Capítulo 2

2598 Palavras
Sofia - 8 anos Eu estava tendo um pesadelo h******l. Nele estava tão escuro e eu tinha medo das sombras em volta, elas me ameaçavam. Eu corria, mas elas pareciam que iriam me levar com elas. Foi quando vi o Lorenzo caminhando para longe de mãos dadas com uma mulher e eu gritava por ele em desespero, mas ele não ouvia, a mulher continuava o levando e eu ficava sozinha em pânico. Fui acordada com o barulho de raios cada vez mais altos. Os galhos da árvores que chicoteavam com o vento forte produziam um ruído assustador perto da janela fazendo sombras avançarem pelo quarto. Com o coração martelando dentro do peito pulo da cama e pego o Felpudo, o coelho que o Lorenzo me deu de presente no meu último aniversário. Com cuidado abro a porta do quarto e dando alguns passos em silêncio pelo corredor escuro paro diante da porta do quarto do meu irmão, tento abrir a porta e estava aberta... Ele nunca a deixava trancada. Bem, desde o dia que tentei entrar uma vez durante a noite e estava trancada, eu não conseguia dormir e era uma noite como essa e ele me encontrou chorando na porta minutos depois. Eu tinha quatro anos e desde então sua porta ficava sempre destrancada. Lorenzo estava deitado de barriga para cima com as cobertas envoltas em sua cintura e pernas vestindo uma calça de pijama e uma camisa. Fechei a porta e subi na cama me enrolando em suas cobertas, não demorei muito para pegar no sono pois aqui eu me sentia segura... sempre havia me sentido. ****************** Sinto um carinho nos meus cabelos e aos poucos meus olhos se abrem. A claridade da luz do dia incomodam meus olhos. Lorenzo está fazendo carinho nos meus cabelos e está deitado de lado, sua cabeça apoiada em sua mão. — Não vi você entrando aqui ontem a noite gatinha. Não conseguiu dormir? — Você estava dormindo. Tive um pesadelo h******l! Eu não consegui dormir com a tempestade. — Digo anuindo e me escolhendo em seu braço. Ele sorri apertando levemente meu nariz. — O que foi? Era sobre o que o pesadelo pequena?— Pergunta me fazendo lembrar novamente e eu solto um suspiro trêmulo só de pensar em ele me abandonar. — Estava tão escuro, havia umas sombras querendo me sufocar. Eu te via caminhando pra longe com uma mulher... Eu te chamava, gritava para ficar comigo, para não me deixar ali sozinha, mas você não se virava. Aquela mulher o levava, você me abandonava quando eu mais precisava.— Falo e uma lágrima escorre pelo meu rosto fazendo ele franzir a testa e enxugar. Ele me dá um longo olhar como se pudesse entender algo que eu não entendia. Que o que me doeu mais e me apavorou não foi aquela escuridão ou as sombras, foi vê-lo me largar, me abandonar quando eu mais precisava. Foi vê-lo ir com ela me deixando pra trás. De alguma forma que eu não entendia, eu me senti traída por ele. Ele pareceu notar. — Ei, era só um pesadelo gatinha. Isso não vai acontecer ok? Eu jamais vou te abandonar por mulher alguma. Eu sou seu! —Diz me abraçando e me acalmando. — Você promete Enzo? — Fungo em seu peito ainda sentindo a dor que senti naquele pesadelo. — Eu prometo gatinha! Eu sou seu, agora não chore ok? — Ele beija minha testa, meu nariz e eu me acalmou com suas palavras. Por um momento ficamos em silêncio até que ele me olha novamente quando volto a falar lembrando do como o encontrei dormindo tão calmo em meio ao barulho da tempestade. Eu queria ser assim também. — O que foi agora princesa? — Ele pergunta sempre me lendo bem. — Não sei como você conseguia dormir tão tranquilo parecia que o mundo estava acabando. — Digo olhando seus olhos verdes. — Isso acontece porque eu não tenho medo de tempestades gatinha. É fácil relaxar quando não se tem medo de algo. — Ele diz e deita de barriga para cima. — Você não tem medo de nada Enzo.— Digo apertando o coelho que ele tinha me dado. — Bem, isso não é totalmente verdade. Claro que tenho medo de algumas coisas, mas tento não deixar esse medo me dominar pois isso não fará nenhum bem. — Do que você tem medo então? — Ele dá um suspiro e então olha para mim. Sua mão tira novamente alguns fios de cabelos da minha bochecha. — Um dos meus piores medos é que algo de r**m te aconteça gatinha.