226° capítulo

4786 Palavras
Maria Clara. - essa ficou boa? - ela disse de m*l jeito e me olhei. - acho que... Tá meio justa. - me sentia exposta. - mais é assim que precisa ficar, largo você só ficará puxando pra cima e não temos tempo pra ficar ajeitando roupa. Esse é o tamanho único pro seu tamanho. - respirei fundo. - Cheli... Não quero ser assediada. - digo ainda dentro da cabine do vestiário. Ela suspirou. - você não vai.. calma. - de alguma forma senti simpatia por ela. - deixa eu ver. - respirei fundo e abri a porta. Cheli me olhou de cima a baixo e deu um leve sorriso. - ficou bom... Olha como tá bom. - saiu da frente do espelho na parede a minha frente. Minhas pernas estavam expostas, minha b***a naquela saia... Mesmo com short... Aaaah. - sua barriga é bonita, ao menos isso. - disse ela. - é opcional deixar o cabelo amarrado ou não, mas na apresentação não pode ter ele no rosto, você prende com uma presilha pra trás e deixa o resto solto se quiser, se não... Use isso no r**o de cavalo. - me entrou uma fitinha da cor do uniforme de cheelearders. - e ponha isso no pulso. - pegou minha mão me dando uma pulseira da mesma cor também. O uniforme era em duas cores apenas. - Micheli. - me olhou e soltou meu pulso. - é uma troca. - digo com medo. - só nesse jogo... E se necessário, só se for necessário, no campeonato. - concordei. - vamos. - deu as costas e saímos andando. Meu short... Meu bumbum ficava tão exposto. Eu me sentia quase nua. Parecia que eu estava andando de biquíni na escola e ele não era tão curto pra falar a verdade, mas era aquele tipo de roupa que você não deve usar na escola. Parecia um dos meus pijamas curtos. Sentia que estava errada, a escola serve pra você vim estudar e aprender e não ficar com essas roupas... Eu não sei. Não sei, não me sinto bem. - tá... Vamos alongar gente. - chegamos no gramado. As meninas me olharam. - uau Maria. - você tá linda. - ficou bem justo em você. Exato, bem justo. - meninas... Não temos tempo. - Cheli interferiu e preferi assim. No chamado, do outro lado, víamos o time de futebol inteiro jogar. Entre eles, Pedrinho e eu não sabia que ele entrou pro time. Todos eles olhavam pra gente. Em certos momentos, quando assoviavam, ouviamos elogios que faziam as meninas rirem com vergonha e Cheli dar alguns sorrisos falando pra gente não ligar. E eu? Péssima. Alguém gritou meu nome, logo depois... "Cê tá linda!". Quando olhei, mesmo com medo, vi Pedro entrar em uma briga com... CD. Cheli me olhou. - não liga. - fechei os olhos. - eu não consigo Cheli. - é só não ligar e.. Ouvimos o som do apito e um grito algo e grosso do treinador. Eu não achei que fosse tão r**m assim. Pedrinho estava com a testa sangrando e CD com o nariz coberto de sangue. Só ouvi "vocês estão loucos? Perderam a cabeça? As meninas nunca podem treinar que vocês já ficam assim? Bando de animais. Diretoria, agora!". Acompanhei com os olhos e fiquei preocupada. - aff, eles estragam tudo sempre. - disse Cheli. - eu preciso ir, me desculpem, amanhã eu volto. - eu saí correndo e mesmo ouvindo meu nome não olhei pra trás. Segui Pedrinho. - Pedro. - quer ela? Então fode ela. - disse CD, parecia uma criança. - ela é minha irmã seu filho da p**a. - ele partiu pra cima dele, já estávamos dentro da escola, no corredor. - Pedro! - tentei separar mas levei uma cotovelada mas não doeu. - repete! Repete! - Pedro estava com o joelho no seu pescoço mas CD pediu desculpas e Pedrinho saiu de cima dele. Comecei a chorar. - para com isso! Você vai se encrencar. - digo. - não preciso