247° capítulo

4912 Palavras
Daniel. Separei o material de matemática do oitavo ano e do segundo, que era o de hoje e veríamos algumas coisas do oitavo. A porta foi aberta. - o sinal ainda não tocou. - digo, olhando para os papéis ainda. - eu sei. - a voz doce. Olhei, Adrielly. - oi Adrielly. - digo, voltando a ver as folhas e me perdendo. - é Elly e oque vamos fazer hoje? - se pendurou na minha mesa e foi difícil de não olhar. Mais eu sei respeitar uma mulher, eu sei fazer isso. Então não olhei. - é... Matéria de matemática. - ela ri. - isso eu sei, mais oque mais? - sua voz era tão fofa mas eu só ri de canto. - cálculos, já fez? - olhei pra ela, que me olhava nos olhos. - depende. - nos encaramos. Mais eu voltei a olhar para as folhas e consegui finalmente dividir as matérias certinho. Adri... Elly foi fechar a porta e eu só fiquei cuidando, porém comecei a copiar no quadro exemplos pra já ficar adiantado quando os alunos chegarem. - então.. - veio até mim. - posso escrever? - continuei fazendo isso. - não. - por favor. - perguntou e eu a olhei. - como é sua letra? - sorriu. - fofinha e do jeito que você quiser. - ela era fofa, mas ousada. - pega. - dei o giz na sua mão mas não soltei. - escreva cada palavra igual tá na folha. - ia concordando. - letra legível e bem alinhada. - concordou novamente e começou. Fui até o armário no fundo da sala pegar alguns livros do oitavo ano pra ajudar na atividade e de lá olhei se Elly estava fazendo tudo corretamente. Usava a saia da escola e nela ficava tão bem... Seu cabelo era bem bonito. Mas me controlei, já tive alguns momentos com algumas alunas mas não posso continuar fazendo isso, outro dia eu quase fui pego no banheiro dos professores com Cheli. É, Cheli... Tão gostosa mas tão chata e fresca com tudo. Porém ela tava bem m*l em matemática e precisava de pontos e ganhou esses pontos. Ei, a chantagem veio dela, eu só entrei na onda, ela que se debruçou na minha mesa me comprando com: "eu tenho uma boa boca". Era irresistível e tentador mas foi a última vez também. Fui até Elly, percebendo que ela havia comido uma das palavras já que não escreveu. A corrigi e ela disse "assim?" De um jeito meio... Tentei me controlar, sério mesmo. - oque uma aluna inteligente tá fazendo aqui? Sendo que ainda faltam 20 minutos pra tocar o sinal. - me encostei na minha mesa, bem atrás dela, ela estava na minha reta... Se viesse um pouco mais pra trás encostaria em mim. - eu matei a aula de espanhol. - por que? - continuou escrevendo a visualizei ela toda. - tem um aluno tão chato lá meu deus, só queria dar um soco nele. - ri de canto. - não ria, ele é um m***a. - ele tá na minha aula? - riu. - basicamente em todas que eu tô. - vou tirar uns pontos dele. - se virou pra mim. - sério? Faria isso pra quele m***a sair do meu pé? - sorri. - faria. - a encarei com o rosto meio torto, descendo os olhos mas eu não ia fazer nada. Elly era fofa e ousada como falei, tinha voz assim e ficava toda fofinha parada mas o rostinho... Ninguém podia dizer que ela não era ousada. Talvez fosse tão s****a quanto parecia ser. - vai fazer isso só por que eu copiei no quarto pra você? - ri. - talvez... Mais também por que é boa aluna... Boa menina.. - ela se aproximou sorrindo. - eu sou boa menina e boa aluna sim. - olhou pra minha boca e olhei pra dela também. Não havia percebido como a gente tava tão perto e quando me levantei, ficando muito mais alto do que ela, eu já ia avançar o sinal e talvez rolasse algo, então a beijei com calma e quando paramos Elly me encarou. - eu ainda sou