Falsa amizade.

2201 Palavras
Nosso exército agora compunham de quarenta e cinco vampiros, desses eu e Maria havíamos transformado maior parte, Maria por ser a líder e eu devido minha resistência. Lucy e Nettie nunca terminavam seu "trabalho", sempre reclamavam que estava com sede, cansadas e enfraquecida. Mas todos sabiam que elas eram dramáticas incuráveis. Fazer com que as pessoas se tornassem uma de nós em vez de simplesmente matá-las, me fazia me sentir menos culpado. Aprendi a conviver com Maria. Quase me convenci de que estava gostando dela, quando me apegava as coisas que ela dizia. Além disso, sentia que eu a conquistava sempre que a servia. Me sentia um boneco em suas mãos, mas não ligava pra isso. Eu me convencia de que ali seria melhor do que em outro lugar. Eu também não conhecia mais nada a não ser aquilo. Às vezes, sentia uma falta de ar psicológica em mim, entrava em pânico e tinha crises de ansiedade. Me sentia preso, sufocado e guardava aquilo apenas pra mim. Era uma mistura de emoções, pois me sentia útil e depois inútil, feliz por ter Maria mas ao mesmo tempo sozinho, como se ela não desse a mínima pra mim. Procurava motivos, qualquer um, para abandoná-la e tentar a viver esse novo mundo sozinho, mas sentia medo.  Ao longo dos anos, guerreávamos contra outros bandos de vampiros e ganhávamos, aos poucos liderávamos o Texas e éramos o grupo de vampiros mais bem respeitado e influente da cidade. Téxas havia se tornado o inferno e Maria era o demônio que todos temiam. ∾ Um dia desses, Jane, uma dos Volturi, veio nos inspecionar e ver o que estávamos aprontando, disse que estávamos matando pessoas demais e deixando rastros, que isso era um erro imperdoável, que Aro tomaria previdências e aquela coisa toda babaca que eles sempre faziam. Mas Jane chegou nervosa e voltou absolutamente calma, compreendendo que estava enganada. Quando saio, Maria murmurou um "obrigado" em meu ouvido. Claro que os Volturi nunca vão estar calmos e nunca vão compreender ninguém, mas eu consegui manipular suas emoções facilmente. Me sentia melhor, ou quase isso, ao ter consciência da minha própria força.  ∾ Eu gostava de tê-la em meus braços, nos beijarmos, isso me fazia bem. Só que não podia atribuir isso ao amor. Parecia curiosidade, vontade de saber até onde ela conseguiria me destruir ao me manipular e me ter aos seus pés. E desejo, desejo por seus cabelos longos e castanhos, sua doçura falsa quando estávamos sozinhos. Eu gostava do seu teatro. Ela era um ídolo na qual eu me submetia.  Mas, aos poucos, ela começou a mudar. Na verdade, ela começou a mudar com a chegada de Peter. Peter havia sido transformado havia duas semanas e Maria simplesmente o odiava. Talvez esse tenha sido um dos motivos por me aproximar dele. Eu gostava de ser teimoso (fingir pra mim mesmo que eu estava no controle de mim mesmo). Por que Maria o odiava? Nunca o perguntei diretamente, mas o observava além do comum. E aos poucos, comecei a me juntar à ele e nos tornamos amigos. Peter não tinha uma história de vida impactante. Ele era da classe média, um dia estava passeando a noite e deu de cara com um monstro horripilante(ou seja, eu) e se transformou em um vampiro. Ele era contra servir Maria, como se ela fosse a dona do mundo, sendo que ele não pediu para ter essa vida. Embora concordasse com ele mentalmente, não suportava que alguém falasse m*l dela, nem um pouco que for, e sempre mudava de assunto. Se Maria odiava Peter, eu possuía uma antipatia por Nettie e Lucy. E não por causa de Nate ou dos meus ciumes, mas realmente elas me pareciam falsas amigas. Digo isso, porque as vi falando de um plano estranho contra Maria, e a mesma não acreditou em mim: — Ela vai querer destruir os Volturi também! — Nettie havia gritado naquele dia. — Mas eu gosto dos Volturi, eles são tão bonitos. — Lucy tinha respondido.