de alguém pra me defender Maria, assumo minhas merdas e se for necessário m***r esse m***a eu mato! E a discussão começou, enquanto andávamos. Parecia o daddy... São iguais! Pensam iguais! Matar... Que i****a. E o caminho todo até a sala da diretora foi isso, eles se xingando e eu pedindo pra parar mesmo sendo em vão. Naquele momento não pensei em como era r**m ficar perto de CD... Mas quando chegamos na sala de espera fora da sala da diretora, CD olhou pra mim igual olhou quando me empurrou. Aquilo me deixou com tanto medo, seu olhar era como "vai pagar por tudo que fez". Mas ele também olhava pro Pedrinho dessa maneira. Enfim, diretora chamou, o sinal tocou e eu ainda estava ali sentada esperando que eles saíssem da sala mas não fizeram isso. - oi, você não tem que estar na aula? - a voz gentil da tia da secretaria ecoou naquele lugar vazio. Olhei pra ela. - que horas são? - ela olhou em seu pulso. - 9:52. - d***a. Me levantei. - desculpa e obrigada. - eu saí correndo. Matemática. Matemática. Matemática. Oh meu deus! Peguei o livro no meu armário após colocar a senha errada sete vezes, mas consegui e fechei e sai correndo. A porta estava fechada. Bati. Após uns cinco segundos o professor abriu a porta. Seus olhos percorreram meu corpo inteiro... De outro jeito. - atrasada por que? - eu.. - com uniforme de cheelearders por que se na aula passada reclamou dele?... E por que tá chorando? - olhei pra baixo e limpei o olho. - entre. - ele abriu espaço... Mas muito pouco. O toquei e odiei. Mas me sentei no meu lugar de sempre. - como eu ia falando, teremos esse teste na semana que vem, na quarta. Os alunos que estiverem no reforço ganharam um passe livre a mais para tirarem notas boas, até por que eu estarei lá pra ensina-los. O reforço... - copiem o que está no quadro e isso aqui... - foi até o mesmo. - sublinhem com marca texto ou caneta de outra cor, mais quero bem visível no caderno. Vou passar pra ver se fizeram como mandei. - peguei meu caderno. Na verdade tudo que estava comigo era o livro de matemática, caderno de matemática e quatro canetas: rosa, roxa, verde e azul. Todas em cores lindas e não aquelas feias que ele diz ser a correta. Quando terminei de copiar ele começou a passar nas mesas pra ver, mas não falou nada após ver meu caderno. Seu notebook estava sobre a mesa aberto e eu sinceramente? Queria ver oque tinha ali. E após um longo tempo já estava pertinho do intervalo. Todos os alunos estavam distraídos com tudo e alguns já estavam saindo. - alguém pode apagar o quadro pra mim? E podem ir saindo. - me levantei, fechando o caderno e livro. Porém ninguém foi até o quadro, me senti m*l. Ele estava no fundo da sala mexendo em um armário. Revirei os olhos e fui até o quadro, com meu caderno e livro nas mãos e as canetas grudadas pela tampa no meu caderno. O apagador estava sobre a mesa, precisei largar tudo ali e ele estava sendo impedido de me ver pela porta do armário. Sobre a mesa o notebook aberto... Gente... Estava nos arquivos, sabe? Pastas. Turma 91. Turma 92. Turma 101. Turma 102. Turma 201. Turma 202... Essa é a minha. Mais... Vídeos 1. E a foto da pasta tinha uma barriguinha de tanquinho cheia de tatuagem e não deu pra ver mais do que isso... Mas parecia um nuds. Enfim, apaguei o quadro todo e peguei meu material. Eu não queria falar com o professor, mas ele me chamou. Esperei ele fechar a porta do armário e trancar. - seu responsável está ciente do reforço? - penso, daddy negou isso pra mim. Só balancei a cabeça. - ótimo, e caso ele ou ela, creio que