virgem. - disse e sorri. - e não vou perder com alguém que não mereça ela. - ri de canto. - fica mais divertido quando a menina é inocente. - ela riu. - eu não sou nem um pouco inocente. - ah é? Só acredito vendo. - meu p*u tava começando a ficar duro. O sinal tocou. Droga! Elly se afastou e os alunos começaram a entrar. - você não disse que faltava 20 minutos ainda? - riu e fiquei puto mas não mostrei isso. - é, que doido. - meu p*u tava duro que ódio. - vai sentar vai. - ela foi, me olhando nos olhos e eu olhei pra sua b***a, respirando fundo pra não levá-la pra um outro lugar. Mas me controlei a aula inteira, essa era a última de hoje e certamente Adrielly precisa ir pra casa e pelo que já vi, ela vai de van. A van demora... Mas também a perdi de vista quando o sinal tocou. Então fui pra sala dos professores guardar o meu material, organizando a chamada e Maria Clara era a única aluna que faltou essa semana. - diretora. - ela ia passando. - sim. - algum responsável da Maria informou o motivo da falta dela na escola? - ela pensou. - Maria Clara Pavanelli. - ah sim, Maria... É, o namorado dela disse que ela estava doente. - e apresentaram algum atestado médico? - pensou novamente. - oh não, preciso pedir. Mas se puder mandar igual a sua matéria pra ela. - concordei contraindo o maxilar. - pode deixar. - ela saiu andando e pensei. Henrique deve ter feito algo, é a cara dele. Que diferente de mim, que compro sim as meninas com história barata pra t*****r, Henrique fode sem nem mesmo perguntar se ela é virgem. Eu nunca tratei nenhuma das minhas alunas m*l e em troca dou uma boa nota pra elas. Igual fiz com Cheli, ela precisava de 23 pontos, dei 15 e falei pra ela se puxar pra ganhar aqueles 8 que faltavam, mas eu queria que ela voltasse. Ela ainda volta pra pegar esse 8 pontos. Enfim, sai da escola e fui pra casa. Álvaro. - filha, que tal pizza? - bati na porta antes, claro. - é... Então. - Malu tinha uma toalha na cabeça. - tudo bem? Algum problema? - se aproximou. Parecia Maria e ao mesmo tempo ela mesma, mas acho que eram as roupas. - um menino... - um menino? - é pai... O nome dele é Gabriel. - e oque tem esse Gabriel? - ele me chamou pra sair hoje... Pra ir no cinema. - banquei o pai malvado. - cinema é? - cruzei os braços e ela parecia ter medo da minha reação. - em meio a uma pandemia? - eu sei que pode ser arriscado mais... Também tem um limite de pessoas no cinema... Pai posso ir? - pensei. - você tá me pedindo pra sair com um menino? Ao cinema? Hoje? Às... - olhei no relógio em meu pulso. - 18:45 da noite? - ela apertou os próprios dedos e lembrei da Maria. Maria não me liga a dias. - posso não ir se você dizer não, o senhor é quem manda. - sorri. - você pode ir. - ela sorriu animada. - sério? Então vou me arrumar. - deu as costas. - mocinha. - voltou. - sim. - ele vai vim aqui? - concordou. - terá hora pra voltar. - concordou novamente. - tudo bem, mais só vamos ao cinema mesmo. - concordei. - tudo bem, então vou comer a pizza sozinho. - Malu pareceu ter pena mas sorri. - pode ir se divertir, vou ficar bem. - você é o melhor pai do mundo, saiba disso, é meu grande herói. - me abraçou e retribui, contente por suas palavras. - fico tão feliz de ouvir isso. - dei um beijo na sua cabeça. - vai lá, se arruma... E tá frio na rua em. - ela riu. A deixei sozinha e desci, estávamos sozinhos em casa hoje e logo ficarei sozinho. Peguei o meu celular e liguei pra Maria, ela não atendeu, disquei o numero do Henrique e ele atendeu no mesmo momento. - alô? Álvaro? - isso, tudo bem Henrique? - tudo