Sentindo o meu corpo estremecer de raiva caminho até à porta, pisando fundo sentindo o rosto quente.
Giro a maçaneta da porta e nada acontece. Não não não, isso não está acontecendo. Giro a maçaneta pela segunda vez e novamente nada acontece, dou dois passos para trás e fico encarando aquela maldita porta totalmente em choque.
— Não, não, não. Mas que p***a! — Esbravejo girando e puxando a maçaneta com força mas ela continua intacta.
— Ruby, volta aqui. Me desculpa. Vamos conversar, é sério…— Dean surge falando em um tom de voz mais calmo caminhando até mim mas estou apreensiva demais com a droga da porta que não dou a mínima importância para ele.
— A p***a da porta não está abrindo, Dean! — Chacoalhei seus ombros o interrompendo como uma forma de avisar a ele que eu não estava dando a mínima para a nossa necessidade de conversar agora.
— O que!? Ah, não. — Ele entorta o pescoço encarando a porta e caminha até ela na tentativa de abri-la também. Ele gira a maçaneta e nada acontece, que surpresa.
— Nossa, nem pensei em girar a droga da maçaneta, que inteligente você é, Dean. — Humorizei caminhando de um lado para o outro sem paciência. Que bacana, ficar presa aqui e agora com esse i****a depois dele conseguir arrancar a minha paciência a força sendo um babaca.
— Vê se cresce. — Ele resmunga me fazendo olhar para ele surpresa pela ousadia.
— Eu que preciso crescer? — Ri sem humor. — Pelo menos eu sei resolver meus problemas sozinha, seu filhinho da mamãe.
— Ei! Tem alguém ouvindo? Nos trancaram aqui dentro! — Dean grita alto me obrigando a tapar os ouvidos para não ficar surda enquanto ele espanca a porta, capaz de realmente conseguirem ouvir da quadra.
— Estão todos na quadra, lá está um barulho do c*****o, seu i****a. — E estava mesmo, já dava para ouvir gritos de competições e pessoas falando no microfone. — Não há ninguém pelos corredores, ninguém irá nos ouvir.
— Então eu deveria sentar e olhar para o seu rostinho lindo a tarde inteira bem conformado? — Dean ironizou me dando um sorriso largo tão falso que se ele não fosse tão lindo teria ficado esquisito.
— Não é como se eu estivesse amando também, seu babaca. — Resmunguei.
Dean travou o maxilar, passou as mãos pelos cabelos tão lisos que provavelmente nem embaraçam, começou a caminhar de um lado para outro bufando provavelmente de raiva. Apenas o observo por uns instantes sem dizer mais nada.
— Sabe que é verdade. — Comentei.
— O que? — Ele questionou me olhando provavelmente sem entender.
— Você é um mimadinho filhinho da mamãe.
— Cala a boca, Ruby. — Ele resmungou virando de costas para mim.
Encaro suas costas largas, e não consigo evitar a vontade de esconder meu rosto nelas, sentir o seu toque, o seu cheiro novamente e ficarmos bem novamente. É meio invocado, durante todo o tempo que nos conhecemos, só estivemos de bem por uma única noite na qual foi a melhor da minha vida.
— Por que? Vai surtar? Seu descontrolado. — Ironizei sentada em uma cadeira ao lado de uma das mesas e ele riu. Ele riu.
— Já estou cansado de discutir com você, só cala a boca.
Levanto da cadeira caminhando em sua direção e empurrando as suas costas e ele virou para mim surpreso com a minha audácia.
— Quem você anda pensando que é para me mandar calar a boca como se fosse o c*****o do chefão da p***a toda?
Pude notar os olhos de Dean passeando pelo meu rosto inteiro enquanto eu falava com ele, não estava dando a mínima para o que eu estava falando.
Ah, malditos olhos castanhos. Eu não vou cair na tentação, eu não vou.
As coisas não podem ser assim, ele fala o que dá vontade, depois me olha com esses olhos e acha que vai resolver tudo. Desvio meu olhar para o lado mantendo a minha dignidade.
— Até agora todas as conversas que tivemos tudo o que você fez foi me ofender, queria que te tratasse como? — Humoriza se afastando de mim também.
— E o que você falou para mim também? Foram só elogios, não é? Babaca! — Esbravejei.
Já entendi o problema. Os dois serem orgulhosos, nenhum dos dois quer dá o braço a torcer e então vamos ficar nessa mágoa i****a o resto da vida.
— Eu pedi desculpas. — Ergueu uma sobrancelha dando de ombros me encarando como se me pedisse para que eu me desculpasse também.
— Não é assim que as coisas funcionam, você faz o que quer e depois só pedir desculpas e tudo vai se resolver. — Elevei meu tom de voz.
A sensação que eu tinha era que os dois estavam estressados, os dois precisavam colocar os seus estresses para fora e estávamos aproveitando a oportunidade sem perceber.
— E o que você quer que eu faça!? Corte os pulsos? Me isole da sociedade? — Gritou com o tom de voz cheio de indignação me olhando como se não acreditasse que eu estivesse falando sério.
— Quando sou eu você quer que faça isso também, provavelmente. Quando sou eu que erro você me trata como uma espécie de lixo retroativo, seu escroto.
— Des.cul.pa! — Falou pausadamente em um grito sem paciência.
— Isso não vai resolver! — Gritei só para implicar, já estou fazendo de propósito, eu confesso.
Dean vira de costas para mim escondendo o rosto nas mãos e gritando me fazendo rir fraco. Mas é muito i****a mesmo.
— Desculpa também. — Baixei a guarda cansando dessa idiotice, não tem mais lógica. Passou. Passado é passado.
Dean pôs as mãos na cintura e jogou a cabeça para trás respirando fundo. Se virou para mim novamente e mordeu o lábio sério, aparentemente para ele estava indo para o coração sim.
— Desculpas não vão resolver. — Imitou minha voz, revirou os olhos e caminhou sentando em uma das cadeiras que tinha ali.
Fico encarando as suas costas enquanto ele arranca alguma coisa da mesa com a unha distraído sem me olhar.
— Dean. — Chamo seu nome em um tom de repreensão.
— Eu estava só brincando, está tudo bem. Acho que nunca sequer estive com raiva de verdade.
— Estamos de bem agora? — Questionei pondo as mãos para trás chutando o vento.
— Acho que sim, não é?