Gadernal narrando Ela ainda tremia nos meus braços. Os olhos vidrados, arregalados, como se ainda não tivesse voltado por completo desse inferno que a gente viveu. E mesmo com a confirmação de que o bebê tava bem, mesmo com o médico jurando que o coraçãozinho tava batendo forte, mesmo com ela respirando ali, na minha frente, eu ainda não conseguia tirar o gosto amargo da morte da minha boca. Porque eu quase perdi. Quase perdi os dois. Quase enterrei a única mulher que me fez querer mudar o jogo. Quase assisti meu mundo acabar na p***a de uma maca fria de hospital. E isso… isso eu nunca vou perdoar. Eu sentia o peito rasgar por dentro. Meus braços a envolviam com uma força que beirava o desespero. O coração disparado, o maxilar travado, os olhos marejados. Eu não chorava. Mas por dentro

