Episódio 13

1564 Palavras
A sua presença me alivia momentaneamente, como se tudo fosse mais fácil, mas a verdade continua lá, esperando. Basileia, Suíça Margareth A primeira coisa que sinto quando abro os olhos é uma dor intensa entre as pernas. A segunda, um peito quente colado às minhas costas. Faço memória, mas minha mente está em branco. O que aconteceu e por que não me lembro de nada? Abro os olhos, mas fecho-os imediatamente porque a luz é muito intensa. Solto um gemido. A minha cabeça também está me matando. Ao me virar, percebo que o homem atrás de mim é Conrad. O seu peito está descoberto e, pela sensação do lençol sobre a minha pele, eu também não estou vestindo roupa. O que eu fiz ontem à noite? Esforço-me para que as lembranças cheguem a mim, tento de verdade. No entanto, nada muda. A última coisa que me lembro é de ter saído para jantar com ele, e agora estou aqui, confusa e sem nenhuma lembrança da minha primeira vez. Não era assim que eu esperava perder a virgindade. — Conrad? Sacudo seu corpo pesado para que ele acorde. — O quê? Grunhe. — Acorda, o que aconteceu ontem à noite? — Ah? Pergunta sem sair do seu torpor. Sacudo-o com mais força. — O que aconteceu ontem à noite? — Bebemos, dançamos e passamos a noite juntos. Ele explica. — Não me lembro de nada. — Bebemos muito álcool, não consigo nem pensar. Ele vira de bruços enquanto eu luto para lembrar o que aconteceu. Como posso, levanto-me da cama e vou apanhando a minha roupa espalhada pelo chão à medida que saio do quarto. Estou no que parece ser um apartamento. Procuro o banheiro para me arrumar um pouco antes de sair para o mundo real. — Mas o que…? Ofeguei ao ver o meu reflexo. O meu cabelo está uma bagunça. Felizmente, tenho um prendedor. A pouca maquiagem que uso está borrada, corrijo lavando o rosto. No entanto, há algo que não posso consertar: as marcas que percorrem o meu pescoço e outras partes do meu corpo. Parece que me assaltaram e, de alguma forma, é assim que me sinto. Uma vez vestida, saio daquele lugar, que de fato resulta ser um conjunto de apartamentos luxuosos do outro lado da cidade. Procuro uma nota na minha carteira e paro um táxi. — Que horas são? Pergunto. — Sete da manhã. Fecho os olhos com raiva. Prometi ir para casa ajudar e falhei no segundo dia. O pior? Não poderei dizer a verdade sobre isso, não quando é algo tão vergonhoso como ter passado a noite com um homem que não é meu parceiro e do qual não tenho lembrança alguma. Chego em casa e quase corro escada acima. Talvez eu não tenha conseguido ir com a minha família, mas se eu me apressar, chegarei a tempo no trabalho. Fecho a porta atrás de mim, tomo um banho e visto roupas mais quentes do que o normal. Felizmente, esta época do ano justifica isso. Oculto a minha aparência demacrada com maquiagem, pego a minha bolsa de novo e saio, para dar de cara com meu vizinho. — Olá. Ele me cumprimentou. — Você não chegou em casa ontem à noite. Ele acrescenta. Sinto o sangue escoar do meu rosto. Juro que fiquei mais pálida do que já estava. Aclarei a garganta antes de responder: — Fiquei na casa dos meus pais. Minto, e me sinto m*al. — Tenha um bom dia. Ele grunhe. — Eh, obrigado. Respondo com dúvida. Ele entra no apartamento dele, enquanto eu fico ali por alguns segundos, sem saber o que fazer. Retomo o meu caminho. Chego na empresa bem a tempo, a melhor coisa que aconteceu na minha manhã. Caroline e eu abrimos a porta em silêncio, e presumo que ela intua que algo está acontecendo comigo. — Maggie! Grita Joelle atrás de mim. — Sentiu a minha falta? — Sim, eu senti. Respondo com sinceridade. A mulher exuberante estava numa viagem de trabalho. Eu sei porque ela reclamou muito de como sentiria falta dos meus preparos. — Diga-me que tem algo para mim. Até vim uma hora antes para você me alimentar. — Não tenho nada, mas posso fazer algo. — Vou sentar, pode levar o tempo que precisar. E ela faz isso, senta-se em uma das mesas com a atenção no telefone. Com passos mais suaves do que o normal, movo-me de um lado para o outro na cozinha enquanto começo a assar. E pela próxima hora, é como se nada tivesse acontecido. A minha mente se concentra na tarefa, esquecendo