seja sua mãe, estejam com dúvidas, não será só você em uma sala de aula comigo, há muitos aqui que precisam de uma boa disciplina. - concordei novamente, mas um pouco mais fraco. - já pode ir, obrigado. - de nada. - sai andando... Provavelmente ele ficou me olhando. Guardei tudo no meu armário e peguei dinheiro dentro da minha mochila, que estava no armário. Uma nota de cem por que era oque eu tinha. Coloquei ela no mini bolsinha da saia, quase que despercebido ali e segui pro refeitório. Não tinha nem Malu, nem Karla, Pedrinho ou Becca. Eu estava sozinha. Onde eles estão? Bom, Pedrinho eu até imagino. E andando pra dentro do refeitório, até mesmo as meninas me olhavam. Me sentia nua, desfilando pra tantos olhares críticos. Ouvia assovios, palavras obscenas, adjetivos comuns e duas vezes alguém disse "opa, desculpa", e ao invés de não me tocar mais já que falou isso após esbarrar em mim, não, a pessoa tocava minha cintura como se fosse uma desculpa pra sentir o meu corpo. Me sentia péssima. Mas respirei fundo, entrei na fila... Na frente de meninos... Peguei o prato com divisórias e fui servindo oque tinha. Depois passei na máquina de refrigerante e peguei uma latinha de Pepsi. - Maria... - não. - qual é Cheli. - Maria vem cá! - olhei e suspirei. Mas era a única mesa vaga. E eu fui, mas por medo mesmo, sentia tantos olhares a mim, eu precisava sentar logo. - oi. - digo e ganho espaço na mesa entre duas meninas. Cheli estava a minha frente sentada entre duas meninas também. Mas o time de cheelearders é grande, não estavam todas aqui e creio que elas tem outras aulas agora. A maioria dos alunos faz a parada pro lanche na hora do intervalo ou entre as aulas e eu acho mais difícil por que é um tempo mais curto. Então prefiro o intervalo pra fazer tudo que preciso. - você ficou muito bem nessa roupa. - seu cabelo é tão macio e cheiroso. - meu deus que unhas bem cuidadas. - meninas... - elas param. - Maria.. - a olhei. - enquanto nosso trato ainda tá de pé.. - Cheli esticou o prato sobre a mesa e pegou meu refrigerante de Pepsi com limão. - você vai se alimentar bem. - puxou meu prato. - toma, eu não tô com fome e ainda não toquei no meu almoço. - ela inverteu os pratos, me dando o dela e pegando o meu. O prato dela era composto por ervilhas frescas, macarrão com... Brócolis? Brócolis???!! Cenoura ralada, tomates em cubos, uma caixinha de suco e um mini pacotinho de... Bala de goma? - açúcar no sangue te deixa com energia. - disse ela após eu olhar pra bala. Na verdade todas as meninas estavam com o mesmo tipo de prato. - vai lá pegar uma maçã pra Maria. - ela nem específicou quem, mas uma das meninas se levantou e foi, eu nem pude dizer que depois eu pegava. - então Maria... E o seu namorado? - aah eu vi ele uma vez, muito lindo. - qual a idade dele? - vocês transam com frequência? Como ele é na cama? Amizades tóxicas. - ele... - não precisa responder, e vocês parem com isso. - foi grossa? Sim, mas eu me senti melhor. Não posso sair falando da minha vida pra quem me quer longe, bem longe. Quando a menina voltou começamos a comer. A primeira garfada no macarrão... O contato com o brócolis na minha guela. Eu tive uma pré ânsia de vômito. Digo isso por que ela começou aos poucos. Não é que o alimento seja h******l, é que ele não desse no meu organismo. Fora que elas me imitavam, eu levava o garfo a boca, elas também levavam. Eu parava e bebia o suco, elas faziam o mesmo. E Cheli? Me encarando com a mão no queixo e o cotovelo apoiado sobre a mesa... Parecia... Encantada? Seja olhos e