Capítulo 3

1721 Palavras
Sofia 15 anos O carro de vidros escuros parou dentro da mansão e o Mário abriu a porta para mim. Junto com ele havia pelo menos mais três seguranças, Fora um outro carro atrás que tinha mais quatro seguranças. Eu já estava acostumada, nunca minha família me deixa sair de casa sem esse tipo de vigilância. — Obrigado Mário. — Digo assim que saio do carro e vou em direção as portas da mansão. Subo em direção ao meu quarto e em seguida coloco a mochila lá ao lado da cama. Eram seis da tarde e eu tinha passado o dia na escola. Desde que meus pais tinham me colocado nessa escola, era assim. Eu ia de manhã e ficava o dia inteiro, eu odiava isso. Mas hoje eu tinha um motivo especial para ter voltado com mais entusiasmo. Meu pai e Lorenzo iam voltar hoje de viagem e eu não os tinha visto há semanas. Eu sentia falta deles, mais ainda do Lorenzo, parecia que quanto mais os anos passavam mais ele tinha que trabalhar e quase não podíamos passar tempo juntos. Por isso quando sai do quarto correndo e abri a porta do quarto dele a última coisa que esperava ver era a cena que vi. Sobre o Lorenzo estava uma garota seminua, embora eu só conseguisse ver suas costas. Seus cabelos eram loiros e ela o beijava na boca e subitamente eu a odiei por isso. As mãos dele estavam no quadril dela por baixo da saia e seu quadril se movimentava para cima com uma rapidez impressionante se chocando contra o dela. Eu não soube explicar muito bem o porque, mas eu senti uma dor no peito ao ver a cena. Meus olhos lacrimejaram de repente e eu sentia como se alguém estivesse espremendo algo dentro de mim. Dei um passo para trás e bati na porta, Lorenzo deve ter ouvido porque soltou um palavrão e tentou tirar a garota de cima, mas eu já estava fechando a porta atrás de mim e indo pro meu quarto. Com a respiração descompassada fechei a porta atrás de mim e a tranquei e só então senti as lágrimas correndo pelo meu rosto. Eu não entendia porque eu estava chorando, aquela garota devia ser namorada do Lorenzo, ele tinha vinte e cinco anos, ele tinha o direito de ter uma namorada não tinha? Então porque raios eu estava chorando por ter visto ele com ela? Eu não conseguia entender. Eu não conseguia deixar de me sentir ferida e traída por isso. Ele sempre disse que estaria aqui por mim, que era meu. Eu sabia que talvez ele nem lembrasse, e que provavelmente a sua promessa não incluía futuras namoradas, mas mesmo assim doeu e eu sabia o quanto eu estava sendo i****a, mas não consegui deixar de reagir assim. Segundos depois de eu entrar a maçaneta da porta se move, alguém estava tentando abrir a porta. — Sofia, por que trancou a porta? — Lorenzo pergunta, mas eu não consigo dizer nada. Só sinto meu coração pulando dentro do peito. — Sofia abra a porta me deixa conversar com você... — Ele continua, mas ainda assim não consigo dizer nada. Eu sentia meu coração estranho. Não sentia vontade de falar com ele agora. — Gatinha... — Lorenzo vem… deixa ela pra lá. Vamos terminar o que começamos — Escuto uma voz que só podia ser da garota. — Sai daqui Milena! — Escuto a voz do Lorenzo, mas resolvo sair de perto da porta e ir para o banheiro. Eu estava tão confusa. Lorenzo era meu irmão, eu não devia ter agido com tal desapontamento ao vê-lo com uma garota. Eu tinha certeza que essa não devia ser a primeira. Ele já devia ter saído com muitas outras. Essa só devia ser a primeira que eu encontro em seu quarto. Com um suspiro tiro o uniforme da escola observo meu corpo em frente ao espelho. Eu não era alta, mas também não era muito pequena. meu cabelos são de um preto azulado e espesso, meus olhos são azuis e meu corpo... Desde os meus onze anos meus s***s cresceram mais e meus quadris desenvolveram um pouco. Rosa dizia que eu estava começando a colocar corpo e dizia que eu estava ficando uma jovem muito bonita. Aos doze anos eu tinha ficado menstruada pela primeira vez.e desde então tenho reparado cada vez mais meu corpo mudando, mas apesar disso eu ainda era uma menina e estava longe de estar toda desenvolvida como a garota que eu tinha acabado de ver no quarto ao lado. Mas por que eu estava me comparando? Eu era mesmo uma i****a! Entrando no chuveiro, passo vários minutos debaixo d'água, lavo meus cabelos e quando saio visto um pijama de alças rosa composto por uma blusa e um short. Deito na cama e puxo a coberta até o queixo. Eu não iria descer e correr o risco de encontrar com o Lorenzo. Agora eu estava envergonhada, não havia motivos para eu ter agido daquela forma e eu não sabia como eu iria encará-lo agora. Pensando nisso, adormeci