Maria Clara.
Daddy saiu de moto, hoje era sábado.
Pedrinho estava do meu lado no sofá e já era noite.
- para de tirar foto e joga comigo. - digo, triste.
- calma aí. - tirou mais. - qual, essa ou essa? - peguei o celular e larguei o controle no sofá.
Hmmm...
- essa. - digo e dou o celular pra ele.
Escolhi essa.

Muito lindo né? MAIS É MEU IRMÃO E TEM DONA! TIRA O OLHO!
- Becca vai te bater se você postar. - riu.
- viu a foto que ela postou ontem? De saia e aquelas meias?
- e oque tem? Ela sempre tá assim. - digo.
- deitada na cama naquela posição? - me olhou e pensei.
É, pensando bem agora aquela foto pode deixar alguém com t***o e se alguém pegar a foto dela e divulgar?
- vou postar sim, tô um gato. - disse ele e ri.
- ta mesmo, um mini daddy. - ele riu.
- eu sou um daddy e não mini daddy.
- ainda é mini, você é pequeno ainda. - riu.
- Maria tu tem o tamanho do meu pé e quer falar. - rimos.
Daddy chegou, eu ouvi o barulho da moto e sai correndo pra porta assim que joguei aquela almofada longe.
Mais...
- xi... Entra. - não era o daddy.
Mais ele tava logo atrás.
- daddy..
- tá tudo bem. - eram..
Tipo... Assaltantes?
Pedrinho se colocou na minha frente logo após isso.
- deixa eles subirem por favor.
- não, quero todo mundo aqui. - comecei a chorar. - sentem. - fizemos isso e daddy veio logo depois, me segurando assim que o toquei.
- já dei tudo que tenho em mãos. - disse daddy.
- por isso viemos, quero o dinheiro da conta. - eu não estava olhando, mas ele deu algo pro daddy e quando espiei era o celular.
A campainha tocou.
- deve ser minha mãe e minha irmã.
- então deixa tocar. - ordenou.
Eram três homem.
- daddy...
- tá tudo bem, ei, tudo bem. - sorriu. - só fica quietinha. - eu tremia e meu coração tava acelerado.
- anda logo com isso. - daddy tentava.
A campainha não parava de tocar e quando ouvi tia Cris chamar pelo Pedrinho, ficamos em silêncio.
Eram altos, de preto, sem máscara pra esconder o rosto... Eram homens normais.
- c*****o qual a dificuldade disso! - ele chegou perto do daddy.
- não... - comecei a chorar, ele tinha uma arma..
- por favor deixem eles subirem. - disse daddy outra vez.
- quero todos aqui eu falei, anda logo com isso. - era uma arma preta, mas grande.
Os outros homens estavam olhando pra gente.
Como que era um assalto, como daddy não fugiu?!
Mas daddy fez oque mandaram, entregando o próprio celular pra eles de volta que ficaram olhando.
- agora a gente vai fazer o seguinte, cada um de nós vai subir com um de vocês e vocês vão mostrar onde estão as coisas de valor, combinado? - concordamos. - sem gracinhas e quero que seja rápido, pra acabar com isso logo. Vamos. - daddy se levantou e segurou minha mão firme.
- solta a garota. - mandou daddy me soltar, com a arma apontada pra ele.
Daddy me olhou.
- relaxa tá? Faz oque mandarem. - concordei.
Fui com um homem, que colocou a arma na minha cintura e subiu comigo.
Daddy foi pro seu escritório e não vi mais ele e Pedrinho pra outra direção.
Subimos.
- onde é o seu quarto?
- aquele. - apontei com falta de ar, medo e me tremendo toda.
- vamos. - forçou a arma em mim e andamos.
Ele disse onde era o MEU quarto.
- tem oque de valor aqui? - olhou em volta.
- eu.. não sei.
- tem oque de valor aqui?! - gritou e tremi.
- é... Tem... Roupas, perfumes... Daddy pagou mil reais naquele abajur. - comecei a chorar.