— Ele diz. — Por que algo r**m me aconteceria? — Pergunto dando um pequeno nó nas orelhas do coelho. — Sempre há pessoas querendo o que nós temos Sofia ou querendo vingança e não haveria uma vingança melhor do que botar as mãos na nossa princesinha. — Mas nós não fazemos m*l a ninguém Lorenzo porque iriam querer me fazer m*l? — Pergunto sem entender me sentando na cama e ele faz o mesmo. Vejo ele passar os dedos nos cabelos e os mesmos voltarem a cair na testa. Meu irmão era muito bonito, sua pele era morena, seus olhos verdes, seu cabelo castanho escuro e era mais macios do que os das minhas bonecas porque eu já tinha colocado as mãos muitas vezes. Lorenzo deixava eu mexer no cabelo dele e eu suspeitava que ele até gostava porque às vezes dormia. Bem isso era antes de ele ter que sair tantas vezes com meu pai. Desde que ele tinha feito dezesseis, meu pai o levava para a maioria de suas viagens e sempre dizia que era para que ele aprendesse a administrar os negócios da família. Em pouco tempo eu tinha visto o tempo que eu tinha com o Lorenzo diminuir muito e eu não sabia direito com o que ele ocupava seu tempo além de ficar com meu pai. Mas um certo dia quando eu o abracei ele tinha se contraído como se tivesse doído um pouco e quando eu perguntei o que tinha acontecido, ele tinha dito que tinha se machucado no treino. Só então descobri que ele também treinava mais de um tipo de luta. Talvez isso explicasse porque ele vinha ficando cada vez mais forte nos últimos anos. — Sofia, você é muito pequena ainda, não entende muitas coisas. — Ele diz se levantando meio impaciente e isso me faz perguntar o que eu tinha feito para deixá-lo assim. Me levanto também não suportando pensar que tinha feito ele se aborrecer. — Eu sei que não entendo Lorenzo, mas sei que você ou o papai nunca deixariam algo de r**m acontecer comigo. Por isso eu não tenho medo. — Digo tentando deixar ele calmo. Acho que ele estava chateado pensando que eu achava que eu não confiava neles para me protegerem. E isso não era verdade. Eu me sentia segura aqui. Eu me sentia uma garota de sorte. Vejo Lorenzo dar um sorriso e se abaixar da minha altura. Ele me puxa para os seus braços e me aperta tanto que eu sinto quase como se o ar me faltasse. — Eu morreria antes de deixar que algo te acontecesse. Você é minha gatinha! Sempre vou te proteger. Eu sempre estarei com você, sempre. — Ele diz me abraçando e eu acreditei nele. — Eu acredito em você, eu acredito Enzo. E sabe, quando eu crescer eu também irei te proteger. Devo cuidar sempre de você. — Digo depois que ele se afasta dando um beijo na minha cabeça. Isso o faz rir. — Que foi? Você não acredita? Posso ser brava se precisar... — Digo e o vejo cruzar os braços no peito e pelo visto ele estava se divertindo. — Eu gostaria muito de ver isso. Poderia me mostrar? — Claro. Veja, essa é minha cara de brava... — Falo e fecho a cara franzindo o cenho olhando para ele muito séria apertando os olhos com as mãos fechadas em ambos os lados do corpo. Vejo o Lorenzo abrir um sorriso largo e depois soltar uma sonora gargalhada. — Faça isso princesinha. Você brava foi a coisa mais fofa que já vi. — Mesmo que não funcione para me proteger, vai ser algo que acredito que sempre vou gostar de ver.— Fecho a cara, não era bem a reação que eu esperava e isso só o faz sorrir mais. — Não faça essa cara. Se te faz sentir melhor eu só comecei a treinar ah... minha cara brava ou artes marciais quando era um pouco mais velho do que você. Só que eu tenho esperança que você nunca precise fazer isso. Gostaria que você tivesse uma infância e adolescência normal. — Olho para ele sem entender e acho que ele percebe. — Tudo bem, sei que você não entende nada disso. Melhor assim, além de que está na hora do seu banho mocinha e do meu também. Não me surpreenderia se daqui a uns minutos a Rosa aparecesse te procurando pela casa reclamando que você ainda não tomou banho e já está quase na hora do café. Anda, vá para o seu quarto tomar seu banho. — Ele diz dando um pequeno empurrãozinho nas minhas costas em direção a porta, mas antes de chegar nela me viro para ele. — Vamos apostar? Quem chegar por último a mesa do café perde? — Falo e os seus olhos brilham. — Quem perder paga o que? — Pergunta. — Terá que fazer uma sobremesa para o outro com as próprias mãos. — Digo animada e ele abre um sorriso. — Feito! — Grita indo pro banheiro o que me faz correr para o meu quarto. Minutos mais tarde quando corro para mesa do Café, a minha mãe já está sentada, meu pai e Lorenzo com um sorriso enorme no rosto, claro sabendo que tinha me ganhado. Eu não conseguia acreditar. Eu tinha tomado banho bem rápido, nem tinha lavado o cabelo e sabia que a Rosa ia reclamar. — Eu ganhei pequena! — Lorenzo diz e eu fecho a cara me sentando. — O que foi filha? — Minha mãe pergunta. — Lorenzo e eu apostamos quem chegaria primeiro a mesa de café e ele me ganhou. — Digo chateada. Meu pai que estava com a cabeça