Episódio 12

1097 Palavras
Caminho até a empresa, mas vejo um beco antes de chegar e entro nele. Na liberdade e privacidade que este lugar me proporciona, dobro-me até que as minhas mãos se apoiem nos meus joelhos e deixo escapar tudo o que tenho contido: raiva, frustração e culpa. Entre lágrimas e gemidos, libero o fardo que guardei desde que meu irmão mais velho abriu a porta. Permito-me desmoronar por alguns minutos antes de limpar o rosto e seguir em frente com o meu destino. — Bom dia. Cumprimenta Coraline quando paro em frente a ela, pois ela chegou primeiro. — Bom dia. Abrimos o local e começamos os nossos trabalhos. Coloco um sorriso no rosto enquanto sinto que o meu interior grita por ajuda, grita por uma liberação de todos os sentimentos negativos que experimento. Não quero me sentir assim, não quero que doa tanto. Estou entregando um copo de café para um dos trabalhadores quando vejo Conrad. Espera até ficarmos sozinhos. Coraline está atrás assando. Ele para e se apoia no balcão e me estender um buquê de flores. — Margareth, ver o seu rosto precioso se tornou algo que alegra as minhas manhãs. Sorri mais quando eu pego o arranjo. — Por favor, faça-me a honra de sair comigo esta noite. Podemos ir comer hambúrgueres enquanto você me ouve falar sobre o quão to*lo fui ao desperdiçar o nosso primeiro encontro, o que você diz? Desesperada para me distrair e não sentir que estou me afogando, não hesitei antes de dizer: — Sim. — Genial! Você não vai se arrepender. Ele inclina-se e deixa um beijo na minha bochecha. Até a hora da saída. Não sorrio enquanto o vejo partir. Simplesmente, fico ali, desejando ir para a cama e nunca mais levantar. — Você está bem? Me pergunta a minha assistente. — Não. — Quer falar sobre isso? — Não. Pelo canto do olho a vejo assentir e voltar para a cozinha. Limpo uma lágrima solitária que me escapa, respiro fundo e a sigo. Em silêncio, ambas trabalhamos até o fim do dia. Despeço-me dela e caminho em direção a Conrad, que me espera no meio do caminho. Apesar de o restaurante ficar a poucos minutos, entramos no carro dele porque ele não quer ter que voltar para buscá-lo na empresa. Tudo passa num borrão diante dos meus olhos: sentamo-nos, pedimos a comida, ouço-o tagarelar e tagarelar. — Margareth...? — Sim? Pergunto, voltando à realidade. — Perguntei se você queria ir para outro lugar comigo. — Está bem. Não vou dar voltas. Só quero parar de sentir. De volta ao carro, ele nos leva até uma área no centro que está cheia de boates. Para minha surpresa, há uma boa quantidade de pessoas nas ruas, apesar de ser apenas segunda-feira. — Noto você um pouco estressada, assumi que uma taça nos faria bem aos dois. — Está bem. Repito. De mãos dadas, ele me leva para dentro de um dos estabelecimentos. Logo me vejo com um copo na mão e me movendo ao ritmo da música. Estou perdida na sensação, a minha mente está tranquila e não sinto o peso no meu peito. — Ei! Beba isto. Conrad coloca um copo na minha boca e eu engulo o conteúdo. — Isso é tão divertido! Grito. — Oh, acredite em mim, será mais divertido. Deixo que guie os meus movimentos, o meu corpo se sente pesado e leve ao mesmo tempo. Rio, grito, pulo e danço como nunca tinha feito. Conrad continua me dando de beber e é tão bom não ter preocupações que aceito de bom grado. — Vamos continuar a festa em outro lugar. Ele me diz. — Sim! Ele diz que continuaremos a festejar, mas noto que saímos daquele lugar. Ele vai me levar a outra discoteca? Sinto que ele me coloca no carro e afivela o meu cinto, luto para manter os olhos abertos, mas o cansaço e a atordoamento vencem a batalha. — Vamos, Margareth. Ele diz, incentivando-me a andar. Quero perguntar onde estamos, no entanto, a minha língua está muito pesada e não consigo articular nada. Há muita luz, tanta que quero levantar o braço para tapar os olhos, mas pesa demais. — Levante os braços, deixe-me deixá-la confortável. Você está com calor, certo? Sento-me, ainda sem poder falar. Um arrepio percorre o meu corpo ao sentir o vento gelado na minha pele desprovida de roupa, então sou depositada sobre algo macio que afunda sob o meu peso, uma cama? Mãos firmes percorrem o meu corpo, balanço a cabeça, não quero que me toquem, só desejo que me cubra. Está frio. — Você é tão linda, a sua pele é tão macia. Ele manifesta uma voz distorcida. Quem está falando? Conrad, é ele. Onde estou? Quero ir para casa. — Vamos nos divertir, muito. Ele continua falando. De repente, sinto uma dor aguda, quero mover as minhas pernas para afastá-lo de mim. Não gosto de como me sinto, dói, dói muito. Preciso me mover, quero fazer isso, mas meus mem*bros não respondem aos meus comandos. A dor não cessa, o movimento aumenta até que, após uma eternidade, para. — Minha linda Margareth. Ele rosna no meu ouvido. — Você me deu seu tesouro, nunca esquecerei. Finalmente, algo quente cobre o meu corpo, afastando o frio de mim. Um braço pesado pousa na minha cintura e aproxima-me de um peito musculoso. Não sinto mais frio, estou quente, mas ainda dói. Por que dói tanto? A realidade começa a se dissipar diante de mim, como um sonho que escapa. A escuridão me envolve enquanto a dor persiste, profunda, dilacerante. Tento me mover, falar, mas meu corpo não responde, preso numa prisão de confusão e medo. Sinto o peso do que acabou de acontecer, embora a minha mente se recuse a aceitá-lo completamente. As imagens borradas da noite passam fugazmente, misturando-se com a sensação de traição e vulnerabilidade. O silêncio da sala é perturbador. Conrad respira pesadamente ao meu lado, alheio ao turbilhão que me sacode por dentro. Aferro-me à beira da consciência, tentando processar o que acabou de acontecer, mas o esgotamento me arrasta, levando consigo as últimas energias que me restavam. Fico quieta, incapaz de chorar ou gritar, porque neste momento, tudo o que sinto é um vazio abismal que cresce cada vez mais. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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