Capítulo 18

1390 Palavras
Rebeca não estava se sentindo bem, suando frio pálida, a Kim já havia notado assim que saíram da audiência, respondeu à Alyssa elevando o tom de voz: — E você sabe o que é ser mãe? Porque pra ela, você nunca foi. Assunto de família? Eu não vejo onde você é família, a Rebeca é muito especial e qualquer mulher de bem seria muito feliz sendo mãe dela e tendo o prazer que você desperdiçou, ela é educada, gentil, sensitiva, tem um senso de humor diferenciado e é sincera, doce, esforçada, desastrada e divertida. — Pouco me importa quais foram os seus motivos lá atrás, mas você não vai machucar ela e eu não vou sair de perto. Me passa a p.o.r.c.a.r.i.a do seu número e a gente entra em contato, se ela quiser! Como uma leoa, Kim defendeu e cuidou da Rebeca, segurando ela pelo braço, foi levando até o carro. A Alyssa deu um cartão com o contato dela e ficou chorando, indignada, confusa, vendo elas irem embora, falou para o advogado investigar melhor a Kim, porque aquilo estava muito estranho, perguntou alterada se a Rebeca não tinha mesmo recebido o dinheiro. Ele garantiu que não, que o amigo dele do banco estava de olho em tudo. A Rebeca foi embora calada, não chorou em momento algum, foi ficando pálida, cada vez pior. Preocupada, Kim perguntou o que ela estava sentindo, disse que iriam para o hotel. A Rebeca falou que precisava comer, pediu pra passar em uma padaria, quis descer e entrar. As duas foram juntas, ela falou com a moça do caixa, chamou pelo nome, a moça olhou com estranheza, como se estivesse vendo um fantasma, só falou oi e ficou acompanhando com o olhar. A Rebeca foi até o balcão, pediu dois sucos de laranja puros, falou para a Kim: — Que horas são? Meio sem entender, ela respondeu. A Rebeca falou: — Moça, vai sair mais salgado? Eu queria coxinha! Tem aquela de costela ainda? A moça disse que já ia sair uma fritada nova. A Rebeca agradeceu, sorriu e falou para a Kim: — Você não come essas coisas, né? Pede um lanche natural, eles fazem na hora. Eu amo o salgado daqui, tomara que continue igual a antes. A Kim falou olhando os doces: — Grávida come de tudo, não seja tola. Quero uma coxinha dessas aí, essa tortinha de morango, o mousse de limão e um suco de morango com leite. Elas foram sentar, a Kim tirou uma foto da mesa e postou dizendo que estava só começando, mostrou para a Rebeca a publicação, começou a comer tudo misturado. Saiu dos fundos uma senhora com as novas coxinhas quentes, recém-fritas. A Rebeca se levantou para pegar, disse que há muito tempo não comia uma daquelas. A senhora a reconheceu, ficou muito surpresa, disse que ela e o loirinho haviam sumido há meses. A Rebeca conversou um pouco, contou que os dois tinham se mudado pra longe. Ela perguntou se estavam juntos, se já tinham um bebê. Rindo, a Rebeca falou: — Nãoooo, a gente não está junto, moramos longe e separados. Mas bem que eu queria ter casado com ele, era um ótimo partido, viu? A senhora também deu risada, disse que era lindo de ver os dois trabalhando juntos, sempre felizes, animados, chamou o marido dela lá no fundo pra ver a Rebeca. Ele ficou surpreso com a mudança dela, elogiou a educação, a simpatia, relembrou dos dois pegando papelão e indo comer sempre lá, brigando pra pagar a conta, falou do Antônio, disse que sentia muito pela perda dela. A Kim ficou de olho, prestando atenção, comeu duas coxinhas feliz da vida. Depois foram para o hotel, a Rebeca tomou banho, disse que ia ver uma amiga e perguntou se a Kim queria ir junto. Ela disse que ia ficar descansando. A Rebeca se arrumou bem, saiu de calça jeans, uma blusa bonita preta com vários spikes prata, salto alto e batom vermelho, foi no mercado procurar brinquedos para as crianças, comprou dois pra cada um, uma torta que a Suzan dizia gostar por telefone a vida toda. Depois do mercado, ela foi na casa da