abaixada a levanta e olha para o Lorenzo e para mim rindo. — Tem certeza que ele jogou limpo Sofia? — Meu pai pergunta divertido. — Eu não sei, acho que sim. Lorenzo não me enganaria. — Digo olhando para o Lorenzo que me devolve o olhar. — Você está certa gatinha. E agora você me deve uma sobremesa. — Ele diz e vejo meus pais rindo o que deixa Lorenzo confuso. — Acredito que você vai se arrepender de ter ganhado essa aposta mais cedo ou mais tarde. — Diz a minha mãe e vejo Lorenzo parecer preocupado, mas não diz nada. **************************** Mais tarde naquele dia eu passei o dia na cozinha com a Rosa. Ela estava tentando me ensinar a fazer umas das sobremesas preferidas do Enzo, cannolli. A cozinha tinha ficado uma bagunça e eu coberta de farinha e açúcar. O tubinho deveria ficar um pouco dourado, mas estava mais para marrom, mas apesar disso o creme estava branco e eu tinha derramado as gotas de chocolate como a Rosa me ensinou. Enquanto eu olhava para o doce satisfeita, ela olhava com o que parecia ser preocupação. — Menina, eu acho que é melhor você levar um desses que eu fiz. Ele nem irá perceber e irá ficar feliz. — Não Rosa. Uma promessa é uma promessa e a aposta era que quem perdesse faria a sobremesa, pois bem eu fiz. Agora vou levar. — Está certo. Ele deve estar no escritório do seu pai agora. Que Deus o ajude. — Não entendi bem o comentário do Rosa, mas fui toda animada correndo para o escritório. Bati na porta porque o papai falou para jamais entrar sem bater antes. Ouvi um entre¨ e entrei logo em seguida. Na sala estavam o meu pai, Mário que era como um melhor amigo do meu pai e o Lorenzo. Fui até o Lorenzo que estava no sofá com alguns papéis no colo sentindo todos eles olhando para mim. — Filha por que você está toda suja? — Meu pai pergunta de trás da mesa onde estava sentado. — Eu estava fazendo a sobremesa do Lorenzo. — E é essa aí? — Ele aponta com uma cara duvidosa e eu assinto. — O que é essa coisa gatinha? — Lorenzo pergunta encarando o doce como se pudesse mordê-lo. — É um cannolli, fiz exatamente como a Rosa ensinou. Vamos prove... — Digo empurrando o prato para ele e o vejo olhar para o meu pai e o Mário. Ambos só fazem rir. — Não está muito parecido com os cannoli da Rosa, Sofia. Tem certeza que não irei ter uma infecção alimentar se comer isso? — Ele pergunta segurando o prato e isso me faz desanimar um pouco e claro ele percebe. — Está bem, eu vou comer. — Com um grande suspiro ele fecha os olhos e dá uma mordida no cannoli. Eu o vejo mastigar e engolir com o rosto contorcido. Me olhando outra vez ele acaba dando uma segunda mordida e dessa vez ele engole mastigando o mínimo possível, mas quase que imediatamente ele se levanta e corre até a lixeira e cospe tudo. O ato faz o Mário quase que cair da cadeira de tanto rir. O meu pai está rindo, mas se levanta da cadeira para ajudar. Eu estou preocupada, o que eu tinha feito? — Você está bem Lorenzo? — Meu pai pergunta e eu vejo Lorenzo levantar um pouco pálido limpando a boca. — Sim. — Não estava bom o doce? — Meu pai pergunta. — Deus, não. Está com um gosto h******l e amargo. Acho que Sofia também deve ter colocado sal ao invés de açúcar. — Ele diz e os meus ombros caem mais ainda. Não entendo, não pode estar tão r**m. Para confirmar pego o resto do doce do prato e dou uma pequena mordida e na mesma hora cuspo todo de volta no prato. Credo, Lorenzo estava certo, estava h******l. — Desculpe Lorenzo, eu tentei, eu juro. — Digo indo até ele. — Não é sua culpa Sofia. — Ele fala parecendo ainda enjoado. — Amanhã tentarei de novo prometo. E assim todos os dias até acertar. — Falo e vejo os seus olhos se arregalarem. — Não Sofia. Eu te libero dessa aposta. não precisa mais cumpri-la. — Tem certeza?— Pergunto. — Absoluta. Agora se me derem licença vou pedir a Rosa algo para enjoo. — Ele diz saindo da sala. Ele ainda não parecia muito bem o que só me fazia me sentir mais culpada. — Bem, que bela confusão mocinha. Já vimos que cozinhar não é muito uma das suas qualidades. — Meu pai diz sacudindo meus cabelos. — Mas foi divertido. — Ele completa rindo. — Mas o Lorenzo está passando m*l e chateado. — Digo. — Ele não está chateado. Ele nunca poderia ficar chateado com você por muito tempo. Ele te ama, você é o ponto fraco dele, lembre-se disso. Aliás, como todos nós te amamos. — Meu pai diz me tranquilizando. — Agora, vá tomar um banho e tirar toda essa farinha de cima de você. — Ele diz me colocando no chão dando um t**a no meu traseiro em direção à porta.
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