Possível caminho

1047 Palavras
Capítulo 17 O Príncipe Adormecido O dia já estava na metade com um sol atingindo o céu de Dubai com tons fortes alaranjados. No entanto, no interior do palácio real, a atmosfera não combinava com a paisagem. O clima era denso, abafado por tensões, tramas e decisões que poderiam alterar para sempre o destino de vidas entrelaçadas pela tradição, poder e amor. Rafique deixou os aposentos de Isadora com o coração pulsando como se estivesse novamente em uma de suas antigas corridas de cavalo ou de moto. Mas desta vez, a corrida era contra o tempo, contra os costumes que o acorrentavam, contra os pais que desejavam moldar seu futuro por conveniência. Chegou ao seu escritório, um ambiente moderno, mas com toques tradicionais. Arabescos talhados na madeira escura contrastavam com os monitores de última geração. Sentou-se diante de seu computador de alta potência e, como um gênio da estratégia, começou a buscar entre os registros, jurisprudências e possibilidades dentro das tradições reais uma forma de contornar a imposição de um casamento arranjado. Descobriu algo interessante: a princesa da Pérsia, com quem seu pai queria casá-lo, como principal esposa poderia rejeitar o casamento desde que ele já estivesse legalmente casado com outra mulher. Tirando o seu título de primeira esposa. O casamento no entanto devia ser reconhecido publicamente por um familiar importante da sua família e Isadora deveria ter sido aceita por ele como sua esposa, com todos os ritos necessários. Ou seja, ela precisava ser sua esposa de fato, e ter apoio de um sheik das duas famílias, não apenas uma barriga de aluguel sob contrato. Mas seu pai poderia mudar os termos da sua sucessão. Ele não seria a favor. Imediatamente levantou-se da poltrona, passou a mão pelo queixo, o maxilar trincado de tão tenso. Começou a andar em círculos, com os olhos cravados no chão de mármore, pensando em cada possível caminho. "Eu não deixarei Isadora. Não depois de tê-la beijado e de sentir, sua doçura e firmeza, ternura e coragem. Ela me trouxe de volta à vida. Isso não pode ser ignorado." Seria possível fazê-la sua segunda ou terceira esposa? Uma solução comum dentro de sua cultura. Para seu pai não mudar a sucessão. Mas não. Isadora era valiosa demais para ocupar um lugar secundário na vida dele. Ela merecia mais. Merecia tudo. Então, decidiu ligar para aquele em quem sempre confiara: seu tio Sheik Malik Al Salim. Porém Rafique não sabia que ele era o homem que agora estava incumbido de receber Isadora em seu harém. Ele digitou o número pessoal. Malik atendeu rapidamente. — Tio Malik. — Rafique sobrinho que paz esteja com você! Finalmente! Como está se sentindo, meu rapaz? — Melhor do que nunca, tio. E é por isso que estou te ligando. — Certo qual o motivo então, amado sobrinho, me diga seu tio está aqui por você... — Estou pronto para me casar, a moça se chama Isadora, ela é ocidental. A quero como minha primeira esposa. Mas meus pais não aceitam. Eles já tinha firmado um casamento arranjado para mim com a princesa da pérsia. Ela vai ser levada daqui hoje, e eu preciso da sua ajuda, quero seu apoio de reconhecimento do meu casamento nos rituais sagrados. — Que Alá esteja com você, filho. Eu sou um homem de palavra. E infelizmente já me comprometi, eu soube do que se trata, seus pais falaram comigo. Eles irão enviar essa moça Isadora para mim. Sua mãe pediu a Hassan seu pai para que eu recebesse como minha concubina. A fim de que seja impossível você tocar sobre o meu teto. — O quê, isso não vai acontecer, tio Malik. Isadora está grávida espera três crianças minhas em seu ventre. — Alá seja louvado, por sua enorme descendência querido sobrinho. É sim, eu também sei dessa parte, essa moça é uma barriga de aluguel por contrato. Muito vantajoso por sinal o negócio será para ela, uma bela soma em dólares. Minha irmã Annia sabe ser generosa. — Isso não me interessa, tio. O que importa é que Isadora é minha. Eu a respeito. E a quero como minha esposa principal. Houve uma pausa do outro lado da linha. O sheik Malik suspirou consternado por não poder ajudar seu amado sobrinho. Mas sua palavra não podia ser revogada, e ele primeiro aceitou ajudar Hassan. — Isso não vai acontecer, Rafique. Seu pai e sua mãe jamais vão permitir. A moça já vai ser trazida para mim hoje mesmo. E prometo que eu nunca à tocarei, ela ficará no meu harém somente para sua própria proteção. — Não. Ela não vai. Isadora é minha. Eu vou agora mesmo resolver isso com meu pai. Não vou ceder. Ou será Isadora minha esposa ou nenhuma outra. — Tudo bem, faça o que achar melhor. Se seus pais concordarem, eu estarei feliz em saber que você se tornou um homem de uma mulher só. Como eu nunca consegui. — Sim, é isso que quero. Eu voltei do coma. Eu não quero ser mais aquele Rafique que colecionava mulheres como carros. Eu quero viver somente com a Isadora. — Após uma experiência como a que você teve, um homem muda. Eu compreendo. Boa sorte, sobrinho Rafique. Encerrada a chamada, Rafique refletiu com raiva, seu tio não poderia o ajudar. Poderia raptar Isadora, escondê-la, levá-la para um dos seus apartamentos secretos. Mas isso não seria justo com ela. Ela seria só uma amante sustentada por ele. E ele sabia que a história que os dois podiam construir, mesmo entre traumas. Não era essa, e por isso ele precisava fazer do jeito certo. Seguiu diretamente para os aposentos de seu pai. O Sheik Hassan, já exausto pelo invadi da tarde, encontrava-se deitado em um divã, os olhos semicerrados, mas ainda cheios de autoridade. — Que boa sorte tenho, meu filho primogênito está aqui. Que Alá seja louvado cenho com compaixão. — Sim, meu pai. Alá seja louvado. Como o senhor está? — Vou bem. Suportando o que o destino me impôs. Mas e você, por que não está descansando? Como é recomendado pelos médicos. — Não preciso, meu pai. Já estou cheio de vigor. E por isso voltei à vida. — Sim, você é um guerreiro. Mas mesmo guerreiros têm deveres a cumprir. Autora: Graciliane Guimarães
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