Pré-visualização gratuita Capítulo 1 - Sofrimento
São 8:00 e o jantar está pronto. Minha mãe me chama e eu e meus dois irmãos mais velhos descemos, meus irmãos brincam de brigar enquanto descem.
— Cuidado com Kyla, Mason! - diz Jaxon. Eu desço as escadas, uma expressão simples no meu rosto.
— Rapazes! - meu pai grita de repente. Eu pulo com o quão alto ele fica. — Pare com o jogo! - ele grita novamente.
— Sim senhor. - ambos dizem, sentados à mesa.
— Peter, acalme-se, eles são meninos. - diz minha mãe.
— Veja sua língua. - pai cuspiu de volta.
Sento-me à mesa, sem dizer nada. Meu pai, sentado na cabeceira da mesa, olha para mim com a sobrancelha levantada.
— Kyla, onde estão suas maneiras? - ele diz.
— Desculpe pai. Boa noite. Boa noite, mãe. - eu digo, curvando minha cabeça para os dois.
— Por que você não se levanta e me traz uma cerveja? - ele me diz com um sorriso malicioso no rosto.
— Sim, Pai. - digo, respeitosamente.
Estou sempre habituada a este tratamento. Sente-se, seja respeitosa, não faça barulho, faço o que me mandam e eu fico bem. Lembro-me da única vez em que falei com meu pai e o neguei. Tenho hematomas até hoje. Minha mãe é uma flor. Ela é doce e ela não é nada como meu pai. Ela é o que uma mãe ideal é e parece. Ela é linda e mantém sua imagem, é daí que eu tiro. Não sei como ela se envolveu com meu pai e sua raiva, mas apesar de tudo ela consegue manter um sorriso no rosto.
Vou até a geladeira, abro uma de suas grandes portas e pego uma cerveja para meu pai. Eu devolvo para ele com uma reverência e ele zomba e agarra meu pulso enquanto eu saio.
— Sua garota estúpida! Você não se incomodou em abri-la? - ele grita comigo.
— Peço desculpas, pai. - digo, o medo começa a me consumir.
— Pedro a solte. - minha mãe diz calmamente.
— Fique fora disso, Davina. - ele retruca.
— Eu vou abrir para você, querido. - minha mãe oferece.
Ele olha para minha mãe, e com um bufo, meu pai me solta e eu ando apressadamente de volta para o meu lugar à mesa. Sento-me com a cabeça baixa e posso sentir os olhos solidários dos meus irmãos em mim, mas estou muito envergonhada para olhar para trás.
Quando a mãe serve a comida, o pai pega o garfo e a faca e corta o bife selvagemente, dando uma mordida enorme nele. Eu pego minha comida enquanto todo mundo come e a voz do meu pai ressoa quando ele começa a falar comigo.
— Seria sábio você comer. Você já é uma coisa magra e frágil. - ele diz, caindo na gargalhada. Ninguém mais se incomoda em rir. — Falando em você, eu tenho um anúncio. - ele diz.
Eu levanto minha cabeça ficando excitada.
Normalmente, quando há um anúncio, geralmente é sobre o pai, é algo que ele realizou, mas agora, é para mim. Eu imagino o que poderia ser.
— Sim, Pai? - digo, tentando esconder minha excitação.
— Falei com outra família muito poderosa neste mundo mafioso e concordamos em um casamento arranjado. - ele diz, um sorriso maníaco no rosto.
Meu rosto fica pálido enquanto eu processo suas palavras.
Jaxon levanta e bate as mãos na mesa.
— O que?! - pergunta. — Você está entregando ela? - ele grita novamente.
— Abaixe a voz quando falar comigo, garoto! - meu pai grita, fazendo Jaxon zombar e sentar-se agressivamente em seu assento.
Mason olha para mim, tristeza e raiva escritas em todo o seu rosto.
— Eu não tenho uma palavra a dizer sobre isso? - pergunto, lágrimas enchendo meus olhos.
— Não. Você não. Estou feliz em ver você ir de qualquer maneira. É uma boca a menos para alimentar e um rosto a menos para ver. - ele diz bebendo sua cerveja.