e com o senhor? - tô bem sim obrigado. - e Malu? Como ela tá? - soltei uma gargalhada. - bom, se arrumando pra um encontro e não sei se eu estou preparado pra isso. - Henrique riu. - ela é comportada, sabe das coisas. - mais eles não vão partir direto pra aquela parte né?... Quer dizer, no meu tempo era isso que fazíamos. - Henrique riu outra vez. - não, mas é bom conversar, pra ela ter a quem contar depois. - pensei. - não se preocupe com isso, mas ela vai onde? - no cinema com um tal de Gabriel e vai voltar às 22h, ou 23h, ainda tô pensando... Mas eu liguei pra saber da Maria, ela tá bem? - Henrique suspirou. - tá sim, ela tá bem sim. - posso falar com ela? - ela tá dormindo agora e já preciso até acordar ela, da só um tempo pra ela tomar um banho e comer algo aí ela liga pode ser? - claro, sem problemas. - dei um sorriso feliz por Maria estar bem. - bom, vou desligar então, me retorna depois? - retorno sim, não se preocupa. - tudo bem, boa noite pra você Henrique. - igualmente. Desliguei a chamada. Servi um copo de whisky pra mim, só pode nos finais de semana agora e não mais que um copo, então coloquei metade da metade pra poder tomar mais um quando eu ler o jornal de hoje, ultimamente tô fazendo isso a noite. Guardei a louça da pia que Malu e eu ficamos com precisa de secar e deixamos ali mesmo secando, depois deixei o feijão de molho pra fazer amanhã. Também foi o tempo da Malu descer. - pai? - me virei secando a mão no pano de prato e sorri. - está bom? - claro que está filha, está linda. - ela usava uma calça. - tudo bem ir de vestido ou como as meninas vão a um encontro. - ela negou fraquinho. - não, tudo bem, eu gosto de calças... Na verdade eu odeio usar a saia da escola mas nunca fica frio pra ir de calça e aquelas calças são bem quentes... Então eu tenho a oportunidade de usar calça hoje. - sorri. - está linda. - vou até ela. - esse Gabriel é alguém bom? Alguém confiável? - ela pareceu pensar. - ele fuma? Bebe? Anda de skate com os amigos drogados? Mora com quem? - ela riu. - calma pai. - me tocou. - conversamos bastante por celular... Ele mora com os pais e tem irmãs mais novas... Eu não sei se ele anda de skate mas ele não fuma e nem bebe... Ah, e adora filosofia e filmes que envolva uma série de tiros... E é muito inteligente na escola. - passou por mim indo até a geladeira e a segui com os olhos após me virar. - vocês se dariam bem, ele também curte filmes de suspense. - sorri fraquinho. - bom, sendo assim parece ser um bom rapaz, é humilde? - ela pegou suco e fui até o balcão a sua frente. - defina humilde. - serviu um copo de suco. - ele é rico... Sei lá... É metido? - sorriu. - não, quer dizer, ele é rico mas não metido... Acho que o pai dele é dono de hotéis e a mãe dele tá viajando a trabalho por que tem lojas nos Estados Unidos. - pensei e ela bebeu o seu suco finalmente. - bom, já que ele parece ser um bom rapaz, podem voltar às 23h. - Malu sorriu animada. - obrigada pai. - me serviu um pouco de suco e agradeci. - mas... - parou antes de passar por mim. - sei que é adolescente e... Tem 16 anos mais... Sexo.. - ainda não tô pronta pai. - foi sincera. - não quero colocar regras. - tudo bem e vou sempre te contar as coisas por que confio em você, mas eu ainda não to pronta... Meio que... Dói. - isso me fez suspirar lembrando que Maria Luísa esteve tanto tempo longe... E ela foi estuprada ainda criança. - você acha que quer ir ao médico ver isso? - ela sorriu fraquinho. - não, tudo bem, o ginecologista disse que só vai parar de doer quando eu me acostumar com