Tassiane, encostou na frente e ligou, ela não atendeu. Enquanto a Rebeca estava lá, o Felipe chegou de carro sozinho. Ela desceu, ele também, se cumprimentaram com beijo e abraço, ele perguntou quais ventos fortes tinham levado ela lá. Ela respondeu: — Ahhh, problemas, fui na audiência com a minha mãe, sobre a exumação do meu pai. E aí, tudo bem? Você tá cada vez mais diferente, sei lá, tá com cara de velho, não, não, adulto! Ele riu, disse que ela também estava cada vez mais diferente, convidou ela para entrar. Ela disse que tinha ido buscar umas coisas que deixou lá com a Tassiane. Ele ficou rindo sozinho, ela perguntou qual era a graça. Ele disse que os dois estavam separados, perguntou se ela não sabia. Ela falou surpresa: — Não, é sério? O que aconteceu? Nossa, Fê, mas você tá bem? Ele respondeu irônico: — Ela, é isso o que aconteceu. Eu tô de boa, logo ela volta, a Tassiane tem sorte de eu ser muito de boa, com tudo. Se fosse outro, já ia acabar com a graça dela! A Rebeca disse rindo: — Desculpa, eu só pensei em umas coisas aqui, bobagem minha. Ele perguntou o que era, disse que também queria rir. Ela não disse nada, mas pensou que realmente a Tassiane tinha sorte, porque ele era bom demais pra ela. Os dois começaram a conversar sentados na sala sobre a audiência, ele pegou a pasta que ela guardou lá, perguntou se ela estava bem de verdade. Ela disse sem jeito: — Depende, de zero a dez? É difícil. Tem dias e dias. Você tem falado com o Neto? Ele tá bem? O Felipe disse que raramente conversaram, que o Neto mudou muito e cortou contato com eles. Ela disse que sentia falta deles todos. Ele respondeu: — Especialmente dele, né? Já tentou conversar? Se desculpar? Ela disse que não ia dar certo, mas que tudo bem, porque com certeza ele ia encontrar alguém e ter uma família legal, tudo o que ele merecia. Ela ficou uma meia hora lá e foi para a casa da Suzan, ela já havia mandado mensagem dizendo que estava esperando. Era sempre estranho voltar lá, as lembranças e a dor eram sempre as mesmas, o sentimento de perda, angústia e muita saudade. A Suzan morava nos fundos da reciclagem, na antiga casa da Rebeca. Ela chegou entrando, a Kayla estava na porta, pulando animada, presa por um portãozinho. A Rebeca entregou o presente dela, foi entrando, pegou o menino no colo e sentou no sofá com eles para abrir os embrulhos. A Suzan falou correndo para a cozinha: — Só um minutinho, eu já vou aí com vocês, tô com o jantar no fogo. Kayla, agradece à Beca! As crianças ficaram felizes com os brinquedos. A Rebeca foi na cozinha guardar a torta, falou séria: — Você gostava mesmo disso, madrinha? Surpresa, a Suzan falou que sim, muito, agradeceu e ressaltou que eram todas verdadeiras as conversas delas, começou a conversar, relembrando de algumas coisas. A Rebeca falou várias coisas do passado e perguntou do Célio, quis saber como aconteceu. A Suzan falou: — Eu pedi pra ele não vir aqui hoje, faz um tempo que a gente se conheceu, pelo Antônio, e tínhamos o contato um do outro para emergências, nos aproximamos quando seu pai faleceu, fiquei dias aqui à sua espera, depois eu fugi pra cá porque sabia que podia te encontrar. — Ele é um amigo da família e é de confiança, seu pai confiava nele, muito! Eu sei que você ouviu algo e se chateou, mas não era o que parecia, entende o motivo hoje? Pra ele ter dito aquilo? — Que você não podia simplesmente ficar e casar, essas coisas? Ele sabia de tudo, sobre você! Ela riu irônica, disse que ele ainda assim podia mentir, perguntou se ela sabia do passado dele, de como ele tinha uma vida tão confortável, casa com piscina, carro de luxo, viagens. Chateada, a Suzan falou: — Rebeca, por favor, não começa, você vai dizer que ele roubou você, que temos interesse na sua herança? Essas coisas realmente me ofendem!
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