— Por que nunca ouvi falar disso, Peter? - minha mãe pergunta.
— Porque você tentaria impedir. Não tenho tempo para lidar com Dixon e sua família. - disse.
Eu congelo, os cabelos do meu pescoço se arrepiam.
O Dixon Reed?
O rei da máfia, implacável, impiedoso, mais notório e temido lá fora?
Não... Não, não tem jeito.
— M-Posso me retirar? - pergunto ao meu pai, enquanto eu tremo, as lágrimas começam a cair pelo meu rosto.
— Continue. - ele diz, me enxotando.
Eu rapidamente subo as escadas para o meu quarto e fecho minha porta, então as lágrimas começam a fluir.
Meu pai está me entregando à pessoa mais fria do mundo e ele nem se importa. Não posso dizer que esperava algo diferente dele. Eu sempre soube que esse dia chegaria, mas nunca imaginei me casar com uma pessoa implacável e vil como Dixon Reed. Minha porta se abre e meu irmão, Mason, entra e se senta na minha cama, onde estou.
— Ky, eu sinto muito. - ele diz, me abraçando. — Eu gostaria que as coisas pudessem ser diferentes.
— Eu também. Eu não quero ir embora. - digo, soluçando em seu ombro.
A porta se abre e lá está meu pai.
— Kyla. - ele diz.
— Pai. - eu digo, rapidamente enxugando meus olhos.
— A reunião de seu novo marido será amanhã. Esteja pronta. Não devemos nos atrasar. - ele diz, então bate minha porta, me fazendo pular.
Depois que Mason sai e o jantar termina, meu pai exige que eu lave a louça, então desço as escadas e encontro minha mãe na pia.
— Você não tinha que descer, querida. - diz a mãe, docemente.
— Você sabe o que papai teria feito se eu não tivesse feito isso. - digo, brincando.
— Se eu soubesse, não teria ido, Kyla. Mas não tenho escolha. A reunião é só amanhã. - ela diz.
— Eu realmente não posso voltar atrás também, posso? - pergunto.
— Sinto muito, mas você não pode querida. - ela diz, lavando um prato.
— Eu sabia que seus irmãos ficariam chateados se descobrissem que você os estava deixando. É por isso que eu nunca quis arrumar um casamento arranjado com eles dessa maneira. - ela diz baixinho.
— Eu entendo. Vou falar com Jaxon. - digo.
— Vá em frente. Vou dizer ao seu pai que você terminou suas tarefas. - disse mamãe.
— Obrigado, mãe." Eu digo, deixando um beijo em sua bochecha.
Eu saio e subonpara o quarto de Jaxon, e ele está jogando coisas, gritando.
— Jaxon? - digo, baixinho.
Ele olha para mim, respirando pesadamente com raiva em seus olhos.
— Entre. - ele diz, vindo para fechar a porta atrás de mim. Eu entro e ele anda atrás de mim. — Ele não pode fazer isso com você. Você ainda é um bebê. Você tem toda a sua vida pela frente, Kyla. - ele diz, tomando cuidado para não deixar o pai ouvi-lo.
— Eu sei, Jaxon, mas eu tenho 19 anos. Isso ia acontecer de qualquer maneira. - tento amenizar o problema.
— Então você está bem com isso? - perguntou incrédulo.
— Eu tenho que estar. A reunião é amanhã, não há nada que eu possa fazer. - disse.
— Só amanhã? Ele está doente pra c*****o. - Jaxon diz.
Há uma batida suave na porta e mamãe abre a porta.
— É hora do seu descanso de beleza, querida. Faça sua rotina de cuidados com a pele antes de ir para a cama. - ela diz, com um sorriso no rosto.
— Sim, mãe. - digo, me curvando.
— Oh, pare com isso. Você só precisa fazer isso quando seu pai estiver por perto. - ela diz baixinho, tomando cuidado para não deixá-lo ouvir.
— Boa noite Jaxon. - digo.
— Sim. Boa noite. - ele diz, ainda fumegando.
Vou conhecer meu novo marido amanhã. Amanhã, o dia que estou temendo. Não será a primeira vez que temo o amanhã e, considerando o que está acontecendo agora, duvido que seja a última.