PASSADO: Um brinde a São Loazo

3405 Palavras
Era celebração de São Loazo, em Vasars. O santo da igualdade. Ele deveria estar bem decepcionado com a situação dali. O lorde da cidade se encarregou de pagar um banquete a todos, e por isso a cidade inteira, naquela manhã, festejava no pátio do palácio. Antes, segundo Tahira, esse dia não era para a cidade festejar às custas do lorde. Era um dia em que todos ajudavam os menos favorecidos e dava um teto por um tempo a um mendigo, para que esse se estabilizasse na vida e pudesse ter meios de conseguir um emprego e crescer na vida. Naquela época, Vasars era uma cidade vertiginosa, solidária e altruísta. Mas ali todos precisavam e o único que podia ajudar era o lorde. Os órfãos e as viúvas que dependiam do lar de idosos para sobreviver eram quem serviam a cidade. Era bem aceito ajudas extras. Gulian não aceitou ser servido por Vitto, que era obrigado a servir por depender da cidade para sobreviver, e por isso resolveu ajudar também. A minha ajuda não foi bem-vinda, portanto eu fiquei sentado ao lado de Tahira e Jeana, num banco frente ao banco delas, que sorriam com a atração do palco que estava acerca de quinze metros de distância de onde estávamos. Uma etiqueta básica, que era levada a sério até pelas classes mais baixas das baixas, era que um sumo deveria estar distante a mais de três metros de uma mesa com comida. Menos do que isso, era a pior das faltas de educação que existia a um sumo, sendo nós castigado a uma surra por qualquer um que o visse. Não era só falta de educação por parte do sumo, mas por parte de seu senhor também. E em alguns lugares isso era tão levado a sério que o sumo poderia perder um pedaço do dedo. Por isso, e também por nojo, não quiseram a minha ajuda. Menos m*l. Eu não precisava me preocupar com isso perto de Tahira e Jeana, que eram tão gentis comigo que não sentiam nojo de minha presença enquanto comiam. Mas faziam questão que eu me lavasse ao menos uma vez ao dia para me sentar com elas na mesa. Ninguém a minha volta parecia se preocupar com essa regra de etiqueta, na verdade. Era um dia feliz e todos só queriam sorrir. Era aquele um dia sem fome; um dia sem dor; um dia feliz e de igualdade. Todos comemoravam o santo padroeiro de Vasars. Era um dia de festa, um dia em que todos comeriam de encher o estômago e coisas mais. Com certeza muitas outras coisas se encheriam de comida. Muitas bolsas! Gulian toda hora chegava com costeletas de carneiro em nossa mesa, assim como purê de milho e pão em disco feito de farinha de arroz. Comemos para tampar todo o espaço vago no estômago que nos perturbava há dias. Tahira ainda guardava, assim como outros, pão numa bolsa que eu carregava. Guardava muito pão, e depois de o saco estar quase cheio, começou a colocar costeletas de carneiro. Gulian trazia coisas exageradas até nós, já com o intuito de ter comida pelo resto da semana. Não passaríamos fome nos próximos dias. Isso era tão bom. — Estão dando aquele doce de açúcar, Telo. Peça para Gulian pegar — Tahira me disse, cutucando a minha vista com a dela, enquanto tentava me mostrar os garotos servindo as mesas distante da nossa. Levantei num pulo e cai no chão em pé. Caminhei o mais rápido que minhas pernas curtas me permitiam. Fui até Gulian e sussurrei em seu ouvido a vontade de sua tia. Depois de ter entregue a mensagem eu voltei e sorri para ela. Era o suficiente para saber que fiz o que havia me pedido. Tahira sorriu de volta e percebi que nos sorrisos mais intensos sua feiura era quase impercebível. A nova pele já cicatrizada de seu corpo ficava puxada em alguns lugares, como um nervo alterado e bem visível, dependendo da posição da cabeça ou da expressão que fazia. Não que alguém