Sem esboçar muita reação, a Rebeca falou que não, perguntou quem era o pai dela. A Alyssa disse que era muito jovem e que se deixou levar por aventuras passageiras, mas que ninguém sabia daquilo, que ela era a primeira pessoa a saber, ficou falando de burocracia, convidou a Rebeca pra ir passar uns dias com ela, em qualquer lugar, disse que aceitava ir pra casa dela até.
Muito séria, a Rebeca só disse que ia seguir com o processo judicial e que todo mundo ia saber de tudo, se preciso fosse, largou a Alyssa chorando e foi embora. Não contou nada pra ninguém, foi ficar com a Suzan, que a recebeu bem, como sempre, ela se distraiu, ficou com as crianças o resto do dia, decidindo se ia falar sobre os negócios do Célio pra Suzan.
Já era de noite quando ela foi ajudar com o jantar e pegou o celular. O Pablo tinha dito que queria vê-la, falou ainda à tarde, disse que estava voltando pra casa, perguntou se podia ir buscá-la, porque depois do almoço ela disse que não estava bem, que precisava se distrair, sumir da vida real um pouco.
Ele brincou dizendo que iria adorar sumir com ela. À noite, ela respondeu, disse que não ia dar porque estava com a madrinha, mandou uma foto da Kayla brincando no colo dela, combinaram de se encontrar dali a alguns dias, ele ainda falou que podia ir pra lá ficar com ela, chamou pra viajar, ela usou a madrinha como desculpa e garantiu que queria, mas que não dava.
Depois de jantar e dar banho nas crianças, a Rebeca foi tomar banho, já era tarde, quando foi se trocar, deu boa noite para o Pablo. O Noah mandou mensagem:
"Tô aqui."
Ela respondeu apenas:
"??"
Colocou uma calça escura das antigas que estavam lá no quarto dela, uma blusinha regata, por baixo de uma blusa de moletom preta e tênis. Ela disse à Suzan que ia encontrar uns amigos, saiu sem celular, sem nada, foi caminhando pela estrada no escuro. Quando se aproximou do Noah, ele ligou os faróis altos, falou que não tinha a noite toda. Ela disse que não ia a lugar nenhum, perguntou que carro era aquele. Ele falou ligando:
— E veio até aqui só pra dizer isso? Entra logo! Eu roubei.
Ela respondeu rindo:
— É que eu não tinha nada melhor pra fazer. Onde vamos? Você não roubou nada não, né?
Ele disse que iam pegar umas coisas. Curiosa, ela fez perguntas, todo cheio de graça, ele colocou medo, garantiu que tinha roubado mesmo o carro. Depois de dirigir bastante tempo por estradas de terra, ele parou, desceu e desenterrou um saco de lixo. Ela ficou segurando a lanterna, com um pouco de medo. Ele tirou uma mochila de dentro do saco, abriu e mostrou pra ela, eram pacotes de dinheiro. Ela falou surpresa:
— C.a.r.a.m.b.a, Noah, isso é seu?
Ele disse mexendo no celular:
— Não exatamente, eu vou encontrar uma pessoa e você vai ficar longe, com a bolsa, você vai deixar ela segura, se eu der farol alto, você coloca onde vou te mostrar e vai pra longe.
— Só precisa se mandar rápido, tem festas lá perto, você só precisa não chamar atenção. E se algo der errado, larga a bolsa e corre, porque se te pegarem com ela, sabe o que vai acontecer!
— Você pode fazer isso? Pode desistir, a hora é agora, eu me viro, só pensei em te pedir ajuda porque se pegam o dinheiro eu tô f.u.d.i.d.o!
Ela disse que conseguia, combinaram tudo certo, rotas de fuga caso algo acontecesse, foram pra saída da cidade, em uma área industrial perto de chácaras e sítios. Ele deu um boné pra ela, foi conversar no final da rua e a deixou em um cantinho meio escondida.
Tudo estava indo bem e ela ficou observando tudo, quando ele abriu a porta do carro e entrou pra dar o sinal, duas motos de alta cilindrada foram se aproximando mais perto deles do que dela, vindo do final da rua na contramão.
Ela já tinha largado a bolsa, estava passando pela rua, soube que tinha algo errado, viu o Noah e os outros dois homens sacando as a.r.m.a.s pra atirar e se escondendo atrás dos carros.
No impulso, ela correu para pegar a mochila e saiu correndo, viram ela de longe, um dos motoqueiros foi atrás, ela foi cortando caminho por terrenos vazios, cheios de mato, logo várias viaturas começaram a passar pelo bairro em alta velocidade, com as sirenes ligadas.
Estava começando a chover, ela saiu de um lote em uma rua vazia e, de longe, viu uma viatura se aproximando com o giroflex apagado.
Já cansada ofegante, com medo de perder a mochila, ela olhou para os lados procurando uma saída, voltou correndo para os lotes e viu o barraco do Candinho, o carrinho dele de pegar reciclagem estava lá fora, muito rápido ela entrou dentro, deitou encolhida, falou com o cachorro pedindo pra ele ficar quieto.
Assim que a viatura passou, ela saiu correndo e deixou a mochila escondida, foi para uma das rotas que combinaram, era no meio da mata, indo para a área rural.
Quando ela saiu da mata mais fechada, chegando perto de uma ponte, o Noah apareceu lá no escuro, falou com ela:
— Eu tô aqui, vem! Você tá bem? Se machucou? Alguém seguiu você?
Se abraçaram, ela falou nervosa:
— Eu tô bem, atiraram em você, o que aconteceu? Você está ferido?
Ele disse que só pegou de raspão. Ela falou ainda abraçada:
— Tá cheio de polícia aqui, vão pegar a gente. Eu escondi a bolsa!
Foram ouvindo vozes e latidos se aproximando, viram lanternas, era a polícia. Ele falou:
— Corre! Eu fico, você não devia estar aqui. Vai embora!
Ela olhou pra direção do barulho, se aproximou da ponte, olhou pra baixo, vendo o rio, e olhou pra ele. Os dois eram muito parecidos e pensaram a mesma coisa. Ele disse preocupado:
— Não, você não vai pular, tem medo de água, tá de noite e com essa chuva. Tem que ter outro jeito!
Ela disse se preparando pra pular, subindo nos ferros:
— Não tem, vamos! Eu sempre nadava aqui, vai pro lado direito, é fácil de sair.
Antes dele responder qualquer coisa, ela pulou!