— Não gosto de Maria, ela é tão malvada. Hmmm, ela nem me deixou saborear aquele loirinho gostoso. Lucy estava chorando psicologicamente, porque vampiros não choravam. Isso me fez lembrar aquele dia que a encontrei pela primeira vez, Maria me disse que estava chorando porque me achou muito lindo, ou seja, tudo não passou de mais um drama para chamar atenção. Loirinho gostoso era o meu novo nome segundo Lucy, disse isso com Maria e ela nem deu importância. "Não me importo se ela o deseja, confio em você e sei que você nunca me traíra". Não gostei da indiferença de Maria diante dos fatos, mas acabei me acostumando com o meu novo nome, que surgia apenas de Lucy. — Ela te roubou de Jasper,— disse Nettie— você o viu primeiro. — Verdade. — Ela suspirou. — E aposto que sou mais bonita. — Você é sim. Vai me ajudar com o plano? — Sim! — Ela praticamente berrou. Como poderiam ser tão idiotas? Falando um plano assim em voz alta, só mesmo Maria para não perceber. Elas estavam em uma colina a 3 km de distância, mas acredito que qualquer um de nós havia escutado. No entanto, Maria estava ocupada em sua nova caçada por novos territórios do Texas e nos chamaria a noite. Foi naquele mesmo dia que conquistamos o Norte. Todo o norte do Texas, isso era loucura. Mudávamos sempre de morada, e agora habitávamos uma cabana gigante de palha, ela ficava dentro de uma floresta praticamente deserta, onde raramente passava um ser humano. Andávamos bastante para chegar na cidade. Os humanos não sabiam de nós, mas os outros vampiros sim. Eles até davam presentes às vezes, para que não viéssemos atrás deles também. Um dia passeava pela noite quando um senhor com cabelos brancos, me deu aproximadamente 5000 dólares em um envelope e disse "não mexa com os Anibbs", um clã de vampiros esquisitos que gostavam de matar virgens. É engraçado isso, porque não preciso de dinheiro. Porém, está guardado, caso um dia eu precise. Posso tomar o que quiser, mas não sei... Talvez um dia queira me passar por um ser humano. Estou começando a ficar cansado de tudo isso. Matar, transformar pessoas, conquistar territórios. Isso é tão cansativo... ∾ Hoje o calor irradiava o dia, para nossa decepção. Com o inverno chegando, saíamos a qualquer hora do dia, mas hoje não era o caso. Com o sol, fomos obrigados a ficar juntos com mais de quarenta pessoas em um mesmo lugar, algo bem entediante. Eu não confiava em Maria. Sabia muito bem de suas duas caras e queria saber exatamente o porquê dela odiar Peter. Hoje, novamente ela não estava conosco, então fui na direção dele, procurando qualquer assunto. — Como vai, Peter? — Pergunto. Ele estava deitado, como se estivesse dormindo, e havia uma garota morta ao seu lado. — Olá, Jazz. — Ele me cumprimentou. — Estou a cada dia melhor. Peter era daquele tipo de pessoa que sempre está bem, que nunca se arrepende, nunca sofreu, nunca vai sofrer. Aquelas pessoas mascaradas, que são incapazes de falar um pouco que seja de sua vida pessoal. — Nunca cheguei diretamente em você e perguntei, mas, convenhamos, acho que você já sabe o porquê ando mais próximo de você. — Maria, claro — ele falou objetivamente. — Por que se odeiam? Isso sempre martelou em meus pensamentos, e já peço perdão pela curiosidade. — Não há o que se preocupar. — Ele bocejou. — E eu a tenho que servir sem nada em troca? Eu poderia beber de qualquer pessoa na rua. No entanto, ela vai atrás de nós e nos mata. Somos os brinquedos dela, depois somos jogados fora. Ele falou com convicção, mas eu sabia que não era esse o motivo, havia algo mais que ele insistia em esconder. Decepcionado com sua falta de confiança, dei as costas sem me despedir ou falar qualquer coisa. ∾ Maria também não confiava em mim inteiramente, porque quando tocava no assunto de Peter, ela sempre me ignorava.  