- olha só, só queremos dinheiro, só isso, relaxa. - olhei pra ele e ele continuava com aquela arma apontada pra mim.
- dinheiro? - concordou. - eu tenho dinheiro.
- então pega, com cuidado. - concordei.
Fui até o guarda roupa e peguei o meu cofrinho mas tava pesado.
- você pode me ajudar? Tá pesado e é o daddy que sempre pega. - ele veio até mim.
- qual a tua idade?
- 16. - digo e ele ri.
- parece que tem mais. - engoli em seco assim que ele me olhou toda.
Já fui assediada essa semana, não quero ser mais uma vez.
Ele pegou o cofrinho de unicórnio.
- espera! - impedi. - não pode quebrar. - comecei a chorar.
- quero o que tá dentro, o cofre não me interessa.
- mais é o meu unicórnio. - ele riu.
- tem 16 anos, não te apega a algo como isso. - comecei a chorar mais.
- por favor. - ele nem esperou e bateu com a arma no cofrinho.
Tinha tanto dinheiro, tantas moedas.
- rico é outro patamar. - pegou só as notas de 100, 50 e 20.
Comecei a chorar de tristeza, já nem me importava se ele era um bandido, ele quebrou o meu unicórnio.
- para de chorar. - comecei, igual um bebê.
- você.. é insensível! - peguei a cabeça do unicórnio, mas só uma parte, ele tava todo despedaçado.
- você é rica, da pra comprar vários desses.
- mas você pegou todo o meu dinheiro. - ele fez um som.
- compra outro. - me deu 200 reais mas eu não peguei e ele jogou na cama.
- vamos, oque tem no outro quarto? - pegou o meu braço, colocando o dinheiro dentro da mochila em suas costas.
- é o meu quarto e do daddy.
- então vai, abre a porta. - me soltou e fui, abrindo a porta. - oque tem de valor aqui? - penso.
- não tem dinheiro aqui, mais daddy deixa algumas notas de dinheiro as vezes na gaveta.
- então abre a gaveta. - abri, do criado mudo mas não tinha nada, só 1 real.
- tem isso. - ele riu.
- tá de s*******m, eu quero dinheiro, papel. - penso, indo até a minha penteadeira onde tinha a minha mochila. - ei, devagar. - apontou a arma pra mim e eu estava muito triste com meu unicórnio.
Peguei a minha bolsinha de dinheiro e peguei a nota de 50 e de 5 reais que tinha ali.
- só isso? - concordei. - não fica triste, é pra você ter medo.
- você quebrou o meu unicórnio.
- garota, seu daddy pode ser morto se não colaborar e você tá chorando por causa de um unicórnio? - dei de ombros e ele riu bufando. - anda, vamos descer. - fomos.
Por que homens não gostam de unicórnio?
Lá em baixo vi daddy ser empurrado pro sofá e quando ele me viu fez uma cara, querendo que eu descesse logo.
- oque achou?
- um cofre cheio de dinheiro, eles economizam em. - abracei daddy.
- ele quebrou o meu unicórnio. - comecei a chorar.
- xi... Tá tudo bem, eu compro outro. - concordei triste.
Logo Pedrinho veio.
- calma c*****o. - disse Pedrinho e o homem empurrou ele pro sofá.
- e você, quanto achou?
- só tem coisas de valor, mas achei umas notas. - o homem, que mandava, olhou pro daddy.
- se o dinheiro não cair em 10 minutos na conta que te dei, você é um homem morto. - comecei a chorar. - calada! - apontou a arma pra mim.
- Maria... Ei, olha pro daddy. - olhei. - tá tudo bem, vai dar tudo certo. - tentei parar. - tá bom? - concordei com os olhos embaçados.
- relaxa princesa, você vai ficar bem, seu namorado não. - como ele sabe que daddy é meu namorado?
Mais não fazia diferença.
- da pra ela ir tomar água? - perguntou daddy. - ela tem infantilismo, deixa ela fora disso. - riu.
- isso não é uma questão não, é só ela ficar quieta. - me olhou. - anda, vai. - me levantei e daddy me olhou firme.
