[...]
- daddy! - acordo assustado.
- que foi? - ela só tava sentada na cama.
- já é noite. - d***a. - você dormiu de mais. - ri me deitando novamente.
- eu? Por que se tu também dormiu? - deu de ombros.
- agora não vamos dormir a noite. - isso é verdade.
Suspirei e bocejei.
- sonhei que você tava abraçado em mim e aí você se virou pra ponta e tinha outra mulher. - comecei a rir, de olhos fechados.
- por que? - abri os mesmo por fim e assim que ela começou a falar me sentei na cama.
- não sei, mais você ficou bem abracadinho nela e esqueceu de mim. - apertei sua bochecha.
- meu deus. - logo puxei ela pra mim. - ciumenta até no sonho.
- essa mulher era Cheli. - desfiz o sorriso.
- nem se me pagassem. - soltei Maria.
- mais ela é...
- alguém que te fez m*l.
- mais da pra sentir t***o.
- Maria Clara... Menos. Não tem como sentir t***o, não no meu caso, ainda mais por ela, que quase me fez te perder. - me levantei. - nem se me pagassem pra fazer algo. - segui pro banheiro.
- me espera, tá escuro. - esperei e fomos pro banheiro.
Fiz xixi, Maria também e escovamos os dentes.
Ela ficou lá escovando por mais tempo, fiz isso bem rápido pra falar a verdade.
Fechei a porta da sacada, já tinha mosquito e tava bem fresquinho.
Lennon ainda dormia na cama e Lily e Luna estavam no chão. Ainda quase pisei na pata na Lily e xinguei ela, Maria ficou brava.
- amor. - a gente descia as escadas.
- ela é um bebê daddy. - estava com a gata no colo andando na minha frente.
- eu não bati nela.
- você deu um chutinho. - ri.
- correção, eu empurrei com pé por que eu quase caí por causa dela. - descemos lá em baixo. - desculpa.
- então dá um beijinho. - esticou a Lily pro alto até mim e ri, ela tava toda fofinha e era tão tão tão baixinha.
Mas beijei Lily na cabeça.
- amor.. eu não bati nela.
- eu sei. - riu. - mas não pode chutar e nem empurrar com o pé. - que menina meu deus.
Minha mãe não estava e Pedro falou que ela saiu com Caio pra jantar... Ok. Em cima disso Pedro disse que era pra pedir algo pra comer ou se não tinha bife no congelador.
Mas também demoraria muito pra descongelar e preferi pedir... Maria claro, fez a festa.
...
- boa noite. - digo, cobrindo Maria na cama.
- você já vem? - disse bem baixinho.
- uhum, só vou fazer uma coisa. - me deu um beijo após me puxar pro seu rosto.
- deixa a luzinha ligada? - concordei.
- deixo meu amor. Dorme... Hum? - dei carinho nela. - tá bom? - ela concordou.
- te amo. - dei um beijo na sua testa.
E assim que sai do quarto após deixar a luzinha de unicórnio ligada, Maria se crudou no seu unicórnio de pelúcia e dormiu.
Unicórnios.
Mas oque eu tinha a resolver, era sobre a mãe da Maria, quem em meio ao jantar mandou tantas mensagens, o celular vibrou tanto, eu não sabia nem como parar de pensar no que poderia ser.
Maria Clara.
Estava bem chateada.
Já era 10h e eu estava em casa e daddy saiu.
Ele foi trabalhar e não me levou pra escola!
Que ódio!
- sai, tô muito p**a Luna. - Luna estava pulando pra cima enquanto eu andava. - Luna sai!... Aaaaaa! - e eu caí. - você é muito chata, você e o daddy, hoje eu tinha aula! - comecei a chorar de ódio ainda no chão. - sai, eu não te odeio mas agora eu te odeio... Mais de mentirinha. - me levantei e ela ficou me cheirando.
