Notasss:
Os capítulos seguintes serão alternados, uma hora narrado por Jasper, outra por Alice.
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(Narração por Jasper Hale).
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Vaguei por tudo.
Conheci o mundo inteiro.
Andei em dias chuvosos, nublados ou pela noite.
Eu não fiquei com sede, eu me saciava em todo o tempo.
Estava viciado, como Lucy, Nettie e Maria. Eu me sentia um verme, um monstro, alguém que merecia morrer.
Os homens não possuíam uma carga nervosa que os impelia a matar. Matavam por drogas, por sexo, por dinheiro e por gostar disso. Por isso eu também não mantive contato com os humanos. Eu estava sozinho.
Eu via sempre a mesma coisa e se tornou natural estar sozinho. Se tornou até menos monótono.
Conheci lugares conhecidos como o paraíso e outros como o inferno.
Os lugares que os homens chamavam de paraíso eram os lugares que as pessoas fingiam estar felizes.
Os lugares conhecidos como Inferno eram lugares de brigas constantes, pessoas solitárias e sem esperança.
O Inferno era mais interessante, porque as pessoas não fingiam ser o que não eram. Era assustador às vezes, às vezes divertido.
O olhar deles traziam uma chama dos que queriam viver verdadeiramente.
Eu me identifiquei.
Ficava me perguntando quando seria como um humano sem esperança e com uma chama dentro de si que clamava por aventura. Porque, por enquanto, não sentia nada a não ser ódio por mim mesmo.
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Era um dia qualquer de Maio, estava beirando à noite, mas ainda sim já estava escuro como a madrugada.
Eu ouvi passos me seguindo, mas continuei andando.
Parei em uma lanchonete calma e vazia que estava quase se fechando.
A garçonete me olhava ansiosa, esperando que eu pedisse algo.
O que eu queria?
Eu queria morrer.
— Eu quero um café com muito açucar — Disse uma garota pequena com cabelos nanicos e pretos. Sua pele era branca e suas bochechas rosadas. Carregava um sorriso duradouro e contagiou até mesmo a garçonete. Provavelmente era a pessoa que me seguia.
— Prazer, meu nome é Alice. — Ela estendeu a mão em minha direção. — Você me fez esperar por muito tempo.
Quando soube que estava sendo seguido, não me assustei muito, pois poderia ser qualquer pessoa que já tivesse visto querendo saber como vou indo, como Lucy, Maria ou Petter. De qualquer forma, aquela garota não me era familiar.
Mas não foi r**m, foi bom ver alguém diferente depois de tanto tempo.
— Perdoe-me, madame. — Digo. — Não sabia que tinha que ir a algum lugar.
Ela sorri e se senta na cadeira em frente à minha. A garçonete vai em busca do seu pedido.
Ela fica em silêncio por um tempo.
— Não sei o que dizer. Esperei conversar com você a muito tempo, mas nunca pensei no que dizer. — Ela murmura. — Eu estou totalmente nervosa. — Ela remexe nos cabelos e fica balançando a perna incontáveis vezes.
— Não me apresentei, sou Jasper. — Digo, tentando criar algum assunto.
Por que gostaria de manter a conversa com ela?
Ela.. ela é linda. Parece irradiar luz com seu sorriso. Eu estou, talvez depois de muito tempo, calmo.
— Eu sei.
— Já nos vimos antes? — Perguntei, a estranhando.
— Hum, creio que você não tenha me visto.
Sorrio. De onde ela me conhecia? Ela era encantadora. Seu olhar, seu riso. Seus modos.
— Então como descobriu? Está me seguindo também ao longo dos anos? — Provoco. — Pois ouvi seus passos, sinto muito caso a intenção tenha sido de ser misteriosa.
— Não precisaria disso. — Alice me diz.
Então reparo bem em seus modos e em sua pele. Ela não era humana.
— Um de seus poderes? — Pergunto.
— Oh, quase isso. Não coisas muito interessantes. Sou como você. Quer dizer, hum, vampira. —Ela diz baixinho.
— O que quer Alice? — Pergunto.— Creio que não veio aqui apenas para dizer como sabe tudo da minha vida.
— Desculpe. — Ela diz. — Creio que te assustei.
Eu não me assusto com mais nada.
— Tudo bem. — Respondo. — Não me importo. — E tentei lhe dar um sorriso.
Ela respira fundo de nervosismo. Não precisamos respirar fundo, deveria ser um hábito que ela ainda guardava.
