243° capítulo

2095 Palavras
Henrique. - coma meu filho, por favor. - estava com olheiras. Mas recusei o prato e me levantei do balcão. - não consigo... Não dá. - digo olhando pra ela até sair andando. Subi. Não estava com um buraco no peito, eu já entendi que Melissa não é capaz de machucar Maria, mais é... Uma maluca, oque ela quer?! Eram 01h da manhã, Pedro e Beatriz estavam dormindo e minha mãe acordada tentando me convencer a comer, mas não tinha como, era impossível. Meu celular começou a tocar, eu disparei, no primeiro toque eu já peguei ele. - alô. - atendi eufórico, não tinha nome. - Henrique. - cadê ela, por favor Melissa cadê Maria?! - isso sim me machucou. - por favor vamos conversar. - conversar? - ri. - conversar? - deixa eu explicar... Por favor. - suspirei. - ela tá dormindo, não a machuquei, não faria isso... Ela está aqui, e bem... Já comemos, ela tomou banho e escovou os dentes... Ela está bem. - por mais que Maria esteja longe, isso me aliviou tanto, tirou um peso enorme que eu sentia. - não pode machuca-lá. - e não vou! Henrique sou a mãe dela. - e olha oque tá fazendo! - tem alguém atrás dela Henrique... - não falei nada. - como assim? - me sentei na cama. - oque pra gente não passa de sei lá... Você não tem ideia do quanto Mariana e Maria Luísa eram valiosas... E agora eles sabem da Maria. - não tô entendendo. - querem ela, aquela mulher maluca. - penso até começar a me desesperar. - Henrique, fiz isso sim pra salvar Maria, mas você sairia morto dessa. - não falei nada. - se você quiser as provas que consegui... - como assim, que provas? - ela suspirou. Provas? Como ela conseguiu provas? - a faculdade que fiz em outro país... Sou policial, trabalho disfarçada. - ri e me levantei. - não vou acreditar nisso. - Henrique... A tantas coisas que consegui, eu estava afastada por estar morta entre aspas... Mais eu voltei. - e certamente um policial consegue colocar aquela mulher na cadeia. - precisamos de provas, ela é poderosa, existem polícias corruptos trabalhando pra ela e não sabemos quem são, não podemos falar dessas coisas tão abertamente, por isso o caso é sigiloso. - e onde vocês estão? - perto. - perto onde? - Vila Branca, n°17. - anotei muito rápido, na primeira coisa que vi. - pode vim, mas não hoje e não essa semana... Podem tá te vigiando. - contrai o maxilar. - como você sabe que essas pessoas são tão poderosas assim? - trabalham em uma quadrilha, não é um ou dois, é uma enorme quadrilha... Tô te arriscando contando isso, você não pode dizer a ninguém. - Maria vai estar a salvo com você? - sim, eu juro... E já estou fazendo isso, até mesmo com Malu, o segurança do condomínio dela mudou e todos os dias alguém vai estar limpando a rua, podando árvores... Tudo pra ficarem de olho... - penso. - posso ver Maria? Manda uma foto pra mim? - mando, ela tá na minha cama mais ela tem um quarto. - e a escola? Médicos... Até quando isso? - já falei com a escola, eles vão mandar o material pra você e você manda pra mim. - tudo bem... Só me diz que posso confiar, tô confiando a única pessoa que é importante pra mim nesse mundo a você... Você pode tá mentindo... Ia me acusar de abuso... - eu tinha raiva. - Henrique... Quero participar da vida dela todos os dias e não ser uma bruxa... Eu não vou fazer isso nem com você, nem com ela e muito menos comigo... Eu perdi muito tempo... E eu te acusando de algo, pra eles você será inútil, vão pensar e investigar e quando souberem que você tá preso, você ficará em paz... Mas você não vai ser preso. - suspirei e coloquei a mão no rosto. Eu sabia que ela não era h******l, nos nossos encontros eu notei isso. - você