No banheiro eu me obriguei a tomar banho e quando sai, ainda p**a e mais ainda por que a Luna comia papel higiênico e eu não peguei toalha, peguei a do daddy mesmo e segui pro quarto irritada.
- sai daqui Luna, você tá muito má. - abri a porta e ela saiu correndo, acho que era isso que ela queria... - Luna. - chamei mais ela já tinha ido. - eu não te odeio. - ela não entendeu mas isso aliviou um pouco.
Fechei a porta e procurei por algo.
Você não quis me levar pra escola daddy? Então não vem me xingar pelos meus vestidos curtos por que eu vou usar sim!
Me vesti com um e coloquei uma calcinha rosinha com flores que não ficava dentro da b***a. Ela cobria bem meu bumbum e era um pouco apertada.
Coloquei meu chinelo holográfico aaaaa!
Mais ele não combinava com o vestido preto mas mesmo assim eu coloquei.
Arrumei o cabelo, escovei os dentes, passei só um corretivo por que eu queria tirar foto mas depois eu fiz um delicado e passei blush e o gloss por último.
Desodorante como sempre, remédio matinal como sempre, perfume, peguei meu celular e desci.
(7) mensagens não lidas.
Amor, o daddy teve que sair correndo.
Hoje vai ser um daqueles dias que eu nem sei se volto pro almoço.
Vou almoçar aqui mesmo.
Se eu te levasse pra escola seria bem mais cedo que o normal.
E depois eu não ia conseguir te buscar.
Eu ia ficar muito preocupado.
Desculpa tá?
O bom é que já estende sexta, sábado e domingo em casa.
A última frase me deixou "feliz".
Eu tinha sete mensagens não lidas mas eram sete conversas. As outras eram dois grupos, Becca, Malu, Karla, o daddy e Bia dizendo que não tinha oque comer.
Então eu desci, deixando todo mundo no vácuo, quer dizer, vácuo não, eu não cheguei a ler apertando na conversa e sim por cima na barra de notificação.
- nossa tu dorme. - disse Bia, secando os pratos. - a louça era de nós duas mais tu não acordou. - ri.
- cadê Pedrinho?
- aff deixa o Pedrinho. - riu. - hoje eu grudei ele pelos cabelos. - arregalei os olhos. - calma, ele me chamou de lésbica fedida, aí eu esfreguei aqueles cabelos sedoso dele. - comecei a rir.
- tá, e tem oque comer? - ela revirou os olhos.
- agora que dona Cristina tá andando mais com o namorado, ela esquece da gente.
- mais sabemos cozinhar.
- mais o Henrique trabalha e a gente não sabe fazer compras... Só compra de doce. - começamos a rir por que realmente, gastamos muito.
- e vamos fazer oque? - deu de ombros.
- não sei, podemos pedir. - ela guardou a pilha pequena de pratos sobre o balcão e quando voltou passou o pano no mesmo. - oque quer pedir? - dou de ombros.
- daddy vai xingar se a gente comprar besteira. - ela pensou.
- daddy que vá a m***a, eu quero muito comer pizza. - ela disse daddy.
- de dia? - deu de ombros.
- ué, o gosto é o mesmo. - refleti.
É verdade.
O gosto é igual!
Minha vida é uma mentira! As pessoas dizem que pizza só se come a noite.
Mais o gosto é o mesmo!
- aí já peço açaí... - ela começou a fazer uma dancinha e a morder o lábio.
- tá bom, quero. - fiquei animada.
E lá foi ela pedir e eu fiquei mexendo no celular.
Alguém me deu "oi" no insta, essa pessoa tinha foto de anime no perfil e a conta privada. Eu segui pra ver quem era mas ela não me aceitou ainda.
Dei oi também, mas não ganhei retorno e não aparecia a última vez que a pessoa entrou ali.
Mais em fim, pode ser alguém da escola.
