O plano

1126 Palavras
Capítulo 19 O príncipe Adormecido — Amigo, você sabe que pode contar comigo. Posso dar abrigo à sua mulher, por quanto tempo precisar. Eu a manterei protegida. Longe das mãos da princesa e dos olhos de quem não deve a ver. Você precisa de tempo. E se quiser eu posso... até comprometer a princesa da pérsia com algum escândalo, se desejar. Rafique sorriu de leve. — Não vou negar que é tentador. Sei que você faria um ótimo trabalho. — Então está feito. Eu salvo a sua Isadora. Raptando da rota da princesa Annia. Você conversa com seus pais, sem pressão sobre ela. E deixo minha palavra: Vou fazer algo contra a reputação da princesa Kaisle Ilzhaig. Ela é bonita e sabe que sou muito encantador. O tom brincalhão arrancou um riso breve de Rafique, e os dois apertaram as mãos como nos velhos tempos. Rafique respirou fundo. Era isso ou arriscar perder Isadora para sempre. Afinal ela estando sobre o teto do seu tio Malik seria impossível. — Faça, eu aceito sua ajuda, mas vou verificar se consigo vê-la antes, mas se não, assim que você conseguir interceptar o comboio que ela irá, me informe. — Claro, imediatamente te aviso. Horas depois, antes dela ser levada, ele entrou nos novos aposentos de Isadora. Conseguiu a informação subornando a criada principal de sua mãe. A jovem, de olhos claros e cabelos soltos, lia o livro antigo sobre a dinastia Tang. — Isadora... Ela se levantou, os olhos alarmados, porém esperançosos. Rafique abraçou e com um beijo rápido, explicou seus planos. Ela ouviu com preocupação, mas confiava nele é no sentimento que compartilhavam. — Você tem certeza que pode confiar nesse seu amigo? Karim? — Sim, somos amigos de infância. Tivemos nossos imprevistos na escola, mas Karim é como um irmão pra mim. Até mais do que os meus irmãos de sangue. Temos os mesmos projetos e gostos, as mesmas ambições. Ela o observou em silêncio, buscando algo que a tranquilizasse. — Entendi. Mas... — Sem "mas". Você estará segura. Eu vou organizar tudo. Não haverá intervenção dos meus pais. — Tudo bem... Eu vou com ele. Rafique se aproximou, pegou suas mãos, e a beijou na testa. — Obrigado. O quanto antes eu vou te ver. E apenas Karim saberá onde você estará. Assim, evitamos riscos. Ela assentiu. — Entendi. Você já explicou. Um último beijo, um olhar profundo, e ela esperou ser levada primeiro pelos guardas do palácio, e depois seria retirada do poder deles por Karim. O carro preto atravessou os portões do palácio, deixando Rafique olhando o horizonte com um peso no peito. A menos de um quilômetro do palácio, o sol escaldante de Dubai ainda queimava as ruas silenciosas da região nobre, onde só o vento quente se atrevia a circular. O carro oficial do palácio avançava com Isadora no banco traseiro, acompanhada por dois guardas rígidos, vestidos de preto, que não desviavam os olhos da estrada. A emboscada seria rápida, e logo a frente. De repente, um estrondo cortou o ar. — Tirem os cintos, precisamos reagir! — gritou um dos guardas, instintivamente. Antes que alguém pudesse reagir, um disparo certeiro ecoou. A roda traseira direita do carro foi atingida com precisão, fazendo o veículo perder o controle e derrapar em direção à calçada. O freio foi quase violento. Os guardas saltaram para fora rapidamente, armas em punho, enquanto outro carro preto, com vidros escurecidos, bloqueia a frente do comboio. Isadora não se assustou ao ouvir tiros em seguida a explosão dos pneus. E o carro parando bruscamente. Um alvoroço, e som de lutas. Ela estava calma, apesar do medo rastejando sob sua pele. Esse era o plano de Rafique em ação e ele havia a alertado: isso aconteceria. Ele avisará que seu amigo, Karim, a resgataria. De dentro do carro, Karim, o amigo leal de Rafique, desceu com uma calma impressionante, mas o olhar era firme e decidido. Em poucos segundos, ele estava ao lado do carro oficial. — Soltem a mulher. — ordenou Karim, a voz baixa, porém autoritária. Os guardas hesitaram, mas a superioridade numérica do segundo grupo, e a surpresa do ataque, fizeram com que eles recuarem. Isadora, com o coração batendo forte, viu-se sendo rapidamente retirada do carro pelos homens. Karim se aproximou dela com um sorriso leve, mas seus olhos brilhavam com uma energia calculada. — Muito prazer, Isadora. Sou Karim, grande amigo do Rafique. — disse, estendendo a mão. Ela, ainda tensa, não resistiu a responder: — Eu sabia que isso aconteceria. Rafique me avisou. Karim sorriu de lado, satisfeito. — Sim, ele pensou no melhor para você. Agora, vamos está tudo sob controle. Ela foi guiada para o carro preto. Por dentro, o veículo era impecável de couro branco, detalhes em madeira clara e um sistema de som que tocava uma música instrumental suave. A diferença era chocante em relação à tensão do momento. Enquanto o carro partia, Karim olhou para Isadora pelo espelho retrovisor. — Fique tranquila. Vou cuidar de você como uma princesa. Afinal, é isso que você merece, segundo Rafique. O veículo deslizou pelas ruas de Dubai, afastando-se do palácio e mergulhando na cidade moderna, entre arranha-céus reluzentes e luzes que começavam a acender com o cair da tarde. Pouco depois, entraram para dentro do estacionamento subterrâneo do prédio de vidro e aço, que parecia flutuar sobre a cidade. Karim abriu a porta para ela, que subiu com ele no elevador silenciosamente, seu coração acelerado. Quando as portas se abriram no último andar, Isadora ficou sem fôlego. A cobertura era um santuário de luxo absoluto. O piso era de mármore branco polido, refletindo a luz dourada que entrava pelas enormes janelas do chão ao teto, que dava uma vista panorâmica de Dubai. A torre Burj Khalifa brilhando no horizonte, as luzes do mar e da cidade abaixo como um mar de estrelas. A decoração era uma mistura perfeita de elegância árabe contemporânea e minimalista ocidental. Tapetes persas em tons de vermelho e dourado contrastavam com móveis modernos de linhas retas, em couro marrom e madeira escura. Karim levou Isadora até um quarto espaçoso, onde a cama king size ostentava um dossel de seda branca esvoaçante. Almofadas bordadas com fios dourados estavam cuidadosamente arrumadas. Ao lado, uma varanda privativa dava para a piscina iluminada da cobertura, rodeada por palmeiras e móveis de design exclusivo. Ela se sentou na beirada da cama, olhando para o ambiente que mais parecia um sonho. Aquele quarto magnífico, que deveria ser um refúgio, mas ela sabia que na realidade poderia parecer o cenário de uma nova prisão. O peso da situação apertou seu peito. — É um lugar digno de uma princesa aqui. — comentou Karim, chegando mais perto, com um sorriso gentil. Autora: Graciliane Guimarães
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