Mas o outro homem me acompanhou, aquele que estava com Pedrinho.
- vai logo, sem gracinhas. - concordei e fui até a geladeira.
Tia Cris é muito vaidosa, ela guarda tudo, não tinha nada ao meu alcance.
Na geladeira eu peguei água com toda calma, olhando se tinha algo pra me defender ali dentro mas não tinha nada.
Quando é pro Pedrinho guardar a margarina com a faca em cima dela ele não guarda!
- você quer? Ela é... Filtrada. - digo com medo e ele me olha com um sorrisinho nos lábios.
Eles não usavam máscara igual nos filmes, eu via todo o seu rosto e seus olhos verdes escuro.
- não princesa, toma logo. - disse com paciência e sacarmo.
Peguei um copo, coloquei água e bebi, sentindo meus lábios tremerem no processo mas continuei.
Não tem nada que posso pegar, pensa Maria.
Passei a mão pelo balcão, mas na parte onde estava minha coxa, algo fez barulho e ele continuava me olhando.
- desculpa, tem... - Luna. - é a minha cachorrinha. - olhei pra baixo e Luna estava ali. - filha você pode ir pra rua. - continuei com a mão ali procurando por algo...
Até que achei...
Era um spray...
- cabou a água já pode voltar. - peguei a jarra outra vez.
- só mais um pouquinho, eu juro que vai ser rápido. - servi outra vez no copo e bebi. - hum... Luna sai. - olhei pra baixo mas pro spray.
Spray de limpeza, com álcool..
Olhei pra ele e sorri.
- ela é... Chata. - digo e bebo mais água, até finalmente terminar.
- vamos. - larguei o spray e coloquei a jarra na geladeira.
Como vou pegar, ele tá armado.
Resolvi deixar ali, mas agora sabia onde estava.
Voltamos pra sala e daddy me segurou com força quando me sentei do seu lado.
- 4 minutos. - disse o homem. - e ainda não caiu. - me desesperei de novo.
- por favor... Olha só.
- olhar oque? Você acha que estamos brincando? Que isso aqui é um teatrinho?! - ele disse isso gesticulando a arma na mão enquanto falava. - queremos a grana cara.
Engoli em seco.
Apertei a mão firme do daddy e ele suava.
- seja lá oque aconteça, deixe eles subirem por favor. - comecei a chorar.
- daddy. - olhei pra ele. - não vai acontecer nada, vocês não podem m***r alguém bom! - digo.
- não é questão de ser bonzinho ou não meu amor, é questão de obediência. - sua cara mudou ficando apavorante.
- não somos tão ricos assim. - digo.
- pra quem tem mais de 600 mil na conta não é rico? - olhei pro daddy. - não ganha dinheiro de mais não? - daddy estava bravo.
Estava começando a achar estranho.
- chefe. - o outro homem estava com o celular.
O "chefe" começou a sorrir.
- muito bem, depositado. - daddy pareceu aliviado.
- agora deixe a gente em paz. - ele riu mais.
- ainda não acabamos, tirem as crianças da sala.
- não, oque não... Não! - me debati.
- obedeça, a minha arma tá carregada. - disse me segurando.
Comecei a chorar igual um bebê.
- por favor não! Não mata o daddy! - comecei a me debater mais, sentindo que esse era o fim da minha vida. Não posso viver sem o daddy.
- Maria calma. Vai com eles. - disse me segurando. - vou ficar bem. - neguei ainda chorando mas fui arrastada pra cozinha com Pedrinho.
- vocês não podem m***r ele! - empurrei o homem mas com isso ganhei puxão no braço muito forte.
- para de gritar. - apertou tão forte, parecia que ia quebrar e isso me fez chorar mais.
- não machuca ela. - disse Pedrinho bravo e o homem me soltou.
- põe ela no banheiro. - disse o outro e isso me causou mais medo.
- não por favor, me desculpa. - ele me puxou.
- anda logo. - fomos andando pro lavabo, onde ele me trancou dentro e comecei a chorar.