- aff, hoje eu tinha jogo que ódio. - Pedro apareceu do quarto e olhei pra ele. O cabelo todo pro alto e o short lá em baixo mostrando a cueca azul marinho. - Henrique não podia levar a gente não? É no caminho, que ódio. - é, eu não pude defender o daddy diante disso, ele realmente deveria ter levado a gente.
Pedrinho bebeu suco direto da caixa e Bia xingou ele, mais ele nem aí pra ela.
Dei sachê de carne pra Lily e pro Lennon e Luna não quis. Mais os três tinham ração nos potinhos, que daddy da toda manhã.
Bom, ao menos ele não se esqueceu de alimentar seus filhos.
O interfone tocou e Bia foi lá pegar oque era provavelmente a pizza e vi ela com o cartão de crédito da tia Cris, que ela pegou depois de sair do quarto da mesma.
Isso não vai dar bom.
- pizzaaa. - digo eufórica.
- e açaí. - disse ela toda feliz.
Fomos pra mesa.
Refrigerante tinha pelo menos e eu peguei junto com os copos e Bia os pratos.
- olha só... - começou ela.
Peguei um pedaço da de calabresa e a de queijo com presunto.
- hoje eu acho que Henrique não volta pra casa. - meu coração acelerou.
- volta sim, ele sempre volta.
- você vai dar um jeito dele não vim. - não falei nada. - Maria, hoje é sexta, minha mãe não vai voltar pra casa.
- e o que tem? - Pedro se sentou na minha frente enquanto Bia estava no lugar do daddy e eu no meu de sempre.
- aff Beatriz, tu inventa moda e vai sobrar pra eu e a Maria. - disse Pedro comendo.
- agora deu pra ficarem um do lado do outro? - disse ela. - qual é gente, podemos dar uma festa. - festa?
- fe-festa?
- é Maria fe-festa. - me sacudiu. - Luh vai vim, Pedro chama Becca, você chama... Sei lá, aquela sua amiga Karla? Chama sua irmã também. - engoli em seco.
- a gente não pediu a permissão do daddy.
- aff Maria, tudo é o daddy que manda... f**a-se o daddy, a casa não é sua também? Você tem que parar de obedecer ele em tudo. - fiquei m*l.
- mais é o daddy que manda. - falei triste.
- mais você já é grande.
Eu sei disso, mais é o daddy quem manda!
E gosto assim...
Enfim, comemos, eu em silêncio ouvindo Bia "planejar".
"Nossa vou pedir pro Ferraz trazer as bebidas, mais provavelmente todo mundo vai trazer".
"Já até tô vendo um restaurante pra trazer comida, se não todo mundo passa fome".
Daddy vai me bater.
Então quando terminei de comer a pizza eu subi com meu açaí e meu celular.
Bia e Pedro ficaram mas logo depois Pedro foi jogar e Bia estava "preparando" tudo.
Isso vai dar uma m***a federal.
No quarto eu tentei de todos os jeitos ligar pro daddy, a mensagem nem ia, eu acho que ele tá em reunião.
Mais já deixei escrito "daddy, Bia vai dar uma festa, não me deixa aqui sozinha".
Eu posso até ser dedo duro mas Bia tem 19 anos, então seus amigos devem ter de 16 anos até uns 25, se não pra mais disso.
E onde eu vou ficar? Eu tô com tanto medo.
Mais, ainda era muito cedo pra pensar nisso e fui estudar.
Eu precisava organizar o jornal.
Se essa primeira semana de aula já foi puxada, a segunda é pior ainda.
Ainda mais com o time de cheelearders no meu pé, o reforço, jornal, atividades extracurriculares e provavelmente supostos testes de algumas matérias e preciso estar preparada.
Então estudei pra tudo e fui pro escritório do daddy imprimir algumas coisas pro jornal, ficou bem bonitinho por que eu escrevi no w*****d e lá tem opções de letras, mas também peguei uma fonte no Google e coloquei uns emojis diferentes que eram só pra enfeitar o começo do texto.
