Narrando: Alice.
— Não consigo imaginar onde Edward e Jasper podem ter ido. — Falo enquanto mordo minha unha.
Eu.mordi.minha.unha.
Eu demorei tanto pra fazer essa unha, - quase um minuto, - para Jazz me preocupar tanto ao ponto deu morder ela.
Rosalie da de ombros.
— Qualquer lugar onde se divirtam. — Ela fala ainda prestando atenção na rua.
— Minhas visões não chegaram até agora, isso está me matando. Elas deveriam já ter vindo.
E será que Rose tem noção do que ela acaba de dizer?
Isso faz minha cabeça se partir em mil pedaços.
Em uma boate os homens se divertem também, Rose.
Ou, no caso de Jazz, beber sangue de humanos.
— Não devem ter ido muito longe. — Digo mais pra mim mesma.
Ela ri. — Com Edward como companhia? —Ela arquea as sobrancelhas, mas ao ver minha reação, acrescentou: — Estou brincando.
Ela não estava brincando, ela apenas falou isso ao ver que minha reação não foi como ela esperava que fosse.
Nem reparei que já adentrávamos o estacionamento da loja.. Estou tão distraída que nem vi o que estava se passando NA MINHA FRENTE..
Ao sairmos do carro, Rose se adiantou na minha frente, enquanto eu trancava o carro.
— Boa tarde meninas, posso ajudar? — Perguntou a atendente.
Ela vestia um vestido de Féraud, por causa de suas linhas que pareciam indianas e africanas e muita cor.
Eu amava o contraste que essas roupas davam, pois transmitiam tranquilidade e felicidade, justamente o que uma vendedora deveria tentar transmitir. O que não era o caso dessa, que apesar de estar sorrindo, seus olhos estavam distraídos e parecia totalmente alheia ao que estava acontecendo. Estava éreta e ríspida, o que não dava certo com suas roupas.
Ela poderia deixar roupas mais sombrias que lhe dariam um ar mais misterioso do que simplesmente tentar vestir algo que não está sentindo.
A roupa é uma forma de sentir. Pelo menos para mim. Mas não posso reclamar, ela veste o que lhe deixa bem.
— Não, obrigada. — Rose a cortou rudemente. Só que diferente da atendente, Rosalie é assim por natureza. Não tem haver com o momento, se está feliz ou triste, cansada ou eufórica; ela sempre dá respostas objetivas e odeia conversas estendidas. É uma forma de se auto proteger de qualquer coisa que imagina em sua cabeça. Foi rude comigo quando tinha chegado em sua casa e agora é um amorzinho pra mim.
— Lice, vai ficar aí parada? Me ajuda a achar uma roupa.
E eu começo a longa e exaustiva missão de achar uma roupa que Rose gostava.
— Esse é muito rosa. — Ela me disse quando lhe mostrei o vestido de Valentino.
— Esse é escuro demais. — Ela comentou sobre um casaco que Lays criou no último inverno.
Ela estava cometendo erros demais. Esses vestidos seriam o sonho de qualquer garota.
E depois de um tempo consegui achar um de seu agrado; uma blusa branca com uma malha delicada e um short dendência da primavera, rosa bebê.
Rose ao sair do provador estava radiante. A roupa lhe deu um aspecto de mais segura de si mesma e ficou parecendo mais jovem. O short de baixo foi criado por Givenchy e ele era absurdamente raro de encontrar.
— Muito apertado!— Reclamou Rosalie. Tirou o short correndo e jogou na mesa. — Acho que vou levar aquele lá mesmo. — Ela apontou para o vestido de Lays. Bom, o casaco de Lays também era lindo. Então ela tornou a vesti-lo.
O vestido de Lays custava pouco mais de duzentos mil dólares, o que daria para comprar talvez três shorts de Valentino.
— Valentino também a deixou linda, Rose. Podemos levar os dois.
— Não quero e acabou, chata!
Eu sou a chata, ok. Estou esperando ela escolher uma roupa já tem mais de duas horas, sem reclamar e ela ainda me chama de chata.
Ela pegou a sacola com cuidado e com medo de quebrar o casaco como se fosse um copo de vidro, enquanto eu encarava tristemente a obra prima de Valentino.
O short rosa bebê, totalmente delicado e fino, já havia custado quase um milhão de dólares. Mas os dias de Valentino acabaram. Depois de uma crise existencial, ele foi internado em uma clínica. Sua fama que tanto cultivou ao longo dos anos, havia sido presa junto com ele em uma clínica. Ninguém mais se importava com suas roupas.
De um milhão, agora poderiam custar entre vinte a cem mil dólares.
Ele não perdeu seu dinheiro, apenas perdeu aquilo que o mantinha em sua fama: a sanidade.