Não dava pra ouvir nada.
Não posso m***r alguém, mas ferir sim, porém esse caras tem armas, oque eu posso fazer?
Oque eu vou fazer!
Pensa Maria.
Henrique.
- você sabe oque queremos. - olhei pra ele, sério.
- nunca vai tirar ela de mim. - ele riu.
- só queremos a garota Henrique, só isso. - sua paciência falando... Nem parecia que havia acabado de fazer uma cena na minha sala.
- como ela quer reconquistar a nossa confiança sendo que arma um sequestro?
Sim, tudo isso se tratava da mãe da Maria, o dinheiro não foi depositado não, ainda estava comigo. Oque eles pegaram lá em cima sim, isso foi roubo, mas oque interessava mesmo era Maria.
É, Melissa começa com o pé errado achando que está sendo a pessoa mais certa do mundo.
- vamos fingir que é um assalto e nada acontece. Simples. - disse gesticulando a arma na mão.
Eu estava sério.
- não vai levar ela.
- não vamos m***r ela, ela vai ir em segurança, relaxa. - seu sarcasmo me dava ódio. - é o seguinte Henrique. - se sentou na mesinha de centro, em frente a mim.
Seu olhar...
- Melissa tem provas de que você é um estuprador..
- oque?!
- você estuprou Maria e a dopou diversas vezes... É isso que ela quer pra te fazer ficar longe da menina. - seu tom de voz lá no fundo era pra me ajudar, mas ele não estava do meu lado.
Não disse nada.
- vamos levá-la, dar pra Melissa, pegar a nossa parte do acordo e sumir, e Maria vai estar bem. - se levantou.
- você tem noção de qual lado está? - riu, oque eu tô fazendo, comprando eles? - te dou o que quiser pra irem embora sozinhos. - me olhou.
- já fizemos um acordo com Melissa, ela é uma amiga de anos. Vamos levar a garota por bem ou por m*l, você escolhe. - engoli em seco.
Deixar Maria ir sabendo que posso salva-la depois..
Não deixá-la ir e sair por errado e entrar na justiça por estupro... Ou morrer e eles levarem Maria.
Melissa sabe de muita coisa.
Ela certamente tem um bom advogado, meu pai deve ter ensinado tanto a ela.
- a escolha é sua. - disse novamente e suspirei.
- leva ela. - não estava brincando, aquilo ardia tanto no meu peito que eu nem sabia administrar.
Parecia que estava mandando Maria pra morrer, mesmo que Melissa não fosse fazer isso.
- ei, tragam a garota. - disse ele me olhando.
Quando Maria veio... Aquele olhar... Aquele medo.
- daddy. - ela correu até mim e a abracei forte, sem saber quando a veria.
- vai com eles... E não some, eu vou atrás de você. - ela me olhou com medo.
- daddy... - ficou desesperada.
- não se preocupa, vai ficar tudo bem. - sorri fraquinho. - precisa ser forte. - digo sério e mesmo ela estando com medo, concordou. Ela nem entende direito as coisas, ela concordou com isso..
Era surreal isso que está acontecendo.
Era... Era Maria indo embora com bandidos.
Eu não conseguia administrar.
Dei o último beijo, o último abraço e senti o seu toque por uma última vez.
Não sei quando vou vê-la de novo, eu realmente não sei.
Oque estou fazendo... Oque tô fazendo?!
E Maria foi, sendo puxada, implorando pra que ficasse comigo e me chamando, e eu não podia fazer nada.
Eu fiquei parado sem fazer nada, Maria precisa de mim vivo e sem acusações como as que Melissa tem.
O carro deles foi embora... O aperto no peito me tomou conta e imediatamente eu saí de casa.
- não abre a porta pra ninguém que não seja a mãe e a Bia. - digo pro Pedro entrando no carro.
- onde você vai?! - liguei o mesmo sem responder. - Henrique! - sai rápido de casa.
A primeira coisa é dar queixa na polícia, pra que eles saibam quando der 24h do sumiço da Maria, eles consigam ser rápidos.
[...]