210° capítulo

2444 Palavras
Maria Clara. Não lembro da última vez em que daddy brochou. Na verdade nem acho que isso já aconteceu. Daddy estava quase lá, ainda não estávamos no ato mas estávamos nos beijando quando eu o senti duro... Porém daddy interrompeu tudo só quando eu peguei nele e esfreguei sobre a minha calcinha. Aí daddy interrompeu o beijo com um suspiro cheio de sentimentos ruins. - desculpa. - disse por fim após um tempo parado me olhando. - tudo bem daddy. - puxei seu short pra cima, daddy não estava mais duro. - eu não sou mais atraente? - ele riu fraquinho. - sempre será, independentemente de qualquer coisa. - me puxou mais pra ele. - então é por que eu fui m*l com a Letícia? - negou segurando meu rosto. - não princesa... - me deu um selinho. - só... Estou cheio de coisa na cabeça. - me soltou se deitando de barriga pra cima. - sinto que tô te usando. - olhei confusa pra ele. - por que daddy? - ri. - eu que tô te usando. - ele se virou pra mim novamente. - se... Tu descobrisse que nosso encontro foi por acaso... Ia ficar brava? - neguei e ri. - mais nosso encontro foi por acaso, por causa do seu pai.. da minha vó... Mãe.. - daddy me abraçou forte. - vira pro outro lado. - virei, apenas de calcinha e blusa como fui dormir assim, mas ia tirar caso daddy estivesse pronto mas ele não quis. - daddy por que você disse aquilo? Por que acha que eu ia ficar brava? - ouvi ele suspirar e me puxar mais pra ele. - por que eu sinto que tu ficaria magoada... Pensaria que nosso amor era um jogo. - tive que me virar pra ele e o olhar. O abajur estava ligado. - não tô entendendo daddy, já sou bem grandinha pra você explicar. - ganhei carinho dele. - não é nada... Só acho que a gente se conheceu por que meu pai forçou isso. - penso. Era verdade. Sorri. - eu amo seu pai daddy. - me deitei sobre ele e daddy me puxou pro seu abraço e me apertou forte, suspirando aliviado. - ele me deu alguém bom, protetor, amoroso e perfeito... Ele criou você... E me salvou, ele me salvou com a vida. - daddy pareceu me apertar mais e tremer também. - daddy? - me soltei dele preocupada. - tudo bem? - daddy começou a chorar. Igual um bebê. - daddy! - fiz cara triste e voltei pro abraço, onde daddy não me desgrudou. Invertemos as posições após muito tempo ouvindo daddy chorar e sussurrar o quanto me ama. Agora ele estava deitado em meu peito e eu dava carinho em seu cabelo. Sentia ele quente e seu braço estava pesado na minha barriga mas não me importei. Acho que daddy sabe de algo que não sei, ou parece que esconde algo que é tão h******l. ... Abro os olhos e cubro bem rápido. - hummmmmmmm... - murmurei brava. - já é 10h preguiçosa. - murmurei por que acordei com o som da cortina sendo aberta e quando abri os olhos aquela claridade veio direto no meu rosto. - vem meu amor, vamo comer... Brincar... Só eu e você. - veio até a cama e me encheu de beijos. Ri. - você tá bonzinho hoje? - concordou me olhando e encostando seu nariz no meu e fazendo carinho. - então vamos tomar banho e t*****r? - daddy riu se levantando. - amor... - mudou a expressão. - mais tarde, pode ser? - concordei, percebendo que daddy não estava afim de verdade. Escovamos os dentes, daddy me vestiu, penteou meu cabelo e parecia muito amoroso e grudento igual eu gosto. Quando descemos Malu estava muito feliz com seu cabelo que ficava me falando "por que você não disse que era mais fácil e melhor ter o cabelo assim?!". Eu só ria. Pedrinho hoje disse que sairia pra andar de skate... Pedi ao daddy... Ele disse não mas um não com medo e uma carinha de carência. Oque o daddy tem? Mas Bia ia com Pedrinho com uma das bicicletas que já tinham na garagem e por isso que eu queria ir, queria andar naquelas bicicletas. Mas acho que daddy precisa de mim, e se ele chorar e eu não estiver aqui? Enfim. Tomamos café, daddy fez tudo pra mim e me deu sorvete depois. Muito fofinho... E carente. - você tá carente daddy? - eu sabia que sim. Já havíamos tomado café e eu estava sentada em uma das cadeiras perto da piscina, ela era toda cheia de almofadas e ficava ao lado de outras duas com uma mesa bem no centro e plantinhas sobre ela. Daddy se sentou comigo mas me sentei em seu colo, coçando o olho. - tá cansadinha? - bocejei naturalmente e assenti. - você... Aaah... Você não me respondeu. - deitei em seu colo