Seu Destino era ela

1202 Palavras
Capítulo 15 O primeiro Adormecido Passaram-se três semanas desde o caos que abalará os alicerces do palácio da família Al-Nahyan em Dubai. O grito de Isadora, que despertou o príncipe, o sangue de Simone derramado para proteger a sobrinha. Tudo ainda pairava como uma névoa densa nos corredores silenciosos, onde agora a esperança tentava brotar entre os escombros da dor. Simone continuava na UTI, lutando entre a vida e a morte. O golpe de faca perfurou seu abdômen, atingindo órgãos vitais. Os médicos faziam o possível, mas o caso era grave. Mesmo sedada, o rosto da enfermeira parecia tranquilo. Como se soubesse que sua coragem havia salvado mais do que uma vida: havia devolvido a humanidade a um príncipe adormecido há dois anos. Isadora, agora recuperada fisicamente do trauma psicológico, fazia visitas diárias à tia. Sentava-se todos os dias em silêncio ao lado da cama, segurando sua mão, os olhos marejados pela dor e pela culpa. Sentia-se responsável, mesmo sem ser. Do outro lado do hospital, Rafique chocava a equipe médica com sua rápida recuperação. O herdeiro real, que havia sofrido um acidente grave numa corrida proibida de motos com outros seis jovens nobres, voltara de um coma de dois anos com uma força que beirava o impossível. Tivera hemorragia abdominal e um traumatismo craniano, mas o corpo responderá como se o tempo não tivesse passado. O príncipe agora caminhava com firmeza, os olhos mais intensos do que nunca. Não se lembrava da noite da tragédia com clareza, apenas de luzes, motores e um grito distante. Mas tudo o que era passado parecia se calar quando via Isadora. Porém, ele estava sendo impedido de vê-la. Mas não iria mudar o que já sentia, havia algo nela que o ancorava, mesmo sem entender por quê. Naquela manhã, Rafique entrou na UTI. Parou ao lado de Simone. As enfermeiras se afastaram discretamente. — Continue a fazer tudo e salvem ela. — disse ele, firme. — Façam o que for necessário. Essa mulher salvou a futura mãe dos meus filhos. E de certa forma me salvou junto. Suas palavras não eram ditas em vão. Simone era a única ligação entre ele e o passado recente. E, mais do que isso, entre ele e Isadora. Com intuito de entender o porquê de não se encontrar com Isadora, por pura proibição da mãe, ele foi ter uma conversa com ela, que estava sentada no jardim interno da ala médica do palácio, que fora feito para ele. Rafique conversava com sua mãe, Annia. A princesa parecia tensa, desconfortável. Ele percebeu. — Está me escondendo algo, mãe? Ela hesitou. Depois, respirou fundo, mudando de assunto. — Eu suspeito de conspiração, pelos filhos do seu pai, com as mães deles. Mas o chefe da guarda, Félix, desapareceu logo após o ataque. E temo que nunca poderá ser provado agora. A culpa caiu sobre ele, mas eu sei que seus irmãos descobriram que eu contratei uma incubadora humana, e eles souberam que era Isadora, porquê no mesmo dia do atentado ela sofreu uma tentativa de envenenamento, e seu pai também fez um decreto pós morte para te dar segurança, fazendo você o único herdeiro dos títulos dele e só seus descendentes diretos poderia te substituir. — Certo, se Félix se foi, sua linha de raciocínio não poderá ser provada ao meu pai, por enquanto, porém isso no momento nem me importa, mas a Isadora ser taxada por você simplesmente como uma incubadora humana, não está certo, e nem sua proibição de que eu veja. — disse ele, com raiva contida. Annia desviou o olhar. Fugindo do foco principal, que era a sua ordem de que Rafique não visse Isadora. — Foi necessário filho querido. A linhagem precisava continuar. Simone ofereceu a sobrinha. Mas eu soube depois, que ela trouxe Isadora com mentiras, que era uma viagem de presente para os seus 18 anos. Quando chegou, ela até contou, e Isadora quis ver você quebrando o meu acordo com tia dela, e então eu não tive escolha e ameacei a vida da Simone para que Isadora aceitasse ser inseminada. Rafique fechou os punhos. Sentia ódio, mas não podia voltar atrás. E não podia descontar sua irá contra mãe, porém ela fora longe demais. E merecia umas chicotadas. O Sheik Hassan se aproximou no meio da conversa. Estava pálido. Mas ainda era o líder. — Chega dessa história Annia, a verdade não muda a situação que já está feita, mas agora meu filho, você precisa ainda saber que eu estou doente. Um câncer nos rins. Não tenho muito tempo de vida. E está na hora Rafique de você tomar seu lugar. Esqueça um pouco essa moça, Isadora. Por quê você precisa assumir seu destino com Kaisha IL Zhang. Princesa da Pérsia, antes eu não contei, mas é ela que será sua esposa. E por isso você não deve mais ver Isadora. Rafique o encarou, com irá descrença, porém ponderou ao falar: — Meu destino, meu pai, foi alterado no dia em que Isadora segurou minha mão. — Ela só é um ventre ambulante que foi comprado! — vociferou Annia. — Não, minha mãe, Isadora é mulher de um ventre sagrado, que Alá escolheu para levar minha descendência através do tempo, e ela é muito mais do que todas as outras que vi ao meu redor antes de estar naquele leito. — Ele se virou e saiu. A princesa inconformada ainda o chamou.. — Volte aqui, Rafique, você precisa obedecer seu pai. Ele é o sheik, você não pode desobedecer. O Sheik Hassan, cansado, ponderou.. — Deixe ele Annia, o noivado será firmado no sábado. Já convidei o Sheik Said IL Zhang, ele tratará comigo o arranjo do casamento. — Tem razão, meu marido. Você sempre tem razão. No corredor, ao lado dos aposentos de Annia, Rafique descobriu com uma serva de confiança da mãe onde estava o quarto temporário de Isadora. Ele bateu à porta, e disse quem era. Ela abriu com um sorriso contido, os cabelos soltos, vestida com leveza túnica azul. O rosto sereno, embora cansado. — Posso entrar? — Claro, alteza senhor príncipe. — Só Rafique, para você, Isadora. Sentaram-se lado a lado. Ela tinha um livro nas mãos: um romance da dinastia Tang que ele conhecia muito bem. — Conhece essa história? — ela perguntou divertida. — Só o título. — mentiu, brincando e sorrindo. — E por isso quero que me conte outra vez. Isadora abriu as páginas. Enquanto lia em voz baixa, Rafique sorriu e segurou sua mão. Ela hesitou, depois sorriu e permitiu. As palavras do livro se confundiam com a pulsação entre os dedos entrelaçados. Faziam dias que eles não se viam, mas Isadora foi informada que ele estava em tratamento específico neurológico, por isso esperou com paciência. Porém a verdade era que Rafique estava proibido de vê-la. Mas ele, claro, agora que sabia onde encontrá-la, não deixaria de se encontrar com ela. A tempestade ainda rondava os dois. Mas ali, entre as páginas e os silêncios compartilhados, algo começava a florescer, o improvável amor entre o príncipe que voltou da morte e a jovem inocente que foi usada por ameaça, e que agora carregava, não apenas seus filhos, mas sua redenção. autora: Graciliane Guimarães
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