o... Ato. - sorriu tímida e concordei fraquinho. - tudo bem, mais saiba que é livre pra isso, mas tenha sempre responsabilidade e... De um homem que já foi h******l com mulheres... - me referi a mim. - faça isso com alguém que realmente tenha confiança, que te trate bem e que saiba respeitar quando você dizer "não" ou "eu não estou pronta"... s**o é muito bom minha filha, mas não no primeiro dia ou semana com aquela pessoa, você precisa saber muito da vida dele ou dela pra saber se o ama... Acho que s**o com amor é muito melhor, não corre o risco dele te trocar. - Malu me abraçou bem rápido. - eu amo você pai. - abracei de volta. - vou seguir seus conselhos por que eu sempre quis ter um pai como você. - me olhou e sorri. - tenho orgulho de ser o seu pai... Queria ter te segurado no colo quando você era um bebê, ou ter te ensinado a andar de bicicleta... Mas eu tô aqui pra tudo, pra fazer papel de mãe e pai e pra te xingar quando for necessário... E esse dia ainda não chegou. - rimos e a soltei. - quero que se divirta mas que não saia do shopping combinado? - concordou. - então sendo um pai chato... Não pode passar de beijos em. - ela riu tímida. - tudo bem pai. - me abraçou outra vez e subiu. Fico feliz por ser pai de menina. Mais não demorou muito pra Malu voltar. Ela usava calça larga, acho que era de moletom, era um tecido diferente. Usava uma blusa curta junto e um casaco por cima. Estava levando bolsa e tinha uma boa maquiagem. Falei pra ela pegar outra máscara como reserva e ela fez isso. - ele tá vindo pai. - disse ela olhando em seu celular. - então vamos o esperar. - fomos pra porta e ela parecia nervosa. - vai dar tudo certo. - é que é estranho. - sorri. - ainda dá tempo de eu falar que você ficou com uma enorme dor de barriga e não vai poder ir. - ela riu. - não pai, não. - rimos. Um carro parou em frente a nossa casa... Um garoto desceu dele e Malu respirou fundo abrindo o portão. Fui até lá. - pai, esse é o Gabriel. - uma boa aparencia, não tinha cara de maconheiro mas eu também não tinha nessa idade. - tudo bem? Como vai o senhor. - esticou a mão a mim e apertei dando um sorriso. - bem obrigado. - é... Vou levá-la ao cinema, vamos decidir o filme lá e... Posso trazê-la às 22:30 se estiver bom pro senhor. - Malu e eu nos olhamos. - às 23h tá bom. - digo. - mas sem sair do shopping e precisam de dinheiro? - Gabriel riu negando. - ah não, que isso, trabalho e tenho o meu dinheiro. - trabalha no que? - sou o gerente de uma loja de eletrônicos. - ele coçou a nuca. - você não é rico? - concordou. - é mais... Depender dos meus pais não é algo que quero pra vida toda. - sorri. - bom garoto. - Malu sorriu. - então se divirtam, cuidado e não tirem as máscaras. - concordaram. Eles entraram no carro e não era Gabriel quem estava dirigindo, ainda bem, mas era um motorista. Sendo ou não verdade dele que ele trabalha, gostei dessa iniciativa, isso significa que ele vai correr atrás de seus sonhos cedo sem ter que depender de seus pais. Ótimo. Bom garoto. Henrique. Respirei fundo. Maria estava em um pequeno "treinamento". - olha.. - interferi. - não acho que isso seja necessário. - aquele homem se afastou me olhando. - ela... Não tem que pegar nisso. - olha Henrique, já entendi que você tá preocupado, já falou isso umas quinze vezes mas é necessário que ela saiba se defender. - deu a arma na mão da Maria. - a primeira regra que falei a ela e a você era: atirar se for necessário... Só se for necessário. - suspirei. - eu sei disso... - daddy tudo bem. - me tocou. - eu não vou fazer nada de errado. Contrai