sorrisinho mostravam isso. Mas graças a deus aquele almoço durou tão pouco, quando falei que não conseguia mais comer, após o meu macarrão ter ido até a metade apenas, Cheli disse "pois bem, agora tenho aula de francês e você também mocinha, vamos comigo e o resto... Boa aula e seja lá oque vão fazer... Menos pra você né, vai ir lá c****r o Peterson". Elas riam, piadas essas que eu não entendi mas preferi não me meter. Dei tchau também e sai do refeitório. E fiz o de sempre, escovei os dentes, guardei e organizei meu material pra próxima aula no armário e peguei um doce na mochila. Já que eu tinha espanhol agora, fiquei sentada no chão, em baixo do meu armário corrigindo quatro coisas que esqueci no livro. Mas eram fácil. Espanhol é a única matéria que eu não me perco. A voz do daddy ecoou na minha cabeça quando ele me manda sentar direito e fechei as pernas com medo, mas nada aconteceu. Aí foi aula de espanhol, português e inglês e finalmente encontrei alguém mas só na hora de ir embora. - eca Maria, por que tá usando saco de lixo? - não me liguei que era brincadeira e me olhei. - você tá brincando que tá usando isso né? Alguém te obrigou? Vai ter uma peça na escola? É halloween? É pra irritar Micheli? - calma. - digo a ela. - calma digo eu, pra trás. - Karla fez o maior escândalo. - é só uma roupa. - de cheelearders. - feita de tecido e linha. - nojo e ódio, recalque e inveja também. - respirei fundo. - onde vocês estavam? - vocês quem? - fomos andando. - no intervalo. - ah, eu achei uma boca muito boa pra beijar, ela era nerd, tirei o bv dela, muito bom pra um primeiro beijo. E pelo que eu soube, Malu tava na aula de história por que ela foi na biblioteca pegar uns quantos livros pra fazer um trabalho. Já Becca e Pedro eu não sei, mas tenho quase certeza que aquela p***a no banheiro feminino do outro prédio é do Pedro. - eca. - e oque fez hoje? - saímos da escola. - nada. Almocei a comida da Cheli. - bom... Amanhã temos aula juntas, beijo. - ela beijou minha bochecha e saiu andando mais rápido do que eu. Micheli me fez comer brócolis hoje. Tô com vontade de vomitar tudo na roupa dela. - aff, vamo logo. - Pedro começou a me puxar pelo braço e logo avistei o carro do daddy com ele olhando pra gente lá de dentro. - aaai tá me machucando. - calma. - parou e me olhou. - não é pra contar daquela briga pro Henrique, eu vou fazer a Beatriz assinar o papel que ganhei, não abre esse bico. - você me deixou sozinha hoje. - aff Maria eu tava ocupado... E pelo jeito tu também, vive fazendo m*l da Micheli e tá aí, usando as roupas dela. - ele saiu andando. - mais pra ela me deixar em paz. - não é assim que faz alguém te deixar em paz, só quando bater na cara dela pra ela te deixar em paz. - não fez sentido. Isso não vai funcionar. Chegamos no carro. Entrei no banco da frente. Daddy me olhava bravo, mas de cima a baixo igual todo mundo hoje. - não vou te xingar por ter feito o contrário de tudo que conversamos... Mais tava assim o dia todo? Vocês pararam ali e todo mundo tava te olhando Maria Clara. - eu tava com a cabeça tão cheia. Queria vomitar. - daddy... Para. - ele ligou o carro e coloquei o sinto. - eu não vou vim amanhã. - disse Pedro. - por que? - eu e daddy perguntamos juntos mas eu fiquei morrendo de medo com isso. - por que não Pedro? - daddy manobrou o carro e logo saímos dali. - não tem aula. - como assim não tem? - daddy não vai acreditar. Pedro provavelmente levou suspensão. - oque ele fez Maria Clara? - me olhou pro alguns segundos. - eu não sei, não tínhamos aula hoje