Aí imprimi e deixei tudo organizado na pastinha.
Ah, tranquei a porta do daddy, eu tenho certeza que essa festa vai acontecer.
Henrique.
Estava sentado sobre a cadeira atrás da minha pesa pensando.
Fiquei um bom tempo com a mão na boca tentando entender o que se passou em 2 horas de ligação com Melissa.
"Álvaro me estuprou, tire Maria de perto dele!".
"Qual das duas é aquela... Quem é aquela que estava com a Maria. Henrique preciso saber".
Ela disse tantas coisas, tantas coisas que m*l faziam sentido.
Melissa "abandonou" Maria por amor. Digo entre aspas por que ela abandonou Maria em minhas mãos, ela sempre soube que Maria estava bem.
E mesmo ela sendo a mãe da Maria, ela não tem mais essa bola toda pra mandar na Maria, eu não vou deixar.
Tirar ela de perto do Álvaro? Alguém que melhorou, que mostra amor e que cuida da Malu tão bem? Que nunca deixa nada faltar pra elas?
Como vou obedecer a uma ordem vinda de alguém que reaparece do nada, do nada mesmo, por que esse ano? Por que não no ano passado? Ou por que não no ano que vem? Ou quando Maria mais precisou?
Oque fez ela vim agora, agora que Maria nem a quer por perto.
Maria vai sofrer, ela já faz isso em silêncio.
Tenho medo de perde-la. Pelo que ouvi, Melissa quer Maria de vez.
"Eu agradeço por cuidar dela esses anos todos, mas eu sou a mãe dela".
Era como se eu fosse aquela vizinha que cuida do filho de alguém enquanto essa pessoa trabalha.
Mas eu sou o namorado da Maria, noivo dela, vamos casar, vivemos juntos a tantos anos e já temos a nossa vida.
Maria vai se formar na escola, ir pra faculdade, depois vamos casar e aí tudo vai começar, teremos filhos, vou começar uma casa do zero por que quero do jeitinho que ela quiser e farei todo o necessário pra vê-la feliz, só que aqui, aqui comigo. Do meu lado.
Alguém bateu na porta mas não prestei atenção até essa pessoa entrar.
- senhor Maciel. - era minha secretária.
- sim. - me levantei assutado.
- o senhor ainda vai participar daquela reunião? - nossa, me esqueci.
- que horas são? - eu procurei pelo meu celular, não estava usando relógio hoje, vim atrasado já.
- 19:40. - d***a.
- você vai ter que remarcar, tenho um compromisso urgente. - compromisso esse com Melissa.
- tudo bem. Mais não quer que outra pessoa fique no seu lugar? - neguei guardando minhas coisas.
- não, só remarca pra mim pra segunda-feira. - concordou.
Quando ela saiu eu já estava com minhas coisas em mãos e sai da empresa rápido.
Foi aí que liguei o celular, havia desligado mais cedo pra entrar em um reunião que já estava sendo remarcada a dias, creio que essa que deixei pra segunda, vai acontecer igual a outra, vou indo remarcando, remarcando até esquecer completamente dela.
Maria ligou diversas vezes, nossa, me preocupei.
Retornei a ligação mais nada, aí rolei as mensagens e tinha muitos áudios.
Esperei no estacionamento enquanto ouvia os áudios pra não dar m***a no meio da estrada.
"Daddy você vai vim? Por favor".
"Daddy eu não sou dedo duro mais a Bia tá pensando em fazer uma festinha".
"Pedrinho disse que chamou Becca e Karla e não quis chamar a Malu por que ela ia falar pro meu pai".
Ai ela demorou um bom tempo pra mandar mensagem novamente mas mandou mais áudios.
"Daddy tô com medo e com fome e já tem muita gente aqui em casa".
No fundo do áudio ouvi uma música, era funk.
