Sai dali correndo, já pensando nos próximos passos, eu não tinha tempo pra ficar chateada pelo trabalho que tinha arrumado, eu precisava arranjar um lugar pra morar agora, um lugar bem distante do Dylan, aonde ele jamais fosse me achar, enquanto eu pensava nisso, parece que Deus ouviu minhas preces, e quando olhei para cima, vi uma placa escrito aluga-se quartos, num prédio bem mais ou menos próximo da boate, mas ia servir.
Assim que passei pela porta, comecei a encontrar rostos familiares, e aí percebi, que todas as meninas que trabalhavam na boate, moravam ali, era quase um outro bordel, com certeza eu não queria trazer a Kate pra cá, mas, ia ter que servir, era temporário.
Tinha um rapaz sentado na recepção, com cara de poucos amigos.
-Bom dia, senhor! eu quero alugar um quarto.
-Você é a novata que entrou no lugar da pâmella? c****e a Victória caprichou dessa vez, em.
Já percebi que aqui, as fofocas corriam muito rápido.
-Se você quer saber se eu vou trabalhar na blue house, sim, eu vou, e eu preciso de um quarto, então, se você tiver como me ajudar.
-O quarto da Pâmella tá vago, aquela vagabunda sumiu daqui sem pagar, por isso agora eu tenho que cobrar 2 meses de aluguel adiantado, não posso ficar tomando prejuízo, sabe? eu vivo disso aqui.
-E qual o valor do aluguel?
-São 500 pratas, vencimento todo dia 10, sem atrasos.
Olhei pra minha carteira e percebi que 1000 dólares eram quase tudo o que eu tinha, mas eu não ia ter opção melhor que essa, então, só peguei o dinheiro e entreguei ao rapaz.
-Seja bem vinda a família, como é mesmo o seu nome?
-Camille, me chamo Camille Diaz.
-Eu sou James, Camille, espero que goste da vizinhança, pode ficar tranquila, não temos problemas com drogas e muito menos com bandidos, como sabe, o lugar aonde você vai trabalhar é um prostíbulo de luxo.
-É, eu não tive muitas opções.
-Vai se acostumar, a maioria das meninas daqui começaram assim como você, e já vi muitas delas sairem daqui casadas com velhos milionários, algum dia, sua estrela brilha, agora, deixa eu te apresentar o lugar.-Ele disse, pegando um bolo de chaves e saindo do balcão.
Tinham escadas enormes, pareciam que haviam sido construídas durante a segunda guerra mundial, meu apartamento ficava no quinto andar, o que significava 5 andares de escada pra subir, e eu, como a boa sedentária que era, já estava morrendo no segundo.
-Olha, na segunda semana você se acostuma, a flexibilidade do trabalho acaba te deixando em forma.-Ele disse, em tom sarcástico.
Quando finalmente conseguimos chegar no meu apartamento, percebi que ele era um cubículo, eu teria muita dificuldade pra morar com uma criança de 9 anos cheia de vontades aqui, mas, ia ter que funcionar.
-Eu sei que não é uma cobertura no upper east side, mas, todos aqui são muito prestativos, as meninas são muito legais.
-Minha preocupação é porque tenho uma irmã de 9 anos, trazer ela pra cá é um pouco estranho.
-Crianças são estranhas, mas, sua irmã vai se acostumar.-Ele disse, me entregando as chaves e saindo.
Não fazia idéia de por onde começar, esse lugar estava uma sujeira, e eu não podia trazer a Kate pra cá nessas condições.
Resolvi ir até o mercado, com os trocados que me restavam, comprar uns produtos de limpeza e um pouco de comida, o que eu ganhasse hoje talvez fosse o suficiente pra fazer uma compra descente.
-James, você sabe aonde tem um mercado por aqui?
-O mercado mais próximo que vai encontrar fica a duas quadras daqui, é de frente pra Star enterprises, uma empresa gigante, não tem erro.
-Obrigada.-Eu disse, saindo.
Fui andando até o mercado, e quando finalmente cheguei, percebi que James não estava brincando quando disse que era uma empresa gigante! eu ficava chocada com a tara que esses empresários de nova york tinham com prédios que atingiam o céu.
Entrei no mercado e peguei as coisas que eu precisava, olhei pra fila e estava kilométrica, até que, chegou um homem num terno extremamente caro, segurando um engradado de cerveja, querendo furar a fila, e todos pareciam deixar tranquilamente, como se ele fosse alguma espécie de Deus.
-Com licença, senhor, mas o final da fila é atrás de mim.-Eu disse.
