!... Ah! Vamos conversar tanto! - Malu.. - oque? - olhei pra ele. - você vai fazer suas malas. - desfiz o sorriso. - mais.. - vai pegar tudo que quiser e ir morar com Melissa.. - pai.. eu não quero ir morar com ela por que ela voltou... Ele suspirou. - você sabe oque passou durante anos. - olhei pra baixo não querendo lembrar. - essa mulher está atrás de vocês novamente. - ah olha, Mariana tinha essa pintinha no queixo. - filha. - a gente m*l tinha cabelo né? - ri. - Malu olha pra mim. - as três de rosa, como a mamãe sabia qual era qual em? - meus olhos estavam marejados. - não quero o seu m*l. - tremi. - não posso te deixar. - e não vai. - tá acontecendo tudo de novo. - entrei em pânico. - não está acontecendo nada... - ela vai vim... Vamos.. vamos ser... Ser usadas... Terá homens... Charutos... - Maria Luísa se acalme. - andei pra trás quando ele tentou me tocar. - ficaremos.. sem comer... O inverno chegará... Não terá cobertores e nem luz... O porão é gelado.. não quero voltar pro porão pai... E... E as crianças... Elas choram.. elas sentem medo... Eu não posso voltar... Não terei Mariana pra ficar comigo... Pai não pode me deixar voltar. - me abaixei, com muita falta de ar - filha isso não vai acontecer. - ela tá vindo não tá? Ela tá aqui? Ela tá aqui! - tapei os ouvidos e fechei olhos respirando ofegante. - ela não está aqui filha, só eu e você, sou eu.. o seu pai. - ela vai m***r a minha mãe... Depois você... E vai me pegar... Ah! Maria.. ela vai substituir Mariana com a Maria! - senti o seu abraço. - eu não quero voltar, pai não posso voltar. [...] Henrique. Corri assim que o elevador se abriu. - Henrique, que bom que chegou. - respirei fundo. - foi necessário mesmo? - concordou. - foi... Ela teve uma crise, eu não soube oque fazer. - ele entrou em desespero e o consolei. - tá tudo bem, não foi culpa sua. - o toquei no ombro dando carinho. - foi o melhor a ser feito. - olhei pela janela. Estávamos em uma psiquiatria. - deram tantos medicamentos até ela parar... - olhando daqui parecia Maria deitada naquela cama. - mais oque aconteceu? - ele foi até as cadeiras e pegou de dentro do seu terno uma carta. - Melissa... Ela mandou caixas pra Malu, dizendo coisas que fizeram ela ficar feliz... Aí eu mencionei morar com a mãe... Falei oque tava acontecendo. - Álvaro começou a chorar. - a culpa foi minha. - Álvaro não... Não foi. - o toquei pegando a carta. - olha... Talvez ela tenha entendido mal... Vem, senta aqui. - nos sentamos e eu abri o envelope. Álvaro, sou eu, Melissa. Oque conversamos ontem, sobre você deixá-la vim, ainda está de pé. Não posso arriscar perder elas, não depois de tudo que aquela mulher me fez perder. Não vou tira-la de você, assim como não tirarei Maria do Henrique, mais preciso protegê-las e se descobrirem que elas estão com vocês, talvez vocês possam... Morrer. É pro bem delas e do nosso. Me dê uma chance por favor. Parei de ler e refleti. - ela estava tão feliz... De repente começou a gritar e a dizer coisas que via e aconteciam naquela casa... Agora ela tá dopada de medicamentos, oque eu fiz? - respirei fundo o tocando no ombro outra vez. Era cedo 8h da manhã, estava indo trabalhar. Em poucos minutos Álvaro pegou no sono e preferi deixar ele dormir um pouco. Também foi quando um médico veio. - você é o Álvaro? - me levantei. - não eu sou... Sou responsável dela também. - tudo bem. Maria Luísa teve uma crise de pânico, muito comum quando o paciente tem traumas físicos ou mentais. - concordei. - dopamos ela com dois tipos de