vai poder vim, mas espera uma semana no máximo e quando sair precisa ser o mais natural possível. - posso falar com ela antes disso? - se você comprar um celular descartável sim. - tudo bem. - confie em mim, por favor. - suspirei outra vez, tentando me convencer. - não consigo dormir sem falar com ela... Não dá. - ela pareceu pensar. - você tem as coisas do seu pai aí? Aquele celular que você atendeu no Rio? - penso. - tenho... Eu acho, por que? - vou ligar pra ele e você fala com a Maria. - meu coração, como palpitou. Como me senti leve, feliz. - tá, é... Vou pegar, pode ligar. - tá bom, vou acordar ela. - tá. - fiquei maluco, meu coração tava acelerado de mais. Mas desliguei e exclui aquela chamada, mesmo que seja privado e provavelmente impossível de rastrear vindo de uma... Agende da polícia. Isso é surreal. Procurei pelo celular, não achava e ele não tocava. Vai logo Melissa! Onde que tá! Mas achei, em uma prateleira alta do guarda-roupa pra Maria não ver, antes eu não queria que ela soubesse de nada mas agora acho que ela saberá... Ou já sabe. O celular tocou, eu atendi na hora. - daddy? - oi meu amor. - meu olhos se encheram de lágrimas. - como você tá? Você comeu? Tá com sede? Tá com fome? Ta quentinha? - ela riu, isso foi tudo que eu queria. - sim, a minha mãe e eu fizemos o jantar e a coberta dela é igual a nossa! - sorri, ingênua como sempre e feliz. - e você? Daddy eu tô com muita saudade. - me permiti chorar. - eu também. - mas fui forte. - tô morrendo de saudades. Acho que estava no viva-voz. - pode dizer a ele que você está esperando. - disse Melissa no fundo. - é sério mãe? Daddy você vai vim?! - mãe... Maria a chamou de mãe. - daddy você vem?! - semana que vem como sua... Mãe disse. - mãe.. - estão que seja logo, eu tô morrendo de saudades, daddy eu vou morrer de saudades. - ela parecia bem, oque me deixava alegre. - você tá bem? - sim, eu tenho um quarto rosa com bonecas. - riu e fiz isso. - e... Feliz? - ela demorou a responder e fiquei com medo. Me passou na cabeça uma cena de filme, uma arma apontada na cabeça dela e alguém mandando ela dizer tudo isso. - Maria.. - eu acho que a minha mãe é uma pessoa boa. - suspirei aliviado, ela disse naturalmente. - se alguma coisa acontecer, não quero ela longe... Daddy eu quero ela perto. - Melissa estava ali e ouvi sua voz dizer algo pra Maria agradecendo. - aqui é legal e eu já sei que é pro meu bem... E... Sinto sua falta e te quero logo aqui. - me sentia errado. Era como se alguém chegasse em mim e falasse "olha, vou levar sua namorada e tranca-la em uma torre pra p******o dela, mas deixo você falar com ela por telefone". É uma metáfora obviamente, mas é isso que tô sentindo. Como se eu falasse depois disso "tá, tudo bem, fique a vontade". Sinto que tô errado. - meu amor. - oque? - você tá bem? - tô daddy... Eu sei oque você tá pensando e eu juro que tô bem. - sorri, ela dizia com o seu jeitinho, estava tudo bem sim. - sinto muito a sua falta daddy, mas eu tô bem. - você jura? - juradinho pela... Pelo Lennon. - ri. - eles estão bem? - todos bem, sentindo a sua falta e eu não sei como descrever isso... Eles sentem. - suspirei. - mãe, eles podem vim? - ouvi. - se Henrique deixar sim. - sorri. - você ouviu daddy? Eles podem vim! - mais... Vai ficar aí por tanto tempo? - eu não sei. Eu vou mãe? - esperei por algo. - até que tudo esteja bem sim e vou lutar pra que não demore. - suspirei outra vez. - com quem Maria vai ficar, ela não pode ficar sozinha. - posso pegar? Rapidinho? - acho que era o celular. - Henrique. - sim. - terá seguranças, estamos em um condomínio fechado, cercado por policiais... Contratei