— Desculpe. — Ela diz. — Eu sou uma pessoa legal, sério. Só estou confusa, quer dizer, você é real.
Ela coloca os braços ao redor do pescoço, balança um pouco os dedos pela mesa.
— Eu te deixo nervosa? — Perguntei, arqueando as sombrancelhas.
— Um pouco.
Sorrio.
— Não é de propósito.
Então lanço à ela um pouco de calmaria, um toque meu para deixá-la mais à vontade.
— Você fez isso? — Ela pergunta, arregalando os olhos.
— Sim. — Respondo, coçando os cabelos, sem jeito.
— Obrigada.
O silêncio volta a pairar sobre ela, então tento um assunto diferente.
— Então você é doida com açúcar? — Pergunto apontando para o café.
— Sou doida com muitas coisas. — Ela diz rindo. — Com roupas e sapatos também.
Ela se levanta um pouco e mostra seu vestido azul escuro. Com certeza ela deve ter reparado mais detalhes nele quando o comprou, mas eu olhei rapidamente e voltei meu olhar para seus olhos.
— O que a traz a Filadélfia? — Pergunto.
— Alice, como seu vestido é lindo, e com certeza, muito caro. Comprou aonde? Ah, Jasper, obrigada, comprei na loja aqui do centro da cidade. — Ela simula como deveria ser a conversa.
Acho engraçado e dou um sorriso. Depois ela me responde:
— Estou aqui porque vim te buscar.
— Me buscar? — Pergunto.
— Sim, mas ainda não é hora de falarmos disso.— Ela me corta. — Me pergunto o quê você faz aqui, até porque talvez você deveria ficar em outros lugares com outras pessoas.
— Deveria estar com alguém? — Como ela sabe tanto da minha vida? Como ela faz parecer ser natural conversar com alguém tão estranho como eu? — Ando pelo mundo. Procuro achar algo.
— O quê?
— Ainda não sei. — Sorrio. — Eu realmente não sei porque continuo sempre.. sempre andando. — Balanço a cabeça. Já estava contando coisas pessoais para essa garota.
Ela faz com que se abrir seja algo natural e não difícil ou perturbador.
— Espero que encontre.
Alice esperava eu iniciar um novo assunto, enquanto remexia em seus pequenos cabelos.
Quem é você? O que a faz tão incrível? Essa é uma das perguntas que gostaria de dizer.
— Aqui na Filadélfia tem muitas pessoas também. — Digo.
— Sim, sim! — Ela diz.
Quando ela percebe o que quis dizer, ela responde:
— Oh, claro! Muito alimento também, mas... Estou praticando uma nova tática, com animais. Minha família costuma fazer isso. Quer dizer, eles ainda não sabem que eu sou da família, porque vou ser ainda. Isso ainda vai acontecer.
— Animais? — Rio. — Isso não faz sentido.. E que história de futuro é essa? Então você vê o futuro?
— O futuro? Eu? Não. Quer dizer, sim. Mas é mais como possibilidades. Eu posso escolher. — Ela sorri mais ainda.
— E então você veio aqui para... para conhecer sua possibilidade? — Pergunto referindo a mim e a isso.
— Oh, você é uma certeza. Estava na dúvida a um tempo, mas... Eu decidi sobre nós faz um tempo.
— Então não há o que eu diga ou faça? Vamos ficar juntos? — Começo a rir, desacreditado. Ela é muito segura de si mesma.
— Sim. — Ela diz simplesmente.
— Convencida. — Digo rindo. — Nunca conheci alguém tão convencida.
De repente, ouço um barulho. A garçonete havia deixado um prato cair no chão e cortado um pouco do seu dedo. O cheiro invade rapidamente minhas narinas, me preparo para atacar quando sinto lábios tocando os meus. Alice. Alice estava me beijando.
O cheiro forte ainda me invadia. Mas, eu não me concentrei em mais nada sem ser naquele beijo.
Tão de repente.
Tão rápido.
Tão bom.
Ela termina, pega minhas mãos e me conduz para fora da lanchonete.
— Vamos passear um pouco? O cheiro está muito forte.
— O além já não disse a você que eu aceitaria de primeira?
— O além não precisou me falar nada dessa vez. Não há como recusar um convite meu.
Sorrio.
— Tenho certeza que não.
Ela pega minha mão e saímos rumo a um outro novo lugar. Gosto de sua mão segurando a minha.
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Notas Finais: Estou tão ansiosa para continuar, babes. Deixem nos comentários o que estão achando, pls. Amo vocês.