o maxilar. - tá bom, vamos voltar. - sai de perto. Estávamos em um quintal diferente, mas era no condomínio ainda, em uma área que estava em reforma, bem longe das casas. Eles montaram um enorme campo de ação. Maria precisa se defender pra caso de emergência. Como se algo fosse acontecer. - Henrique.. - olha não concordo com isso. - me alterei um pouco. - não vai acontecer nada... - então por que ela precisa atirar? - Melissa suspirou. - por que se caso acontecer. - olhei pra outra direção. - Henrique se acontecer.. - me tocou e olhei pra ela. - Maria vai estar preparada... Por que a conheço bem... Ela se entregaria fácil. - contrai o maxilar. - é perigoso. - digo. - por isso ela está treinando com um dos nossos melhores atiradores. - olhei pra lá e ele estava ao lado da Maria, um pouco atrás mas não a tocava além de segurar seu braço em baixo pra levantar mais pra cima. Maria atirou mais uma vez e ele parabenizou? Ele deus os parabéns? Fui me sentar, m*l, muito m*l com tudo isso. Porém Maria veio após um tempo e sentou no meu colo me abraçando. Abracei de volta, com bastante força. - meu deus tão te transformando em um monstro. - digo muito preocupado apertando ela ainda. - mais pelo menos vou conseguir te proteger. - riu mas eu não. Olhei pra ela. - isso é tão perigoso. - e eu já sei que não pode usar a arma em caso de não perigo, só quando for realmente necessário... - suspirei. - e também sei que é perigoso e que eu só posso carrega-la quando estiver alguém vindo e sempre mirar pra frente e cuidar bem. Ela ainda é uma criança! Uma criança com arma! - não sou a favor disso. - a encarei. - eu sei que não. - me deu carinho como se fosse tão natural tudo isso. Ok, eu tentei encarar mas não dava, tanto que implorei pra gente acabar logo com isso e a gente foi pra casa. Melissa tentava me dizer assim como aquele cara de olhos azuis, que isso não era perigoso. Eu ria internamente, como não? Maria com uma arma não é perigoso. Mas me fizeram entender que é apenas pra caso de emergência e a partir da semana que vem Maria começa a aprender a lutar. É como se algo fosse realmente acontecer, mas não irá como Melissa disse. - Henrique. - fechei a porta do carro e esperei por ela. - não vai acontecer nada. - é, eu tô tentando me convencer disso. - tá treinando ela como se tivesse uma grande guerra vindo aí. - digo com paciência mas bravo. - ninguém vai encostar na Maria e tirá-la daqui... Mas é importante ela saber se defender, não somente pra essas pessoas mas pra qualquer situação. - penso. - ela não falou de um professor que a tocou? - contrai o maxilar. - tô assim de não dar uma surra nele. - fiquei puto. - e pode... Saiba que vamos te dar cobertura. - falou e cogitei. - faça oque quiser só não mate ele. - era oque eu queria. - não pode transforma-la em um monstro. - Henrique não vou. - me tocou. - é p******o e estamos falando isso a ela, ela sabe disso. - trai o maxilar outra vez. - tudo bem? - concordei não querendo e fechei os olhos. - vem, vamos jantar. - me tocou no braço e fomos andando. Lá dentro Maria conversava com aquele cara... Sei lá seu nome. Ele mexia muito nos cabelos dela e eu reconheço esse tipo de cara, ele não era assim, mas eu não gostava. Subi pra ir ao banheiro e eu não concordava com nada disso mas não estamos fugindo de uma só pessoa, hoje pela manhã Melissa e eu conversamos, não é apenas aquela mulher maluca querendo as meninas, claro, ela quer mais do que todos, mas ela tem muitas pessoas ajudando ela nisso. Então eu até acho necessário Maria saber lutar... Mas