completamente o desastre da noite passada. Por que eu tive que sair com ele? Por que eu deixei isso acontecer? — Maggie, Maggie. Acordo com a voz da minha assistente. — Já começaram a chegar. Ouço as vozes das pessoas lá fora, esperando para serem atendidas. — Estou indo. Tiro a última bandeja de brownies e me posiciono no balcão. Com alegria fingida, atendo-os um por um, embora por dentro a única coisa que eu queira seja ir para casa, deitar e chorar até não poder mais. — Esperei o último ir embora para ter alguns segundos para você. Diz Joelle. — Dê-me algo viciante. — Toma. Estendo-lhe dois dos brownies sem açúcar que preparei para ela. — Não prometo que estejam ricos, fiz às pressas. — Até a água fica deliciosa quando você coloca a mão, não se preocupe com isso. Ela brinca, mas eu não rio. — Temos um público difícil hoje. O que está acontecendo com você? Carolinne indaga. — Eu... Sinto-me tentada a falar com ela, no entanto, Conrad entra naquele momento e caminha para cá a passos largos, como se nada tivesse acontecido. "Mas aconteceu", lembro-me. Oh, o chefe está vindo. Espero que ele esteja de melhor humor. Eles já estão quase voltando para fazer companhia a ele e tirar a amargura. — O quê? — Vou indo, a gente se vê mais tarde. Despede-se Joelle antes de trotar em direção ao elevador. O meu coração bate cada vez mais rápido à medida que Conrad encurta a distância entre nós, as minhas mãos suam e sinto a necessidade imperiosa de correr para longe dele, de colocar a maior distância possível. Por que me sinto assim? Embora tenhamos passado a noite juntos, algo que não me lembro, foi minha culpa me deixar levar pelo álcool quando sou completamente fraca para beber. Talvez eu tema o que ele possa pensar de mim. Afinal, me entreguei a ele sem mais nem menos. — Bom dia, Margareth. Ele cumprimenta-me com um sorriso deslumbrante. — Bom dia. Gaguejei. — Você foi embora cedo, lamento não ter te levado para casa. — Está tudo bem, eu devia vir trabalhar. — Te perdoo só por isso. Você me dá o café como eu gosto? — Claro. Com mãos trêmulas e com o coração quase na garganta, sirvo o café a ele com um sorriso falso no rosto. Conrad se inclina para me beijar a bochecha e resisto ao impulso de me afastar. De verdade, o que está acontecendo comigo? — Nos vemos depois, Margareth. — Nos vemos. Sinto que, finalmente, posso respirar quando ele se afasta. Desabo em uma das cadeiras próximas, exausta física e emocionalmente. — Você está se sentindo m*al? Pergunta Caroline. — Foi uma noite difícil, mas vou ficar bem. Minto, mais uma vez. Não estarei bem hoje nem num futuro próximo. Milagrosamente, termino a jornada de trabalho apesar de sentir que estou morrendo. Saio com pressa para não ver nem Conrad nem Joelle e chego ao meu prédio. O meu celular toca antes de eu entrar, eu tiro e vejo o número do meu irmão na tela. Duvido por alguns segundos antes de responder, poderia ser uma emergência. — Um dia durou a sua promessa, Maggie. Um dia para que você nos esquecesse de novo. O que nossos pais fizeram de errado com você? — Nathan... Murmuro, com os olhos cheios de lágrimas que tenho retido o dia todo. — Por favor. Imploro, não sei exatamente o quê. Piedade? Um descanso? Só quero que a dor pare. — Por favor, nada! Depois de tudo o que fizemos por você, do que perdemos por você, eu esperava que você fosse mais grata. — Irmão... — Eu não sou nada seu. Não venha mais em casa, você não é bem-vinda. Ele diz e desliga. Levo a mão à boca para não fazer barulho. Como tudo isso aconteceu? Corro para dentro do prédio antes de desmoronar completamente. Quando o elevador para no meu andar, continuo correndo até chegar à minha porta e batê-la com força atrás de mim. Caminho até o meu quarto, me jogo na cama e choro. Um choro dilacerante que reflete apenas uma parte do que realmente sinto. Arruíno tudo o que toco, arruíno as pessoas ao meu redor. Devia ser eu, eu devia ter morrido naquele acidente e não o meu irmão. Quero ir embora, quero ir embora para que a dor pare. Não aguento mais, não sou tão forte. Quero que tudo termine. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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