Que ódio da Beatriz.
Quando faz as coisas certo a gente elogia e da os parabéns e escuta dela que ela é responsável, aí na hora de fazer essas merdas a gente xinga e ela quer vim pagar de adultinha dizendo que ninguém pode mais mandar nela.
E se for necessário Beatriz vai apanhar tanto de mim. Se algo acontecer com Maria principalmente.
Tentei mais uma vez ligar pra Maria mas nada, ela não atendia e liguei pro porteiro.
Pedi a ele pra que acabasse com a festa e ele foi lá, me retornaria assim que voltasse.
Fui pro meu compromisso com Melissa.
Mais um jantar com ela.
Mas dessa vez eu não queria ouvir da sua boca que Maria era sua e que ela tinha direito.
Sumiu por amor? Pra protegê-la por que tinha gente atrás delas? Ok, mais não volta dizendo que tem todo o direito sobre a Maria como se Maria fosse um bebezinho.
No sinal vermelho o porteiro disse que tinha acabado com a festa, eu não sei como mas fiquei aliviado. Porém Maria ainda não me retornou a ligação e nem viu a mensagem.
Cheguei no restaurante.
Estava meio cheio, utilizei a máscara até chegar na mesa que pedi e assim que me sentei tirei a mesma. Nada da Melissa ainda e tentei mais vezes ligar pra Maria, ela não via as chamadas.
[...]
Maria Clara.
Eu usava pijama, por que eu não ia participar da festa lá em baixo. Porém Becca e Karla me convenceram mas eu não troquei de roupa.
A casa é minha.
E com meu chinelo holográfico, pijama e com muita vergonha, fiquei com dor de cabeça já no começo das escadas por que o som da música tava auto.
Músicas feias de funk que só diziam m***a como sempre.
Luh me viu e ela tava... Com maconha?
- oque é isso? - digo alto.
- relaxa, é só fumaça. - ela levou até mim mas desviei. - não tem maconha Maria, isso se compra ali na esquina em qualquer lugar. - olhei e ela demonstrou, sugando o negócio e depois soltando fumaça pela boca.
Parecia um esqueiro, e era verde.
- experimenta, juro que não faz m*l. - e eu fui convencida.
Levei aquilo na boca e suguei bem pouco e comecei a tossir a fumaça.
Mais não tinha gosto r**m de maconha... Tinha gostinho bom de hortelã.
- viu, mó bom. Esse é de hortelã e limão. - eca, mais bom.
E fiquei com ela enquanto via Bia lá fora descer até o chão.
Por sorte daddy colocou uma lona na piscina, não tinha como entrarem, ao menos se tirassem.
Meu parquinho estava cheio de meninos grandes e pesados.
- Pedrinho, Pedrinho. - chamei ele.
- ahn? Cadê a Becca? - dei de ombros.
- olha lá, eles vão quebrar meu parquinho.
- relaxa Maria, aquilo é forte pra umas cem crianças. - ele ia saindo.
- não... Por favor. - segurei ele.
- aff, tá legal.
Pedrinho saiu pra rua e fiquei olhando lá da cozinha.
Pedrinho disse: "ô! O parquinho é da minha irmã e meu irmão é capaz de ir atrás de quem quebrou, é melhor descerem".
Ele foi normal e assim que algum deles disse "tá suave, calma aí"... Pedrinho ficou puto e mandou todo mundo descer ameaçando.
Mas todo mundo desceu.
Ebaaa.
Depois enchi Pedrinho de beijos. Ele não gostou hihi.
Peguei um suquinho na geladeira e... Arregalei os olhos.
Cadê as coisas daqui? Tipo... Os iogurtes, os doces que sempre tem, os refrigerantes, a água com gás do daddy!
Meu deus.
Comecei a ficar desesperada e fui até o meu armário...
Sem lanche da escola.
Bia tava passando.
- Bia. - chamei e ela veio, rindo por que estava com alguém.