e acordei horas depois com a Rosa batendo na porta me chamando para jantar, mas eu disse que não queria nada. Minha mãe também tentou me fazer ir jantar e por último o Lorenzo, o que só me deixou mais envergonhada, eu só queria que chegasse logo a hora de ir para a escola amanhã para que eu pudesse sair de casa e não ter que ver o rosto dele. Voltei a dormir e quando o despertador tocou de manhã. Levantei, tomei meu banho e vesti um novo uniforme. Penteei os meus cabelos, coloquei brincos de argola de prata e passei um gloss nos lábios. Passei perfume, peguei minha mochila e abri a porta, assim que passei por ela alguém segura meu braço fazendo meu ar quase sair pela boca. — Parece que a coelhinha saiu da toca. — Lorenzo diz Ele está encostado na parede vestindo nada mais que uma calça de pijama e pelo visto estava me esperando. Tento puxar meu braço, mas seu outro braço envolve minha cintura. — Me solta Lorenzo preciso descer, tomar café e ir para a escola. — Eu sei, mas eu não teria que fazer isso se você não estivesse fugindo de mim. — Ele fala olhando diretamente nos meus olhos e por um breve instante seus olhos descem para os meus lábios. — Eu não estava fugindo, só não queria conversar. — Digo cruzando os braços no peito e ele franze o cenho para mim. — Sério Sofia? Então por que foi ao meu quarto e entrou sem bater? — Suas palavras me ferem porque ele sempre deixou a porta aberta para que eu entrasse quando quisesse. — Nunca antes eu tinha precisado bater, mas sinto muito. Farei isso agora. Não irá acontecer novamente. — Não foi isso que eu quis dizer Sofia... — Ele murmura um palavrão e passa os dedos pelo cabelo aparentemente sem saber o que falar tanto quanto eu. Parecia que uma distância estava se formando entre nós e isso era o que mais me doía. Antes que ele pudesse falar mais alguma coisa eu me solto dos seus braços e me afasto. — Tudo bem Lorenzo, eu entendo. Você tem uma namorada é normal você passar tempo com ela. — Engulo em seco o nó em minha garganta e ele me olha atentamente. — Vai acontecer comigo também, terei um namorado e não vamos mais poder passar tanto tempo juntos. — Vejo o seu rosto se fechar e as suas mãos se fecharem nos meus ombros. — Que papo é esse de namorado Sofia? Tem algum bostinha passando alguma conversa fiada em você? Se for me fale agora mesmo.— Ele fala tão irritado quanto eu nunca vi. — Pare com isso Lorenzo. — Falo me soltando das mãos dele.— Eu tenho que ir se não vou me atrasar. — Digo deixando ele e descendo rápido as escadas antes que ele me impedisse de novo. Mas mesmo horas depois que eu já estava na escola, eu não conseguia entender porque a sua reação tinha sido tão irritado quando eu tinha mencionado. A minha surpresa foi quando eu estava saindo com um grupo de amigos: Alice, Bianca e Guilherme que vinha com o braço em meus ombros, quando pisei fora dos portões da escola procurando o carro do Mário e o que vejo era o carro do Lorenzo e ele estava encostado no carro com os pés cruzados nos tornozelos, mas assim que me vê ele se afasta do carro e começa a vir até mim seus olhos nunca deixando o braço do Guilherme nos meus ombros. Eu iria tirar os braços dele dos meus ombros, mas lembro da cena no quarto dele ontem e com raiva deixo o braço do Guilherme onde está. — Não toca nela! — Diz arrancando o braço do Guilherme de mim e me puxando para perto dele. — Lorenzo o que você está fazendo? Ficou louco? Ele é meu amigo. — Digo e vejo a cara chocada do Guilherme. Minhas amigas pelo visto estão olhando para o Lorenzo com o rosto deslumbrado. — Amigo? Ele tem sorte de eu não dar uma surra nele, já que eu tenho certeza que ele não aguentaria um soco meu. — Lorenzo diz. Claro que não aguentaria. Guilherme tinha um ano a mais do que eu, jamais aguentaria uma briga com o Lorenzo. Ele era bem mais magro e mais baixo também. — Você está fazendo uma cena, pare com isso. Cadê o Mário? O que veio fazer aqui? — Digo e ele finalmente tira os olhos de Guilherme para me olhar… — Vim te buscar e ver de perto o que você anda fazendo e agora estou feliz por ter vindo. Vamos. — Ele diz me puxando em direção ao carro. Me viro rapidamente acenando para os meus amigos antes do Lorenzo me enfiar dentro do carro. Atrás do carro dele havia outro carro preto que claro, havia mais seguranças. Nenhum de nós andava sozinho, nem mesmo o Lorenzo. Depois que me colocou dentro do carro, ele fechou a porta e deu a volta entrando do lado do motorista. Ele ligou o carro e ambos não falamos nada, acho que ambos estávamos irritados.
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