juntos. - daddy bufou. - olha Pedro, não adianta esconder que eu descubro. - daddy disse com deboche, até riu. - não tô escondendo nada... Que ódio. - ódio do que? - tem um filho... Que ódio! A Maria também, é culpa tua. - fiquei brava. - minha? A culpa é minha? Não fui eu que saí socando a cara dos outros. - aaaah e qual foi o motivo? Isso tu não fala né. - não teve motivo você... - ah teve sim, se não tivesse usando essa roupa e pior ainda, se não tivesse naquele time ridículo de cheelearders, nada disso teria acontecido. - a culpa é minha agora?! - é! - tá chega, que p***a! - daddy gritou. - como é a história? - parou no sinal. - Maria entra do nada no time de cheelearders... - Pedrinho socou a cara do CD. - tá calma, um de cada vez... Pedro, fala. - primeiro que não tem motivos pra Maria entrar pra esse time i****a. - e nem tu. - futebol não é i****a na escola, a gente ganha bolsas por causa dele... E ser uma líder de torcida? Vocês só ficam dançando e mostrando tudo pra todo mundo só olhar pra isso. - e daí? Vocês que são homens e não sabem se controlar. - com um corpo desse provocando igual Micheli tava? É, é bem difícil mesmo. - daddy Pedro levou suspensão e vai pedir pra Bia fazer uma assinatura falsa. - falei só de ódio. - traidora. - você jogou a culpa em mim. - mais a culpa é sua. - não é não! Você me deixa sozinha todo dia. - não sou sua babá. - mais é meu irmão, é seu dever. - e como irmão bati em um filho da p**a que é irmão de alguém que te fez m*l e tu tava lá... Dançando com elas. - mais em troca eles me deixariam em paz e deixariam vocês também. - ele bufou. - troca i****a, eu teria matado todo mundo já. - tá deu, em casa a gente conversa. - essa frase não saiu suave não. Meu estômago tava revirado. - daddy... Quero vomitar. - oque? - para o carro por favor. - ele fez isso imediatamente e nem sei onde a gente tava, mas tinha um muro alto com algumas lixeiras. Não tinha ninguém. Eu só abri a porta do carro e desci correndo... Era todo verde, aqueles pedaços de brócolis. - amor... - continuei, que nojo, que vergonha. Mais respirei fundo e melhorou. Quando voltei pro carro daddy ainda estava parado. - que nojo. - cala boca Pedro. - disse daddy. - comeu brócolis? - daddy passou o meu paninho na minha boca, que tava dentro da minha mochila e ele sabe, ele que coloca pra eu secar a boca depois de escovar os dentes ou lavar as mãos. Mas só concondei pra pergunta. - por que comeu? E o dinheiro do lanche? - respirei fundo. - Micheli disse que... - ah não, pera aí, já fez oque eu falei pra não fazer e tá obedecendo ela? - daddy ficou bravo. - não né Maria Clara... Aí não. - daddy me deu o paninho na mão. - fecha essa porta e vamo pra casa. - ficou bravo e assim fiz. Eu sentia tudo, sono, medo, raiva, ódio extremo pelo Pedro, vontade vomitar mais, de mandar todo mundo pra bem longe, de rasgar essa roupa de cheelearders e mandar daddy e Pedro calarem a boca mesmo estando quietos. E foi assim até chegarmos em casa, e só agora percebi que Malu não veio junto, daddy sempre leva ela. Porém eu não vi ela o dia todo, eu acho que ela não foi hoje. - pega a mochila no banco de trás. - disse daddy, tirando o sinto rápido e pegando suas coisas no carro. Eu fiz isso lentamente e até chegar na porta de trás demorou. Pedro já tinha entrado. - olha o tanto que essa roupa é curta e tu ficou assim o dia todo. - tá, ela realmente era e sim, eu estava indignada igual ao daddy em relação a roupa. Mas brava com ele também. - amor. - pegou meu rosto, em frente ao carro. - não é por mais nada além