uma... Agente da polícia. - ela disse mais baixo. - vai cuidar da Maria. - posso confiar nessas pessoas? - nunca colocaria a vida da Maria em perigo. - posso vê-la que dia, quero um dia. - hoje é sábado já... Sexta que vem. - e posso ficar? - dormir? - por favor. - tá é... Pode, não vejo problemas mais... Fique esperto, se alguém te seguir você não pode vim. - vou ter cuidado mais não parece ser tão grave assim, ninguém nunca me seguiu, levo Maria todos os dias pra escola... Levava... Mais isso nunca aconteceu. - por que eles acham que Maria mora com a minha mãe ainda... Eles não estão interessados com quem Maria está... Mas logo vão... Preciso da Malu. - você não pode s********r mais uma... E outra que Álvaro não sabe de nada, oque vou dizer a ele? - você não diz, deixa comigo. - suspirei. - posso ir então? Na sexta? - pode, até lá poderei até pedir pra alguém te buscar. - você tá até parecendo uma espiã. - riu. - e sou, mais agora... Farei de tudo pra não perde-las... Sei que tudo isso que tá acontecendo precisa ter algo tão grande por trás... E tem! Você não sabe nem da metade e vou te contar, mas preciso resolver tudo antes. Já estamos trabalhando nisso. - levei a mão ao rosto. - vou deixar você falar com ela, ela tá quase dormindo. - sorri. - tudo bem. - daddy? - a voz de sono. - oi meu amor. - eu quero dormir com você, muito, mas você promete que vai dormir sozinho? E bem? - sorri outra vez. - vou dormir sozinho e bem. - tô me sentindo tão leve. - e vai vim na sexta? - vou. - com Luna, Lennon e Lily? - penso. - se der sim, mais não prometo, são três meu amor, e uma é uma cachorrinha chata que não para quieta. - isso fez a gente rir, até Melissa. - promete que vai dormir bem e tranquila? - prometo. - então boa noite minha princesa. - boa noite daddy, eu amo você muito. - meu coração estava bem. - eu também amo você... Dorme, sonha coisas boas e fica bem, bem mesmo. - ela riu fraquinho. - queria fazer concinha com você. - ri. - na sexta eu faço. - ela esboçou uma reação. - sério?! Você vai dormir aqui?! - ri. - calma, mais acho que vou. - vai sim meu amor. - disse Melissa a ela. - ebaaaaa. - rimos. - tô muito feliz daddy. - eu sei, e quero que continue assim. Durma bem meu amor, eu te amo muito e vou ficar pensando em você. - eu também vou pensar em você daddy, te amo. - eu também, boa noite. - boa noite. Ela entregou o celular pra mãe dela e começamos a conversar. Melissa disse sobre policiais estarem na minha cola pra minha p******o. Pra mim isso era igual um filme, eu nunca achei que essas coisas fossem possíveis. Mas conversamos por muito tempo. Pelo que entendi tudo isso que tá acontecendo meu pai sempre soube e pelo que Melissa disse... "Henrique ele te colocou em perigo sim mais ele sabia onde estava se metendo também". Estou em perigo como ela disse, mas estou bem como ela também falou. Não me querem, querem as meninas e a troco de que eu não sei, é oque Melissa tá tentando descobrir por que o termo "elas eram valiosas pra eles" não servem de nada. Valiosas a que ponto? Sendo que podem ser facilmente trocadas por outra. Melissa também falou que eles acham que Malu está morta, então por enquanto oque querem é Maria e eu não confio que eles querem tanto ela. Mas eu estou a salvo, terá policiais disfarçados por perto o tempo todo então eu posso trabalhar despreocupado. Ela também disse que os homens que "me roubaram" eram bandidos e não dá polícia, já foram presos pelo que soube. Ela usou eles, mas tudo bem. Então... Estou em segurança e a salvo mas e Maria? Nossa isso é tão estressante pra mim. [...]
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR