Voltei para te proteger

1066 Palavras
Capítulo 14 O Príncipe Desperto O alarme ressoava como um trovão dentro do palácio, ecoando por todos os corredores e alas. Guardas armados invadiram o quarto do príncipe em uma corrida desesperada. Assim que abriram a porta, o caos tomou forma diante dos olhos deles. Simone jazia no chão, com sangue se espalhando rapidamente de sua barriga para o piso branco e frio. Isadora estava desacordada, caída nos braços do homem que até então havia sido apenas uma sombra viva naquele quarto. Rafique. A cena era inacreditável. O príncipe, antes adormecido havia meses, estava sentado no chão, com fios e cabos pendendo do corpo, segurando Isadora com os olhos abertos e desesperados. — Salve-a enfermeira! — gritou ele, com a voz rouca, mas cheia de autoridade. — Salvem as duas! Os médicos chegaram em seguida, empurrando macas e trazendo equipamentos. Dois deles imediatamente se ajoelharam ao lado de Simone, avaliando a hemorragia. — Pressão caindo! Preparo de transfusão, já! Outros dois vieram em direção a Isadora e a retiraram cuidadosamente dos braços de Rafique. — Ela desmaiou provavelmente de choque, mas respira. — Cuide dela... — sussurrou ele, antes de perder as forças e cair ao lado, por poucos segundos, mas logo ele voltou a consciência. O corredor se encheu de passos e vozes. Princesa Annia foi a primeira a chegar, com o Sheik Hassan logo atrás. Ambos ainda vestiam seus trajes noturnos, mas o medo em seus rostos era claro. O alarme não parava. A cada segundo, o eco do caos se espalhava. Quando Annia entrou, levou as mãos à boca ao ver Simone no chão, Isadora sendo levada e, no centro de tudo, o filho dela sentado. Acordado. Vivo. — Rafique... — sussurrou ela, com a voz entrecortada. O Sheik Hassan congelou na porta. O olhar se fixou naquela cena improvável. As palavras lhe faltaram. Quando finalmente se aproximou, ajoelhou ao lado do filho e tocou seus ombros com delicadeza. — Rafique... O príncipe, mesmo exausto, virou o rosto e encarou os pais. Annia caiu de joelhos também e o abraçou. — Ala seja glorificado! Nosso filho voltou! — ela disse, chorando como há muito não chorava. Hassan uniu-se ao abraço. A família se encontrava ali, entre sangue, lágrimas e o renascimento. — Salvem a tia da mulher que me trouxe de volta... — foi tudo que Rafique conseguiu dizer antes de fechar os olhos e desmaiar. Rafique, Isadora e Simone foram levados imediatamente para a ala médica ao lado do quarto. O palácio entrou em estado de alerta máximo. Ordens foram dadas, guardas foram interrogados, e um cerco interno foi montado. As notícias da tentativa de atentado se espalharam rapidamente entre os serviçais. Mas a notícia que dominou tudo, como um vendaval, foi outra: "Príncipe Adormecido Rafique desperta do coma" A mídia explodiu. Jornais impressos correram pelas cidades. Canais de televisão noticiaram a recuperação milagrosa do herdeiro. Redes sociais em todas as línguas se enchiam de hashtags como #RafiqueVivo e #MilagreNoPalácio. No meio da ala oeste, em uma sala isolada, Taric e Jafer se entreolharam em pânico. Ouvindo pelos serviçais que o príncipe havia acordado. A farsa estava desmoronando. — Estamos perdidos, Jafer. Perdidos. — disse Taric, andando de um lado para outro. — Precisamos falar com as nossas mães. Agora. Eles correram por corredores privados até os aposentos de Zayra e Lyaza, onde entraram em desespero. — Ele acordou! Rafique acordou! — gritou Jafer. — Ele viu tudo? — perguntou Lyaza, pálida. — Não sabemos... mas o plano falhou. E agora vão investigar tudo. — disse Taric. Zayra olhou para eles, pela primeira vez, verdadeiramente preocupada. — Vocês não falaram com ninguém sobre a origem do plano, falaram? — Claro que não! Mas os homens que entraram eram da guarda. Se descobrirem que eram nossos... Lyaza bufou, a tensão nos olhos. — Então rezem. Rezem muito. Horas depois, Rafique despertou na ala médica. Os olhos lentamente se abriram e ele viu o teto branco, os médicos ao redor, e mais distante, o rosto emocionado da mãe. — Rafique... você está salvo. Alá seja louvado. Você voltou, meu filho. — disse Annia, com os olhos marejados. Ele tentou falar, mas a voz ainda era fraca. A primeira coisa que perguntou: — Isadora... e Simone? — Isadora está bem estável. Simone está em cirurgia, mas estão fazendo de tudo para salvá-la. — respondeu o Sheik Hassan, que agora estava ao lado da esposa. Rafique fechou os olhos, aliviado, mas seu coração se encheu de raiva silenciosa. — Quero saber quem fez isso. Descubram. — Já estamos investigando. Todos os guardas estão sendo interrogados. O chefe de segurança já foi chamado. — respondeu Hassan, olhando para os médicos, que confirmaram que Rafique precisava descansar. — Depois eu descanso. Quero ver Isadora. — Não filho, você e ela precisam descansar. — foi firme Annia. — Já disse, preciso vê-la, e isso não negociável. — Certo filho, você vai vê-la, porém espera até que o seu soro acabe! — disse Hassan compreensível. E assim que foi possível, ele foi levado até ela. Em uma cadeira de rodas. Porém logo se pôs de pé. Isadora estava em um quarto privativo, em repouso. Os batimentos dos bebês estavam estáveis, mas seu corpo estava fisicamente e emocionalmente esgotado. Porém, parecendo sentir a presença dele, ela abriu os olhos, sentiu uma mão quente e conhecida segurando a sua. E então o viu. Rafique de pé, com semblante cansado, mas vivo. Acordado. Real. Ela não conseguiu conter as lágrimas. — Não... não é um sonho? Você está aqui... — Estou. — ele disse, se aproximando mais e encostando a testa na dela. — Você me chamou, e eu voltei. Ela soluçou. — Eu pensei que não conseguiria acordar. Mas eu voltei pra te proteger. Ele a abraçou com ternura. — Você me salvou, cada vez que falou comigo me implorando para acordar, e me trouxe de volta ao gritar por mim. É a única razão de eu estar aqui. Eu vi você no escuro aterrizada. E lutei. Por você. Ela sorriu entre lágrimas, sem dizer nada e ele a beijou na testa, como ela fez tantas vezes com ele. Era o recomeço. Mas também o início de uma guerra silenciosa. Pois agora, o príncipe acordado, não permitiria que tocassem em Isadora. E o palácio teria de se curvar ao herdeiro de sangue puro que voltava com sede de justiça. Autora: Graciliane Guimarães
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