medicamentos: um funciona para a cabeça pra ela dormir e o outro para o corpo. Pelo que consta no relatório, Álvaro não conseguiu nos dizer se ela se machucou ou tentou fazer isso, então para prevenir demos esse medicamento. - ele dizia enquanto lia e escrevia algo na prancheta em suas mãos. - e.. ela tá bem? - dependendo do trauma talvez não. - me olhou. - mas se isso não é comum, ela ficará bem. - concordei. - quer entrar? - claro.. é, quero sim. - ele abriu a porta e entramos. Vi ele checar algo e ver como o coração dela estava e me aproximei. - olha.. a mãe dela meio que.. voltou dos mortos mas ela não morreu.. - uhum, só estava longe? - concordei. - isso e... Ela do nada volta... E Malu viveu em um lar abusivo. - ele tirou aquilo do peito dela e dos ouvidos, aquele aparelho que escuta o coração. - sim, acompanho o caso dela de longe. - suspirei. - parece que tentaram deixá-la sem remédios isso? - concordei. - para ver os efeitos e ela estava indo bem... Mas eu sugiro que ela volte a tomar pelo menos o da manhã. - claro... Queremos o melhor pra ela. - tá bem, os remédios não duram tanto, talvez ela acorde em instantes e darei um tempo para vocês conversarem com ela, depois vamos para alguns exames. - concordei. - obrigado doutor. - disponha. - ele saiu do quarto e suspirei passando a mão na cabeça. Não foi culpa da Melissa e nem de Álvaro... Ela só teve uma crise de pânico. Alisei seus cabelos, ela e Maria são parecidas mas da pra diferenciar muito. A cobri, estava com uma blusa igual as que Maria costuma usar, colada que parece apertar os s***s e machucar mas ajeitei por medo, pra mim qualquer homem pode se aproveitar de mulheres e se ela vai pra exames, melhor que não esteja tão amostra assim. Meu celular começou a tocar e atendi rápido pra não acorda-la. Nem vi quem era. - alô? - Henrique eu tô indo pra aí, oque aconteceu?! - Melissa calma... - os homens que coloco no condomínio disseram que teve ambulância, enfermeiros de brancos... Ela não está no hospital por que?! - eu ouvia som de saltos. - Melissa ela tá em uma clínica, a primeira que ela veio depois de tudo... Trataram ela com remédios... - e você deixou?! - eu cheguei agora pouco.. - deram remédios pra louca pra minha filha?! - fica calma... Ela teve uma crise. - que crise? Como assim? - você mandou algo pra ela, Álvaro disse sobre ir morar com você por causa daquela mulher... Foi só um ataque de pânico. - a meu deus oque eu fiz.. - não foi você, e ela tá feliz, ela quer você Melissa. - poderia ter a matato se ela estivesse sozinha. - calma, ela não é maluca. - mais pode ter se ferido... Eu estou indo pra aí. - não acha que será um choque maior ainda se ela te ver?... Pensa um pouco... Eu tô aqui.. vou te ligar o tempo todo e ela tá dormindo. - ela suspirou. - me promete não sair do lado dela? - prometo, ela vai pra alguns exames e logo volta... - não! Você precisa entrar junto. - não sei se posso... - claro que pode, Henrique não a deixe sozinha! - tá, tudo bem. - cuide dela por favor. - eu vou.. vou cuidar dela como se fosse Maria. - obrigada, eu ligo daqui a pouco. - tudo bem. Desliguei. Me virei e vi Malu me olhando. - eai, como tá? - era ela né? - ela tentou se sentar. - opa, calma ai. - ajudei. - você viu? Minha mãe tá viva. - sorriu e fiz o mesmo, me sentando na sua frente. - é, eu vi. - fiz carinho nela. - tá tudo bem? Passou? - concordou e suspirou. - sabe que não é possível que tudo aquilo volte a acontecer, você tem a gente agora, ninguém pode simplesmente te buscar e pronto. - ela