não atirar. Ela já matou um homem. Maria já matou um homem! Isso é tão estressante. - daddy. - só um minuto. - fechei o zíper da calça e dei descarga, abrindo a porta do banheiro logo em seguida e já lavando as mãos. - tá tudo bem? - concordei com as mãos em baixo da torneira. - daddy... - tá tudo bem sim. - sequei na toalha. - só não acho que... - suspirei. - é uma arma, um objeto perigoso. - e eu não vou ficar andando com uma na mão. - ela não entende. - Maria. - fechei a porta e segurei seus braços. - não pode fazer tudo que te mandam, eles... Isso é uma arma, coisa que uma garota como você não deve tá andando com isso na mão. - a soltei. - só... Não faz besteira. - a encarei. - falando assim até parece que eu não tenho cabeça. - olhou pra baixo. - tu tem, e sabe disso. - peguei seu rostinho e nos encaramos. - só tô com medo. - mais não vai acontecer nada. - promete? - concordou. - prometo. - me abraçou e não a soltei. - quero aproveitar o dia com você, você vai embora em dois dias. - abracei mais forte. - tudo bem. - beijei sua cabeça e Maria quis fazer xixi. Esperei ela fazer e logo saímos do banheiro. Eu estava muito m*l, não sabia oque dizer além de ficar preocupado. Malu. Gabriel segurava minha mão, o shopping estava um pouco cheio e era melhor que a gente andasse junto. Por um segundo parecia que todos seguiam a gente. - qual filme vamos ver? - perguntou e sorri. - qualquer um é... Pode escolher. - tem um que eu queria assistir a um tempão e é bem o seu estilo. - sorri. - pode ser. - digo tímida. A gente comprou pipoca e refrigerante e Gabriel andou do meu lado. - tem um cara seguindo a gente a um bom tempo. - olhei pra trás mas tinha várias pessoas. - deve ser um pedófilo. - olhei pra frente. - será? Você acha? - deu de ombros. - quando eu saio com minhas irmãs sempre tem um. - engoli em seco com medo. - mais tô aqui pra te proteger. - sorriu e me senti melhor. Entramos no cinema e tinha algumas pessoas já sentadas na cadeiras confortáveis. Gabriel e eu ficamos um pouco mais a cima, mas não bem lá em cima, mas também ali não tinha quase ninguém. - aquele homem tá seguindo a gente. - olhei pra onde ele olhava. Era só um homem, nada de mais. - postura de mais... Parece até um motorista. - ri. - como assim? - digo. - ué, meu motorista é bem assim, fica nessa pose. - rimos. - mais também ele já serviu ao exército, acho que esse cara deve ser policial ou algo assim. - pensei, vendo o homem sentar perto de nós do outro lado... Sem pipoca ou refrigerante. Talvez ele não tenha dinheiro além da entrada. Mais em fim, o filme começou e começamos a comer... Em certos momentos Gabriel colocava a mão em mim, em volta do meu ombro e eu ficava tímida mas era bom, me sentia protegida e quentinha. Porém eu m*l prestava atenção no filme. Esse é o meu primeiro encontro, mais e se eu me sair m*l? Vi alguns tutoriais no YouTube, as meninas mandam a gente conversar, ou ser fofa, ou dão dicas de onde colocar a mão... Mais eu não quero toca-lo. Gabriel tem olhos azuis iguais os meus... Seu cabelo é ondulado e grandinho... Ele é muito lindo... Tenho vergonha de fazer qualquer coisa. Se eu pudesse fazer algo, seria me sentar de lado e ficar admirando toda a sua beleza, ele é perfeito. Mas também tenho medo de estar sendo chata, as meninas dos tutoriais eram chatas... Acho que no primeiro encontro não devemos partir direto pra parte de beijos ou... Safadezas. A gente tem que curtir e se conhecer melhor. Então foi oque decidi fazer, naquelas longas horas de filme. O filme foi legal e engraçado, a risada do