encolhendo os pés. - tô. - dei carinho nele e daddy deu batidinhas na minha b***a. - mas vai passar... Só ficar pertinho assim. - me abraçou e sorri. - nunca vou sair de perto de você daddy. - ouvi sua risadinha gostosa. - eu sei.. sei disso. - fechei os olhos. Henrique. A deito com cuidado na cama e escuto ela murmurar, igual fez quando a peguei no colo pra levantar da cadeira. Maria tá ficando pesada. - daddy... Hummm... Deita aqui. - me puxou pelo braço abrindo os olhos mas fechando pela claridade. - só um pouquinho assim. - mostrou nos dedos e sorri. - tá. - dei um beijo nela e a mesma me soltou. Antes mijei e depois fechei as cortinas, deixando a porta da sacada aberta pra entrar um ventinho. Ao deitar do seu lado Maria pediu o cobertor com a mão e eu cobri a gente mas sei que ela já vai se destapar por causa do calor. Estava tão exausto de pensar, de contrair aqueles pensamentos que quando estou com ela tudo muda. Cheguei na conclusão que fui usado. Maria e eu estamos vivendo um amor planejado. Não foi por acaso, era um plano... E sinto que a qualquer momento vou perde-la. E sua mãe... Melissa está viva e isso é mais preocupante do que tudo. A volta de alguém que morreu... Alguém que Maria levava flores todo ano ao cemitério... Alguém que fez ela chorar noites e noites... Como vai ser pra ela quando essa pessoa voltar dos mortos? E se... Maria a viu na rua. Tenho certeza que Maria não se enganou. Sinto que uma catástrofe vai surgir e que tiraram Maria de mim. A abracei bem forte e senti seus cabelos em meu pescoço por ela ser tão pequena e caber dentro do meu abraço. Não me importava se ela tinha piolhos e que eu ia pegar, na verdade não me importava com nada. Ela estava ali e deu, Maria estava ali. [...] Melissa. - senhorita Melissa, a senhora gostaria de... - sorri. - tudo bem? Precisa de ajuda? - d***a. - eu... Não obrigada. - guardei aquilo logo. - é... - te pago o quanto quiser pra fingir que nunca viu isso. - ela tremia e deu dois passos pra trás. Sorri. - não se preocupe, não irei usar isso aqui com pessoas inocentes. - ela ainda tremia. A cena era: eu estava saindo do meu quarto no hotel e estava guardando na bolsa minha arma. A camareira que pedi estava prestes a entrar no quarto, acho que pelo medo ela me ofereceu ajuda... Ajuda pra guardar minha arma? - eu... - a olhei. - confie em mim, a mais problemas pra resolver do que sair atirando. - digo com sinceridade. - fazemos tudo pelos filhos. - ela deu um leve sorriso depois de um tempo. - arrumo camas para trazer meus filhos pro Rio de janeiro. - então sabe do que eu estou falando. - concordou. - tome. - peguei de dentro da bolsa um bolinho de dinheiro. - tem uns 2 mil reais aí, pode não ajudar mas já junta algo. - ela sorriu pegando. - claro que ajuda... Até de mais. - sorri e abri mais a porta. - bom... Entre, preciso que meu banheiro esteja limpo tudo bem? - ela concordou eufórica. - ok, boa... Tarde.. - sorri. - tenha um bom dia. - passei por ela. Fazemos tudo pelos filhos. Era 15h ou 16h. Por fuçar tanto as redes sociais da Maria, acabei achando a sua cunhada. Ricardo nunca mencionou que tinha mais filhos mas na época ele falou que eles eram menores e que não seriam bem vindos nos planos, mas me assegurou que eles eram boas pessoas e companhias pra Maria. Hoje eles tem 19 e 17 anos. Beatriz e Pedro. Contas privadas também e só consegui o acesso na conta da Beatriz, após criar um perfil com foto de uma menina funkeira... Copo, correntes, shorts... Parecia ir pro baile funk. Ela aceitou. Na foto... Beatriz postou uma foto dentro da piscina com Maria... Mas no mesmo dia postou outra foto igual mas com Maria vestida... Parecia que deu tempo de Maria se vestir e secar o cabelo por que Beatriz ainda estava dentro da piscina. Seu irmão Pedro apareceu... Era tão estranho ver as fotos. Eu estava confusa. No perfil do Pedro eu não achei quase nada, apenas suas fotos e de sua namorada. Ele não gostava de publicar muitas coisas. Mas soube pelos storys de Bia que eles estavam dentro de um condomínio, ela colocou a localização... Alphaville. Estavam de bicicleta e skate e isso era a cinco minutos. Então eu precisava ir rápido. De táxi e checando sempre as redes sociais, eu cheguei lá rápido. Como era um condomínio fechado, eu tinha meus truques. Henrique é filho de Ricardo e eu