Sandro (presente)
Ver Talita ali, na minha frente, depois de tantos anos... eu não sabia o que pensar. Era como se o mundo tivesse parado por um momento, como se todo o tempo entre nós simplesmente tivesse desaparecido. Ela estava exatamente como eu lembrava, embora mais madura, mais forte, com uma aura que me fazia sentir ainda mais culpado por tudo o que aconteceu.
Eu tentei falar, tentei alcançá-la, mas tudo o que saiu foi o nome dela, murmurado como uma súplica. "Talita..." Meu coração estava uma bagunça. Por que ela se foi sem explicações? Eu havia passado anos me perguntando o que aconteceu, por que ela desapareceu da minha vida sem me deixar uma chance de me explicar.
Eu me casei com Paula por obrigação, não por amor. O filho que ela esperava nem era meu. Fiz o que achei que era certo, mas o meu coração... meu coração sempre pertenceu à Talita. Passei anos tentando encontrá-la, tentando entender o que eu havia feito para merecer seu silêncio. Mas agora, ela estava ali, e eu finalmente poderia dizer tudo o que guardei por tanto tempo.
Talita (presente)
As palavras dele me atingiram como uma onda. Eu queria tanto me proteger, tanto evitar reviver aquela dor. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim ainda se importava. Eu odiava admitir, mas ver Sandro ali, vulnerável, fez com que todas as emoções que guardei por tanto tempo voltassem à tona.
– "Por favor, não me toque, Sandro," disse, com a voz tremendo de dor e raiva. "Você não tem esse direito."
Eu queria sair correndo, queria desaparecer dali o mais rápido possível. Mas algo me prendia. Talvez fosse a necessidade de finalmente enfrentar tudo o que eu fugi por tanto tempo. Ele me deve uma explicação, eu pensava, mas ao mesmo tempo, não sabia se estava pronta para ouvi-la.
Eu me virei, saindo do elevador com pressa, deixando-o ali. Sandro ficou parado, atordoado, e as portas do elevador se fecharam, como se separassem, mais uma vez, nossas vidas.
Sandro (pensando)
Ela foi embora de novo, sem me deixar explicar. Por que ela nunca me deu a chance de falar? Eu sempre quis dizer a ela que meu casamento com Paula não foi por amor. Foi uma obrigação. Eu fiz o que achei que era o certo. Mas, no fundo, eu nunca deixei de amar Talita. E agora, vendo-a novamente, eu percebi que esse sentimento ainda estava vivo. Mais vivo do que eu gostaria de admitir.
Fiquei ali, sozinho, sentindo o peso de todas as palavras que nunca foram ditas, todas as explicações que ela nunca quis ouvir. A dor no meu peito era avassaladora, mas algo me dizia que não era o fim. Que ainda havia uma chance de resolver tudo isso. Mesmo que ela tenha me deixado para trás, eu não podia simplesmente desistir de tentar consertar o que quebramos.
Talita (pensando)
Enquanto caminhava pelos corredores, minha mente estava um caos. Por que eu o vi agora? Por que ele reapareceu depois de tanto tempo? Eu havia construído uma nova vida, uma vida sem ele. Mas, no fundo, sabia que essa ferida nunca cicatrizou completamente. E agora, o passado estava diante de mim, exigindo ser confrontado.
Eu sabia que não poderia fugir para sempre. Mas o que eu faria agora? Sandro estava de volta, e com ele, todas as perguntas não respondidas. Eu me perguntava se algum dia conseguiria encarar a verdade sem que ela me destruísse.
Sandro
Desde o dia em que conheci Júlio na escola, algo me dizia que ele era mais do que apenas um garoto qualquer. Cada gesto dele, o jeito como olhava para Alexandre com tanta admiração, me despertava algo profundo. Uma inquietação que eu não conseguia explicar. Ele me lembrava tanto Talita, mas por quê? E por que eu sentia essa raiva crescente de Alexandre, como se ele tivesse algo que era meu?
Eu tentava afastar esses pensamentos, mas eles voltavam com mais força cada vez que eu via Júlio. Algo não estava certo. Será que ele…? Não, isso era impossível. Eu teria sabido, não teria? Mesmo assim, algo dentro de mim insistia em procurar respostas. E agora, vendo Talita na minha frente, essa urgência só crescia.
Quando entrei no elevador e a vi, meu coração disparou. Ela estava exatamente como eu me lembrava, mas mais forte, mais madura. E mesmo depois de todos esses anos, o impacto de vê-la foi devastador. Eu precisava de respostas, precisava entender por que ela foi embora sem me dar a chance de explicar.
— Talita? — Eu perguntei, segurando seu braço, com medo de que ela desaparecesse novamente, como um sonho r**m que acordamos antes do fim.
Talita
Quando ouvi aquela voz, meu corpo congelou. Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar, mesmo depois de tantos anos. Sandro. O que ele estava fazendo aqui? Tudo o que eu tinha deixado para trás, todas as feridas que eu pensava ter curado, estavam de volta, abertas e sangrando.
Ele me segurou pelo braço, e um turbilhão de sentimentos me invadiu. Raiva, tristeza, saudade. Não sabia o que fazer, nem o que dizer. Tudo o que queria era me afastar, sair correndo e nunca mais olhar para trás. Mas havia algo nos olhos de Sandro, algo que me fez parar.
— Talita, precisamos conversar. — A voz dele tremia. Ele parecia tão desesperado quanto eu estava confusa.
Eu lutei contra a vontade de gritar com ele, de perguntar por que ele me deixou, por que me traiu com Paula, e ainda assim, eu sabia que também precisava de respostas. Por que ele nunca veio atrás de mim? E por que agora, tantos anos depois, ele estava aqui, na minha frente, como se o tempo não tivesse passado?