reparasse e a julgasse, com exceção das crianças. Mas era estranho olhá-la quando a pele ficava assim. Ela mesma ficava sem graça pelo olhar murcho que dava quando a sua péssima aparência piorava. A metade de seu cabelo já não crescia mais, principalmente ao lado esquerdo de sua cabeça e um pouco na frente. Após muito choro, ela resolveu que não rasparia a cabeça. Decidiu que viveria usando um pano amarrado e espalharia o cabelo por todos os lados, distribuindo-o nas partes mais ralas, para parecer que seu cabelo ainda estava lá, já que grosso o forçava a ser volumoso, impedindo pessoas de pensarem que lhe faltavam fios. Seus olhos, na maior parte do tempo, costumavam ser doces e gentis. Até comigo ela dava seu melhor, como se eu fosse um m****o de sua família. Um m****o do qual ela compartilhava pensamentos profundos; suas inseguranças. Era eu o seu confidente; era perto de mim que ela não enxugava as lágrimas quando ouvia uma das crianças da cidade chamá-la de a viúva Dórta. A viúva Dórta era a lenda de uma velha que morreu nas mãos do filho mais velho, anos depois de perder o marido, por ter se tornado c***l e agressiva. Ela começou a odiar as crianças e por isso maltratava seus filhos, até um dia que decidiu pôr fim no seu sofrimento de tê-los de ver todos os dias, tentando matá-los queimado. Mas o seu filho mais velho, que era um pouco mais velho que Gulian nesta época, virou o jogo e matou a mãe queimada. Então as histórias viviam sendo ditas de que a viúva Dórta voltaria para queimar os descendentes de seus filhos, o que no total eram todos da cidade, pois segundo a lenda, isso aconteceu há séculos atrás. Então a linhagem de seus filhos se emendou a várias outras e hoje todos tinham o sangue da viúva Dórta. Podiam ser crianças, e a lenda podia ser boba, feita com o intuito de impedi-las de sair de casa pela noite, mas ela ainda se sentia muito m*l. Não exatamente por as crianças ter medo dela ou falado o que falaram, mas por ela mesma, por ela estar numa situação sem volta. Ela se odiava por isso e uma vez tive de impedi-la de tirar sua própria vida, persuadindo-a de que viriam épocas melhores. Eu era só uma criança prestes a completar quatro anos e tive de arrancar isso de um livro que Gulian roubou para mim de uma biblioteca. De fato foi um m*l que veio para o bem. — Gulian está demorando — ela observou, olhando ansiosa de um lado ao outro. — Peça a Vitto. Ele é mais esperto que o primo nesse assunto. — E me apressou com o olhar, mirando-os para os garotos que serviam mesas próximas às nossas. Me joguei do banco outra vez e cai no chão em pé. Respirei fundo pelo trabalho que tinha ao subir o banco e ainda assim Tahira ficar me pedindo para descê-lo incansavelmente. Andei por todos os cantos, sinalizando que eu, pequenino e de presença ínfima, estava passando por ali para não ser pisoteado. Não passava dos quadris dos mais baixos e dos mais altos chegava ao meio da perna. De alguns, dos exageradamente gigantes, um pouco acima dos joelhos. Era tão bom ser despercebido e ao mesmo tempo tão r**m quanto os chás de matos que tomávamos uma vez ou outra em alguns dos meses mais apertados, para tirar a fome. Vi sir Edmundo Umity, um garoto ruivo, franzino, magricelo e possivelmente o mais feio dos humanos, desfazendo de Vitto. Tinha uns dezesseis anos e estava sentado junto à família dele que também destratavam o Vitto por ser um garoto órfão, dizendo que a família dele era um dos motivos de Vitto estar com o estômago cheio durante toda a sua estadia no lar de órfãos. Dizendo também, que Vitto nem deveria estar no lar de órfão de Vasars, considerando que Vitto era de outra cidade. Vitto, do tipo que só engolia e saía de perto, mesmo humilhado e