Ambiente de Guerra.

1254 Palavras
Ela disse que eram "melhores amigas", mas o seu riso era poderoso, e até mesmo contagiante. Quase ri também, pois Lucy parecia ter uma energia magnética que nos conduzia a fazer o mesmo. Nettie era uma traíra insana, mas Lucy também era.   Por isso não me vangloriei por mata-la, pois sabia que o pior ainda chegaria. E quando digo pior, me refiro a quando Lucy for revelar sua verdadeira face. ∾ — Nettie morreu? — Perguntou Maria, confusa. Mentiria nessas horas, mas não conseguia com ela. Além disso, ela era extremamente boa para captar mentiras. Lanço a ela uma calmaria, um relaxamento tão grande que a faz respirar fundo. Deveria existir isso em todas as revelações, você acalma e depois você lança a bomba. Gostaria que isso funcionasse mais tempo com Maria, mas não funcionou como eu esperava. — p***a, Jasper! p***a! Não venha me controlar! De novo com essa...Eu amava Nettie, por que fez isso? Ela tremia um pouco de raiva, me olhava com uma expressão dura e indecifrável. Eu iria explicar o motivo que a matei, mas ela não perguntou. Na verdade, não haveria nada a dizer. Eu não me importava. Não sei como cheguei a esse nível, de simplesmente não me importar com os sentimentos ou opiniões dela. Estava me sentindo vazio, oco, frio e entediado. Não sei se isso fazia parte de mim antes, mas faz parte de mim agora. — Você traiu minha confiança — ela disse e me deu as costas. Ela também traiu a minha, pensei. Mentiu pra mim e me fez acreditar que o pouco que tínhamos poderia significar alguma coisa, porém só estava pensando em seus próprios interesses e em sua própria armação de guerra.  Ela está magoada? Eu não dou a mínima. ∾ Peter estava deitado, com o corpo da mulher morta abraçado com ele. Durante alguns dias, fiquei observando-o de longe, e percebi que era apenas uma mulher que fingia estar morta. Não estava viva no entanto, nem morta. Era uma vampira, e pela proximidade, suspeitei que ele era o seu criador. Ela ficava no galpão enquanto todos caçavam, inclusive eu. Imaginei como conseguia controlar sua sede e nunca beber sangue, pelo menos não quando estávamos por perto. E quando quero dizer perto, quero dizer na mesma região da cidade. Raramente saíamos do Sul do Texas, era o novo território que Maria queria conquistar. Toda vez que abria os olhos, sentia nojo de tudo aquilo. Mais pessoas mortas. Mais vampiros. Era sempre a mesma merda. Por isso, quando o bando foi novamente à caçada à noite, disse a Maria que não me sentia bem. Ela me liberou, como sempre fazia às vezes. Ela sabia que eu estava enojado, e já deveria estar querendo se livrar de mim. Quando todos saíram, a mulher morta ainda ficava éreta, provavelmente com medo de ser descoberta. Me sentei perto dela, via alguns pequenos sinais de que ela estava com sede, como suas veias aparecendo, sua magreza e sua palidez. Ela está viva, mas no entanto, vive como uma morta. Por que ela faz isso? De repente, me identifico. Não estou vivendo, não estou feliz. Eu estou morto por dentro. Por que estou fazendo isso? ∾ Quando os vampiros voltaram, minha sede ardia insuportável, eu nem mesmo me reconhecia.  Estava totalmente olhando pro vazio, só pensando em sangue. Minha droga, meu vício.  Até que Maria se aproximou de mim e sussurrou: "trouxe sua comida lá fora." Me apressei para sair do fundo do ambiente escuro na qual me encontrava e fui para fora da casa. E me assustei. Realmente havia um humano lá fora, para aliviar minha sede. Mas, era...uma criança. Quantos anos ela teria? Três anos? Quatro anos? O que a levou aqui? A criança estava assustada, mas também não oferecia resistência. Ela dizia "mamãe" às vezes. — Sua mamãe não está aqui. — Maria diz rindo. Minha sede é forte e martelante, mas algo dentro de mim me impedia a continuar. — Anda, Jasper! Qual o seu problema? — É apenas uma criança, pelo amor de Deus. — Digo com a voz embargada. — Se você não vai fazer...— Maria começou a dizer. E foi muito rápido. Ela simplesmente a pegou pelo pescoço e sugou todo o sangue. Eu nem tive tempo de processar. — Então eu faço. — Ela completou. Ela era rápida e c-ruel. Em mim cresceu um desgosto muito grande. Ela já estava saciada, completa. Ela sabia que eu me importaria, por isso fez aquilo. Sua intenção era me deixar mais m*l do que eu já estava. — Você é tudo pra mim, — ela falou — mas, precisa compreender a sua natureza. Matar. — Eu mato. — Respondi. — Eu estou te ajudando a fazer monstros para ganhar sua aprovação e você insiste em me machucar. — Você mata de forma diferente, como se isso fosse um fardo a carregar. Sangue não é um fardo, somos beneficiados com ele. E a criança é tão beneficente quanto os demais. — Quero que você mude.— Ela finalizou.— Ou as coisas mudarão. — E se retirou, me deixando sozinho, encarando uma criança tão morta quanto eu. ∾ Todos haviam ouvido nossa discussão, como um lindo espetáculo. Eu fui caçar naquela hora, independente do amanhecer estar próximo e independente da permissão de Maria. Quanto havia voltado, estava de dia. Os vampiros se escondiam de sua aparição na nossa morada. Porém, Petter e a mulher morta estavam do lado de fora. Eles se assustaram comigo. Foram pegos de surpresa, acharam que não achariam ninguém pela manhã. Esperaram que eu os punisse, pelas suas tentativas de fuga, mas nada fiz. A mulher morta e Peter ao descobrirem minha confusão, apontaram para uma colina distante, onde certamente poderíamos conversar sem que os outros ouvissem. ∾ A colina ficava a quase 15 km de distância, e a mulher fingida-morta começou a falar baixinho: — Obrigada por não ter contado a ninguém que eu apenas fingia estar morta, embora na verdade já estou. É difícil explicar, é tudo novo pra mim. — Jazz, — falou Peter — Essa é Charlote. Nos cumprimentamos. Peter começou a falar: — Me perdoe não contar nada a você, deveria ter contado do meu passado com Maria e deveria ter falado de Charlote. Gostei dela e não queria matá-la, ela sacrificou sua sede por um tempo para que ninguém desconfiasse de nada e fugiríamos no momento certo. Ele pôs as mãos em meus ombros. — Você pode ir comigo, meu amigo. — Creio que a base de qualquer amizade seja a confiança. — Disse de repente. — Não somos amigos. Parecia que Peter estava em choque, surpreso pela minha raiva. Eu não estava com raiva dele, nem do que ele fez, mas a grosseria parecia sair de mim de forma incontrolável.  Eu não quero mais um amigo. Quero ficar sozinho. Estou enciumado, por ele começar a viver uma vida diferente e eu não. Eu me virei rumo a cabana onde o bando estava e os abandonei. Ainda estava com raiva dele por ele não ter confiado em mim, ou por simplesmente ir embora com outra pessoa. ∾ No meio do caminho não consegui seguir para a cabana, acabei por desistir e ir andando para outra direção. Magoado com todos, caminhei rumo ao nada, na esperança de me sentir melhor. Maria entrará em confronto com Lucy em breve ou até mesmo com os Volturi. Ela andará em um ambiente de guerra a vida toda. E não quero isso pra mim, não mais. ∾
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