de medo de você ser assediada... Maria alguém pode te pegar e te levar pra algum lugar... Tu não tem essa força toda pra impedir. - meus olhos se encheram de lágrimas. - tudo que eu faço é r**m. - olhei pra baixo. - não amor.. olha pra mim. - olhei. - não é r**m, nada que tu faz é ruim... Só que.. tá fazendo escolhas erradas. - olhei pra outro lugar. - depois a gente conversa, vamo entrar, trocar de roupa depois de um banho, aí almoçar... Tá? - concordei. - então me dá aqui que eu levo. - pegou a minha mochila e entramos. Subimos direto, embora tia Cris tenha ficado surpresa com minha roupa e Bia ter dito algo como "uau". Mais ouvi daddy dizer algo em tom baixo e ficou por isso mesmo. Tomamos banhos juntos, e eu sinceramente não queria, por que daddy falou várias e várias coisas pra mim e no final disse que tudo que ele dizia entrava por um ouvido e saía pelo outro. Mas não, eu sempre, SEMPRE lembro de tudo que o daddy fala, mas no momento em que fico pensando se sim ou não, as palavras do daddy parecem não fazerem sentido ou lógica e eu acabo que indo pelos meus pensamentos. Mas eu expliquei ao daddy, mesmo ele não aceitando, falei que participaria apenas desse jogo que terá acho que em duas semanas, acho. Daddy óbvio, tentou me convencer diversas vezes sobre não partipar mas eu já tinha topado e fiz ele entender que ficaria no time como o combinado. Amanhã é sexta, e já não tô querendo mais estudar. - deu? - concordei. - da até um negócio ficar olhando pra essa roupa. - dobrei ela direitinho e coloquei dentro do guarda-roupa. - ela me deixou com muito corpo. - não deixou, é por que ela é muito apertada, muito justinha. - daddy estava sem camisa. - eu fiquei bonita? - ele contraiu o maxilar, mas não com cara de m*l e sim me olhando com os olhos entre abertos. - sabe que ficou. - colocou as mãos no bolso. - mais... - ficou Maria, ficou gostosa, bonita, linda, perfeita.. - chegou mais perto. - se a gente não tivesse chegado bravo em casa e tivesse na vontade, teria te fodido dentro daquele roupa mesmo. - senti suas mãos na minha cintura. - mais aí você ia ver as cheelearders e ficar com vontade. - pensou. - não, por que eu fiquei com t***o em quem tava usando a roupa e essa pessoa é minha... Só minha. - me encheu de beijos. - faz escolha certas, pensa direitinho tá? - concordei. - vamo lá comer. - fomos. Daddy ficou de mãos dadas comigo até a mesa. Tia Cris estava tirando um enorme pedaço de bife de dentro da frigideira cheia de óleo. - meu deus. - digo pelo tamanho e daddy ri. - esse é meu. - ri. - esfomeado. - ele deu um t**a na minha b***a, mas bem de leve e me sentei na minha cadeira. Daddy fez o mesmo. Tinha arroz, feijão, salada de alface e pepino ebaaaaa e tia Cris veio com um prato raso e grande cheio de bife. Era a milanesa. De carne aaaaaa. Daddy óbvio, pegou aquele grande. - vem Pedro. - disse tia Cris sentando na mesa e lá veio ele, do quarto. A cara emburrada e f**a me olhando. - por que essa cara? Não ganhou uma mamada da Becca na escola hoje? - Bia brincou. - para Beatriz! - tia Cris brigou. - fala Pedro por que essa cara? - olhei pro daddy com os olhos arregalados. - daddy! - fala o motivo da tua suspensão até quarta. - Pedro olhou mortalmente pro daddy. - a culpa é da Maria. - olhei pra ele. - minha?! - isso, fala que a Maria tava usando roupa curta, fala também que tu socou o garoto lá, fala. - daddy foi m*l e sarcástico. - primeiro que tu manda eu ficar de olho na Maria, aí ela faz as coisas e eu que tenho que arrumar as merdas dela. - minhas merdas? - tuas