— Tudo bem, Sandro, vamos conversar. Mas saiba que depois disso, eu quero que me deixe em paz.
Eu disse isso, tentando manter a voz firme, mas por dentro, eu sabia que ainda havia uma parte de mim que nunca o esqueceu. E essa parte me assustava mais do que qualquer coisa.
Sandro
Enquanto caminhávamos juntos para a casa onde tínhamos tantas lembranças, meu coração batia acelerado. Eu sabia que aquela seria uma conversa difícil, mas eu estava determinado a finalmente dizer a verdade. Quando chegamos, eu abri a porta e a convidei para entrar. O lugar parecia o mesmo de antes, como se o tempo tivesse parado. Ela olhou ao redor, absorvendo cada detalhe, e eu vi nos seus olhos que ela também estava revivendo nossas memórias.
— Sandro, você disse que precisava explicar. Então, explique. O que aconteceu? Por que você desapareceu sem deixar rastros?
Ela me encarou com tanta intensidade que senti meu coração apertar. Eu sabia que agora era o momento de ser honesto. De contar tudo.
— Talita, eu sei que te machuquei profundamente. Mas nunca parei de pensar em você. Eu fiz o que fiz para te proteger.
Eu sabia que aquilo soava vago, mas era verdade. Meu casamento com Paula nunca foi sobre amor. Eu havia feito isso para ajudá-la, porque ela estava grávida de outro homem e precisava de apoio. Mas eu não fui honesto com Talita, e esse foi meu maior erro.
— Proteger? De quê, Sandro? — Ela perguntou com incredulidade na voz. — Proteger de ser burra o suficiente para acreditar que você me amava, enquanto estava construindo uma família com outra mulher?
A raiva dela era evidente, e eu entendia. Ela tinha todo o direito de estar furiosa. Mas eu precisava que ela soubesse a verdade.
— Eu não sou o pai do Sérgio, Talita. Eu me casei com Paula porque ela precisava de ajuda, mas não houve amor, e nunca houve i********e entre nós. Eu errei em não te contar, em não confiar em você. Mas eu estava com medo de que você me odiasse ainda mais.
Talita
Eu não sabia o que dizer. A revelação de que ele não era o pai de Sérgio me pegou de surpresa. Durante todos esses anos, eu acreditei que Sandro havia escolhido Paula e o filho deles ao invés de mim e do nosso futuro. Mas agora, descobrir que tudo era uma mentira... isso abalou o meu mundo.
— Por que você nunca me contou isso, Sandro? — Minha voz tremeu. — Por que você me deixou acreditar nessa mentira todo esse tempo?
Ele se aproximou de mim, a expressão cheia de arrependimento. Mas eu recuei, precisando de espaço para processar tudo. Ele tinha que saber que não era tão simples assim. Não era apenas sobre o passado, sobre o que ele fez.
— Não importa mais, Sandro. Nada disso importa agora. — Eu disse, tentando controlar minhas emoções. — Porque eu segui em frente. Eu sou casada agora.
Eu vi o choque nos olhos dele, como se ele tivesse levado um soco no estômago. Casada. Eu sabia que essas palavras o machucariam, mas eram a verdade. Minha vida tinha mudado, e eu não estava disposta a abrir velhas feridas.
— Casada? — Ele repetiu, a incredulidade clara na voz. — E o nosso filho, Talita? E Júlio?
Quando ele falou o nome de Júlio, senti meu corpo gelar. Eu sabia que esse momento chegaria, mas nunca estive preparada para enfrentá-lo. A verdade sobre Júlio, sobre o fato de ele ser filho de Sandro, era uma bomba que eu havia mantido escondida por tanto tempo.
— Sim, Sandro, Júlio é seu filho. — Eu disse, com a voz baixa, mas firme. — E foi por isso que eu fui embora. Eu não queria que ele crescesse em meio à confusão que você criou com Paula. Eu o criei sozinha. E agora ele tem um pai, um homem que o ama e que o cuida como se fosse o próprio filho.
Eu podia ver a dor nos olhos de Sandro, e isso quase me fez hesitar. Mas eu sabia que tinha que ser forte. Eu já havia passado por muito para voltar atrás agora.
Sandro
Quando ouvi o nome "Júlio", algo dentro de mim se quebrou. Todas as peças do quebra-cabeça finalmente se encaixaram. O garoto que tanto me lembrava Talita, que despertava em mim sentimentos inexplicáveis, era meu filho. Meu filho. E eu não sabia. Todo esse tempo, eu estive perto dele, sem saber que ele era uma parte de mim.
— Júlio é meu filho? — Eu perguntei, minha voz saindo em um sussurro.
Ela assentiu, e eu senti como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés. Eu queria gritar, queria chorar, mas não sabia como reagir. Todo o tempo que perdi com ele, todas as vezes que eu vi aquele garoto e senti algo estranho... agora tudo fazia sentido.
— Por que você nunca me disse, Talita? — Eu perguntei, tentando entender. — Por que você me deixou no escuro sobre o meu próprio filho?
Ela respirou fundo, os olhos cheios de lágrimas.
— Porque você não estava pronto, Sandro. Porque eu não queria que ele fosse mais uma vítima do nosso passado. Eu queria protegê-lo de toda a dor que você causou a mim. E agora, ele tem uma vida, uma família, e eu não vou deixar que você atrapalhe isso.
As palavras dela eram como facadas no meu coração, mas eu sabia que ela estava certa. Eu a machuquei, e por consequência, também machuquei meu próprio filho, mesmo sem saber.
— Eu quero conhecê-lo, Talita. — Eu disse, minha voz embargada pela emoção. — **Eu sei que errei, mas eu quero ser