Hoje, quando ela voltou de onde quer que ela havia ido, perdi a paciência. — O que poderia fazer para merecer sua confiança? Você simplesmente não me da as respostas que quero! O que é que estamos tendo um com o outro? Você me esgota! Ela simplesmente deu de ombros, e disse: — Eu confio em você. Apenas tem coisas que não posso contar. O que ela quis dizer foi "não", com outras palavras. Era chegada a hora de tentar informações com Lucy. ∾ Na hora da caçada, sussurrei baixo no ouvido de Lucy: — Gostaria muito que ficasse na cabana um pouco mais, quando todos saírem. Não conte a ninguém. Maria observou-me de longe, como sempre costumava fazer, e me perguntou sobre o que conversamos. — Falei que não gostaria que ela ficasse me cantando na sua frente, isso é constrangedor pra ambos. Ela sorriu e me beijou no rosto. — Não se preocupe com ela. Estou com sede. Mmmm. E ela abriu a porta central, indo na frente e liderando a cambada. Ela nem notou minha ausência ao seu lado. Portanto, Lucy estava na porta da frente me esperando. O que de fato eu não esperava, era que Nettie estivesse também. — Eu disse pra não contar! — Berrei. — Melhores amigas não guardam segredos. — disse Lucy — Pensei que Maria também fosse uma de suas amigas. — Retruquei. — Você sabe que não, já que nos ouviu aquele dia. — Murmura Lucy. Lucy vem em minha direção e faz aquela carinha de sofredora que costuma fazer para nos manipular, para sentirmos pena ou o que seja. — Você quer me beijar, xoxô? — Perguntou Lucy, se aproximando de mim. — Não desvie a p***a do assunto!  Lucy fez um beicinho triste e se afastou de mim. Nettie então decidiu falar. — Você não nos acha muito inteligente por falarmos em voz alta, em um ambiente onde todos poderiam ouvir. Mas a intenção era que você ouvisse. Saberia em que acabaria aqui. — Ela aponta para os lados. Na verdade, eu não a havia chamado por isso, mas fingi que era e a deixei continuar. — Por que tinham essa intenção? — Perguntei. — Não é óbvio? —Nettie perguntou entre risos. — Ela te usa como um animal, e você não é trouxa, acho que já entendeu isso a um bom tempo. — Isso não é verdade. — Talvez ainda não tenha coragem de admitir, mas sei que é isso que você pensa. Já cheguei a pensar nisso algumas vezes, mas realmente não era algo que eu gostaria de admitir. — Apenas por isso? — Pergunto, cruzando os braços. — Ela planejou tudo. Quer se vingar do m******e dos Volturi anteriormente. Ao ver meu desentendimento, continuou: — Oh, sim, você não é muito desinformado, hm? Os Volturi mataram um exército de recém-criados anteriormente, entre eles uma criança chamada Lilian, de apenas três anos de idade. Não sei como conseguiram transformar uma criança, o sangue é demasiadamente saboroso, não há como parar — Nettie parou um pouco para rir — Elaine a considerava como sua filha e desesperada se suicidou. E, claro, não deixando de mencionar, Elaine era o amor de Maria. Tomo um susto, como uma pontada de uma lança fincando meu coração, tento apagar isso da minha mente, mas isso me martela. Pulo para o outro assunto, um pouco ainda assustado: — Por que ela odeia Peter? — Perguntei. — Porque ele era marido de Elaine. Ele amava sua mulher, mas sua mulher o traia às vezes. Meu choque ainda era visível. Lucy me abraçou calorosamente. Sussurrou em meu ouvido: — Oh, pobre loirinho gostoso. Ela não gosta de você.  — Vai matar você, como fiz com seu amigo, o Nate. — Falou Nettie. — Ela vai esquartejar você, devorá-lo como se você fosse a p***a de uma merda insignificante.  Ao ouvir isso, encaro-a com ódio. Aperto seu braço com força. — Você o matou! — Grito. — Como fez com a amante! Coloco minhas mãos em volta de seu pescoço e com fúria me preparo para arrancá-lo. Sou mais forte que as duas e agora não há quem me impedir. — Não! — Gritou Lucy. — Ela fez pior. Solto minhas mãos do pescoço de Nettie para escutá-la. — Nate nunca a traiu. Ela se transformou em vampira, e quando essa mulher estava passando na rua...Ela não resistiu e a matou, espalhou esse boato para não sair como assassina, embora alguns ainda pensem isso. Nettie se preocupa muito com as aparências. — Ela mexeu nos seus cabelos loiros e sorriu. — Vamos ficar juntos quando matá-las, loirinho gostoso? — Como você ousa? Eu pensei que... — Nettie falava com ódio para sua falsa amizade, mas esta não conseguiu continuar sua frase, já que eu apertei seu pescoço com tanta força e o arranquei como uma taça de vinho. Ouço as batidas do meu coração vazio em disparada, embora ele não bata mais. Sinto meus nervos explodindo. Também ouço as risadas de Lucy altas e divertidas. Melhores amigas, foi o que ela disse um tempo atrás. ∾
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