concordou fraco. - é que... Eu não lembro. - sorri. - tudo bem, você vai pra alguns exames daqui a pouco e.. - e você vai comigo né? Cadê o meu pai? Cadê ele? - ficou desesperada. - calma, relaxa... Vou com você e Álvaro tá ali tirando um cochilo... Ele tá ficando velho. - falei de propósito pra ela rir e rimos. - ele não aguenta mais ficar em pé sabia? Ou quando ele varre o chão ele sempre reclama de dor nas costas. - rimos. - é, ser velho não é pra todos. - rimos novamente. Eu acalmei ela até dois enfermeiros virem, os dois falaram que só posso acompanhá-la até certo ponto mas eu fui, prometi que ia pra todos os lados com Malu e eles não vão me impedir. - senhor.. daqui o senhor fica. - falaram. - olha... Ela é uma menor... Não vou deixá-la sozinha. - Henrique.. - Malu estava com medo. - o andar a cima é cheio de pacientes loucos na fila de exames, eles podem ficar agitados... - Henrique certo? - me virei dando de cara com uma médica. - isso. - pode deixa-lo passar. - mais Dra... - eu dou as ordens. - eles entraram no elevador e me esperaram. - Melissa falou comigo. - ufa. - tudo bem, obrigado. - ela sorriu e saiu de cena. Acompanhei os enfermeiros e realmente... O próximo andar.. Malu apertou minha mão firme e parecia Maria. Haviam loucos com camisa de força, outros estavam se debatendo na cadeira. Alguns até imitavam crianças. E os monitores deles por perto mas não o suficiente pra impedir que um deles mordam a gente. Era oque minha mãe dizia quando era enfermeira, quando prestou serviço em uma clínica, ela falava que os pacientes do nada vinham até a nossa direção e mordiam a gente sem necessidade alguma. Pareciam zumbis. Mas a gente chegou rápido até uma sala de exames e Malu fez esses exames e precisou tirar sangue também. Fiquei todo o tempo do seu lado até ela voltar pro quarto dela por precisar de repouso e Álvaro assumiu daí, eu tive que trabalhar e avisei Melissa. - senhor Henrique. - eu andava rápido. - tenho uma reunião agora, oque foi? - ouvia som de salto mas andando rápido ao meu lado. - o senhor... Disse que aquelas pessoas iam embora e... Elas estão ocupando espaço. - parei de andar, vendo uma secretária a minha frente bem baixinha, usando saia até os joelhos, blusa social e crachá. Era gordinha e tinha cabelos até os ombros ondulados. - tá dizendo o pessoal estagiário? - menti, eles vieram por causa da Melissa... Segurança. - eles são estagiários? Ah me desculpa, eu trabalhava no departamento de baixo... Fico nas reuniões e sou secretaria, oque o senhor pedir eu faço. - ela era tímida, eu vi. - tudo bem, pode deixa-los onde eles quisserem, já estão aprendendo. - ok. - ela foi pra um lado e eu pro outro. Quando cheguei na minha sala, só foi o tempo de eu beber algo e pegar o arquivo que separei, aí sai da sala. - opa.. - digo batendo em alguém... Que entrava na minha sala? - ah... Você chegou. - Juliane. - tenho reunião agora, vai participar? - ela negou. - ah não, só ia deixar isso na sua sala. - concordei e abri a porta pra ela. - Henrique.. - voltei. - sim? - eu precisava ir. - me desculpa por aquele dia... Que dei em cima de você. - ficou tímida. - não posso falar agora mas ja tinha até esquecido isso. - tá bom. - concordou rápido e dei as costas finalmente. Fui pra reunião, no andar de cima. Dar em cima de mim, como se isso fosse um problema e como se eu fosse cair no papo dela. Agora sou quase casado e amo tanto a minha mulher, Maria é capaz de me tirar de todos os pensamentos, eu até esqueci que Ju deu em cima de mim... Tudo