Ela respondeu rindo:
— É, perto demais! Até rolou, só que não com você. Sabe que a gente brigou muito por sua causa, né?
— Ele achava que a gente tinha ficado e jogou na minha cara, depois de dormir comigo, que eu estava atirada demais, talvez por estar saindo com você, transando.
— Eu não quero ficar falando disso, porque você não era legal de fato comigo e meu pai morreu logo depois do meu aniversário. Tudo só foi piorando depois dos dezoito e meu pai dizia que tudo ia melhorar depois. Que íamos à praia e ver minha mãe, viajar, mudar de vida. Acho que vou embora!
Ela ficou muito chateada, ele levantou atrás, pediu desculpas por ter sido b.a.b.a.c.a no passado. Ela falou pensativa triste:
— Deixa pra lá, nada muda o passado. Talvez o Neto tinha razão, eu dava a******a pra você, fazia tudo errado.
Ele disse que tinha uma pergunta, só mais uma. Ela disse se afastando:
— Hoje não, Noah, não quero mais jogar.
Ele disse que tinha uma coisa pra fazer no dia seguinte, que era perigoso e ele iria sozinho caso ela não aceitasse ir junto. Ela sorriu, foi indo para o carro, ele foi atrás, falou encostado na janela:
— Eu não vim pra cá atrás de vocês duas, não fala pra Kim que me viu e, se quiser ir comigo amanhã, me manda mensagem, a gente se encontra onde você me ajudou. Fala pra ela que vai ficar com a sua madrinha, sei lá. Põe sua roupa de bandida e nem pense em pôr salto!
Ela disse que ia pensar e foi embora. Ele mandou mensagem:
"Fazia muito tempo que eu não me divertia tanto, você não pagou seu lanche."
"Me deve uma."
"Te espero amanhã."
"Sua amiga tá acompanhada, né?"
Ela respondeu quando chegou no hotel:
"Vai dormir, Noah"
"Hoje foi legal até."
"Roubou o lanche?"
"Marginal."
Ele deu boa noite, disse que era pra ela se secar, porque estava molhada demais. Ela ficou rindo sozinha e apagou as conversas. Era de madrugada, ao entrar no quarto, apreensiva, com medo do que podia encontrar, foi surpreendida. A Kim estava com o Dylan no quarto, sentados na mesa, mexendo no computador e em vários papéis. Tranquilamente, Kim falou para a Rebeca:
— Oi, querida, eu te liguei. Dylan, essa é a Rebeca, ele é o meu amigo que te falei, que vai me ajudar com o hotel.
Muito séria, a Rebeca se aproximou deles, falou oi. O Dylan, muito educado, se levantou para cumprimentar ela, falando que havia ouvido falar muito dela e que ficou curioso para conhecer a protegida da Kim. Ela respondeu irônica:
— Protegida? A doutora Kimberly se apega demais ao trabalho.
A Kim olhou pra ela, deu sinal tipo "o que foi". A Rebeca disse que ia tomar banho. A Kim falou desconfiada:
— Tá bom, você está molhada? Estava nadando? O Dylan é advogado, estou revisando seu caso com ele, vai lá e vem aqui conversar com a gente.
Ela só balançou a cabeça que sim, tomou banho, se trocou no banheiro. Ao sair, a Kim começou a falar que seria bom ouvir a versão da Alyssa, mexendo nos documentos da Rebeca, perguntou se ela sabia onde encontrar algum familiar que pudesse talvez ajudar, contando mais coisas. Ela disse que não. O Dylan começou a falar:
— Parece difícil que eles consigam prosseguir com a exumação, a menos que o seu DNA dê negativo, se puderem comprovar que você não é filha legítima do Antônio, tudo vai por água abaixo, seus direitos, sua parte da herança das coisas dele.
— Eu vou precisar acessar o testamento da sua avó, dependendo da forma que ela deixou intitulada a você sua parte, também pode ser inútil.
Ela disse que não queria dinheiro nenhum. A Kim falou:
— É um direito seu, querida, se quer impedir que tirem ele daqui, precisa ser reconhecida legalmente. A gente só precisa saber o que sua mãe quer de fato, e esse tio também, porque se os pais já morreram, ele deve ser o cabeça da família.
Desconfortável, a Rebeca encarou a Kim, mostrando que não queria continuar com aquilo, se levantou, pegou o celular e os fones de ouvido, foi deitar ignorando os dois. O Dylan falou que era melhor ir embora e que cedo ia esperar elas pra tomarem café. A Kim acompanhou ele até a porta, se despediram com abraço e um beijinho na boca. A Rebeca continuou encarando ela muito séria. A Kim fechou a porta, falou tirando a roupa:
— Quer falar alguma coisa? Para de me olhar assim!
Ela só arqueou as sobrancelhas com desdém, se virou de costas e foi dormir, ficou confusa, com raiva da Kim e do Noah. Na manhã seguinte, a Kim acordou muito cedo com o celular tocando, ficou nervosa. A Rebeca acordou no susto, perguntou o que tinha acontecido, foi pra perto da Kim. Ela se sentou na cama, disse chorando:
— A Kiara viajou e, pelo jeito, não vai voltar. Eles fugiram!