- ahn? - disse ainda com um sorriso.
- cadê nossa comida? - ela desfez o sorriso e deu de ombros.
- ué, eles devem ter comido, relaxa aí Maria. - alisou meu cabelo e logo saiu com sua bebida na mão.
Comecei a chorar, daddy vai bater em nós três, eu sei que vai.
Subi pro meu quarto e abri a porta com a chave que estava comigo o tempo todo.
Não sei onde tá Bia, não sei onde tá Becca, Pedrinho e nem Karla.
Peguei o celular e não tava pegando a internet, deve de ter um monte de gente usando ao mesmo tempo, como vou ver a mensagem do daddy? Eu não tenho créditos. Aaaah.
Me encolhi na cama odiando o som que ouvia e me preocupei com meu quarto, a esse ponto tem alguém lá dentro.
Daddy vai me bater tanto, e mais ainda na Bia.
Aí ela e Pedrinho vão chorar e falar que daddy não ama eles mas ele merecem. Não podem fazer isso sem permissão, mesmo sendo adolescentes ou semi adultos.
Bia é semi adulta, mas ela não mora sozinha e a casa não é dela.
Em pouco minutos a campainha tocou freneticamente, o som foi baixado e olhei pela sacada. Era o porteiro.
Quem foi atender foi Bia e ouvi as palavras "hoje não é dia de festa, peço que abaixei o som ou que acabem com a festa".
Foi oque ele disse e Bia falou:
"Ah me desculpa, vamos abaixar o som, estou com alguns amigos, comemorando uma data especial".
Bia foi desonesta! Ela mentiu!
E quando voltou pra dentro e o porteiro foi embora, o som ficou baixo mas ainda sim alto.
Quando daddy chegar, ele vai bater na gente tanto.
Eu já até consigo sentir a dor do chinelo dele na gente... Ah! E se for o sinto?!
Daddy deve estar usando um! Vai ser a primeira coisa que ele vai pegar!
Comecei a chorar com medo.
E esse choro me deu sono e acabei dormindo.
[...]
Escuto um grito tão alto, não era alguém com medo ou um grito após algo cair no chão... Era um grito de uma voz masculina mas não consegui decifrar oque ela dizia.
O meu quarto tava todo escuro, me cobri rápido com medo mas quando ouvi "que p***a Beatriz!"... Soube na hora que era daddy.
Me agarrei no meu unicórnio e fechei os olhos descendo da cama até o abajur do daddy, aí liguei, abri os olhos e liguei a luz.
Depois desliguei o abajur por que era desnecessário e calcei meu chinelo ouvindo mais gritos do daddy e agora a voz da Bia pedindo desculpas.
Abri a porta e daddy continuou, andei lentamente pra fora do quarto indo pras escadas.
- o tanto que digo, o tanto que peço... Hoje é sexta Beatriz, só queria chegar em casa, descansar... Quem te deu essa ideia maravilhosa de fazer uma festa?... Em p***a tô falando contigo! - fiquei com medo.
- eu já sou adulta Henrique.
- ah mais não é mesmo, adulto tem responsabilidade! Adulto não pega o cartão da própria mãe pra ficar fazendo festinha.
No fundo, no fundo sentia daddy sendo o homem mais m*l do mundo, mas ele tinha razão.
Eu avisei Bia e ela sabia que não podia, e ainda por cima ela mentiu pro porteiro.
Então Bia errou.
- olha... Vou cortar cartão de crédito, mordomia...
- por que? Por causa de uma festinha?!
- é Beatriz, uma "festinha". - ironizou. - os vizinhos reclamaram, vou ter que pagar uma multa pro condomínio... Ou vai ser tu, tu vai pagar? Vai sair do teu bolso? - ela não respondeu. Desci as escadas.
- daddy... - ele estava em pé em frente ao sofá e Bia e Pedrinho estavam ali, sentados.