Ele estava indo tão bem que nada poderia atrapalhar. No entanto, atrapalhou.
Tenho essa sensação. A sensação de algo r**m, sufocante, que cairá sobre mim de uma forma que poderei enlouquecer.
Sinto como se minha sanidade estivesse querendo voar pela rua, com flashes escuros de um passado que não sei qual é, de uma vida muito distante que penso ter vivido.
Uma cadeira.
Um choque.
Um soco.
Amarras.
Quando Rose me puxa para apressar o passo em direção ao carro e deixar a loja, tento deixar também esse pensamento pra trás.
Pois sou Alice Cullen e estou sempre feliz.
...
Se algo r**m fosse acontecer, eu teria uma visão, então não faria sentido me preocupar.
— Alice, — Rose começou a conversar comigo pela primeira vez desde que saímos da loja. — Você está bem?
— Claro que sim, — murmurei — todo mundo sabe que eu estou sempre bem.
Ela me encara.
O olhar de Rose pra mim era intimidante. Não somente por ela ser ela mesma, ríspida, mas por ela carregar muito poder e força dentro deles.
— Bom, você não parece nada bem.
— Rose, olhe só para o meu sorriso. — Lanço pra ela um sorriso super forçado e amarelo.
— Olha, sinto muito dizer, mas você é uma péssima mentirosa. — Ela revira os olhos. — Só que nós estamos aqui com você. Não se esqueça disso.
Nós.
Os Cullens.
Minha família.
...
— Urso! — Rosalie grita e sai do carro desesperada, sem nem terminar de estacionar o carro. — Por onde você andou?
Ele a abraça forte e não a solta quando diz:
— Eu enfim consegui comer cinco ursos de uma só vez. — Ele berra com orgulho. — Eu treinei pra c*****o. — Ele fala mostrando as cabeças que carregava na mão. — Tome. — Ele deu pra ela uma cabeça de urso como se fosse um presente muito lindo. — Esse teve o melhor sangue do que os outros.
— Aaaaaah! É uma linda cabeça de urso!
Reviro os olhos. Ele me vê, seu olhar era de curiosidade.
Quer dizer, ele saiu de casa só tem um dia e eles estão se cumprimentando como se tivessem meses sem se ver.
Além disso, ele deu de presente pra ela uma cabeça de urso! Uma cabeça!
Por que ele acha que eu não deveria revirar meus olhos e engolir em seco e fingir que nunca vi isso na minha vida?!
Edward escuta a conversa nos fundos e diz:
— Não me diga que sobrou para Alice também.
— Argh.. — Murmurei. — Onde está Jasper? — Digo enfim vendo que Jazz não está do lado dele.
Porque até então, Edward e eu éramos as únicas pessoas da casa que ele conseguia conversar.
— Eu não sei. — Disse Edward.
— Como assim, você não sabe?! Você saiu com ele hoje! — Gritei, não resistindo o impulso. Ele é seu irmão agora, Alice, não exploda, digo a mim mesma.
— Eu o encontrei, mas ele estava meio doido, então fui caçar sozinho. — Edward diz.
— Mas você nem ao menos foi procurá- lo? — Perguntei começando a ficar nervosa.
— Não é obrigação dele procurá-lo. — Respondeu a defensora de Edward que ainda estava abraçada de Emm como se ele fosse sair dali ou algo assim.
— Fica na sua, Rose. — Respondi.
Carlisle e Esme apareceram.
— Calma pessoal, — Disse Esme também entrando na garagem — ele não deve ter ido longe.
Eu respiro fundo.
— Eu sa-sabia que algo r**m ia acontecer. — Digo desesperada.
Eu só preciso me concentrar.
As visões virão. Eu posso sentir meus nervos soltando, me preparando.
— Ele só saiu, sua fresca. — Respondeu Rosalie ainda nervosa comigo por gritar com Edward. — Você tem que parar de achar que Jasper é seu animal de estimação. Você precisa se acalmar.
Emmett riu enquanto carregava Rosalie para a mansão.
E então eu tenho uma visão repentina:
Uma mulher de cabelos cacheados e extremamente linda, abraça Jasper. (Ele está de costas, mas reconheço suas cicatrizes no ombro esquerdo e as duas enormes no meio) .
— Vai ouvir aquela maluca agora? Ela não sabe nada de futuro. — Ela questiona Jazz — Eu sou o seu futuro!
E os dois se beijam na noite escura.
Em primeiro, mantenho a postura e tento manter a calma.
Respiro fundo umas dez vezes e entro na casa, agora que todos já faziam suas coisas, - apesar de preocupados - mas me dando o espaço que preciso.
O espaço para que eu possa surtar em paz.
Então solto um grito, um grito bem forte. E em seguida, quebro algumas coisas que vejo em minha frente.