Meio sem entender, a Rebeca sentou perto, segurou na mão da Kim. Ela ligou para o Ramon, falando disso, pediu pra ele ir pra casa da praia, disse que iria assim que possível, depois começou a falar em inglês por uma meia hora. A Rebeca se arrumou e fez as malas delas, separou uma roupa pra Kim. Ela vestiu sem nem questionar nada, foi tomar banho e, quando saiu, falou com estranheza:
— E eu achando que não dava pra piorar, cancelaram a audiência de hoje e a sua mãe quer falar com você antes de viajar, a sós. É melhor a gente ir logo embora, eu vou fechar a conta, você leva as nossas coisas? Me encontra lá embaixo?
A Rebeca concordou, salvou escondido o número da Alyssa em seu celular e ficou pensando o que ela podia querer. O Dylan estava com a Kim, de malas prontas, inclusive próximo, acariciando a barriga dela. A Rebeca se aproximou calada, ficou incomodada com os dois. A Kim falou:
— Você vai se despedir da sua madrinha? Eu vou passar no fórum ainda, o Dylan pode me levar e a gente se encontra lá, pode ser?
Ela disse que não ia embora. Notando a mudança de comportamento, a Kim pediu licença pra ele, foi no cantinho e perguntou o que ela tinha, quis saber se ela queria encontrar a mãe. Rebeca falou séria:
— Nada, não quero. Se você está bem, não precisa de mim e eu quero ficar.
Intrigada, a Kim falou:
— Tá brava comigo por causa dele? Caso você tenha se esquecido, eu sou solteira, tá me olhando, julgando desde ontem, sabe que eu te apoio em tudo desde sempre, mas toda vez que preciso do seu apoio você age assim.
— Quer saber, pode ficar, você tem dinheiro, não está sozinha, eu fiz tudo o que pude por você, agora tenho outros problemas pra resolver.
— Sabia que a Kiara não atende e nem responde? Há dias? Ela nunca fez isso a vida toda, então é bem possível que ele esteja forçando ela a tomar as más decisões, ela vai ganhar o bebê a qualquer momento, preciso encontrá-la.
— Você é adulta, pode se virar.
O celular dela começou a tocar, ela se afastou para atender. Ao desligar, foi se despedir chorando. A Rebeca só falou que ia ficar com a madrinha uns dias, pediu um abraço e ficou próxima, tocando na Kim, falou passando a mão na barriga:
— Se cuida, doutora, seu peixinho precisa de você bem!
Ela respondeu afetuosa, fazendo carinho na Rebeca:
— Peixinho? É um menino?
Ela disse que não sabia. A Kim falou que logo iriam saber juntas, deixou o carro dela com a Rebeca e foi embora com o Dylan.
A Rebeca foi andar, se sentindo nostálgica, passou no centro procurar uma fantasia para a Kayla, comprou uma de fada e um sapatinho vermelho com um laço muito brilhante. Quando ela estava indo para o carro, começou a mexer no celular, respondeu o bom dia do Pablo e perguntou ao Tato sobre a marca de uma maquiagem que ele havia falado, que era especial para pele n.e.g.r.a, com cores para pessoas retintas.
Os dois começaram a conversar, ela foi procurar nas lojas de cosméticos e farmácias, decidiu ligar para a Alyssa. Ela atendeu, ouvindo o silêncio, falou apreensiva:
— Rebeca? Filha, é você? Como você está?
Ela respondeu com frieza:
— Oi, você queria falar comigo?
A Alyssa disse que era melhor conversarem pessoalmente, insistiu com sutileza, marcaram de almoçarem juntas em um restaurante. Estava quase no horário combinado, a Rebeca comprou maquiagens para a Suzan. Quando ela foi para o restaurante, entrou em um açougue que tinha ali perto, pra ver se encontrava um doce caseiro que só vendia lá. O rapaz de trás do balcão se aproximou, reparando nela, que estava de costas, muito bem vestida, de salto alto, falou com ela cheio de simpatia:
— Olá, boa tarde, moça, tudo bem? Posso ajudar?
Quando ela se virou, falou surpresa, o reconhecendo:
— Oi, boa tarde, nossa, Saulo? Tudo bem e você? Quanto tempo!
Começaram a conversar, ele elogiou ela, estavam falando de estudos e do doce, quando um senhor muito m*l vestido se aproximou da porta. O Saulo falou:
— Dá licença rapidinho.
Ele foi até o canto do balcão e disse que não tinha nada, que era pra ele passar no final do dia. Ela estava mexendo no celular distraída. O Saulo falou que sempre davam ossos para aquele senhor, que morava em um barraco indo pra saída da cidade. Ela respondeu:
— O mestre Candinho?
Ele disse que sim. Estavam entrando mais clientes, ela se despediu, foi saindo pra fora, viu o senhor no cantinho pegando água para o cachorro, se aproximou, falou séria:
— O que o senhor está fazendo aqui? Bem no meio do caminho?
Assustado, com medo de tomar xingo, cabisbaixo, ele falou apreensivo que só estava pegando água para o cachorro dele.