-Eu só tenho um item, e estou com muita pressa, vai ser bem rapidinho.
-Eu não me importo se vai ser bem rapidinho, eu também tenho pressa e mesmo assim estou esperando na fila, como todo mundo.
-Você sabe quem eu sou? aposto que não, porque, se soubesse, me deixaria passar sem pensar duas vezes, torcendo pra que eu ficasse com uma boa impressão de você.
-Eu não faço idéia de quem você é, e não me importo nem um pouco, aqui é um mercado aonde todos nós somos clientes, e eu não vou deixar você passar na minha frente.
Todos ficaram me encarando perplexos, é como se eu tivesse enfrentado o presidente, ou sei lá, o homem, insatisfeito, foi para o fim da fila, e eu podia ver a fumaça saindo de sua cabeça.
Terminei de passar minhas compras e fui indo para casa, incrédula com a audácia que aquele homem tinha de achar mesmo que ia passar na minha frente.
Cheguei em casa e comecei a fazer a faxina, rezando pra conseguir deixar tudo pronto a tempo de buscar a Kate no colégio, e eu ainda tinha que arrumar alguém pra tomar conta dela, droga, tinha me esquecido completamente disso.
Peguei meu telefone e liguei para Courtney, torcendo pra que ela pudesse ficar.
*Ligação*
-Camille, graças a Deus, você tá viva!-Ela disse, atendendo ao telefone.
-Eu poderia matar você, não me disse nada sobre o emprego ser para prostituta.
-Amiga, eu sinto muito, é que eu não queria te desanimar, olha, eu sei que não é o melhor dos trabalhos, mas eu estive ai por 3 anos, até que conheci o meu marido, ele me tirou dai, tá bom que depois ele me trocou por uma mais nova, e agora eu preciso trabalhar de garçonete, mas, foram bons momentos, acho que quando nós não temos nada, é alguma coisa.
-Você é ótima em animar as pessoas! mas eu não estou buscando um marido, eu apenas quero fazer dinheiro o suficiente pra arrumar a minha vida, e depois disso eu sumo, eu aceitei o trabalho, mas preciso que alguém cuide da Kate.
-Olha, hoje eu posso, mas, amanhã eu to no turno da noite, mas posso te passar o contato de uma ótima babá, certeza que ela vai fazer um ótimo preço pra você e ela é muito cuidadosa.
-Obrigada, Courtney, fico te devendo essa.
*Ligação off*
Terminei a faxina olhei para o relógio e estava atrasada pra buscar a Kate, fui o mais rápido que eu pude, cheguei na porta do colégio e ela já estava me esperando.
-CAMI!!-Ela gritou, me envolvendo num abraço.
-Kate!! olha, consegui uma casa super legal pra gente, você vai adorar ficar lá, e adivinha quem vai tomar conta de você essa noite? a tia Courtney, certeza que vai ser muito divertido.
-Aonde você vai Cami?-Ela perguntou.
-Eu vou precisar trabalhar.-Respondi.
Chegamos em casa, e a cara da Kate era impagável, com certeza ela tinha achado o lugar todo muito estranho, mas, de certa forma, ela gostou.
-Eu adorei, parece assombrado.-Ela disse.
-Com certeza deve ser.-Respondi.
Liguei pra ela a tv velha que tinha lá, e fui me arrumar para o trabalho, já estava quase na hora.
Tomei um belo banho, e vesti um vestido vermelho, tubinho, que eu tinha ganhado do Dylan, não queria usar nada que ele me desse, mas acho que era a roupa mais ousada que eu tinha, inclusive nem faço ideia do por que ele me deu, se nunca me deixava usar.
Fiz uma maquiagem rápida, e abri a porta para a Courtney, que já havia chegado.
-UAU! VOCÊ TÁ INCRÍVEL.-Ela disse.
-To parecendo uma garota de programa.-Sussurrei.
-É, mas tá parecendo uma super garota de programa.
-Então, não deixa ela ver tv até tarde, o horário de dormir é as 20:00, e não conta a história da chapeuzinho vermelho, ela tem medo do lobo m*l, eu deixei dinheiro pra pizza, mas não deixa ela comer muita pizza, ainda não comprei um telefone novo, mas, a boate fica bem ali na frente, então, qualquer coisa sabe onde me encontrar.-Eu disse.
-Fica tranquila Cami, Kate e eu vamos nos entender super bem, vai lá e arrasa.
Dei um beijo na testa da Kate e sai, rumo ao meu primeiro dia como uma p**a de luxo, se isso ia dar certo, provavelmente não, mas, era tudo o que me restava.