merdas Maria, por que se não tivesse naquele time de cheelearders, o time que tu fala tão m*l, os cara do time de futebol nunca teriam ficado falando m***a. - mas não era só eu que tava usando aquela roupa. - mas era pra ti que eles tavam assoviando. - olhei brava pra ele e ofegante. - parece que tá me chamando de p**a. - tá, chega. - disse tia Cris. - querendo ou não, Pedro levou suspensão. - disse daddy. - e fim da conversa. - culpa dessa daí. - eu falei fim da conversa. - daddy foi firme. - que babado gente. - disse Bia. - briga de irmãos. - revirei os olhos. Daddy me serviu com tudo que tinha e depois me deu refrigerante por que hoje não era suco. E eu? Sentindo brócolis no meu estômago e só de pensar eu chegava a ficar com ânsia de vômito. Brócolis é um bom nutriente pro corpo, eu sei disso, se não os médicos não indicariam comer. Mas no meu organismo... Não desse aaaaa que nojo. Nojo não, é alimento e se tivesse só isso pra comer, certamente eu teria que me forçar a comer e gostar, mas já que não preciso fazer isso, não vou me forçar a comer. É h******l. Henrique. Maria subiu na cama com seu saquinho de bala fini e eu fui mijar. Depois do almoço a gente ficou conversando lá fora, apenas eu a Maria. Fazia tempo que ela não ia no seu parquinho e ficou toda animada. Também foi o mesmo tempo dela ficar cansadinha, aí subimos após uns 20 minutos lá. Sequei as mãos e fui pra cama, Maria já tava dormindo. Sorri. - amor. - dei carinho em seu rosto, ela não acordou. Ajeitei a mesma na cama colocando ela no travesseiro, já que não fez isso. Depois peguei o saquinho aberto com as balas... Acho que nem era da marca da fini, eram diferentes. - nãoooo... - o rostinho de brava mesmo com os olhos fechados. - xiii dorme. - dei um beijinho nela. Aos poucos Maria pegou no sono outra vez e com todos os cuidado do mundo eu desci com aquelas bala. No meio do caminho pude fechar o pacote direito após pegar uma. Era tipo bala de goma, mas não era, e eu também nem fiz questão de ver o nome. Coloquei um tipo de prendedor no pacote, minha mãe sempre usa pra fechar as coisas. Depois guardei. Quando subi novamente alguém que caga pra mim todo dia me seguiu. - só vê o papai pra pedir comida né? - era Lennon, peguei ele. - lá vem a outra. - Lily veio e Luna já estava aqui em cima, no quarto da Maria tirando um cochilo em seu tapete. Chamei ela também. Eles tão sempre aqui, só que já é tão rotineiro, eu vejo eles e é normal. Dou carinho, comida e deixo o quarto da Maria aberto pra eles mas é tudo tão monótono. Já até caiu a fixa que agora sou pai de duas meninas e um menino. Uau... Um dia serei pai de verdade, meu deus. - xii... Luna! - Luna foi direto pro rosto da Maria, Maria se mexeu mas só pra tirar ela dali e acho que nem percebeu que era Luna. Fechei as cortinas, minha mãe sempre abre pela manhã. Só deixei a porta da sacada aberta e não tinha muito vento. Por fim, me deitei, relaxando. O dia foi tão cheio hoje, nem sei se Maria vai ir pra escola amanhã, por que provavelmente amanhã o dia vai começar mais puxado e provavelmente eu não vou voltar pra casa pra almoçar. Então não vou poder buscar Maria e Pedro. Maria se virou pro outro lado e foi bom, eu queria abraça-la e pude fazer isso, mesmo Lennon subindo em cima de mim e Lily miando com aquele miado fino dela. Mas sei que após todo mundo estar bem aconchegado, eu dormir em meio ao silêncio sentindo pelos macios de gatos na minha perna. Luna estava do lado da Maria então não a senti. [...]
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