Arcando com as consequências

1489 Palavras
Isadora  Após tentar conversar com o senhor arrogante, percebi que aquele homem era mesquinho e c***l e parecia sentir  prazer em tratar m*l as pessoas.  E ele estava completamente errado, sobre eu não querer cumprir com a minha parte naquele arranjo. Eu não vendi nada e era completamente compreensível que eu não desejasse ir em frente com aquilo, mas ele não sabia disso. De qualquer forma, eu me dispus a estar ali no lugar da Rebeca e, como não consegui convencê-lo a retroceder com aquela sandice, eu precisava ir até o fim, por menor que fosse a minha disposição, como ele colocara. Olhei em volta do ambiente e me senti ainda mais fria sobre a obrigação de me entregar para aquele homem que nem mesmo um nome fictício teve a gentileza de criar, visto não querer que eu soubesse quem ele era de verdade. Que ele desejava se manter uma incógnita, eu entendia. O que eu não podia entender era toda a aversão que ele demonstrava sentir por estar comigo e, mesmo assim, ainda querer ir adiante com aquilo. E no momento em que ele fechou a porta, senti ser chegado o momento de arcar com as consequências das atitudes precipitadas da Rebeca e prometi-me mesma que, de agora em diante, não mais iria assumir as responsabilidades pelo que a minha irmã fazia.  Aquela seria a última vez. — Tire toda a roupa. — Ele disse em tom de comando e de uma maneira bastante fria, como se estivesse falando de algo simples e banal. — Agora? — Perguntei alarmada. Eu havia preferido não pensar no momento em que eu estivesse entre quatro paredes com o homem com o qual eu precisaria f********o, mas jamais teria passado por minha cabeça que ele iria simplesmente me pedir para tirar a roupa, de maneira tão mecânica e sem ao menos algumas… preliminares. — Acredito que este seja o momento adequado. Não concorda? — Ele interrogou com a voz carregada de ironia. Senti a insegurança me tomar, pois, jamais havia ficado completamente nua na frente de outras pessoas e, nem mesmo da minha irmã gêmea aquilo seria fácil, quanto mais de um estranho frio e insensível como aquele homem se mostrava ser. — Acreditou que eu poderia tirar a sua virgindade com você vestida mesmo?  — Não pensei isso. — Neguei com veemência. — Então, o que está esperando para fazer o que te mandei? - Sua voz estava dura como aço. — Eu pensei que… — Não consegui concluir a frase, pois sabia que ele seria ainda mais duro, caso eu dissesse o que quase escapou de meus lábios. — Pensou que seria um ato cheio de amor? Que eu seria carinhoso? — Ele soltou uma risada de escárnio que me fez sentir asco daquele homem horrível. — Você escolheu a personagem errada para vir até aqui essa noite, garota. — Não entendo o que quer dizer.  — Tenho certeza de que sabe muito bem sobre o que eu estou falando. Já chegou a hora de mostrar a sua verdadeira face.  — Eu não estou encenando nada aqui! — Falei indignada. — Se você prefere ir por esse caminho, então, que assim seja.  Ele disse aquilo e virou de costas para mim, caminhando até o aparador que ficava em um dos cantos da cabine luxuosa do iate e se serviu de uma dose do que presumi ser vodca. Reconheci pelo rótulo, pois era igual ao da vodca importada que meu pai costumava beber. Aquela coincidência me deixou ainda mais tensa e eu não soube entender o motivo disso, foi apenas uma sensação r**m. — Não vai fazer o que mandei? — Ele perguntou, bebericando a bebida sem ao menos me olhar. Permaneci em silêncio, mas entendi que não tinha mais como adiar o momento e que não havia um jeito melhor ou pior de fazer aquilo. De qualquer forma, seria algo dessagrável e eu não iria sentir nada além de desconforto. Então, que assim seja. Levei uma de minhas mãos até as costas e, com o máximo de tranquilidade que consegui, tentando ser o mais fria possível, fui baixando o zíper do meu vestido preto e um tanto quanto discreto, afastando o tecido e o deixando cair como um monte aos meus pés. Ele se voltou em minha direção nesse momento e, sem deixar de me observar, caminhou calmamente até a cama, enquanto eu abria o fecho do meu sutiã preto rendado com algumas fitas cor de rosa e o deixava cair junto ao vestido no chão. Tentei não olhar para ele no momento em que me abaixei um pouco o meu torso para descer a minha calcinha, também de renda preta com fitas rosa, e a tirar devagar, mas sem o encarar em nenhum momento.  