revoltado, apenas acenou com a cabeça e fingiu que nada daquilo acontecia com ele. Mas o problema era que Gulian não era como o primo, e eu não era o único a perceber o que estava acontecendo e perto o suficiente para ouvir o desrespeito de sir Umity para com Vitto. Gulian se aproximava durante o acontecimento. E como um ser não muito pensante que o garoto sempre fora, eu imaginava o que aconteceria a seguir. Imaginava o esforço que Tahira teria para desfazer tudo o que Gulian planejava falar e fazer, e doía o coração em pensar nas consequências de seus atos caindo sobre todos nós. Gulian se aproximava revoltado e desfigurado em ódio. Já Vitto, com medo do destino que se aproximava com os passos do primo, tentou freá-lo, ainda sabendo que sua vontade impotente de nada serviria. — Gulian, por favor — ele disse já de mãos abertas e braços esticados na direção do primo que bufava ao se aproximar dele. — Saia da frente! — bufou fogo, olhando para sir Umity, enquanto o pequeno sir nem o reparava. — Eu consigo ver um futuro em Vasars. Eu realmente consigo nos ver desenvolvendo aqui, nos tornando gente, casando, construindo uma família. Mas isso não acontecerá se você for até ali — Vitto apontou —, e fizer qualquer coisa que destrate a família do cônsul Raneto Umity. — Saia da frente! — Não! Gulian, por favor. Vitto olhou para trás, verificando se o som da conversa chegava até a mesa do cônsul, enquanto ambos se aproximavam cada vez mais. — Não temos futuro nesta cidade pobre — Gulian observou. — Você sabe que temos — Vitto afirmou. — Eu falei para você dos planos que o rei tem para a cidade. Ouvi o ministro do estado dizendo, enquanto outro escrevia tudo numa carta. Vitto conseguiu há meses, trabalhar no palácio do ministro do estado, que é no meio do caminho de Vasars e Natirum fa Têhg, onde ao lado tinha um Liceu para os filhos de lordes. Sir Umity estudava lá. — Eu vou acabar com a cara dele na frente do pai — Gulian garantiu. — Ele nunca mais pensará que por ser filho do cônsul, poderá destratar alguém. Ele nem é de Neerit. Seu pai é o cônsul que representa Garraz. Vieram de lá, como ele ousou te dizer que você não é de Vasars, não tendo ele nem nascido nesse país? Ao menos você sim. — Não importa. — Importa, primo! — E finalmente olhou para ele. — Eu não gosto que te destratem e gosto menos ainda quando você deixa que fazem isso. — Gulian, eu não ligo. Não ligo mesmo — afirmou aparentemente mais para si, talvez para absorver aquela mentira. — Mas eu sim! E saia logo da frente antes que o sangue esfrie. — Não, eu não vou — Vitto se impôs, ainda que não adiantasse de nada, pois sendo mais forte que ele, Gulian o tirou de sua frente com uma facilidade humilhante. Isso, por trabalhar no pesado, fazendo b***s de desembarcar, de navios comerciantes, sacos de milho, trigo, arroz, às vezes coisas leves como algodão; animais; e na maioria das vezes caixotes de peixes. Ele conseguia roubar uma coisa ou outra quando conseguia os b***s. Às vezes passava o dia inteiro no porto do rio, oferecendo seu serviço barato, quase escravizado e ainda levando “não” e “não preciso”, dos mais educados. Às vezes viajava para cidades próximas e ficava por lá cerca de uma semana trabalhando. Eu o ajudava fazendo companhia e conversando com ele, para que sua mente se desprendesse do corpo que doía. Ele só reclamava quando não aguentava mais. Quando abrir os braços era quase impossível; quando sair da cama só era possível por causa de uma dor maior no estômago. Então assim ele viveu por meses. Meses dos quais começou a indicar estar se tornando um homem, ainda sendo um moleque que a pouco tinha completado quatorze anos. Gulian ficou de frente à família do cônsul, enquanto eu me aproximava