- volta pro quarto Maria... - ordenou mas fiquei intacta.
- mais..
- Maria melhor voltar. - disse Pedrinho. - se não até tu vai entrar na história.
- não ela não vai.
- claro, só a gente erra. - Bia cruzou os braços se atirando pra trás no sofá.
- oque que tu fez de errado Maria? Em? - eu não soube oque responder. - não foi ela que chamou os amigos pra cá.
- mais ela tava junto, se um leva bronca, todos levam. - daddy ficou furioso.
- pro quarto Beatriz, agora. - daddy disse paciente. - acabou tudo, tudo que te dou não vou mais dar nada. - Bia se levantou e saiu andando pro quarto. - vai tu também Pedro. - Pedrinho também foi.
Daddy suspirou.
- daddy... - ele subiu as escadas passando por mim.
Fui atrás.
- vai falar que tô sendo m*l? Devo tá mas não pode dar festa no condomínio dia de semana, se tivessem me pedido, me falado tudo direitinho eu teria deixado. - fiquei quieta atrás dele. - e tu? Por que não atendeu o celular? Onde tava? Bebeu? Fumou? - daddy se virou pra mim e mexeu no meu olho.
- ai. - reclamei.
- fumou Maria Clara? - neguei rápido. - alguém tocou em ti? Alguém te tratou m*l? Alguém tentou algo? - neguei enquanto ele falava.
Daddy suspirou.
- você vai bater neles? - deu um leve sorriso e me tocou, ainda no corredor do nosso quarto.
- não meu amor... Mas quando cheguei e mandei todo mundo embora, só vi gente maior de 18... Tudo dentro da nossa casa onde tem nossos pertences, nossas coisas... São pessoas que não conhecemos. - daddy foi andando.
Aprendi uma coisa: não convidar pessoas desconhecidas pra sua casa.
E se eles tiverem uma arma?!
Aí meu deus!
Já no quarto eu fechei a porta atrás de mim e vi daddy tirar os tênis e logo depois a camisa.
Ele estava bravo mesmo, ou melhor, ele ficou bravo mesmo. As veias dos seus braços estavam visíveis e as do seu pescoço também.
- ficou o tempo todo aqui? - concordei pra ele. - comeu? - neguei, ainda abraçada ao meu unicórnio. - que foi?
- é que você tá bonzinho. - daddy respirou fundo.
- vou começar a tratar as coisas de outra forma a partir de agora, mas deixa eles vim me pedir algo... Poxa por que não pediram?
- mais você não ia deixar.
- amor. - me olhou. - eu ia sim, não esse fim de semana por que tô muito cansado, mas se tivesse me pedindo com antecedência, eu até teria comprado bebida, pedido algo... Beatriz sempre foi assim, quando ela não saía de madrugada escondido pra ir pra festa, ela dava festas escondido em casa. - daddy pegou nossas toalhas. - vem toma banho.
- eu já tomei.
- tá, então eu vou tomar um bem rapidinho. - concordei e me sentei na cama.
Daddy foi pro banheiro e eu fiquei pensando.
Tá, se daddy ficou bravo por que tinha uma festa aqui em casa... E ele tá cansado por que trabalhou até tarde... Oque ele ficou fazendo no trabalho? Até essa hora?
Não pode mandar emails tarde pra uma pessoa, nem ligar.
A calça do daddy começou a vibrar do meu lado.
Mais era o celular.
Peguei.
Número não salvo e sem foto mandando mensagem.
Henrique tudo que conversamos hoje, eu sinceramente quero me aproximar, me dê uma chance, me deixe provar que posso mudar... Me dê ela... Ela tem mãe Henrique e eu sou a mãe dela...
Comecei a respirar ofegante do nada, e assim como o unicórnio, o celular do daddy também caiu do chão.
Mas o tapete amorteceu a queda.
Mi-nha mãe? Ela vai me... Tirar do daddy?