Tudo o que eu não queria que acontecesse era que ele pudesse pensar, em algum momento,  que eu pretendia reduzi-lo, como ele havia sugerido que eu faria.  Apesar de não entender por que ele tinha uma concepção tão horrível de mim, eu ainda assim não queria fazer nada que mudasse favorável ou negativamente a imagem que ele desenhou em sua mente deturpada pela frieza. Ao olhar novamente em sua direção, ele já estava sentado na cama forrada com lençóis de cetim n***o e recostado ao espaldar, me observando com seus gélidos olhos escuros. Ele era um homem bonito, mas a sua personalidade apagava aquele fato e a sua bela aparência não conseguia me deixar mais receptiva. — Está feito. — Falei, tentando parecer tranquila, mesmo estando completamente nua diante daquele homem arrogante. — Dê agora uma volta. — Não foi um pedido e ele fez um gesto girando o dedo indicador. — Quero comprovar se estou recebendo realmente o que comprei. Afinal, preciso fazer valer a pena os meus dois milhões de dólares que paguei para estar com você. Senti-me ferida por suas palavras, algo que eu sabia que não deveria, pois, não o conhecia e o que ele dizia ou pensava sobre mim não era importante. E ainda tinha o fato de que ele havia pagado dois milhões para estar com a Rebeca e não comigo, mas isso não mudava a realidade, pois quem estava ali, para cumprir com o acordado, não era a minha irmã e sim, eu. Fiz então o que ele pediu e girei de maneira lenta, me sentindo completamente exposta e sentindo a raiva se apossar de mim, por estar me submetendo aquela situação. Apesar disso, quando estava novamente a sua frente, não deixei transparecer o quanto aquilo estava me afetando e mesmo diante de seus caprichos, tentei manter a dignidade intacta. Não deixaria que ele percebesse como eu estava me sentindo terrivelmente humilhada. — O que devo fazer agora? — Perguntei, fingindo uma tranquilidade que não sentia. — Nada. — Ele disse simplesmente. — Quero você quietinha. Não quero nem mesmo ouvir a sua voz. Você consegue ser apenas uma coadjuvante ou não vai conseguir suportar ficar em segundo plano? Agradeci internamente por ele não esperar que eu fingisse gostar que ele faria comigo e que ele não estivesse contando com a minha participação ativa naquele ato sórdido. — Farei como o senhor deseja. — Responde de maneira obediente.  — Perfeito.  Ele então se levantou da cama e caminhou até onde eu estava, parando ao meu lado. Suas mãos desceram sobre o meu cabelo comprido, juntando-o em uma só mão e o segurando com firmeza suficiente para que minha cabeça fosse na mesma direção, mas não diria que ele puxou com força, apenas que eu não estava preparada para o que ele fez. — Não sei dizer com exatidão, mas você parece diferente das fotos. — Ele falou, parecendo pensativo, ainda com um punhado de meus cabelos em sua mão grande. Temi que ele descobrisse que a pessoa que se candidatou ao leilão não era mesma que estava com ele ali, naquela cabine e pensei em distraí-lo, só não consegui imaginar como, com ele estando tão próximo de mim e o seu cheiro contaminando os meus sentidos, como nunca havia acontecido em minha vida. — Está doendo. — Menti. Pensei apenas em usar aquilo como pretexto para ele esquecer aquele detalhe, pois, pelo pouco que vi daquele homem, ele não iria gostar nenhum pouco de saber que estava sendo enganado de maneira tão escandalosa. — Vai permanecer nesse papel de garota frágil, mesmo? — Ele falou, me encarando com aparente irritação. — Não está cansativo para você, fingir ser alguém que não é? Ele estava certo e realmente era muito difícil estar ali, nua e totalmente exposta, aos seus olhos cruéis daquele homem sem sentimentos e não porque eu estava fingindo uma personalidade diferente da minha.  — Por que você não faz logo o que tem que fazer e acaba com isso de uma vez? — Falei, o encarando nos olhos, agora sim, fingindo uma coragem que eu não estava sentindo. Eu só queria que tudo acabasse logo.
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