sei que Ricardo mora aqui. Então pedi para que telefonassem pra casa dele e falassem da minha chegada, Dr. Carol. Minha passagem foi liberada. Não era um lugar desagradável e a maioria das casas estavam bem fechadas. Também não via uma sujeira se quer na rua ou vandalismo. Era grande, não tinha ideia da onde era aquele lugar onde eles estavam mas tinha uma árvore com flores amarelas, é oque me lembro. Porém tinha umas quantas praças e árvores com folhas amarelas. Peguei meu celular e disquei o numero do Ricardo. Pretendendo ligar pra ele. Sei que ele mora aqui, é sua casa no Brasil. Ele pode estar com Maria... Mas como Maria estava com Álvaro? Me sento em um banco e o celular continua a tocar. Até alguém atender. - a..lô? - a voz saiu confusa... Uma voz masculina. - quem é? - quem tá falando? - Henrique. - Maria.. me fale sobre Maria! - acho que... Liguei errado... Queria falar com.. - Maria. - Ricardo. - me recompus. - ele... Esse celular é reserva eu acho... Eu nem sabia que ele existia.. - aah.. ele está? - ouvi um suspiro. - ele faleceu no ano passado... Faz uns cinco ou seis meses... - meus olhos se encheram de lágrimas mais uma vez. - é só com ele que gostaria de falar? - é sobre uma.. uma questão delicada... Ele era meu advogado e... - daddy..... Olha eu preciso desligar, mais tenta ligar na empresa que ele trabalhava. Sinto muito não poder ajudar, de verdade. Ele desligou. Eu não pude dizer nada. Não pude fazer nada. Maria está tão perto. Ouvir sua voz depois de anos... Aquela voz que mudou quase nada. O som suave de algo que é meu. Ela... Maria. Henrique. Estava tenso. - daddy olha pra miiimmmmm. - me fez cócegas e sorri, olhando pra ela. - hum? Desculpa, oque foi princesa? - dei carinho nela. - posso comer sorvete... Oque é isso? Uau daddy é um celular de 70 anos. - pegou da minha mão e ri. - como assim 70 anos? - ri de novo. - de 70 anos atrás. - ri novamente olhando ela ver o celular. - corrigindo, a Maria tinha uns 8 anos quando esse celular era usado... Como que vai ser 70 anos atrás? - ela riu percebendo que era engraçado. - mais é seu? - neguei fraquinho. - tava aqui no quarto. - me olhou. - igual aquelas folhas cheias de letras? - concordei normal. - tá, oque a Maria pediu mesmo? - ela sorriu e tomei o celular das suas mãos. - sorvetinho, por favor daddy! - implorou. - e ir dar uma voltinha. - sorvetinho pode, voltinha não. - aaah. - ficou triste. - amanhã vamos pode ser? O sol tá bem quente nesse horário. - concordou fraquinho. - mas o sorvetinho é só pra Maria. - digo pra anima-la e dou um beijo nela e a mesma se anima. Quando descemos dei o sorvete pra Maria, pensando logo depois. Lembro dos vídeos... Maria bem pequena... A imagem da câmera não muito boa... Era seu aniversário, ela estava segurando balões rosas. Aquela voz... No telefone soou a mesma voz. "Olha pra mãe filha, mostra seu balão pra mamãe". "É sobre uma.. uma questão delicada... Ele era meu advogado e...". É a mesma voz. Meu pai era advogado dela? Estou começando a soar. - daddy, você sabia que sorvete faz bem? - a olhei e sorri, pra ela não perceber nada. - é? Onde a Maria viu isso? - me inclinei sobre o balcão na sua frente. - eu inventei, por que eu fico bem quando como sorvete. - ri disso, meu deus. Não posso machuca-lá. Não consigo. E sinto que farei isso. - come daddy, por favor. - empurrou o pote de sorvete mais pro meio, que até então ela comia direto dele. - tá bom. - sorri, talvez isso me anime. Peguei uma colher e comi junto com a Maria, na verdade apenas a parte onde tinha sorvete e não as diversas balas que ela colocou. Eu acho r**m. Ela ficava falando coisas boas pra mim e eu me sentia confortável, mesmo que com a cabeça cheia de coisas. Ficava pensando nas cartas que li... Maria foi empurrada pra mim e eu pra ela. Nosso amor foi planejado e não por acaso. Isso estava me matando. Mas acima de tudo, a amo, mas estou confuso. Poxa, nem conseguimos t*****r, e o motivo era o mesmo, mas ao lado da Maria, que conheci ainda criança... Por um planejamento... Isso não me dava o direito de sentir vontade de fode-la, me sentia errado de alguma forma, não conseguia pensar em nada que ajudasse naquele momento. Mas Maria foi paciente e isso só me faz ter a certeza de que a amo cada vez mais. [...]
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