por que sei que sou fiel e foi algo muito irrelevante pra mim. Mas se Ju não andar na linha eu a demito, não é por mim, é por todos, dar em cima de chefe não é algo normal. Ou a mulher estraga o casamento do chefe por que a maioria já são casados, ou ela é demitida de um bom trabalho por se comportar m*l. Ela precisa mudar, tá errada. Totalmente errada. Mas cheguei na reunião, atrasado aliás, aquela mulher baixinha estava lá, servia café e ficou um bom tempo parada no canto da sala em pé, a chamei para sentar já que não tinha ninguém ocupando a cadeira ao meu lado. Não sei se estou errado mas ela parece estar grávida, porém ela também é gordinha e é muito f**o perguntar. Longe de mim julgar, mas ela parece grávida e não quero que uma grávida fique em pé... Também não quero que ela fique em pé, mesmo estando grávida ou não. A reunião foi chata e cansativa mas não demorou pra acabar e logo voltei pra minha sala... Onde Ju estava. - vim deixar isso e seu telefone tocou... Eu atendi. - não gostei. - anotou o recado? - não fechei a porta por que ela vai sair já já. - não, é.. - Ju precisa anotar. - que saco. - era uma mulher, disse que tentou o seu celular. - tava desligado, eu tinha reunião. - peguei o celular e já liguei. - mais ela parecia eufórica... Disse que era pra você ligar e queria falar sobre... Malu? - Melissa.. - ah sim, é a minha sogra e Malu é irmã da Maria. - foi espontâneo dizer isso. - ah... Então deixarei você sozinho, quer algo? - um café pode ser. - tá bom. - ela ficou toda feliz, basicamente só serve café e não faz mais nada o resto da manhã, ultimamente meus telefonemas sou eu quem atendo por estar trabalhando o dia inteiro. Ela só fica até o meio dia. Mas retornei a ligação pra Melissa e ela estava furiosa. Não gostou que Malu tenha sido tratada como uma maluca mas Malu teve um ataque de pânico, se não fossem os remédios ela poderia ainda estar assim ou pior. E aí Melissa disse que hoje mesmo Malu iria morar com ela e falou que era pra eu estar lá quando ela fosse buscar Malu... Por que como ela mesma disse "não vou conseguir encarar Álvaro sozinha e no mesmo momento conhecer a minha filha". Ela precisava de mim e ok, eu ia. Aí tirei o resto do dia trabalhando, sem pausas além do banheiro de 1 minuto e os milhares de café com pãozinho que tomei. Almocei lá mesmo como sempre e era h******l, comer sozinho e ainda no seu escritório era r**m. Mas vale a pena, por Maria. Só hoje acumulei mais 44 mil na conta, isso todos os dias em uma semana da 308 mil, então imagina multiplicado pro mês todo... Preciso juntar dinheiro. O objetivo é ter dinheiro suficiente pra caso de emergência. Então... Foi isso o dia inteiro, só pensando na Maria e em algum momento até conversamos mas foi rápido, pelo que entendi, ela tinha aulas... Aquelas aulas de luta e estava animada mas me certificou que tinha juízo. Suspirei diversas vezes e quase não consegui trabalhar, tinha medo da Maria estar só aprendendo a atirar e do nada ela faz errado e pega nela... Ninguém pensa desse jeito não? A luta tudo bem, eu sei que ninguém vai lutar com ela além de ensina-la mas tiros... Armas... Isso é de mais pra Maria. Ela tem 16, é só um número... A cabecinha dela pensa diferente, Maria tem infantilismo e não tô diminuindo ela, pelo contrário, todo mundo sabe como ela é esforçada e inteligente, sabe de tudo... Mais ela é uma criança ainda, eles precisam pegar leve. Enfim, foi isso o dia inteiro, trabalho e preocupação.
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