mais, ainda sabendo que se precisasse correr eu me daria m*l. Ele, desaforado e alguém que não se intimidava por presença alguma, puxou sir Umity por sua echarpe marrom escura e o tirou do banco que estava sentado com sua família. O cônsul logo se levantou. — Como ousa! Solte meu filho, coisa imunda! — ordenou em trovejos que fez todos pararem de festejar. — Quais as palavras que você usa para descrever o meu primo mesmo, sir Umity? — perguntou, aproximando seu rosto do dele e deixando-o se equilibrar apenas pelas pontas dos dedos dos pés. O rapaz nada disse, estava amedrontado o suficiente para se calar por toda uma vida. Olhei para Vitto e percebi certa satisfação no olhar. Mesmo tendo noção da nocividade, sabia aproveitar os momentos prazerosos antes do problema aparecer. Quase cheguei a rir. — Guardas! Detenham este moleque — o cônsul trovejou. Gulian chacoalhou o pequeno sir e repetiu: — Do que você chama o meu primo? — Nem sei quem é seu primo! — Tentou ser arrogante, ainda aterrorizado. Mas Gulian fez questão de mostrar de quem estava falando e apontou o dedo a Vitto. Imediatamente o primo menor retraiu todo o corpo e tentou sumir dos olhares quando eles o encontraram. — Você o humilha direto, eu vejo. Eu também tenho noção de como você acha que o fato de seu pai ser o miserável de um cônsul te dá direito de agir como quer com os órfãos de Vasars. Acontece, pequeno sir, que sou um órfão também, mesmo que eu não viva no lar de órfãos, e à distância tenho sentido a dor dos meus iguais. Sir Umity deu uma risada. — Um defensor dos oprimidos? — Eu não defendo a porcaria de oprimido algum, estou aqui pelo meu primo. Que se ferre o resto — trovejou. — Mas que me incomoda você agir assim com todos eles, me incomoda sim. — É melhor você me soltar, órfão — disse o pequeno sir. — Ou o quê? Ele olhou para os lados, ainda tentando se equilibrar nas pontas dos pés e percebeu que guardas se aproximavam apressados no meio da multidão que nos cercavam. — Ou então irá se arrepender — terminou. Gulian assentiu com a cabeça e o soltou, dizendo: — Tudo bem. Mas socou o seu rosto num só golpe e com tamanha força que o fez cair no mesmo banco do qual foi tirado na marra, só que agora com o nariz provavelmente quebrado e com a cabeça tonteando para os lados. Mais repentino que o soco, foi o Gulian correndo, puxando Vitto consigo e me deixando sozinho, sem tempo de reagir. Em meio ao alvoroço, eu só pensei em me misturar no meio da multidão. Neste instante era bom ser a pessoa que ninguém notava, ainda que ser o único sumo no meio de vários humanos não me permitisse exatamente passar despercebido. À espreita, passei de perna em perna até sair dali e correr para longe. Eles não iriam para um lugar qualquer, mas para um grupo de árvores em especial, no meio do pântano, onde eles estavam construindo uma casa no alto delas. Ela era bem escondida. Ninguém os acharia lá. Ao chegar, vi os dois discutindo sobre uma ponte que ligava dois cômodos. Gulian sempre foi bom em construir coisas, mas eu nunca imaginei que ele faria algo assim. Sua própria fortaleza. Não era só crédito dele, pois, mesmo trabalhando menos, Vitto ajudou bastante, e era sua a ideia de cômodos separados em várias árvores ligadas por pontes. Segurei na escada que ficava entre uma das árvores do meio, e comecei a subir. Mesmo eu sendo leve, a madeira rangeu o suficiente para fazer com que Vitto olhasse pelo parapeito daquela ponte e me visse. Depois voltou a sumir da minha vista. — É só o Telo. — “É só o Telo” — murmurei comigo mesmo, zangado. — É uma merda mesmo! Por que não consigo me controlar? — Poxa, Gulian! — Vitto resmungou. Quando subi, vi os dois frente a frente, conversando. — Estão nos procurando? — Gulian