Capítulo 09. Orgia

797 Palavras
Me chamo Bruno e sempre achei que o desëjo era algo para ser vivido entre quatro paredes e dois corpos. Que erro o meu. Tudo mudou quando aceitei o convite da Marina e do seu marido, o Ricardo, para uma "resenha diferenciada" na cobertura deles. Sabia que não era para jogar baralho. Quando cheguei, o som de um techno progressivo batia baixo, e o cheiro no ar era uma mistura de perfumes caros, fumo de qualidade e algo mais primitivo: suor e excitação. ​Não éramos apenas três. No centro da sala, sobre um imenso sofá circular de couro branco, vi a Carla (a travesti do clube), o Paulo, e mais dois caras que não conhecia, mas que já estavam se explorando com uma liberdade que me fez perder o fôlego. Marina veio até mim, já nüa, segurando uma taça de champanhe. ​— Demorou, Bruno. A gente já começou a sobremesa — disse, puxando-me pela nuca para um beijo que tinha gosto de álcool e promessas. ​Em minutos, eu estava nü. O pudor foi a primeira coisa a morrer naquela sala. Senti as mãos de Ricardo nos meus ombros, me guiando para o centro daquela massa de corpos. O que se seguiu foi uma geometria de präzer onde já não sabia onde terminava meu corpo e começava o dos outros. ​Estava de joelhos, minha boca ocupada pelo paü grosso do Ricardo, enquanto a Marina, atrás de mim, usava os dedos e a língua para explorar minha retaguarda. Ao mesmo tempo, sentia a perna da Carla roçando na minha, e o Paulo, ao meu lado, se mastürbava enquanto assistia a cena. Não havia ordem, apenas fluxo. O calor era absurdo. ​— Quero todos em cima de mim! — gritou Marina, deitando-se no centro do sofá. ​O grupo se moveu como um único organismo. Ricardo penetrou Marina, enquanto me posicionei atrás dele, segurando seus quadris firmes. A Carla se aproximou e, com um sorriso audacioso, ofereceu seu paü para a boca da Marina, que o aceitou com uma voracidade impressionante. Era um emaranhado de membros: sentia a boca de um estranho no meu pescoço, mãos desconhecidas apertando meus mämilos, e o ritmo das estocadas do Ricardo dentro da Marina ditando o compasso do meu próprio präzer. O cheiro de sëxo cru tomou conta da cobertura. Sentia os fluidos de todos se misturando na minha pele. Marina gëmia o nome de todos, alternando entre o präzer da peneträção do marido e o gosto da Carla. Eu, tomado por uma adrenalina que nunca senti, comecei a fodër o Ricardo com uma força selvagem. Ele gritava, a cabeça jogada para trás, enquanto a Marina usava as unhas para marcar as coxas dele. ​— Olha pra mim, Bruno! — Paulo disse, aproximando-se e colocando o paü dele na minha boca enquanto eu ainda trabalhava no Ricardo. ​Estava no paraíso dos depravados. Tinha um homem dentro de mim (o estranho que se juntou por trás), estava dentro de outro, e minha boca estava ocupada por um terceiro. Era uma sinfonia de carne batendo, suspiros pesados e ordens sussurradas. "Mais rápido", "mais fundo", "me morde". A sala parecia girar. ​A Carla, com sua energia inesgotável, assumiu o comando de uma das pontas, sendo chüpada por dois ao mesmo tempo enquanto se mastürbava e olhava para o teto, rindo de puro êxtase. O suor escorria pelos nossos corpos, fazendo com que a gente deslizasse uns sobre os outros, tornando as trocas de posição rápidas e sujas. ​O clímax começou a se aproximar como uma tempestade. Ricardo foi o primeiro, descarregando tudo dentro da Marina com um urro que pareceu parar o tempo. A vibração do corpo dele me fez disparar também. Senti o meu gøzo subindo, uma pressão insuportável na base do meu paü. Eu tirei de dentro do Ricardo e, com a ajuda das mãos da Marina que me puxaram para perto, jorrei tudo sobre o abdômen dela e do marido. ​Logo em seguida, a Carla e o Paulo também explodiram. Jatos de sêmën cruzavam o ar, sujando o couro branco do sofá, as almofadas e a pele de todos ali presentes. Era uma celebração do desperdício, da entrega total sem medo de marcas ou consequências. Ficamos ali, uma pilha humana de exaustão e fluidos, rindo e tentando recuperar o fôlego. ​A Marina limpou o rosto com as costas da mão, olhou para o rastro de destruição prazerosa na sua sala e sorriu para mim. ​— Isso é o que chamo de uma recepção adequada, não acha, Bruno? ​Não consegui responder, apenas fechei os olhos, sentindo o calor dos corpos ao meu redor e sabendo que, depois daquela noite, o sëxo convencional entre apenas duas pessoas seria sempre um rascunho sem cor.
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