Gabriel... A risada dele! Quando saímos eu tentei fazer de tudo pra ele rir de algo só pra eu ouvi-lo e consegui um pouco, mas aí ficou tarde e ele disse que não queria problemas com o meu pai e fiquei triste... Estava na hora de ir embora. [...] Dei um selinho no Gabriel e ele sorriu olhando em meus olhos, dizendo que a gente se vê na escola e pra falar a verdade eu até prestei atenção mas tinha alguém muito estranho atrás de mim. Tipo o meu pai, na porta, eufórico. Gabriel foi embora com seu motorista e fechei o portão trancando. - pai oque foi? - ele me chamou com a mão e me assustei, mas entrei. - oque aconteceu? - ele trancou a porta super rápido. - eu não sei... Tem alguém ligando. - me preocupei. Meu pai já teve um tumor no cérebro, que pensaram ser Alzheimer... E olhando pra ele agora, parece que ele tem Alzheimer... Sabe, quando a pessoa fica maluca.. - pai fique calmo. - o toquei. - eu ouvi a voz.. - de quem? - ele passou por mim. - pegue seu travesseiro e sua coberta, vai dormir comigo hoje. - subi as escadas atrás dele. - pai! - ele não me dava ouvidos. - quem?! - parou e fiz o mesmo, no corredor. - sua.. mãe. - meus olhos se encheram de lágrimas. - ah pai. - fiquei sentimental e fui até ele, o abraçando. - não fique assim, também tenho sonhos com ela. - ele me abraçou. - vai ver era coisa da sua cabeça. - era ao telefone. - tive um pouquinho de esperança de alguma coisa. - você pode ter ouvido errado, hoje em dia é normal a gente receber telefonemas por engano. - sai do abraço. - e mesmo assim, minha mãe não pode te assustar. - digo isso por que ele estava aflito. - mais pode te tirar de mim. - ri. - pai isso é loucura. - passei por ele indo pro meu quarto. - vai dormir que eu também vou... Ah! O filme foi demais. - digo contente. - e... Tive o primeiro beijo. - coloquei o cabelo atrás da orelha. - ele tocou em você. - fiquei tímida. - pai... Sim... Quer dizer... Não dessa forma. - ri mais parei. - então se divertiu? - concordei animada. - muito! Ele é demais. - eu estava tão feliz. - vou tomar banho e ir dormir... Aqui no meu quarto... Mais se você estiver com medo de dormir sozinho posso ir dormir com você... Mais você ronca pai. - ri e ele fez o mesmo. - tudo bem, durma no seu quarto mais... Eu não sei oque deu em mim. - passou as mãos no rosto. - isso pode ser saudade, quer dizer, você nunca me disse como era a relação sua com a mamãe. - ele ficou um pouco sério e pensativo. - eu não a tratava bem. - oh.. - fiquei surpresa. - você... Batia? - tirei o casaco e ele entrou no quarto. - talvez... Quer dizer... Boa parte da memória foi embora com o tumor mas oque me lembro é só partes ruins. - fiquei m*l. - mais tenho certeza que ela te amava. - ele sorriu. - eu acho que não... Mais eu a amo. - sorri indo até ele. - a gente te ama pai, eu, Mari, Maria e a mamãe. - nos abraçamos e acho que esse abraço foi muito necessário pro meu pai. Ele não me soltou até que eu começasse a rir e ele também. Foi quando ele me deixou ir pro meu banho e foi dormir, dizendo pra eu o chamar qualquer coisa... Mas ele diz isso todas as noites e quando é sexta e não tem aula no outro dia, ele me acorda pra gente fazer algo pra comer e é muito divertido. Então caso eu acorde mais tarde será pra ir comer de madrugada. Fui pro meu banho e não parei de pensar no Gabriel e ao mesmo tempo na minha mãe. Ela deve ser perfeita... Deve cheirar tão bem... Quer dizer... Devia ser perfeita e devia cheirar tão bem. Te amo mãe, onde você estiver eu penso em você.
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