perguntou para mim. As sobrancelhas arqueadas. — Estão — respondi. — E a tia Tahira? Será que ela... que vai sobrar para ela? — Gulian perguntou. Mexi com os ombros e atravessei uma das pontes para ir até onde estavam. Ele sabia a resposta de sua pergunta. — Jeana vai vir até aqui e acabar trazendo os soldados até nós. — Será? — Vitto verificou. — Tenho certeza — afirmou, enfado. — Por isso a ideia. — Ele formou um sorriso preguiçoso no rosto e Vitto semicerrou os olhos. — Que ide...? — Vamos fugir. No mesmo instante, tanto eu quando Vitto arregalamos os olhos. — O quê? Não! — o primo menor balançou a cabeça. — E Tahira? — indaguei, preocupado com aquela que ninguém parecia se importar. — Minha tia pode ficar no abrigo para as viúvas e Jeana pode ficar com ela — Gulian garantiu. — Ou no lar de órfãos. Não posso me prender a elas. Eu preciso me ajudar. Ela vai querer isso. Além do mais, trarei problemas a ela se eu voltar para casa. Tahira e Jeana não passariam mais tanta dificuldade se fossem aceitas. Mas junto com a garantia de uma vida um pouco melhor, viria muita humilhação. Para garantir o alimento de todo dia, Tahira teria de trabalhar na casa de lordes, limpando seus palácios, assim como edifícios do governo. Seria humilhada como qualquer outra viúva era. O futuro de Jeana era incerto. Quando se cai num buraco desses, é difícil sair. — Tem a Lídia. Eu gosto dela — Vitto se queixou. — Traga ela conosco. — Lídia nunca iria — afirmou, desgostoso. Complementou as palavras com um aceno negativo de cabeça. — Então ela não gosta de você. — A voz de Gulian soou como se isso fosse a conclusão mais inteligente que alguém poderia ter em relação à situação do primo e seu primeiro amor. Vitto saiu de perto de Gulian e seus olhos já não enxergavam o que tinha a sua frente. Ele estava num estado tão profundo do pensamento que talvez nem percebesse o tempo que gastou pensando. — A família dela gosta de mim. Disseram que eu poderia ser alguém no governo. Que tenho jeito pra isso. — Ah, então você é o bilhete deles para tirá-los da pobreza! — Gulian constatou. — Não! Não é isso! — Primo, seus pais ficavam em casa o dia todo e era você quem cuidava da padaria. Você fazia tudo e eles nada. Eles ainda te batiam e te cobravam mais e mais. Você só descansava quando todos vocês vinham tirar férias conosco no Dergo. Você vai fazer o mesmo com a família da Lídia, só não vai ser surrado, talvez. — Oh, primo...! Não faz isso — Vitto suplicou. — Fazer o quê? Te dizer a verdade? — Gulian se aproximou dele. — Vou fazer sempre. — Ele respirou fundo. — A Lídia parece ser uma boa garota, mas os pais dela são preguiçosos. Me lembram seus pais. Eles vão te fazer o mesmo. O melhor seria pegar a Lídia e fugirmos todos juntos. — Ela nunca os deixaria. — Então deixe-a. Não volte para sua antiga vida, primo. Por favor. Vitto soltou uma expiração chorada, abaixou e balançou dolorosamente sua cabeça. Doía vê-lo daquela forma, mesmo eu nunca sentindo empatia pelo sujeito. — Vamos então — disse ele pausadamente, em som de lástima. — Isso! — Mas para aonde? — perguntou, erguendo outra vez o olhar. — O que você acha de Dafa? — É uma boa ideia. — Vitto olhou para mim. — Mas teríamos de atravessar Onttere para chegar à Dafa. Telo seria morto lá. Gulian olhou para mim, fazendo eu me sentir um peso. — Vamos passar então por Resson e depois por Dabinlat. O caminho será mais longo, mas assim nós três chegaremos com vida à Dafa. A ideia fazia sentido. O problema era as moedas que nos faltavam e o modo de nos sustentar quando chegarmos em Dafa. Mas algo me dizia que Gulian daria um jeito nisso. Ele sempre foi bom em dar um jeito nas coisas.
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